Hieróglifos: Curso online de Egípcio Clássico

O canal GT de História Antiga lançou de forma online as aulas do Curso de Egípcio Clássico Avançado, que foi lecionado pelo professor Ronaldo Gurgel Pereira e a professora Thais Rocha, ambos egiptologos. O curso foi promovido pelo GTHA-Anpuh e pela Universidade Federal de Santa Catarina. Assista na integra e de forma gratúita:

Dica de leitura: 

Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico: https://amzn.to/3CBNX3F

Egito dará aulas de hieróglifos para alunos do ensino fundamental e médio

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

O Egito irá introduzir o estudo de hieróglifos egípcios nos currículos do ensino fundamental e médio, de acordo com um comunicado do Ministério da Educação egípcio esse mês.

A novidade será aplicada em 2021. A proposta é educar os alunos sobre a história do Egito Antigo e conscientizá-los sobre a importância de entender seu próprio passado e familiarizá-los com o estudo científico e assim colocar mais egípcios na carreira acadêmica de Egiptologia. De acordo com a proposta apresentada, o esperado é que existam mais estudantes preparados para a vida universitária em 2030.

Os professores de estudos sociais da quarta série do ensino fundamental já estão sendo treinados através de um programa de cooperação entre a Biblioteca Alexandrina (representada pelo Centro de Estudos da Caligrafia) e a Direção de Educação de Alexandria (representada pela Administração Geral da Educação).

Outro ponto importante é que o Centro de Estudos de Caligrafia da Biblioteca Alexandrina publicou um livro intitulado “Palavras da Vida no Antigo Egito: Hieróglifos para Crianças” tanto em árabe como em inglês. A obra é indicada para crianças de 9 a 14 anos. 

  • Para quem tem curiosidade em aprender um pouco sobre tradução de hieróglifos egípcios, um colega meu escreveu uma gramática super completa. E o melhor? Em português! trata-se de “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico” (Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira). Confira neste link: https://amzn.to/3bdre0Q

Fontes:

Egypt to introduce hieroglyphs into educational curricula next year. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/100553/Egypt-to-introduce-hieroglyphs-into-educational-curricula-next-year >. Acesso em 5 de abril de 2021. 

BA organizes hieroglyphics training courses for teachers of Egypt’s primary schools. Disponível em < https://www.egypttoday.com/Article/4/100813/BA-organizes-hieroglyphics-training-courses-for-teachers-of-Egypt%E2%80%99s-primary >. Acesso em 12 de abril de 2021. 

(Resenha-Livro) “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico” do Ronaldo Gurgel Pereira

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Lançado em 2014, a “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico” é uma obra completa para os falantes em língua portuguesa interessados em se especializar academicamente na Egiptologia. Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira, seu autor, é egiptólogo e leciona gramática egípcia clássica na Universidade de Nova Lisboa, Portugal.

“Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico”, Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira. 2014.

Um dos temas que mais chamam atenção dos curiosos ou estudiosos da história egípcia certamente são os hieróglifos egípcios. Seu nome deriva das palavras gregas hieros “sagrado” e hyphos “escrita”. Essa denominação foi empregada porque os hieróglifos tinham sido uma escrita amplamente utilizada em templos e monumentos sagrados bem como em alguns túmulos, o que deu aos gregos a ideia de que o seu uso era estritamente sagrado, embora igualmente fossem encontrados em objetos banais como peças de toalete ou mobílias. Sabemos que esse tipo de escrita foi utilizada desde a formação do reino egípcio até 396 d.E.C., ano em que o imperador Constantino proibiu o uso deste tipo de linguagem e o culto aos deuses egípcios.

No primeiro capítulo, “Origem da língua Egípcia Antiga”, o autor nos apresenta ao surgimento desta escrita e sua evolução temporal, fazendo uma distinção entre o seu estágio Inicial (antigo) e Final (tardio).

Igualmente ele nos fala sobre o surgimento do “egípcio cursivo”, da “escrita hieroglífica ptolomaica”, da escrita demótica e o “copta antigo”, considerado o último vínculo com a linguagem dos tempos faraônicos e que atualmente é utilizada como língua litúrgica da Igreja Ortodoxa copta.

Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira.

No segundo capítulo, “Decifração dos hieróglifos egípcios”, o autor explica como se deu a queda do uso da escrita hieroglífica e demótica graças a cristianização do Egito e como o grego foi utilizado para a evangelização. Ronaldo ainda cita as tentativas de tradução dos hieróglifos anteriores ao francês Jean-François Champollion, como o caso do jesuíta alemão Athanasius Kircher que século 17 lançou suas suposições sobre como seria possível traduzir os hieróglifos. Porém, suas propostas de traduções se mostraram erradas. Outros nomes importantes são citados, muitos deles desconhecidos do público comum e inclusive acadêmico.

No terceiro capítulo, “Escrita Hieroglífica Egípcia”, são explicadas as grandes mudanças sofridas pela escrita hieroglífica ao longo de todo o faraônico. Ainda somos apresentados para as diferenças entre fonograma, logograma e determinativos, funções importantes para a tradução e que por isso devem ser entendidas pelos alunos no princípio dos seus estudos.

Apesar destes três primeiros capítulos elucidarem vários pontos históricos da escrita egípcia, o leitor deve ser avisado de antemão que, assim como explica o título, este livro trata-se de fato de uma gramática e como tal abordará assuntos como substantivo, prefixos, flexões de gênero e número, morfema, concordância, etc, ou seja, se o interessado não estiver familiarizado com as regras gramaticais da língua portuguesa irá ter muita dificuldade para compreender o assunto. Assim, a partir do Capítulo D (4º) serão tratadas as explicações das regras gramaticais do ponto de vista do faraônico. Um quesito importante é que a obra possui alguns exercícios e suas respectivas respostas.

Particularmente apreciei muito a inclusão de glossários ao final de alguns capítulos, que além de apresentar traduções, auxilia os estudantes a se familiarizarem com os hieróglifos e as suas respectivas transliterações. Devo explicar que em determinados trechos da obra só foi possível compreender o que o autor quis passar porque eu já tinha tido aulas de introdução a hieróglifos na UFS, ou seja, esse livro não é de todo indicado para quem nunca teve um contato prévio com essa linguagem, a não ser que esteja extremamente curioso e disposto a entendê-la sozinho.

Uma dica que dou é que o estudante ao separar as traduções dos textos literários escolha aquelas que estão acompanhadas por suas respectivas transliterações. Assim os ensinamentos do livro tornam-se mais fáceis. Aconselho igualmente que o interessado tente se familiarizar com a história egípcia ou ao menos com a divisão temporal do faraônico.

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Considerações finais:

Uma das maiores reclamações acerca desta obra é o preço, contudo, a maioria dos livros de Egiptologia costumam custar valores a partir de R$90,00, alguns chegam até mesmo ao valor de R$1.000. Levem em consideração que comprar este livro é um investimento em seu futuro acadêmico.

Apesar de volumoso, ele é de um material leve e com folhas amareladas (que deixa a leitura mais agradável), porém o material da capa deixa um pouco a desejar. Mas, no geral, é uma obra magnífica e um marco para o estudo da Egiptologia em língua portuguesa.

Dados do livro:

Título: Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico

Gênero: Egiptologia

Autor: Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira

Editora: Chiado

Ano de Lançamento: 2014

Edição: 1ª Edição