É oficial: Tumba do faraó Tutankhamon não possui câmaras ocultas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Após anos de espera finalmente possuímos uma resolução acerca dos trabalhos de busca por câmaras ocultas na tumba do faraó Tutankhamon, que reinou durante a 18ª Dinastia (Novo Império).

Desde 2015 o público acadêmico e curiosos têm esperado uma conclusão acerca desta teoria, que surgiu após a publicação de um artigo do egiptólogo britânico Nicholas Reeves, que sugeriu que a pequena tumba do rei, tombada como “KV-62”, possuiria indícios de entradas para outras câmaras funerárias. Ainda, de acordo com a teoria, estas câmaras seriam nada mais, nada menos, que pertencentes ao sepultamento da rainha Nefertiti, sogra do jovem governante.

Apesar de ser uma sugestão um tanto excêntrica o Ministério das Antiguidades do Egito a considerou plausível e por isso autorizou análises com radares na sepultura. A primeira ocorreu em 2016, liderada pelo próprio Reeves e apontou que existiria “70% de chances”, nas palavras do Ministro das Antiguidades da época, de que existiria câmaras ocultas na sepultura. No entanto, os resultados desta pesquisa foram questionados devido a sua imprecisão e a negativa do seu executor, o Hirokatsu Watanabe em liberar seus dados para que pudessem ser apreciados por outros acadêmicos e a imprensa (o que é comum com pesquisas científicas). Então uma segunda análise foi feita, desta vez pela National Geographic, que desconsiderou qualquer hipótese de existência de tais espaços vazios. Ambas estas pesquisas foram comentadas no nosso vídeo “Sobre as supostas câmaras ocultas na tumba de Tutankhamon” (clique aqui para assistir).

Então no final de 2017 o Ministério aprovou uma nova análise, desta vez liderada por uma equipe italiana. As pesquisas tiveram início em fevereiro (2018) e suas conclusões foram disponibilizadas agora no início de maio (2018) (e já comentada em nossa página no Facebook). O resultado? Não existem câmaras ocultas alguma na sepultura.

Agora poderemos fechar mais um capítulo relacionado com as pesquisas realizadas na tumba de Tutankhamon. Mas, vindo deste rei, agora é só esperar qual nova teoria surgirá sobre ele.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Em uma delas você poderá ver egípcios pintando a parede de uma tumba, tal como teriam pintado as paredes da sepultura de Tutankhamon.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fontes:

Supreme Council of Antiquities denies claims of new discovery in King Tutankhamun’s tomb. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/290670.aspx >. Acesso em 09 de fevereiro de 2018.
Desvendado o grande mistério sobre as câmaras secretas na tumba de Tutancâmon. Disponível em < http://www.bbc.com/portuguese/internacional-44029049 >. Acesso em 07 de maio de 2018.

Fotos: Wikimedia Commons.

Busca por novas evidências ocultas na tumba de Tutankhamon tem início

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Após quase um ano de espera o Ministério das Antiguidades do Egito finalmente liberou a realização de mais uma analise para a busca por câmaras ocultas na KV-62, tumba do faraó Tutankhamon. Localizada no Vale dos Reis, a  sua descoberta ocorreu em 1922, pelo egiptólogo britânico Howard Carter.

Tut Ankh Amon Sarcophagus, Egyptian Museum, Cairo, Egypt

A nova pesquisa será feita com um radar (GPR) de uma equipe da Universidade Politécnica de Turim, coordenada pelo Francesco Porcelli. Também participarão uma equipe egípcia, a Universidade de Turim e três empresas privadas, a Geostudi Astier, 3DGeoimaging e Terravision.

KV-62. As partes amareladas são sugestões do que existiria atrás das paredes. Imagem: Theban Mapping Project (com adições).

A esperança é que esta seja a última de três pesquisas realizadas na sepultura. A proposta desse novo trabalho é sustentar ou desmentir de vez a teoria do egiptólogo britânico Nicholas Reeves, lançada em 2015, sobre a possibilidade de existência de câmaras ocultas por trás das paredes da KV-62. Isso porque as duas pesquisas anteriores (uma feita em 2015 e a outra em 2016) foram consideradas inconclusivas e discordavam entre si, como vocês podem conferir no vídeo abaixo e através do artigo “Tutankhamon, Zahi Hawass e Nicholas Reeves: quais são as últimas novidades sobre a tumba do faraó”:

Apesar das esperanças contidas nesse projeto, os especialistas advertem que um radar só pode apontar anomalias, ou seja, “espaços vazios”. Pesquisas adicionais são necessárias para definir se tais anomalias seriam câmaras ocultas ou não.

Eles já estão trabalhando no Vale dos Reis há um tempo. As análises ocorrem no horário da noite, quando o lugar está fechado para turistas. As medidas já começaram no último dia 31 de janeiro (2018) e seguiram até o dia 06 de fevereiro. Segundo o professor Porcelli, três diferentes sistemas de radar de última geração serão usados ​​para revelar estruturas escondidas com 99% de confiabilidade. As medidas do GPR serão comparadas com dados obtidos em maio passado usando uma técnica não-invasiva, com base no mapeamento tridimensional do subsolo localizado ao redor do túmulo.

Trabalho realizado pela National Geograhic em 2016. Foto: Kenneth Garrett.

É importante explicar que as pesquisas de maio sugeriram a presença de cavidades suspeitas na rocha a poucos metros da tumba. O GPR ajudará a entender se essas cavidades suspeitas são reais e se elas estão diretamente conectadas a KV62.

Depois que esses dados são coletados, leva semanas para que eles sejam processados e analisados. Como comentei no vídeo “Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!”. A ciência é demorada assim mesmo.

Para saber o que mais publiquei aqui no Arqueologia Egípcia sobre o assunto clique aqui.

 

Fontes:

Exclusive Photos: Search Resumes for Hidden Chambers In King Tut’s Tomb. Disponível em < https://news.nationalgeographic.com/2018/02/king-tut-tomb-hidden-chamber-scan-egypt/ >. Acesso em 02 de fevereiro de 2018.

Luz verde para encontrar cámaras secretas en la tumba de Tutankamón. Disponível em < http://www.lavanguardia.com/cultura/20180201/44451753981/camara-secreta-tumba-tutankamon-egipto.html >. Acesso em 02 de fevereiro de 2018.

Buscando pela tumba da esposa de Tutankhamon… Ou não!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No mês de julho (2017) foi lançada a notícia de que o arqueólogo egípcio Zahi Hawass, teria encontrado evidências que apontam para a existência de uma tumba não analisada, próximo a área do Vale dos Reis, famoso sítio arqueológico que abriga as tumbas dos faraós do Novo Império. “Nós estamos crentes que existe uma tumba lá, mas nós não sabemos com certeza a quem pertence”, disse Hawass ao site Live Science. “Nós estamos certos de que é uma tumba escondida naquela área porque eu encontrei quatro depósitos de fundações”[1], fundações estas que seriam caches ou furos no chão que foram preenchidos com objetos votivos tais como vasos de cerâmica, restos de comida e outras ferramentas, nas palavras do próprio arqueólogo.

Ancient Egypt Dr. zahi Hawass

Dr. Zahi Hawass na tumba da rainha Nefertari

A área visada por Hawass é o chamado Vale Oeste (ou Vale Ocidental), um espaço um pouco mais afastado das tumbas principais do Vale dos Reis, tais como a do faraó Tutankhamon (KV-62), Seti I (KV-17), Ramsés II (KV-7), etc. Embora o Vale Oeste seja pouco conhecido pelo público comum, é lá onde foram sepultados o faraó Amehotep III (WV22) e ainda mais afastado o Ay (WV23), esta última é a mais próxima desta possível tumba identificada por Hawass.

Dada a esta proximidade com a WV23, Hawass sugeriu em entrevista que o dono do sepulcro poderia ser a rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon. Esta sugestão não é infundada, já que existem ao menos três fatores que apontam para ela ser a melhor possibilidade como a dona do local:

Pair Statue of Tutankhamun and AnkhesenamunTutankhamon e Ankhsenamon

☥ A proximidade com a tumba de Ay que possivelmente foi seu esposo ou co-regente;

☥ Que a tumba de Ay, a priori, pode ter pertencido a Tutankhamon;

☥ Ela não foi sepultada no Vale das Rainhas, porque este cemitério possivelmente foi inaugurado pela rainha Sitra (QV-38), consorte de Ramsés I.

— Saiba mais: Ankhesenamon e Tutankhamon

Mas, é importante que não se leve esta possibilidade como a única, como o próprio Hawass salientou no início de agosto: “Quero deixar claro, porque se tem publicado informações erradas nos últimos dias. A escavação não começou e nem ocorreu descoberta alguma ainda[2]. Eu confio em poder iniciar a missão em breve e que os trabalhos nos levem a este enterramento escondido” [3].

137 In the Valley of the KingsVale dos Reis

Existe alguma possibilidade de que esta tumba esteja intacta?

Sim, existe. Entretanto, ao longo dos séculos vários saques ocorreram em sítios arqueológicos egípcios, a exemplo do Vale dos Reis e o Vale Oeste, que foram duas das áreas mais visadas pelos ladrões de antiguidades. Por isso, é pouco provável que caso exista uma sepultura neste espaço ela esteja intacta. Porém, nunca se sabe, já que a Arqueologia é sempre cheia de surpresas.

Fontes:

[1] King Tut’s Wife May Be Buried in Newly Discovered Tomb. Disponível em < https://www.livescience.com/59840-king-tut-wife-tomb-possibly-found.html >. Acesso em 19 de julho de 2017.

[3] En busca de la tumba de la esposa de Tutankamón. Disponível em < http://www.elmundo.es/ciencia-y-salud/ciencia/2017/08/09/5989f96946163f3c418b45d4.html >. Acesso em 10 de agosto de 2017.


[2] Negrito meu.

 

Esposa de Tutankhamon talvez foi sepultada em tumba recém-descoberta

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O arqueólogo e ex-ministro das Antiguidades do Egito, Zahi Hawass, com a sua equipe de pesquisadores, afirma ter evidências de que encontrou uma tumba que possivelmente pertenceu a rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon — cuja sepultura foi descoberta praticamente intacta em 1922 — e filha do casal Nefertiti e Akhenaton.

Ankhesenamon e Tutankhamon e Ankhesenamon. Foto: Fonte: STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

A tumba, que está localizada no Vale dos Reis, próximo a sepultura do faraó Ay [1] (a qual alguns egiptólogos acreditam que a priori pertenceria a Tutankhamon), ainda não foi escavada, mas existe um projeto para tal.

Ankhesenamon em Luxor. Foto: Lionel Leruste. 2007.

Em 7 de julho a National Geographic italiana publicou um artigo que sugere que uma equipe liderada por Hawass tinha encontrado uma nova tumba no Vale dos Reis e agora o pesquisador confirmou esta descoberta. “Nós estamos crentes que existe uma tumba lá, mas nós não sabemos com certeza a quem pertence”, disse Hawass ao site Live Science. Apesar disso ele afirmou que acredita se tratar da tumba de Ankhesenamon dada a proximidade com a tumba de Ay[1], com quem ela possivelmente foi casada após a morte de Tutankhamon.

“Nós estamos certos de que é uma tumba escondida naquela área porque eu encontrei quatro depósitos de fundações” e complementou explicando que estas fundações seriam “caches ou furos no chão que foram preenchidos com objetos votivos como vasos de cerâmica, restos de comida e outras ferramentas como um sinal de que uma construção de uma tumba foi iniciada”. Um contexto parecido já foi encontrado em outros lugares, como o próprio Hawass explica: “Os antigos egípcios usualmente faziam quatro ou cinco fundações depósitos sempre que iniciavam a construção de um túmulo”[1].

 

Quem foi Ankhesenamon?

Não é tarefa fácil saber o que ocorreu durante os anos finais da vida da rainha Ankhesenamon: sabemos que ela sobreviveu a Tutankhamon e que o sepultou. Com ele teve certamente um bebê que só viveu alguns dias e um possível natimorto (ambas as crianças foram sepultadas com Tutankhamon) (DAVID; DAVID, 1992; BUNSON, 2002; HAWASS et al, 2010). Um anel encontrado na década de 1920 mostra o nome dela ao lado do nome de Ay, sucessor do seu marido, o que propõe uma co-regencia ou que ela casou-se com ele. Contudo, na tumba dele não há indícios dela como sua esposa, mas sim Ty, sua mulher desde a época do reinado de Akhenaton (CARTER; MARCE, 1977; GRIMAL, 2012).

— Saiba mais: Ankhesenamon e Tutankhamon

A busca pela tumba desta rainha já perdura há alguns anos. A priori acreditou-se que ela poderia ter sido sepultada na KV-63, sugestão que foi abandonada após se descobrir que o local era um cache de mumificação [2]. Depois que teria sido na KV-21 (PÉREZ-ACCINO, 2003; PARRA, 2011). Agora temos esta possível KV-65. A resposta? Teremos que esperar mais algum tempo para descobrir.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Folio, 2005.

Fontes:

[1] King Tut’s Wife May Be Buried in Newly Discovered Tomb. Disponível em < https://www.livescience.com/59840-king-tut-wife-tomb-possibly-found.html >. Acesso em 19 de julho de 2017.

[2] Documentários: King Tut’s Mystery Tomb Opened (Discovery Channel; 2006); Egypt’s Mystery Chamber (Discovery Channel; 2009).

BUNSON, Margaret R. Encyclopedia of Ancient Egypt. New York: Facts on File, 2002.

CARTER, Howard; MACE, Arthur. The Discovery of the Tomb of Tutankhamen. London: Dover Publications, 1977.

DAVID, Rosalie; DAVID, Antony. A Biographical Dictionary of Ancient Egypt. London: Steaby, 1992.

GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

HAWASS, Zahi;  GAD, Yehia Z;  ISMAIL, Somaia; KHAIRAT, Rabab; FATHALLA, Dina; HASAN, Naglaa; AHMED, Amal; ELLEITHY, Hisham; BALL, Markus; GABALLAH, Fawzi; WASEF, Sally; FATEEN, Mohamed; AMER, Hany; GOSTNER, Paul; SELIM, Ashraf; ZINK, Albert; PUSCH, Carsten M. Ancestry and Pathology in King Tutankhamun’s Family. JAMA. 303(7):638-647, 2010.

PARRRA, José Miguel. El verdadero origen del faraón niño: La familia de Tutankamón. Historia National Geographic. Nº 83.

PÉREZ-ACCINO, José Ramón. “Primeros cuerpos, primeras tumbas. En torno a los orígenes del valle de los Reyes”. In: POLO, Miguel Ángel Molinero. Arte y sociedad del Egipto antiguo. Encontro, 2000.

7 fotos interessantes da descoberta da tumba de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Já faz um tempo que não gravo nenhum vídeo para o quadro “Tut e o Vale dos Reis”, mas finalmente está aí mais um tema para vocês: 7 fotos interessantes da descoberta da tumba de Tutankhamon.

Para este vídeo selecionei 7 fotos da época da abertura da sepultura do faraó Tutankhamon. Meu argumento foi separar alguns dos detalhes os quais achei atraentes e que vocês poderiam gostar.
Todas as fotografias, sem exceção, são de autoria do fotografo Harry Burton.

Sobre o selo da necrópole:

No vídeo comentei em um dado momento sobre o nome que está no selo da necrópole possivelmente ser do rei Ay. Contudo, como comentei lá, não levem muito a sério. Observei a foto em alta resolução e ainda assim não consegui identificar 100% de quem é o nome. Olhei um dos registros de Carter e o único desenho que encontrei estava sem o cartucho. Então foi só uma dedução minha baseada UNICAMENTE na foto que tenho acesso.

A arquitetura dos faraós: túmulos e moradias

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Nos muitos livros e revistas dedicados a falar sobre a civilização egípcia sempre nos deparamos com a afirmativa de que o Egito só prosperou por conta das cheias do Nilo. Entretanto, raramente somos alertados de que para que elas pudessem ser aproveitadas de forma satisfatória canais foram construídos para distribuir a água e permitir o transporte de pessoas, animais, alimentos e matérias-primas por todo o país, assim como barragens de contenção eram utilizadas para evitar que as fortes cheias invadissem as residências.

Fora que é um pensamento muito simplista considerar que a arquitetura, independente da época, tem como única finalidade edificar abrigos ou edifícios belos. Ela, acima de tudo, é algo proposital, ou seja, independentemente do tamanho da obra, o seu planejamento necessitou de toda uma organização humana. Por esse motivo, não se pode ignorar que ela pode ser capaz de influenciar na percepção das pessoas em relação a uma determinada cultura, religião, figura política, etc.

Abaixo, compartilho um vídeo que gravei para o canal do Arqueologia Egípcia no Youtube (clique aqui para se inscrever) onde dou alguns exemplos do uso da Arquitetura como uma ferramenta de poder e como um discurso religioso. Também apresento alguns tipos de moradias e falo sobre a construção de túmulos:

– Saiba mais: Foi descoberta documentação que comenta construção da Grande Pirâmide

Egito, uma civilização unicamente funerária?

Quando pensamos no Egito Antigo, não é incomum lembrarmos imediatamente das pirâmides ou dos túmulos do Vale dos Reis, como se a Arquitetura egípcia tivesse sido desenvolvida única e exclusivamente para atender a morte e o suposto fascínio que os egípcios possuíam por temas de cunho funerário. Resumir toda uma população de uma civilização que existiu por milênios a suposição de que todos eram indivíduos melancólicos ou obcecados com a ideia da morte é um erro. Atualmente é reconhecido que essas pessoas estavam mais interessadas em perpetuar a vida e tentar evitar a inevitável morte.

Imagem 1: Pirâmide em Deir el-Medina. Foto: WILDUNG, 2009.

Assim, a perspectiva de que através de ritos, amuletos e da própria arquitetura seria possível dar uma chance ao falecido de ingressar em um novo ambiente – uma pós vida – foi vista com muita consideração. No entanto, paralelamente a ideia de eternidade, foi um pensamento comum o de que uma vez que a vida após a morte seria infinita, não teria cabimento que o corpo do morto e a sua tumba fossem finitos. Por este motivo foi que a arquitetura tumular fez uso de matérias primas mais resistentes tais como pedras calcárias ou granito, enquanto que casas eram feitas com tijolos de barro.

Imagem 2: Cena disponibilizada pela Edições Del Prado, uma editora especialista em venda de modelos colecionáveis. Confira aqui outras imagens!

Seguindo um principio parecido era os templos egípcios, ao menos os principais, tais como os de Karnak, Luxor, Abu Simbel, etc.

Imagem 3: Foto aérea do templo de Karnak. Foto: National Geographic.

E ainda temos, claro, as moradias tanto das pessoas da realeza, como daquelas de fora dela. Em ambos os casos os materiais mais comuns utilizados foi o adobe e é exatamente por isso que não possuímos nenhuma amostra desse tipo de edificação totalmente de pé. Contudo, os antigos egípcios nos brindaram com uma extensa iconografia e muitas maquetes, algumas das quais utilizei como base para construir os modelos que apresento no vídeo que abre essa postagem.

Imagem 4: Representação de uma casa do Período Faraônico. Foto: STROUHAL, 2007.

Imagem 5: Reprodução de casa do Peíodo Faraônico.

Arquitetura egípcia é um tema muito amplo e que planejo retomar muito em breve apontando casos mais específicos. Lembrando que lá no canal já falei, por exemplo, do templo de Ramsés II em Abu Simbel. Clique aqui e assista.

Fontes:

BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.

DODSON, Aidan. As Pirâmides do Antigo Império (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2007.

KEMP, B. El Antiguo Egipto: Anatomía de uma civilización. Tradução de Mònica Tusell. Barcelona: Ed. Crítica, 1996.

STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

ZARANKIN, Andrés. Arqueología de la Arquitectura: modelando al individuo disciplinado em la sociedad capitalista. Revista de Arqueologia Americana. n. 22, 2003; p. 25-39.

WILDUNG, Dietrich. O Egipto: da pré-história aos romanos (Tradução de Maria Filomena Duarte). Lisboa: Taschen, 2009.

Links interessantes:

Amarna 3D
http://www.amarna3d.com/

EgyptVR
https://www.facebook.com/EgyptVR/

Karnak 3D
http://www.karnak3d.net/

Theban Mapping Project
http://www.thebanmappingproject.com/

KV-55: uma das mais controversas descobertas feitas no Egito

Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A Arqueologia egípcia na virada do século XIX para o XX ainda tinha um forte caráter imperialista e antiquarista, estando associada ao fetiche da descoberta do ouro e de belas esculturas. E foi nesse cenário que uma das mais polêmicas descobertas realizadas no Vale dos Reis foi feita, contando com um registro pobre dos artefatos e um relatório pouco confiável.

A temporada teve início no dia 1 de janeiro de 1907 com o arqueólogo Edward Russell Ayrton (1882 – 1914) limpando a área a sul da KV-6 (tumba de Ramsés IX) onde encontrou nos dias seguintes vários jarros grandes datados da 20ª Dinastia e mais adiante, em um nível inferior, a entrada para uma tumba hoje chamada de KV-55 (REEVES; WILKINSON, 1996).

Hortense Schleiter, Edward Russell Ayrton, Theodore Davies e Arthur Weigall.

Mesmo após mais de 100 anos da sua descoberta, a KV-55 é um dos mais controversos achados feitos no Egito, mas não somente devido às dúvidas que levantou acerca dos artefatos, mas dada as circunstâncias adversas em que foi escavada e a confecção do seu relatório de divulgação, que não foi escrito pelo arqueólogo da equipe, o Ayrton, mas por Theodore Davis, um rico empresário norte-americano patrocinador da pesquisa e sem formação em Arqueologia (REEVES, 2008). Aparentemente Davis era um homem caprichoso e não queria que ninguém interferisse em suas opiniões, mesmo que a intromissão fosse de algum profissional da Arqueologia, como uma citação em uma carta do rev. Archibald Henry Sayce (1845 – 1933) para Arthur Weigall (1880 – 1934), supervisor de Davis em nome do Serviço de Antiguidades, sugere:

“Eu estou com medo de que você poderia muito bem tentar parar uma avalanche assim com tentar parar Sr. Davis quando ele está inclinado a fazer uma coisa em particular” (REEVES; WILKINSON, 1996, pág. 78).

Graças a intervenção de Davis o relatório não saiu de acordo com o ponto de vista e análises de Ayrton e até mesmo o registro fotográfico foi comprometido: a ordem foi para que deixasse a bagunça do local mais “apresentável” nas fotografias (JACQ, 2002). Um erro grosseiro.

A KV-55 é compreendida por um corredor que leva até uma câmara funerária onde foi encontrada uma série de artefatos incluindo um santuário de madeira folheado a ouro, um ataúde, quatro vasos canópicos e um conjunto de objetos chamados de “tijolos mágicos”. Provavelmente foi escavada concomitante com a KV-46 (tumba de Yuya e Tuya) e a KV-62 (tumba de Tutankhamon) e um indicio aponta que o local não foi finalizado: foi observado que as paredes e o teto da câmara funerária foram engessados, mas não decorados e uma ostraca pintada com o que parece ter sido o plano original da tumba foi encontrada dentro da KV-55 em 1993, durante as pesquisas da arqueóloga canadense Lyla Pitada Brock. Algumas marcas nas paredes também dão indicações sobre a sua confecção, pois mostram indícios de alargamento deixados pelos pedreiros na entrada, incluindo uma posterior elevação no teto e o número de escadas aumentado[1].

O Período Amarniano:

Para tentar compreender esta sepultura e seus artefatos é necessário entender o Período Amarniano, intervalo temporal que inicia com a coroação do faraó Akhenaton e termina com o reinado do faraó Ay[2]. Filho de Amenhotep III e da rainha Tiye, Akhenaton, outrora chamado de Amenhotep IV, tornou-se notável na Egiptologia por conta de sua revolução religiosa onde passou a ignorar todas as divindades do Egito, exceto uma, Aton, o Disco Solar, e da mudança da capital de Tebas, que recebia a proteção do deus Amon, para Aketaton, cuja tradução é “Horizonte de Aton”.

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Akhenaton, sua esposa Nefertiti e três das suas seis filhas sendo tocadas pelos raios de Aton. Foto: Kenneth Garrett. Abril de 2001.

Sua preferência por Aton ao contrário dos demais deuses foi o que levou anos depois a exclusão tanto do seu nome, como dos seus descendentes, dos inventários de faraós, sendo então apresentada uma lista que dá um pulo do governo de Amenhotep III para o de Horemheb. Porém, entre estes dois conhecemos a existência de ao menos cinco faraós:

☥ Amenhotep IV/Akhenaton: Que inaugurou a capital “Akhetaton” e criou templos para Aton. Construiu uma tumba para si em Tebas e depois em Akhetaton, contudo provavelmente sua sepultura foi relocada para algum lugar em Tebas;

☥ Smenkhará: Sucessor de Akhenaton, mas que só reina por cerca de três a dois anos. Sua tumba não foi encontrada;

☥ Ankheperurá: Farani cuja existência ainda é fruto de muito debate. Sua tumba não foi encontrada;

☥ Tutankhaton/Tutankhamon: Faraó que reinou por nove anos e foi sepultado na KV-62;

☥ Ay: Reinou por cerca de dois anos. Foi sepultado na KV-22.

O declínio do Período Amarniano tem início com o reinado do faraó Tutankhamon, que restituiu o panteão de deuses, mas não dá totalmente as costas para Amarna, relocando sepultamentos da família real para Tebas e a KV-55 parece ser uma dessas tumbas.

Os artefatos encontrados e o corpo no ataúde:  

No local foram encontrados muitos objetos datados como pertencentes ao Período Amarniano. Um dos principais é o santuário que foi originalmente preparado para a rainha Tiye, o que levou Davis a declarar que a KV-55 trata-se da sua tumba e de fato faz sentido, já que este tipo de peça era utilizado para proteger o sarcófago de pedra e o ataúde. Entretanto, foi sugerido através dos exames de DNA realizados entre os anos de 2007 e 2008 que uma das múmias encontradas em um esconderijo em outra tumba, a KV-35, seria a da rainha, uma proposta que não é amplamente aceita, porque mesmo com o resultado apontando que ela trata-se de uma parente sanguineamente próxima ao casal Yuya e Tuya, pais da própria rainha (HAWASS et al, 2010; PARRA, 2011), não é aconselhado realizar análise de DNA em múmias por conta não só da antiguidade do material, mas devido a possibilidade de contaminação que os corpos podem ter sofrido. Caso de fato uma das múmias encontradas na KV-35 seja da rainha Tiye a explicação para o que poderia ter ocorrido é que a sua tumba original (talvez a KV-55) foi comprometida de alguma forma e ela precisou ser relocada para um espaço seguro (REEVES, 2008).

Já os vasos canópicos seguramente foram feitos para a rainha Kiya, uma esposa secundária do faraó Akhenaton, uma vez que estão nominados para ela. Por muito tempo muitos acadêmicos acreditaram que a rainha Kiya era a mãe do faraó Tutankhamon, entretanto, a análise de DNA dos anos de 2007 e 2008 aponta que em verdade a mãe dele seria uma irmã de Akhenaton (HAWASS et al, 2010; PARRA, 2011).

Tampa do vaso canópico da rainha Kiya. Imagem disponível em < https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/05/f2/60/05f260fc082f729bcfc514ffeb334e6e.jpg >. Acesso em 27 de janeiro de 2015.

Todavia a identidade do dono do ataúde e do corpo encontrado dentro dele é uma grande incógnita. O problema começa com o próprio ataúde, cujo o nome que se encontrava em um cartouche protetor foi extraído, o que parece ter sido algo deliberado, já que o rosto do sarcófago também foi avariado (REEVES, 2008). De acordo com a crença egípcia, para que o morto não sofresse uma “morte verdadeira” e fosse capaz de realizar sua viagem no “além tumulo” era necessário que a sua múmia estivesse intacta e devidamente nominada. A sua máscara mortuária deveria retratar o seu rosto de tal forma que o individuo pudesse ser reconhecido. Sabendo disto foi sugerido então que quem quer que realizou as mudanças no sarcófago não tinha a mínima intenção de que a pessoa nele sepultada pudesse ingressar no além vida (PARRA, 2011).

Ataúde da KV-55. Imagem disponível em < http://www.ancient-origins.net/ancient-places-africa/mystery-egyptian-tomb-kv55-valley-kings-002608 >. Acesso em 27 de janeiro de 2015.

Uma das primeiras teorias levantadas durante a busca da sua identidade foi apontada pelo famoso filólogo Sir Alan Gardiner (1879 – 1963) que argumentou que as titulações presentes no ataúde eram as de Akhenaton. Outros pesquisadores, no entanto, pontuaram que as inscrições foram alteradas em algum momento na antiguidade e que por isso o corpo sepultado lá poderia não ser o dono original do ataúde. Já o estudioso francês Georges Daressy sugeriu que ele poderia ter sido originalmente feito para a rainha Tiye e que depois foi adaptado para Smenkhkara, um sucessor de Akhenaton que reinou por pouco tempo antes de Ankheperura e Tutankhamon. Outra teoria é de que ele foi feito para Smenkhkara durante o reinado de Akhenaton e que após assumir o trono ele foi modificado[3]. Já Reeves (2008) aponta que o ataúde possivelmente foi preparado originalmente para a rainha Kiya, mas que foi alterado para servir outro dono.

Detalhe do sarcófago da KV-55. Imagem disponível em < http://egyptologist.org/discus/messages/41/7446.html?1046805375 >. Acesso em 27 de janeiro de 2015.

Não é de se espantar que tantos pesquisadores experientes se debatam em razão de qual poderia ser a identidade do dono do ataúde, afinal, quando o olhamos notamos que ele foi feito para alguém da realeza, possuindo o negativo de um cartouche, elemento usado somente para o nome de pessoas da nobreza como o faraó, a rainha e suas crianças, e também possui uma ureus em sua testa; Entretanto, no lugar do tradicional nemes (o toucado de listras), que era um objeto que identificava um faraó ou uma farani, está uma peruca núbia que era usada tanto por mulheres como por homens comuns e inclusive pelos próprios faraós. Ainda nas inscrições remanescentes no corpo do ataúde podemos encontrar a expressão “senhor do Alto e Baixo Egito” (JACQ, 2002), também marcas que apontam ser ali um faraó ou uma farani.

Em relação ao corpo, algumas das pesquisas já realizadas apontaram similaridades físicas e de grupo sanguíneo entre este individuo com a múmia de Tutankhamon (alguns aspectos desse estudo serão apresentados no meu livro “Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis”); o exame de DNA 2007/2008 apontou um forte grau de parentesco que sugere que ele seria o pai de Tutankhamon e as deduções arqueológicas levam a crer que este homem desconhecido da KV-55 seria o próprio Akhenaton (REEVES, 2008; HAWASS et al, 2010). Todavia, o fato é que ainda não existe consenso acerca da identidade dos restos mortais do individuo encontrado lá, especialmente porque em algum momento ao longo destes mais de 3000 anos a múmia se decompôs e resumiu o corpo a osso os quais atualmente está em um mau estado de conservação a tal ponto que não é possível realizar uma análise osteológica para definir um parâmetro de sua idade no momento da sua morte, sem acabar por confundir a degradação óssea devido à sua antiguidade com uma patologia óssea gerada pelo o envelhecimento do próprio individuo. Desta forma a sua idade já chegou a ser estimada como 25/26 anos, outros acima de 35, e mesmo reduzida para 20 anos (PÉREZ-ACCINO, 2003; REEVES, 2008).

Mais questões problemáticas:

Conhecer a finalidade da KV-55, a identidade do corpo nela encontrado e para quem de fato o ataúde foi confeccionado não são meras curiosidades, ter estas informações podem auxilar os atuais pesquisadores a entender mais os anos finais do Período Amarniano, como por exemplo, além de excluir os nomes dos faraós deste período e se de fato a ideia de danificar o ataúde era para deixar a pessoa nele encerrado sem uma identidade na sua vida no “além-túmulo”, até onde teria ido a perseguição à memória dos principais nomes dessa época?

Entretanto, dado ao trabalho executado com tantas falhas, algumas questões podem não ser respondidas, uma vez que existem casos não solucionados de furtos. Desde a década de 1920 os pesquisadores que tiveram algum contato com os artefatos retirados da tumba não foram coesos em afirmar quais objetos chegaram a sumir após a descoberta. Aparentemente tratam-se de folhas de ouro que teriam sido encontradas dentro do ataúde e que possivelmente um dia enrolou o corpo da múmia. Ao que parece tais folhas foram furtadas em algum momento ligeiramente após a descoberta da KV-55. Porém, mais coisas teriam sido furtadas, como sugeriu o ex-ministro das antiguidades, Zahi Hawass. Segundo ele, há alguns anos, partes dessas folhas, juntamente com elementos do fundo do próprio sarcófago, ressurgiram no Museu de Arte Egípcia, em Munique, na Alemanha e que com a descoberta do crime os objetos foram repatriados para o Egito[3].

O que tudo sugere é que a KV-55 continuará emanando muitos mistérios, pois, independente dos esforços dos atuais pesquisadores, questões e mais questões (algumas de teor sensacionalista) sempre são levantas, demonstrando o fascínio que o senso comum e mesmo acadêmicos sentem por esta descoberta que guarda o corpo de um individuo tão desafortunado, uma vez que o ódio e exclusão de um nome em um ataúde era uma situação gravíssima e indicava que a pessoa não era bem-quista em vida e muito menos na morte.

Referências:

HAWASS, Zahi.  GAD, Yehia Z.  ISMAIL, Somaia. KHAIRAT, Rabab. FATHALLA, Dina. HASAN, Naglaa. AHMED, Amal. ELLEITHY, Hisham. BALL, Markus. GABALLAH, Fawzi. WASEF, Sally. FATEEN, Mohamed. AMER, Hany. GOSTNER, Paul. SELIM, Ashraf. ZINK, Albert. PUSCH, Carsten M. Ancestry and Pathology in King Tutankhamun’s Family. JAMA. 303(7):638-647, 2010.

JACQ, Christian. Nefertiti e Akhenaton: O casal solar (Tradução de Maria D. Alexandre). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005.

PARRRA, José Miguel. El verdadero origen del faraón niño: La familia de Tutankamón. Historia. National Geographic. Nº 83.

PÉREZ-ACCINO, José Ramón (c). “Where is the body of Akhenaten?”. In: Manley, Bill. (ed). The Seventy Great Mysteries of Ancient Egypt. United Kingdom: Thames & Hudson, 2003.

O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: Terra de faraós (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Folio, 2007.

REEVES, Nicholas; WILKINSON, Richard. The Complete Valley of the Kings. London: Thames & Hudson, 1996.

REEVES, Nicholas. The Complete Tutankhamun. London: Thames & Hudson, 2008.


 

[1] KV 55 (Tiye (?) or Akhenaten (?)).  Disponível em < http://www.thebanmappingproject.com/sites/browse_tomb_869.html >. Acesso em 16 de janeiro de 2015.
[2] Alguns autores preferem situar seu fim no reinado do faraó Tutankhamon.
[3] Hawass, Zahi. Mystery of the Mummy from KV55. Disponível em < http://www.guardians.net/hawass/articles/Mystery%20of%20the%20Mummy%20from%20KV55.htm >. Acesso em 16 de janeiro de 2015.

Pesquisas no Vale dos Reis apontam a existência de possíveis novas tumbas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Vale dos Reis, hoje um dos sítios arqueológicos mais importantes do Egito, outrora foi utilizado amplamente como local de sepultamento da realeza egípcia durante o Novo Império. Ao todo foram encontradas 64 construções subterrâneas que oscilam entre tumbas e depósitos de objetos para mumificação, mas arqueólogos (as) acreditam que existem outras mais.

De acordo com a teoria, as estruturas desaparecidas podem incluir várias pequenas tumbas ou mesmo um grande sepulcro real. Entre os anos de 2007 e 2010 o Glen Dash Foundation for Archaeological Research atuou no local em auxilio a uma equipe de pesquisadores egípcios coordenados por Afifi Ghonim, arqueólogo do MSA e Inspetor-Chefe de Gizé. De acordo com ele, o projeto trata-se da “mais extensa exploração no Vale dos Reis, desde a época de Howard Carter”, disse ao LiveScience referindo-se ao arqueólogo inglês que descobriu a tumba de Tutankhamon em 1922.

Vale dos Reis. Imagem disponível em . Acesso em 09 de novembro de 2011.

Vale dos Reis. Imagem disponível em < http://www.touristspots.org/the-valley-of-the-kings-in-thebes-egypt/ >. Acesso em 09 de novembro de 2011.

“O consenso é que lá existam provavelmente várias pequenas tumbas como as recentemente encontradas KV-63 e KV-64 para serem encontradas. Mas ainda há a possibilidade de encontrar uma tumba real”, declarou Ghonim, “As rainhas do final da 18ª Dinastia estão faltando, assim como alguns faraós do Império Novo, como Ramsés VIII”.

A busca por túmulos no Vale dos Reis está sendo realizada com um radar de penetração no solo, que se trata de um método não invasivo no qual os (as) arqueólogos (as) lançam ondas de rádio de alta frequência que ao baterem em alguma estrutura ou objeto são refletidos de volta para o aparelho. Porém, falhas na própria estrutura geológica do vale podem dar falsos positivos, como quando uma equipe anterior acreditou ter encontrado com o auxílio do aparelho uma tumba do Novo Império, mais especificamente do Período Amarniano, mas ao escavar o local não encontrou nada.

Pôr do sol no Vale dos Reis. Foto disponível em . Acesso em 07 de junho de 2013.

Pôr do sol no Vale dos Reis. Foto disponível em < http://viajeaqui.abril.com.br/materias/rei-tut-segredos-de-familia#3 >. Acesso em 07 de junho de 2013.

Ghonim explica que também há outro problema: existe uma possibilidade de se encontrar uma múmia sepultada no local, mas que não se trata do seu ocupante original. Um exemplo é a KV-64, descoberta em 2011, onde foi encontrado o ataúde de uma cantora chamada Nekhmet Bastet, que viveu no Período Tardio.

Porém Ghonim é otimista e acredita que pode existir uma ou mais tumbas intactas. Mas ele explica que o seu objetivo no local não é somente procurar túmulos, mas realizar achados que nos façam entender mais acerca da vida no Egito Antigo, a exemplo da descoberta de um sistema de controle de inundações criado na antiguidade e que esperava-se que protegesse as tumbas de inundações e detritos, mas que em algum momento (acredita-se que meses ou poucos anos após a morte de Tutankhamon) se rompeu e acabou inumando as tumbas que se encontravam na base do Vale, dentre elas a KV-62, o que foi benéfico para ela, uma vez que a tumba ficou oculta para os saqueadores e somente descoberta no inicio do século XX por uma equipe de Arqueologia.

Outras descobertas realizadas por Ghonim têm relação com o estudo das antigas barracas de trabalhadores e os grafites realizados ao longo da história da visitação do Vale.

 

Texto na integra baseado no artigo Mummy Mystery: Multiple Tombs Hidden in Egypt’s Valley of Kings do site Livescience. Disponível em < http://www.livescience.com/41675-tombs-hidden-in-valley-of-kings.html >. Acesso em 05 de Dezembro de 2013.

 

Revista História Viva traz o Egito

Por Márcia Jamille Costa | @Mjamille

 

Historia Viva; Tesouros do Nilo. 2012

A revista História Viva número 103 trouxe quatro matérias especiais sobre o Egito faraônico: uma sobre a pirâmide de Khufu (Quéops), outra sobre Abu Simbel, o templo de Karnak e por fim o Vale dos Reis.

Todas estas matérias foram escritas por pesquisadores estrangeiros, dentre eles o editor do site Osirisnet, Thierry Benderitter. Todos os textos são exemplares, não existe nada em especial a ser pontuado negativamente.

 

Em O mistério da Grande Pirâmide, escrito Richard Lebeau (autor de Pyramides, temples et tombeaux de l’Egypte ancienne), se centra principalmente na busca de respostas de como a maior pirâmide do platô de Gizé teria sido construída e cita algumas das teorias ligadas as rampas que teriam auxiliado no transporte dos grandes blocos de calcário até o seu atual local de repouso. É levantada também a questão de quantos trabalhadores teriam sido necessários para se construir o edifício e a organização das equipes.

Abu Simbel, à glória de Ramsés e Nefertari, de Madeleine Peters-Destéract (autora de Abou Simbel, à la gloire de Ramsés) historia rapidamente a descoberta do grande templo de Ramsés II e de uma de suas esposas, a rainha Nefertari (Novo Império). Também denota sobre o translado do templo do seu local original para o atual, em decorrência da construção da represa de Assuã.

 

Abu Simbel, à glória de Ramsés e Nefertari. Historia Viva. Foto: Márcia Jamille Costa. 2012.

 

Karnak, o santuário que bate todos os recordes, de Thierry Benderitter (editor do site osirisnet.net) pontua como se deu a construção dos templos do complexo de Karnak e o seu declínio, durante a ascensão do cristianismo e do islã no Egito e algumas das obras realizadas no local na década de 1800 da nossa era.

 

Karnak, o santuário que bate todos os recordes. Historia Viva. Foto: Márcia Jamille Costa. 2012.

 

Os segredos do Vale dos Reis, de Aude Gros de Beler, está um pouco desatualizado, já que só cita as 63 tumbas encontradas no local, uma vez que no início de 2012 foi anunciada a de número 64 (encontrada de fato em 2011, mas ocultada do público comum devido a revolução do 25 de Janeiro). Nele comenta-se sobre como se deu a ocupação do Vale na antiguidade e o esquema de numeração dos sepulcros.

Na mesma revista existe uma matéria denominada O maior viajante da Idade Média, escrito por Yves D. Papin (historiador e escritor) onde é possível ler um pouco sobre Ibn Battuta, um dos poucos viajantes que chegaram a descrever o farol de Alexandria.

 

Ficha técnica:

Revista: História Viva

Autor: vários

Ano de publicação (Brasil): 2012

Ano: IX

Nº: 103

Distribuição: Duetto

Tema: Arqueologia, Antigo Egito, Egiptologia.