Tutankhamon: busca por câmaras ocultas continua

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Após meses de silêncio, aparentemente uma terceira — e última — tentativa de se buscar por uma ou mais câmaras ocultas na tumba de Tutankhamon será retomada ainda este ano (2017). De acordo com as fontes, a pesquisa será realizada por uma equipe da Universidade Politécnica de Turim, sob a coordenação de Franco Porcelli, que é professor de física no departamento de ciência aplicada e tecnologia.

Tut Ankh Amon Sarcophagus, Egyptian Museum, Cairo, Egypt

Ataúde de Tutankhamon.

Eles irão examinar o túmulo e seus arredores com um radar de penetração do solo. “Será um trabalho científico rigoroso e vai durar vários dias, se não semanas”, disse Franco, “Três sistemas de radar serão usados.”

A investigação do túmulo do rei Tutankhamon é parte de um projeto mais amplo de longo prazo, que tem como finalidade realizar um mapeamento geofísico completo do Vale dos Reis, sítio arqueológico famoso por conter os enterramentos dos faraós do Novo Império, inclusive do rei Tutankhamon, cuja tumba foi encontrada praticamente intacta. Esse grande projeto também está sendo encabeçado pela Universidade Politécnica de Turim.

O radar, juntamente com os instrumentos baseados em tomografia de resistência elétrica e indução magnética, varrerá profundidades de até 32 pés para fornecer informações sobre estruturas subterrâneas existentes. Espera-se que dessa forma não reste mais dúvidas sobre a existência ou não de câmaras ocultas na tumba.

Os pesquisadores planejam realizar uma pesquisa preliminar no túmulo do rei até o final desse mês.

Pesquisas anteriores

A equipe de Porcelli será o terceira a fazer a busca nos últimos dois anos. Tudo começou em 2015, após o egiptólogo Nicholas Reeves sugerir que existiria uma ou mais câmaras escondidas no túmulo de Tutankhamon, porém, ele foi além, sugerindo que a continuação seria a tumba da rainha Nefertiti.
O primeiro exame feito com um radar foi realizado em 2015, pelo especialista escolhido pelo próprio Reeves, Hirokatsu Watanabe. Os resultados alcançados por ele pareciam favoráveis para a existência de duas câmaras. Mas, uma pesquisa também com radar realizada pela National Geographical Society (NGS) frustrou as expectativas, uma vez que os seus resultados apontaram para a inexistência de câmaras.

Hirokatsu Watanabe. Foto: Brando Quilici. 2016.

Trabalho realizado pela National Geograhic. Foto: Kenneth Garrett. 2016.

Por conta das dúvidas não está permitida nenhuma exploração invasiva.

Naquela época gravei um vídeo explicando melhor sobre a pesquisa e o motivo do impasse. Abaixo vocês podem conferi-lo:

Essa terceira equipe será responsável pela investigação final. Ao menos é isso o que se espera, já que o Ministério das Antiguidades do Egito foi constantemente acusado de criar um hype desnecessário acerca dessa pesquisa.

Para saber o que mais publiquei aqui no Arqueologia Egípcia sobre o assunto clique aqui.

Fontes:

Da Torino a Luxor alla ricerca di Nefertiti. Disponível em < http://www.lastampa.it/2017/02/07/cultura/nefertiti-ultimo-atto-JLPXuwCI0axBrc3DnVRPOO/pagina.html >. Acesso em 09 de fevereiro de 2017.
Italian scientists began the search for Nefertiti. Disponível em < http://chelorg.com/2017/02/09/italian-scientists-began-the-search-for-nefertiti/ >. Acesso em 09 de fevereiro de 2017.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro “Uma viagem pelo Nilo”.
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