Como está a Arqueologia no Egito durante a quarentena

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Parte da economia do Egito gira em torno do turismo, mais especificamente do turismo arqueológico. Contudo, assim como muitos outros países, o Egito está obedecendo a quarentena sugerida para evitar a propagação do COVID-19 (coronavírus).

Assim sendo, alguns cidadãos e órgãos governamentais têm feito campanhas se utilizando da arqueologia realizada no país para pedir que as pessoas fiquem em casa. Um exemplo é esta campanha com a imagem de Rahotep e Nofret, um casal que viveu durante o Antigo Reino.

Outro exemplo é essa mensagem ao lado da face do faraó Tutankhamon elaborada pelo Ministério das Antiguidades e Turismo: “Por milhares de anos eu vi tudo, e aprendi que o sol sempre brilha após a tempestade. #FiqueEmCasa #FiqueSalvo”.

E só a título de curiosidade: sabemos que durante o reinado do faraó Tutankhamon ocorreu uma epidemia na região da Crescente Fértil. Infelizmente não temos muitos detalhes.

Desde o início da pandemia o Ministério das Antiguidades tem usado as pirâmides do platô de Gizé para enviar mensagens de apoio aos egípcios e pedindo que as pessoas fiquem em casa.

“Fique em Casa”

Paralelamente hotéis e áreas arqueológicas (ambos permanecem fechados, mas algumas equipes de arqueologia ainda estão trabalhando no país) estão sendo esterilizados por uma equipe especializada e de acordo com os padrões internacionais da Organização Mundial de Saúde (OMS) e com materiais certificados pelo Ministério da Saúde. 

Esterilização na área arqueológica da Pirâmide de Djoser.

Esterilização na área arqueológica da Pirâmide de Djoser.

Esterilização na área arqueológica da Pirâmide de Djoser.

Esterilização na tumba da rainha Nefertari (Vale das Rainhas)

E está sendo uma exigência os pagamentos aos trabalhadores da área de turismo que estão em quarentena. Inclusive o Ministério cancelou recentemente as licenças de dois hotéis nas cidades de Hurghada e Sharm al-Sheikh, porque o primeiro não tinha pago as dívidas dos trabalhadores e o segundo tinha demitido alguns trabalhadores.

Fonte das notícias e fotos: Comunicado de Imprensa do Ministério das Antiguidades. 

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]