Descubra o que o Egito Antigo e Game of Thrones têm em comum

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Game of Thrones trata-se de uma série produzida pelo canal HBO e que é uma adaptação para TV de uma franquia de livros intitulados “As Crônicas de Gelo e Fogo”. Seu enredo está envolto de várias questões e uma delas é que está ocorrendo uma guerra civil dinástica entre várias famílias poderosas, que estão lutando pelo controle dos Sete Reinos ou de ao menos uma parte dele.

Entretanto, o que tem a ver Game of Thrones com o Egito Antigo? Pois bem, e se eu disser para vocês que no Egito ocorreu algo parecido — guerras civis dinásticas — não uma, mas três vezes? Isso se passou durante os chamados “Períodos Intermediários”.

A história da época dos faraós é dividida por nós acadêmicos em grandes conjuntos de períodos dinásticos:  Período Tinita, Antigo Reino, Primeiro Período Intermediário, Médio Reino, Segundo Período Intermediário, Novo Império, Terceiro Período Intermediário, Baixa Época e Período Grego.

E cada um destes grandes períodos eram divididos em várias dinastias, que por sua vez são separadas pelos egiptólogos por famílias ou associações políticas. A estrutura básica destas dinastias foi sugerida pela primeira vez por um estudioso chamado Manetho. Ele era um sacerdote nascido no Egito no século III antes da Era Cristã. A lista dele é complementada e corrigida até hoje pelos egiptólogos.

E esses citados “períodos intermediários” aconteceram três vezes na história do país graças ao enfraquecimento do poder central — causado por diversos motivos indo desde grande corrupção, desentendimentos dentro da família real e crises econômicas —.

Durante os “Períodos Intermediários” a soberania territorial dos faraós foi fragmentada.

Então, este enfraquecimento favoreceu a ascensão de poderes locais que certamente estavam mais organizados tanto politicamente como militarmente. Talvez alguns fãs de Game of Thrones já conseguiram realizar algumas associações: Na série quando ocorre um certo acontecimento no final da 1ª Temporada, o caos político é desencadeado, o que leva algumas famílias locais a cobiçar o Trono de Ferro e consequentemente o poder central é enfraquecido.

O Primeiro Período Intermediário:

O Antigo Reino, que é aquela época em que foi construída a Grande Pirâmide, tem fim com a fragmentação do poder dos reis no norte do país, onde ficava justamente a sua capital, Memphis. Foi assim que teve início o Primeiro Período Intermediário.

Ele é composto pela 7ª, 8ª, 9ª e 10ª Dinastia, onde Memphis, Herakleopolis e Tebas assumem o poder.

O Segundo Período Intermediário:

No Segundo Período Intermediário novamente a integridade territorial do país e perdida, mas, ao contrário do Primeiro Período Intermediário, aqui temos a presença de estrangeiros tomando o poder. Eles eram os hicsos, que se estabeleceram em Avaris.

Temos a 13ª, 14ª, 15ª, 16ª e 17ª Dinastia, sem contar a Dinastia de Abidos. As principais cidades envolvidas são Aváris e Tebas.

O Terceiro Período Intermediário:

Com o fim do Novo Império temos a chegada do Terceiro Período Intermediário. E mais uma vez vemos a ascensão de diferentes dinastias paralelas que reinam em Tânis, Leontópolis e Sais. Para variar também ocorre a invasão kushita. Estes governos estão espalhados pela 21ª, 22ª, 23ª, 24ª e 25ª Dinastia.

Quer saber mais? Assista ao nosso vídeo:

Fontes:

ASTON, D. A. Third Intermediate Period, overview. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

NAUNTON, Christopher. Libyans and Nubians. In: LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo (Tradução de Paulo Neves). Porto alegre: L&PM, 2011.

GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas. Revisão Técnica Manoel Barros de Motta). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

Governantes do Antigo Egito têm tumbas documentadas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Centro de Documentação de Antiguidades do Egito completou o seu projeto para documentar a necrópole de Al-Maala, localizada em Esna (Luxor).

A importância arqueológica desse lugar é devido ao fato de ter sido o cemitério dos governantes do terceiro nomo do Egito durante o Terceiro Período Intermediário.

Foto: MSA. Divulgação.

Al-Maala é o segundo sítio ter uma documentação integral. O primeiro foi o Templo de Esna. O diretor-geral do projeto explicou que a proposta é registrar informações sobre cada centímetro de cada monumento:

Os métodos de documentação reais consistem em conjuntos de dados de computador, planos e sessões, bem como fotografias, desenhos e ilustrações, formulários de registro, caderno de notas, cadernos do sítio, diários e registro de mergulho.

Sistema de GIS, reconstruções 3D e pesquisas geofísicas também foram adotados.

Os túmulos:

Foto: MSA. Divulgação.

O cemitério é composto por sete tumbas que foram divididas pelos pesquisadores em dois grupos. Um deles é composto por três sepulturas sendo a principal pertencente a Ankh-Tify, que foi governador de Nekhen. A exemplo de outros túmulos, o seu está decorado com a sua biografia. Não se sabe a identidade dos donos das outras tumbas. Em uma delas é possível ver detalhes do processo de armazenamento de grãos e o dono do local representado várias vezes, mas nenhum nome conservado. Na outra não existem decorações.

Foto: MSA. Divulgação.

Foto: MSA. Divulgação.

O outro grupo possui as quatro tumbas restantes, onde a principal é a de Sobek-Hotep, que se acredita ser filho de Ankh-Tify. O seu túmulo está decorado com cenas do cotidiano. Já as três demais não estão decoradas e não possuem identificação.

 

Fonte:

Al-Maala necropolis site in Upper Egypt is scientifically documented. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/271375/Heritage/Ancient-Egypt/AlMaala-necropolis-site-in-Upper-Egypt-is-scientif.aspx >. Acesso em 23 de junho de 2017.