Arqueólogos espanhóis encontram múmia de adolescente enterrada há 3.600 anos no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Foi anunciada recentemente* que em Dra Abu el Naga (antiga Tebas, atual Luxor), ocorreu a descoberta de um ataúde de madeira que contém em seu interior o corpo mumificado de uma garota.

Foto: José Manuel Galán

A menina, que possuía cerca de 1,59 metros de altura, tinha entre 15 e 16 anos antes de falecer. A descoberta foi realizada pelo Proyecto Djehuty, uma equipe composta por arqueólogos espanhóis e que realiza escavações no Egito há anos.

A moça viveu em algum momento da 17ª Dinastia, Segundo Período Intermediário, um momento em que o Egito passava por uma guerra civil, onde os egípcios tentavam expulsar do país uma dinastia estrangeira, os hicsos.

O seu sepultamento é modesto, mas mostra algumas das posses que ela possuía em vida: seu ataúde é feito de madeira de sicômoro — esculpido em um único tronco — , e a sua múmia, como apontam os raio-x, está vestida com um par de brincos (ambos no lóbulo da orelha esquerda), dois anéis e quatro colares os quais não estavam em volta do seu pescoço, mas amontoados entre as bandagens de linho. Isso nos leva a acreditar que a pessoa (ou as pessoas) que pagou por seu sepultamento queria garantir que ela tivesse em sua pós-vida alguns dos seus bens mais queridos, ou mais valiosos.

Foto: Proyecto Djehuty

O seu sepultamento estava a poucos metros da capela dedicada a um homem chamado Djehuty, que foi supervisor do Tesouro e Artesanato da faraó Hatshepsut (18º Dinastia).

Mulheres Faraós e o Egito Antigo

Para a arqueologia essa é uma descoberta especial, porque poderá nos trazer algumas informações relevantes. Mas aparentemente para os saqueadores de tumbas do passado esse sarcófago nem valia o esforço, já que ele simplesmente foi ignorado quando o local foi invadido e saqueado.

Na necrópole onde a múmia foi encontrada, também tinham sido enterrados três reis da 17ª dinastia, alguns membros de suas famílias e cortesãos. Mas, o detalhe adicional sobre esse cemitério é preocupante. De acordo com o coordenador das pesquisas, José Manuel Galán, “No local, uma dúzia de caixões foram encontrados deixados no chão sem proteção, o que é incomum, e a porcentagem de enterros de crianças e mulheres também é maior do que em outras partes da necrópole”.

Essa mesma equipe de Galán também realizou outras descobertas arqueológicas interessantes, como a de dois túmulos do Segundo Período Intermediário e a de um pequeno jardim funerário. Ambas essas notícias foram veiculadas aqui no Arqueologia Egípcia.

Fontes da notícia:

Arqueólogos españoles hallan en Luxor la momia de una joven enterrada hace 3.600 años con un valioso ajuar. Disponível em < https://www.heraldo.es/noticias/ocio-y-cultura/2020/04/24/arqueologos-espanoles-hallan-en-luxor-la-momia-de-una-joven-enterrada-hace-3-600-anos-con-un-valioso-ajuar-1371442.html >. Acesso em 25 de abril de 2020.

La momia de la chica del ataúd de sicomoro. Disponível em < https://elpais.com/cultura/2020-04-24/la-momia-de-la-chica-del-ataud-de-sicomoro.html >. Acesso em 25 de abril de 2020.


*A notícia foi lançada há alguns dias, mas a descoberta foi realizada entre janeiro e fevereiro.

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]