Bombas de água são usadas em Gizé

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Esfinge e uma das pirâmides do platô de Gizé. Imagem disponível em SILIOTTI, Alberto. Egito. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2006. p. 135.

Um problema que vem preocupando os arqueólogos das últimas décadas é o acumulo de água subterrânea abaixo das pirâmides e da Esfinge do platô de Gizé. Para tentar resolver esta questão o governo egípcio instalou no mês passado (junho/2012) bombas para retirar a água destas regiões, no entanto, esta medida pode, de acordo com hidrólogos, prejudicar estes edifícios da antiguidade. O sistema envolve 18 bombas de água capazes de bombear 26.000 metros cúbicos de água por dia. O projeto levantou o temor de hidrólogos e ecologistas de que a retirada da água poderia corroer a rocha sob o sítio e levar ao colapso os monumentos lá situados.

Kamal Oda, professor de hidrologia da Suez Canal University, falou ao Ahram Online que, de acordo com um relatório do Ministério Egípcio do Estado para Antiguidades, as máquinas irão bombear cerca de 9,6 milhões de metros cúbicos de água por ano a uma profundidade de 100 metros abaixo da esfinge. Isto, ele alertou, pode causar uma queda no nível do solo e aumentar o risco de erosão e falência estrutural da Esfinge e das pirâmides. Porém Ali El-Asfar, diretor das Antiguidades do Platô de Gizé, por sua vez contestou a afirmação de Oda, ele afirma que as máquinas de bombeamento irão parar automaticamente quando o nível das águas subterrâneas atingirem 15,5 metros acima do nível do mar.

El-Asfar falou ao Ahram Online que a Esfinge, a Grande Pirâmide e os templos do vale do platô estão “completamente seguros”, já que o nível das águas subterrâneas deles tinham atingido 4,6 metros abaixo do nível do solo – o mesmo nível visto nos tempos antigos. “Estes níveis são naturais”, disse o Ministro do Estado para as Antiguidades, Mohamed Ibrahim, ao mesmo jornal. Ele apontou que o rio Nilo um dia tinha chegado ao platô, onde um porto tinha sido escavado para os barcos transportar blocos de pedra das pedreiras de Aswan e Tora (no extremo Sul do Egito) para as pirâmides que ainda estavam em construção.

 

Qualquer falha no projeto poderá vir a comprometer não só a integridade da Esfinge e das pirâmides, mas do complexo de monumentos que se encontram no sitio. Imagem disponível em BREGA, Isabella; CRESCIMBENE, Simonetta. Um passeio pelos lugares e pela história do Egito. (Tradução de Michel Teixeira, Maria Júlia Braga, Joana Bergman, Carlos Nougué). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007. p. 73.

Estes níveis de águas subterrâneas no platô de Gizé, especialmente na área abaixo dos sítios arqueológicos que compreendem as pirâmides e a Esfinge, têm aumentado recentemente devido um novo sistema de drenagem instalado na aldeia vizinha de Nazlet Al-Seman e as técnicas de irrigação usadas para o cultivo na área residencial vizinha de Hadaeq Al-Ahram.

 

Notícia retirada de Egypt’s Sphinx, Pyramids threatened by groundwater, hydrologists warn. Disponivel em < http://english.ahram.org.eg/News/46972.aspx >. Acesso em 06 de julho de 2012.

 

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]

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