O Egito está planejando outro desfile real: agora com a máscara de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Depois do sucesso estrondoso que foi o desfile das múmias reais, ocorrido no último dia 3 de abril de 2021, o Egito planeja repetir a dose, dessa vez com a máscara de ouro de Tutankhamon. Esse anúncio foi realizado durante um simpósio intitulado “Royal Mummies” ocorrido no dia seguinte à parada.

Tutankhamon é um faraó cuja tumba foi encontrada praticamente intacta em 1922 no Vale dos Reis, famosa necrópole onde foram sepultados alguns dos faraós do Novo Império e membros da alta realeza.

A proposta do evento é tanto transferir a máscara mortuária do rei, como um dos sarcófagos dele (não foi esclarecido qual dos três) para o Grande Museu Egípcio. Na verdade a ideia é que a transferência ocorra dias antes da inauguração desse museu, cuja data ainda não foi definida.

Ao longo dos últimos meses artefatos pertencentes a Tutankhamon foram transferidos para o Grande Museu Egípcio, o que proporcionou algumas descobertas inusitadas. Uma delas foi a de uma caixa encontrada no Museu de Luxor, onde em seu interior estavam peças de artefatos encontrados na tumba do rei, mas que tinham sido dados como desaparecidos em 1973.

Espera-se que o evento da transferência da máscara equipara-se, ou até seja maior do que o das múmias, cujo desfile teve boa recepção mundial e ampla cobertura da mídia.

Existe certa possibilidade de que a transferência seja realizada em alguma data em 2022, justamente para entrar nas comemorações do centenário da descoberta da sepultura. Contudo, não existe nenhuma confirmação disso.

Para saber mais:

Palestra “Tutankhamon: Entendendo a descoberta de sua tumba através de fotografias históricas da época”

Você já ouviu falar da fabulosa descoberta da tumba do faraó Tutankhamon? Ela ocorreu há quase 100 anos, no dia 4 de novembro de 1922. Realizada pelo arqueólogo inglês Howard Carter, seu descobrimento é importante devido a uma série de motivos: um deles é que por ter sido uma tumba encontrada praticamente intacta ela permitiu que pudéssemos conhecer alguns artefatos provenientes do Egito Antigo. Artefatos esses que antes ou eram conhecidos somente devido a ilustrações que enfeitavam paredes de tumbas ou que nem sequer se sabia de sua existência.

Fonte:

Egypt plans another royal parade, this time for King Tut’s gold mask. Disponível em < https://www.al-monitor.com/originals/2021/04/egypt-plans-another-royal-parade-time-king-tuts-gold-mask >. Acesso em 2 de maio de 2021.

Máscara funerária do faraó Tutankhamon: um artefato único

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A máscara de Tutankhamon é um dos artefatos arqueológicos mais surpreendentes advindos da Antiguidade. Feita em ouro e pedras semi e preciosas, ela tinha como objetivo tanto retratar o rei, como passar uma mensagem divina, afinal, de acordo com a crença egípcia antiga, a pele dos deuses era feita de ouro e os seus cabelos de lápis-lazúli.

Imagem frontal da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Existem algumas controvérsias que envolvem este artefato, um delas é se de fato ele retrata o jovem rei. Esta questão, assim como outras informações adicionais tais como os matérias que a compõe, significados das inscrições que estão em suas costas, seu peso e tamanho são comentados no vídeo abaixo:

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Amuletos egípcios: significados dos símbolos e os seus usos

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Quando pensamos em antiguidade egípcia de forma geral a palavra-chave principal é religião. De fato, os indivíduos que viveram sob a autoridade do rio Nilo — e os oásis mais próximos — eram extremamente religiosos e vinculavam parte do seu sucesso, mesmo que dependessem de muita força humana, a divindades, a forças sobrenaturais.

Contudo, pode-se dizer que existe um grande paralelo na religião egípcia onde por um lado ela era exercida pelo faraó e os sacerdotes, cercada pelo mistério e as relações de poder. Do outro, temos a população comum, impedida de adentrar na maioria dos espaços mais sagrados, tendo como alternativa realizar pequenos rituais ou se utilizar de amuletos para alcançar algum objetivo (ANDREWS, 1994).

Variedades de amuletos do Ashmolean Museum. ISBN 84-7838-737-4

Egyptian Amulets

Variedades de amuletos.

O amuleto, ou talismã, é um ornamento pessoal que graças ao seu formato, matéria-prima ou cor poderia dotar o seu portador de capacidades mágicas ou conceder proteção. Na antiguidade egípcia eles faziam parte do cotidiano tanto das pessoas comuns, como da nobreza e da realeza. Na tumba do faraó Tutankhamon, por exemplo, foram encontrados dezenas deles (TIRADRITTI, 1998; JAMES, 2005). A importância dada a estes objetos era tamanha que eles poderiam ser utilizados tanto em vida como no pós-morte. Ainda tinham aqueles que possuíam um uso unicamente funerário, como era o caso do Livro dos Mortos, que eram confeccionados unicamente para ser postos dentro da sepultura (ANDREWS, 1994).

Os amuletos egípcios foram o tema do vídeo especial do Arqueologia Egípcia em comemoração dos mais de 3.000 inscritos no canal. Assista para conhecer mais sobre o universo da religião egípcia.

Alguns tipos de amuletos

Vários foram os tipos de amuletos que prometiam algum tipo de proteção. Um exemplo é o já citado Livro dos Mortos, uma coletânea de fórmulas mágicas destinadas a proteção do falecido. Existiam também os decretos oraculares, que a partir do Terceiro Período Intermediário passaram a ser registrados em cilindros que eram utilizados ao redor do pescoço do interessado. Imagens de antepassados também poderiam assumir funções amuléticas. Gestantes e recém-nascidos tinham algumas opções de proteção devido ao grau de risco que sofriam: Um amuleto com a imagem da deusa Tauret poderia resguardar a grávida e determinadas vestimentas conferiam proteção na hora do parto. Imagens do deus Bés tinha como intenção guardar o recém-nascido e como proteção extra os pais tinham como opção amarrar um papiro com uma fórmula mágica prometendo a sobrevivência da criança ou adotar um vaso cerâmico para leite retratando a imagem de uma mulher amamentando (ANDREWS, 1994; TIRADRITTI, 1998; DAVID, 2011).

Vaso para leite. www.resignation.bg/gallery

Eye of Horus

Ancient Egyptian amulets

Porém, apesar de sabermos a utilidade de uma série destes objetos, a maioria possui o uso ainda desconhecido ou confuso. Imaginem que são dezenas de amuletos com variadas formas — algumas das quais faziam sentido somente para os antigos egípcios, a exemplo do nefer (veja quadro a seguir) —, com imagens de animais que representavam diferentes divindades e mesmo retratando sincretismos. Abaixo vocês poderão conferir uma simples variedade destes objetos e seus respectivos usos:

ImagemNome/Forma/DivindadeSignificado
 AnkhVida.
 WedjatProteção, um amuleto que conferia saúde.
 DjedEstabilidade, permanência.
 TyetTambém chamado de “nó de Ísis”, era colocado no pescoço do morto para a sua proteção.
 NeferNão se sabe a sua serventia. Provavelmente tem algo a ver com beleza ou perfeição.
 TauretAmuletos com a forma desta deusa tinham a intenção de proteger as gestantes e promover um bom parto.
 BésAmuletos com a forma deste deus tinham como objetivo proteger as crianças e afastar os maus sonhos.
 TartarugasAfastar o mal através da intimidação.
 Relacionados com a deusa Hequet, conferiam a fertilidade e renascimento.
 IbO coração do falecido. Conferia eternidade.
 Kheper (escaravelho)Eternidade e renascimento.

Referências bibliográficas:

ANDREWS, Carol. Amulets of Ancient Egypt. Londres: British Museum Press, 1994.

BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.

DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito (Tradução de Angela Machado). Rio de Janeiro: Difel, 2011.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Folio, 2005.

MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). Barcelona: Folio, 2006.

TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998.