Êxodo hebreu no Egito: aconteceu ou não?

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

O mito do êxodo hebreu no Egito é provavelmente um dos temas mais complicados a ser abordado pela a Arqueologia, isto porque fala justamente de crença religiosa de muitas pessoas da atualidade, e este assunto deixa os ânimos extremamente sensíveis. Infelizmente, apesar de abortar crenças modernas, ele tem sido tratado de forma tão pouco rigorosa que acaba sendo alvo de documentários e matérias esdrúxulas que criam um cenário bizarro.

Conheço a história do êxodo hebreu desde que me entendo por gente, meus pais sempre tiveram em casa matérias sobre Arqueologia. O meu pai, em especial, era aficionado em ver documentários e a maioria na época se não falasse das expedições de Jacques-Yves Cousteau falavam das chamadas cidades santas, logo, não demorou muito para que eu acabasse pegando a mania de ver filmes clássicos bíblicos (provavelmente se eu não me interessasse por Arqueologia Egípcia iria acabar parando na Arqueologia Bíblica ou do Oriente Próximo). Foi nesta época que conheci sobre um dos capítulos do Velho Testamento que fala dos principais acontecimentos da vida de um filho de escravos (afastando-se agora do mito, aos arqueólogos e egiptólogos, é importante citar que a definição de “escravidão” para a força trabalho na sociedade faraônica é um termo que precisa ser reavaliado) hebreus que, após ser lançado no rio Nilo, é adotado pela a filha do faraó. O nome da criança seria então Moisés.

Este nome no mundo ocidental praticamente não carece de apresentações, mas o que se conhece sobre a história de Moisés só pode ser vista na Bíblia (livro sagrado do cristianismo) que traz o Antigo Testamento (Tanakh).

O que torna a narrativa do êxodo hebreu tão polêmica é que, apesar de toda a manifestação em volta desta história, em termos de cultura material ou outros escritos que não sejam bíblicos não existe nada que fale da ocorrência de um êxodo da magnitude demonstrada no Velho Testamento que tenha ocorrido no Egito, ou mesmo que se tenha existido uma comunidade israelita na época em que apontam a ocorrência do êxodo. Embora a afirmação de que os egípcios jamais narravam suas derrotas seja válida em termos teóricos, na prática, a Arqueologia trabalha não só com documentos escritos, mas também com a cultura material (artefatos). De acordo com a Bíblia, desde os filhos de Israel (pai de José) até Moisés, gerações de hebreus floresceram até que um dado momento seu número superavam aos dos egípcios na região. As pessoas sempre estão usando e abusando de cultura material, e não seria tão difícil encontrar vestígios de uma sociedade com pontos tão diferenciados das dos egípcios em seu próprio território. Usemos a cidade de Akhetaton como exemplo: ela teve somente dezessete anos de atividades e após breve período foi abandonada e desmontada para se esconder a religião rival da do deus Amon em Tebas. No século XIX seus restos (estruturas de casas, restos de estátuas para uso privado, restos de imagens parietais, cemitérios, etc) foram encontrados e passíveis de serem estudados.

Entre Arqueólogos e Egiptólogos quase existe um consenso de que não existiu o êxodo bíblico no Egito, e nem sequer bairros israelitas, no entanto, a “Estela de Merenptah” (ou como presunçosamente é chamada de “Estela de Israel”), que fala sobre as vitórias deste faraó contra os inimigos do Egito, faz uma listagem dos países derrotados por Merenptah, faraó da XIX Dinastia. Nesta declaração, dentre muitos hieróglifos está um conjunto que pode estar falando de Israel. Por este hieróglifo estar acompanhado pela a imagem de um homem e uma mulher (e não dos símbolos que indicam um país), acredita-se que estaria falando de um povo nômade ou uma tribo, mas não existe certeza quando ao seu significado. Esta estela foi encontrada no templo mortuário de Merenptah e originalmente pertencia a Amenhotep III da XVIII Dinastia. Hoje ela pode ser visitada no Museu Egípcio, no Cairo.

Estela de Merenptah. Retirado de Merneptah Stele. Disponível em < http://www.flickr.com/photos/frankrytell/2155909119/ > Acesso em 24 de Abril de 2011.

Com a existência da “Estela de Merenptah” foi sugerido que o faraó do êxodo seria Ramsés II, já que ele, quando subiu ao trono, ordenou a construção da cidade de Pi-Ramsés no Delta do Nilo. Quando Ramsés chegou ao fim da vida o seu primogênito Amunherwenewmef já estava morto. Merenptah, seu sucessor, era seu décimo terceiro filho. Como Ramsés ordenou a criação de uma nova capital no Delta (de certa forma próximo ao Mar Vermelho, o caminho de escape dos hebreus na fuga do Egito) e seu primogênito morreu muito antes do faraó especulou-se que este seria o governante egípcio que teria enfrentado Moisés e o seu sucessor teria lutado e derrotado os israelitas marcando então sua vitória na estela. Mas pelos motivos já citados anteriormente no texto não há nada que comprove a vivência hebreia no Egito.

 

O que é o Êxodo

A palavra “êxodo” significa “saída” e no caso desta parte da Bíblia a ideia central é a liberdade do povo e a aliança então estabelecida entre o deus dos hebreus e os homens que, por sua vez, recebem diretamente da divindade as leis que transformaria a relação entre as pessoas.

A bíblia narra que após a morte de José (que foi vendido por seus próprios irmãos como escravo para os egípcios) e de toda sua geração, os filhos de seus filhos se multiplicaram e tornaram-se numerosos e poderosos nas terras do Egito. Por já ter passado anos da morte de José (que tinha sido amado pelo o faraó e sua família já que previu uma seca de sete anos que, se não fosse seu aviso prévio, teria matado a população de fome), o novo faraó não conhecia sua história e vendo que os filhos de Israel eram muitos e com o medo de que em caso de guerra eles se aliassem com os inimigos do Egito, foram transformados em escravos e obrigados a construir as cidades-armazéns de Pitom e Ramsés. A bíblia ainda fala que o faraó ordena, em um dado momento, que todos os meninos que nascessem de uma hebreia fossem jogados no Nilo, mas as meninas poderiam viver. Porém, uma das hebreias conseguiu esconder o filho por três meses, e vendo que não era mais capaz de manter oculta a criança lacrou um cesto com betume. Feito isto colocou dentro o bebê, e o deixou boiar no Nilo. Descendo o rio, o cesto acabou sendo encontrado pela a filha do faraó e sua comitiva que a preparava para o banho. A princesa adotou o menino e deu para ele o nome de Moisés.

Quando crescido e após ter visto o seu povo escravizado, Moisés se compadeceu e matou um egípcio que maltratava um hebreu. Sabendo do ocorrido o faraó ordena a morte de Moisés, mas este foge e após receber um chamado divino retorna ao Egito para tentar libertar os hebreus – que já eram mais numerosos que os próprios egípcios da região – da escravidão.

Ao se encontrar com o faraó, Moisés e seu irmão Aarão tentam convencê-lo a libertar os escravos, mas estes eram numerosos e praticamente a força de trabalho do país, assim, o faraó não os deixa ir e ainda os castiga retirando a palha pronta para que fizessem os tijolos e os sobrecarrega de trabalho para que não pensassem em seu deus.

Em uma tentativa de mostrar os prodígios do deus dos hebreus e assim convencer o faraó, Moisés e Aarão foram tentar mais um diálogo com o regente egípcio, mas desta vez transformou sua vara (que carregava desde o início de sua jornada) em uma cobra, o faraó não se impressionou e ordenou que os seus sacerdotes fizessem a mesma coisa, os mesmos o fizeram e também com sucesso. Na manhã seguinte Moisés e Aarão procuram o faraó às margens do Nilo e não conseguindo mais uma vez convencê-lo transforma a água do rio, reservatórios, canais e vasilhames em sangue. Os sacerdotes egípcios realizaram o mesmo truque e assim o faraó não se convence.

As pragas do Egito retratadas por Joseph Turner em 1800. Disponível em < http://www.grahamphillips.net/news/plagues.htm> Acesso em 22 de Abril de 2011.

Outras tentativas são feitas, mas o faraó não cede, e assim o deus dos hebreus vai lançando pragas no Egito, estando na ordem: transformar água em sangue, rãs, piolhos, moscas, peste nos animais, chagas, chuva de pedras e raios, gafanhotos, eclipse e morte dos primogênitos.

Morte do primogênito do faraó por Rifa’a el-Tahtawy. Disponível em < http://www.ancienthistory.about.com/od/epidemics/tp/10plaguesegypt.htm>Acesso em 22 de Abril de 2011.

A última praga levou a vida do primogênito do faraó, que então resolve deixar os hebreus partirem. Mas o regente volta atrás em sua decisão e persegue os seus então ex-escravos até chegar ao Mar Vermelho, onde Moisés abre um caminho entre as águas deixando o exército do faraó para atrás.

Após vagar por três meses eles chegaram ao Sinai e levantaram acampamento onde se deu início a aliança em que Moisés recebe os 10 Mandamentos, armazenados então na Arca da Aliança. Entender o Êxodo é entender alguns dos princípios da fé judaica e cristã e a comiseração de deus com o homem, além de que este é um dos capítulos mais importantes do Velho Testamento.

Êxodo na cultura atualmente

◘ O cinema fez muito uso de temas como as das 10 Pragas do Egito, Os 10 Mandamentos e A Arca da Aliança, esta última bate lado a lado, em termos de popularidade, com o Santo Graal, ambos transformados em ícones do mundo da “Arqueologia Pop” idealizada por George Lucas e Steven Spielberg nos filmes do Indiana Jones.

◘ A banda Metallica gravou e lançou entre 1983 e 1984 a música “Creeping Death” que fala sobre o clamor do deus hebreu pedindo para que o faraó liberte seu povo da escravidão e a última praga.

◘ Em 1998 a DreamWorks lançou o filme em desenho animado O Príncipe do Egito, um dos primeiros a tratarem Ramsés II como o faraó do Êxodo.

◘ No filme “Todo Poderoso”, de 2003, o ator Jim Carrey faz uma analogia a abertura do Mar Vermelho com uma tigela de leite.

◘ No show “Hermanoteu na terra de Godah”, de “Os Melhores do Mundo” ocorre uma sátira ao Êxodo.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro “Uma viagem pelo Nilo”.
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34 comentários sobre “Êxodo hebreu no Egito: aconteceu ou não?

  1. Olá Márcia,

    Primeiramente gostaria de parabenizá-la pelo site, é excelente e suas matérias também. Acho a sua profissão maravilhosa e tenho uma certa admiração por história, principalmente, do Antigo Egito. Acredito que as histórias que constam na Bíblia Sagrada são apenas exemplos figurativos para que as pessoas entendessem…e não histórias reais levadas ao pé da letra, não é mesmo? Até a Cabala mesmo refere-se ao faraó do êxodo como sendo uma “prisão” e não como um homem que viveu e morreu. As pragas do Egito já aconteciam antes mesmo de Moisés rogá-las. E a passagem da abertura do mar também requer o uso de grande imaginação. Foram usados grandes simbolismos, mas as pessoas teimam em dizer que foi tudo verdade. rs
    beijos

  2. Estou atualmente fazendo um projeto de monografia de teologia a qual pretendo abordar o assunto da influencia do Antigo Egito na teologia crista. Preciso de ajuda de uma pessoa que tenha dominio sobre o assunto. me manda um e-mail, fico no aguardo.

    E parabéns pela postagem.

    • Oi Celeste,
      Interessante seu tema, não conheço muito sobre a mitologia cristã, por isto creio que não sou lá a pessoa mais indicada para tentar ajudar. Você poderia procurar alguns dos trabalhos de Flinders Petrie que trabalhou alguns anos com o tema da Arqueologia Bíblica e Egípcia. Tem o “monoteísmo” de Akhenaton que alguns acham que influenciou a criação do judaísmo (embora eu discorde). Talvez o Bob Brier tenha escrito alguma coisa sobre, já que ele gosta de temas relacionados. Muitos egiptólogos europeus da virada do século procuraram relações entre passagens da Bíblia e o Egito, por isto tentaram fazer ligações entre a “Santíssima Trindade” e Osíris, Ísis e Hórus, outros tentaram provar que A Virgem Maria foi baseada, em verdade, na deusa Ísis, já que Hórus teria sido “concebido sem pecado” . Outra coisa interessante de citar é que antes da invasão napoleônica o que se sabia sobre a antiguidade egípcia era vista, principalmente, na Bíblia, já que o Egito encontrava-se a séculos, fora de contato da Europa.
      Abraço,
      Márcia

    • Peço desculpa por estar a comentar, tão fora de prazo, já que os comentários são de 2011 e estamos neste momento em 2013, mas existe um pequeno ensaio de Sigmund Freud, com o título de “Moisés e a Religião Monoteísta” que talvez possua valor, senão para o projecto de monografia que por esta altura já terá terminado, talvez pelo prazer de ler o ensaio em si. Aqui neste ensaio Freud equaciona a hipótese de Moisés ter sido um elemento do séquito de Akhenaton e que após o desmembramento do Movimento Atonista, este se tenha “virado” para a massa de pessoas (tribos) que nessa altura seriam pagãs, e que tivesse intentado unir as mesmas sob uma mesma “religião”. Aqui é citada igualmente a Tribo dos Levitas e colocada a hipótese desta ter sido uma facção egípcia pertencente ao grupo de Moisés (Moses). Peço desculpa se estou a intrometer-me, mas não quis deixar de deixar aqui o meu comentário. Lembro somente que as palavras são as de Freud e não representam a minha opinião, mas ainda assim, este como homem de valor e grande pensador, leva-nos a pensar nessa hipótese.

      Muito Obrigado. 🙂

  3. Excelente Márcia.
    Eu pesquiso bastante a relação histórica com base na Mitologia, e eu me surpreendo com as semelhanças com a mitologia, como a “Epopeia de Gilgamesh”, um relato sumério e extra bíblico que narra a historia do Dilúvio e o Código Hamurabi influenciou ou não os escribas hebreus? Eu queria saber se Você tem alguma informação se o Pergaminho de Ipuwer tem base histórica do relato das Pragas narrado pelo o autor são datados da época do suposto êxodo. A ignorância neste pais leva uma multidão de gente a seguir este mito ao pé dá letra. Os hebreus antes do cativeiro babilônico cultuavam vários deuses, eu comecei a entender que o Zoroastro influenciou bastante judaísmo como uma religião monoteísta, quando eles foram libertos pelo o Rei Ciro, o Grande.
    Márcia eu assistir um programa de um canal protestante e o apresentador é um Dr. em Arqueologia, e eu não entendo como ele quer insistir que a arqueologia tem a capacidade em provar que a bíblia é verdadeira, a bíblia é voltada ao etnocentrismo de um povo e isso ocorre praticamente em todas as culturas. Quem foi que influenciou a bíblia foi à epopeia de gilgamesh ou a bíblia influenciou a epopeia? Pelo o que me parece a bíblia foi feita depois da epopeia com um processo passado oralmente entre os escribas. O arqueólogo FINKELSTEIN israelense sofreu muitas criticas por discordar da narrativa bíblica – A Jerusalém do Rei David, acrescentou Finkelstein, “não era nada além de uma pobre vila na época”.
    Eu posso até tá errado por que errar é humano, os escribas também são humano.
    Como diria Hegel “A religião é o ópio do povo”.
    Você uma das poucas que fala a respeito disso na internet por isso te dou meus parabéns.
    se eu tiver errado me corrija

    • Olá Juliano, obrigada por sua mensagem.
      O “Papiro de Ipuwer” não é aceito de forma unanime já que foi interpretado de formas diferentes, para alguns ele possui, inclusive, um ar profético (alguma catástrofe que viria a acontecer em uma determinada cidade egípcia), e não como o relato de algo que teria tido acontecido. Outros acreditam que alguns trechos dele foram utilizados para ilustrar o livro do Êxodo.
      Aproveitando seu apontamento sobre os escribas: é interessante inclusive buscar sobre as mãos que escreveram o livro (qual sua origem, suas crenças, suas fontes), isto pode elucidar sobre algumas questões.
      Abraços e obrigada por seu relato.
      Márcia

  4. Olá márcia?Estou fazendo doutorado em direito e adoro Arqueologia .Queria associar Akenaton/Amarna e o direito civil, pricipalmente com o tema ¨Personalidade Civil ¨.vc pode me ajudar?beijo,Vilma

  5. olá marcia que bom encontrar um arqueologo na rede. Pegando um gancho aqui eu gostaria de perguntar se vc conhece o legado sumério e sua cultura. Vc conhece o trabalho do erudito hebreu zecharia sitchin, autor de CRONICAS DA TERRA? Se sim por favor me de sua opnião pessoal sobre o tema que Sithin aborda nas suas interpretações dos textos cuneiformes dessa sofisticada civilização. Um abrç…….

  6. Eu realmente virei fan desse site… Ótimo trabalho dos escritores… Para mim que sou acadêmico de História da UFT e ainda estou fazendo TCC sobre egiptologia (o primeiro e único de toda instituição a pesquisar isso) estou amando todo o site… Parabéns pelo trabalho!!

  7. Quero parabenizá-la pelas excelentes matérias publicadas neste maravilhoso site. No Brasil, é muito raro achar informações tão fidedignas quanto as suas.
    Gostaria que você abordasse o tema sobre o período pré-dinástico do Egito, antes da unificação de Menés de 3200 a.C.
    Como era dividida a sociedade egípcia, quais eram os deuses, como funcionavam os nomos, quem eram os reis, se é que existiam.
    É raro achar informações sobre este período tão obscuro da História do Egito Antigo.
    Sou professor da Prefeitura de São Paulo, na área de Ciências, mas gosto muito de Arqueologia.
    Também gosto muito das civilizações pré-colombianas: Maias, incas, astecas, toltecas, Nazca, Tihuawanako, entre outros.Outra curiosidade minha é sobre os faraós núbios de Meroé, que também é raro de se achar fontes idôneas sobre o assunto.
    Um grande abraço e continue este maravilhoso trabalho.
    Marcelo

  8. Bom dia, não sou estudante,nem doutora,assim como muitos acima q lhe escreveram.Sou simplesmente uma pessoa curiosa,recém saída de uma religião dita cristã , e que sente curiosidade em descobrir todos esses dilemas acerca desse livro chamado “sagrado ” , a Bíblia .Parabéns pelo artigo , sensacional !!! Abraços

  9. Eu acredito que o êxodo tenha acontecido sim, mas nunca, jamais e por hipótese nenhuma no reinado de Ramsés II.

    O faraó que mas escreveu, que mais templos resistiram ao tempo e que mais se tem relato não ter nenhum hieróglifo falando nada dos judeus? Não foi Ramsés II e pronto!

    • Bom dia Marcio,
      Não conheço o trabalho de Lisandro Hubris (precisei pesquisar antes no Google para saber e pelo o que li ele não é lá o cara mais amado da internet), mas pelo o link que você colocou eu não me preocuparia em lê-lo. Este material não tem referências de onde ele tirou tais informações (suponho desta forma que ele não faz parte da academia) então para quem não é da área (ele fala de sociedades as quais só sei o nome) fica difícil saber se os pontos ligados por ele são ou não divagações aleatórias.
      Abraços.

  10. Olá Márcia. Me formei recentemente em História, e lembro que em uma das aulas de História Antiga no primeiro ano, a professora disse que a Arqueologia deixou há pouco tempo de utilizar a Bíblia como ponto de partida para suas pesquisas. O motivo de tal abandono é a total incompatibilidade entre os escritos e a realidade observada, as informações contidas na Bíblia não batiam geograficamente bem como o conteúdo histórico. Você sabe algo sobre isso? Obrigado por sua atenção e parabéns por seu trabalho.

    • Caro Otaviano, a sua professora estava corretíssima.

      Nos primórdios da Arqueologia (cerca de 200 anos atrás) a Bíblia era utilizada como um parâmetro para saber quão antiga era a humanidade, inclusive em alguns casos a Arqueologia era utilizada para tentar ilustrar eventos bíblicos, a exemplo de alguns pesquisadores que guiados por textos clássicos acreditavam que as pirâmides eram os silos de José. Porém, com a descoberta de fosseis de animais da megafauna e de hominídeos o uso da Bíblia começou a ser contestada não só em relação a evolução das espécies, mas no que diz respeito a antiguidade dos acontecimentos lá descritos. Desta forma os textos contidos na Bíblia não são mais utilizados pela a Arqueologia (exceto a Arqueologia Bíblica).

      Caso seja do seu interesse você poderá ler:
      – TRIGGER, Bruce. História do Pensamento Arqueológico. São Paulo: Odysseus, 2004. (os primeiros capítulos, não lembro especificamente qual, infelizmente não estou com o meu volume aqui).
      – RENFREW, Colin; BAHN, Paul. Arqueologia: Metodos e praticas. Madri: Akal. 1991. (o Capítulo 01, existe uma edição editada de 2008, em inglês, que é melhor)
      Abraços.

  11. Olá Márcia, tudo bem?
    Gostaria de algumas indicações de livros realmente bons sobre Egito Antigo, alguns que cubram o Egito de um panorama geral como civilização, história, religião etc…
    Os que eu tenho, e já li, são estes:
    Egito Antigo – Paul Johnson
    O Egito Dos Faraós – Federico A. Arborio Mella
    O Egito dos Grandes Faraós – Chritiasn Jacq
    O Livro Egípcio dos Mortos – E. A. Wallis Budge
    Deuses, Túmulos & Sábios – C. W. Ceram

    Muito obrigado.

    • Boa tarde Eduardo,

      Abaixo uma pequena lista de livros que você pode ler:
      ◘ ALLEN, James. The Ancient Egyptian Pyramid Texts. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2005.
      ◘ BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.
      ◘ BUNSON, Margaret R. Encyclopedia of Ancient Egypt. New York: Facts On File, 2002.
      ◘ KEMP, Barry. El Antiguo Egipto: Anatomía de uma civilización (Tradução de Mònica Tusell). Barcelona: Crítica, 1996.
      ◘ LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.
      ◘ REEVES, Nicholas; WILKINSON, Richard. The Complete Valley of the Kings. London: Thames & Hudson, 2008.
      ◘ SHAFER, Byron. Sociedade, moralidade e práticas religiosas (Tradução de Luis Krausz). São Paulo: Nova Alexandria, 2002.

      Abraços e boa leitura.

  12. Eu sei que muitos de vocês acham que o Êxodo nunca existiu,que os israelitas eram politeístas.Deixe eu falar o que penso:
    1)Muita coisa na Bíblia foi inventada para simbolizar algum momento ou período da história.Por exemplo:essas pragas do Egito que são citadas devem ter sido baseadas em alguma crise que o Egito passou na época que os hebreus saíram dali.Aliás,eles aproveitaram essa suposta crise para fugirem.Como o povo era dividido em tribos que por vezes se enfrentavam(vide a guerra dos benjamitas contra as outras tribos no Juízes),eles saíram pouco a pouco dali,em direção a Canaã e ao Corredor Sírio-Palestino.Então,para lembrar a “volta” dos israelitas para esses locais,fizeram um texto épico.
    2)No início,os israelitas eram politeístas,porém os deuses que se destacavam eram Iav,Iaw o Jav(possívelmente por causa do culto ao deus do céu kurgano) e Hevev ou Shekinah(que surgiu provavelmente derivado das Deusas-Mães neolíticas).Eles só se tornaram monoteístas quando esses dois deuses se tornaram um só(Jav-hevev ou Javé) e os outros deuses se tornaram os anjos judaico-cristãos.
    Estou tentando explicar como um cara que pesquisa pela internet,principalmente porque eu não sou arqueólogo,só um estudante de ensino médio
    Abraços e que esse site ganhe mais adeptos

  13. Marcia, gostaria de saber sua opinião sobre a tese que alguns historiadores apoiam, de que os egipcios não registravam suas derrotas e fracassos, apenas suas vitórias. O Êxodo não teria sido, simplesmente, ENCOBERTO pelos donos do poder na época?
    E a sua opinião sobre o Jesus Histórico? Jesus também é um mito, ou seja, ele nunca existiu, conforme o seu ponto de vista?

    • Oi Ivan,

      No quarto parágrafo do texto eu comento acerca disto, sobre não registrar acontecimentos.
      Além do mais fazia parte do discurso faraônico pegar uma derrota ou um fracasso e transformar em uma vitória pomposa, ou seja, sempre que eles perdiam algo o discurso oficial utilizava aquele acontecimento e invertia a ordem, relatando que aqueles que foram os ganhadores na verdade tiveram uma derrota esmagadora. Utilizavam este método para converter aquela situação embaraçosa em algo positivo e assim manter a “Maat”.

      Acerca do Jesus Histórico não posso comentar acerca, já que esta discussão faz parte da Arqueologia Bíblica. A Kline Editora publicou até alguns livros acerca deste tema, seria interessante você dar uma olhada.
      Abraços!

  14. Prezada Márcia,

    Parabéns pelo site! Fico feliz por você ter esta iniciativa. Também sou interessado em Arqueologia, especialmente egípcia e de todo o Oriente Médio. Sou formado em História, com especialização em Mundo Antigo e Arqueologia por uma universidade na Rússia. Ainda tenho o grau de mestrado em Teologia, com ênfase em Historicidade do Antigo Testamento. Estou atualmente atuando como coordenador acadêmico de uma instituição teológica e dou aula de Arqueologia e Geografia bíblica em SP (entre outras matérias de História Antiga). Por este motivo estou pesquisando para escrever um texto (livro) sobre uma possível reconstrução da História egípcia como pano de fundo para as narrativas do livro de Gênesis e Êxodo. Encontrei muito material interessante em seu site e gostaria de incentivá-la neste caminho! Parabéns!

  15. Prezada Márcia,

    Gostei bastante de seu artigo. Gostaria de lhe sugerir a leitura do livro Os Milagres do Êxodo, do físico inglês Colin J. Humphreys (ED. Imago). Nesta obra, ele se propõe a descobrir não apenas a historicidade do Êxodo como provar que o texto bíblico é um relato de uma testemunha ocular e não uma criação posterior.
    O fato de ele não ser nem teológico e nem arqueólogo, mas sim um físico o ajudou a ver o texto bíblico e as citações geográficas por uma nova perspectiva, inclusive com intensa pesquisa geológica e historiografica, propondo – e localizando – diversos locais citados no texto bíblico em locais bem diversos de onde a tradição acha que se encontram. Muitos destes locais já haviam sido localizados a mais de 150 anos e com os mesmos nomes citados no livro do Êxodo, mas como se encontram fora da península do Sinai, não haviam sido antes reconhecidos como sendo os mesmos locais. Claro, o fato de ele não ser nem teólogo e nem arqueólogo o faz ser visto com desconfiança por estes dois grupos.
    Um outro exemplo, ele propõe que o número de hebreus que saíram do Egito foi muito menor do que o citado na Bíblia. Ao invés de mais de 2 milhões, teriam sido no máximo 20 mil. Esta diferença seria fruto de uma falha na tradução do texto bíblico do hebraico para o grego quando foi feita a Septuaginta, onde traduziram a palavra hebraica eleph (tropa, mil) no seu segundo significado e não no primeiro.
    Bom, é apenas uma sugestão. Por ser ele um físico de Cambridge, o livro não é fruto de idéias esdrúxulas, mas cada proposição é exaustivamente testada com rigorosa pesquisa para embasar suas conclusões.

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