DVD “A Maldição de Tutankamon”: comentários

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Em 2014 realizei aqui para o AE a resenha escrita e em vídeo do DVD “A Maldição de Tutankamon*” (The Curse of Tutankhamun) —  *sim, grafaram o nome do rei desta forma mesmo — . É um ótimo post, mas ao menos o vídeo precisei dar uma atualizada, já que na época em que ele foi gravado não existia a estrutura para gravação que possuímos atualmente.

No post original da resenha além de explicar acerca do documentário comentei o contexto da época em que eu o assisti. Vocês podem dar uma olhada nele na caixa ao final dessa postagem ou clicando aqui.

E abaixo o novo vídeo:


(Resenha – Documentário) A Maldição de Tutankamon, da Discovery

(Vídeo) #TutEOValeDosReis: A maldição de Tutankhamon

Abrindo um novo quadro de vídeos intitulado #TutEOValeDosReis eu responderei no canal do Arqueologia Egípcia no Youtube algumas perguntas relacionadas com o Tutankhamon e a descoberta de sua tumba. A primeira é acerca da “Maldição da Múmia”, uma lenda tão popular que inspirou produções cinematográficas e HQs desde o principio do século XX até hoje.

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O final de 2014 é o momento do Egito Antigo nos cinemas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Quem é egiptomaniaco não tem o que reclamar deste final do ano de 2014. Ao todo três produções inspiradas na temática da antiguidade egípcia estão (ou em breve estarão) nos cinemas mundiais. São filmes que vão desde comédia, drama até terror. Todos já foram citados individualmente aqui anteriormente, mas não custa nada recapitular:

“The Pyramid” (2014)

Produzido por Alexandre Aja e dirigido por Grégory Levasseur, “The Pyramid” (2014) é um filme de terror cuja trama apresenta uma expedição de arqueólogos norte-americanos que descobrem uma pirâmide totalmente diferente de todas as outras que já foram encontradas no Egito. Ao entrarem no monumento tudo indica que as pesquisas no local seriam como outra qualquer, até que coisas estranhas começam a ocorrer, como o desaparecimento de membros da equipe.

O título não possui ainda tradução para o português e não tem previsão de estréia no Brasil, mas já está rodando nos EUA.

 

Clique aqui e veja mais.

“Êxodo: Deuses e Reis” (2014)

Seguindo a onda de filmes épicos bíblicos, Ridley Scott, diretor de Gladiador, está com a responsabilidade da direção de “Êxodo: Deuses e Reis”, que nada mais é que uma adaptação do mito de Moisés (narrado no Antigo Testamento). Infelizmente o filme seguiu algumas inspirações orientalistas e apesar de afirmar que contou com a consultoria de egiptólogos os figurinistas cometeram erros bem gritantes.

A estréia está marcada para o dia 25 de dezembro.

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“Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba” (2014)

O vigilante noturno Larry Daley (Ben Stiller) tentará desvendar o segredo da Placa Dourada do Faraó Ahkmenrah que dá a vida para as peças do Museu de História Natural, mas que está sendo corroída por forças misteriosas, o que consequentemente irá impedir que os personagens do museu possam despertar todas as madrugadas. Para tentar resolver o enigma Larry viaja para Londres e desperta também as peças do Museu Britânico.

O filme já está disponível nos cinemas dos EUA, mas a estréia no Brasil está prevista somente para 2015.

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De todos o que planejo assistir no cinema é com certeza “Uma noite no museu”. Sou fã da franquia e quero ver o filme logo. Quanto aos demais estou totalmente confortável em esperar ver somente quando sair em DVD.

Filme “A Pirâmide” estreia hoje nos EUA

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Produzido por Alexandre Aja e dirigido por Grégory Levasseur, “The Pyramid” (2014) é um filme de terror cuja trama apresenta uma expedição de arqueólogos norte-americanos que descobrem uma pirâmide totalmente diferente de todas as outras que já foram encontradas no Egito. Ao entrarem no monumento tudo indica que as pesquisas no local seriam como outra qualquer, até que coisas estranhas começam a ocorrer, como o desaparecimento de membros da equipe.

O trailer (em inglês):

Curiosidades vistas no trailer:

Naturalmente ainda não assisti ao filme, mas pelo trailer já é possível ver algumas coisas interessantes. São elas:

São feitas referências a maldições que foram criadas pelo roteiro do filme, mas entre elas é citada a “Maldição de Tutankhamon” que de fato foi propagandeada pelos jornais ingleses na década de 1922 após a descoberta da tumba.

Realmente existe uma possibilidade de pessoas serem contaminadas por fungos provenientes de múmias e chegarem a óbito. Alguns pesquisadores acreditam que problemas de saúde contraídos por arqueólogos menos precavidos e turistas (contaminados porque insistem em tocar nas paredes de sepulturas etc) são advindos de tais fungos.

Uma das personagens comenta sobre a existência de “gases tóxicos”. Algumas sepulturas fechadas há muito tempo de fato podem possuir gases que podem fazer mal a saúde, pois contém colônias de fungos.

O filme estreia dia 05 de dezembro nos Estados Unidos, entretanto ainda não tem data de estreia aqui no Brasil.

(Resenha – Documentário) A Maldição de Tutankamon, da Discovery

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde mais nova sempre fui aficionada por documentários, mas raramente eu podia assistir algum. Quando comecei a ter acesso à internet procurava saber o que estava passando nas TVs por assinatura para, quem sabe, um dia ter a sorte de encontrar algum deles à venda. Um desses materiais que fizeram parte do meu sonho de consumo foi “A Maldição de Tutankamon” (The Curse of Tutankhamun), da Discovery, que tinha logo no início da sua sinopse a incrível descrição:

Nas margens do Nilo, um rapaz está morto e um homem está morrendo. Duas mortes separadas por mais de 30 séculos e, ainda assim, agourentamente ligadas. O rapaz, um faraó, sepultado com uma fortuna incalculável. O homem, um nobre inglês, no ímpeto de encontrá-lo. Sua busca disparou a maior caça ao tesouro da História e uma reação de mortes em cadeia. Um a um, aqueles que perturbaram a tumba do faraó pereceram. Até hoje, as casualidades crescem. A Ciência segue um assassino esquivo de três mil anos de idade.

Era difícil, como o é hoje, não ficar curiosa depois de ler isso. Contudo, só cheguei a assistir esse documentário quando ingressei na graduação em Arqueologia e anos depois finalmente consegui comprá-lo.

DVD “A Maldição de Tutankamon”, da Discovery. 1998.

Faz muito tempo que me desgostei de documentários, especialmente os ligados à figura de Tutankhamon por sempre romancear as circunstâncias da sua causa de morte, o que, para mim, desgastou e banalizou muito o assunto.  Felizmente, para a minha sorte e paciência, “A Maldição de Tutankamon” ainda não faz parte da belle époque dos documentários sensacionalistas, apesar do assunto abordado, que é a falaciosa maldição da múmia que teria matado uma série de pessoas ligadas ao achado da sepultura. A produção tenta mostrar que a suposta praga não seria um evento espiritual, mas algo que teria sido perfeitamente evitável.

Tutankhamon foi um rei da 18ª Dinastia (Novo Império) e um dos sucessores de Akhenaton, faraó conhecido por sua tentativa de reforma religiosa. Tutankhamon morreu entre seus 18 e 19 anos e foi sepultado no Vale dos Reis. Sua tumba permaneceu praticamente intacta até a sua descoberta, realizada por um arqueólogo, em 1922. A fita se inicia apesentando o contexto da época da abertura do túmulo, o papel do Lorde de Carnarvon (patrocinador da empreitada) e Howard Carter (arqueólogo responsável pelo achado). É narrado também o episódio da entrada fortuita de Carter, Carnarvon, Mace e da Lady Evelyn no sepulcro na calada da noite e a morte de Carnarvon nas semanas seguintes, circunstância que deu espaço para os tabloides ingleses afirmarem a existência de uma maldição.

Sheryl Munson e o marido no Egito em 1995. Fonte: “A Maldição de Tutankamon”, da Discovery. 1998.

O documentário também aponta a morte da turista Sheryl Munson, em 1995, após sua viajem para o Egito. É narrado que, ignorando as ordens de segurança, ela tocou uma pintura parietal de uma tumba acreditando que aquela era uma oportunidade única. Contudo, após retornar para casa ela desenvolveu um quadro de tosse aguda, fraqueza e falta de ar. Com a piora da sua saúde uma biopsia do seu pulmão foi realizada. Foi identificado então o fungo aspergillus níger, que mais tarde assimilariam o contágio com a viajem de Shery para o Egito e o evento de ter tocado em uma parede num sítio arqueológico de caráter funerário. O material ainda explica que Carnarvon teria cometido erro semelhante anos antes, quando entrou desprotegido na tumba, se expôs aos fungos do local e, após um ferimento no rosto que infeccionou graças ao contágio, entrou em óbito em 10 de abril de 1923.

O interessante da fita é que nela aparecem alguns nomes já conhecidos entre egiptólogos e o público comum como David Silverman, Roselie David e Zahi Hawas (que ironicamente em uma das suas participações comenta que a fama é uma maldição). A participação da profa. David é uma das mais esclarecedoras, já que ela explica que, ao contrário do passado, hoje é possível trabalhar com a “exumação” de múmias em segurança, através do uso de raio-x e o endoscópio, evitando assim o risco de contaminação tanto para o pesquisador como para a própria múmia (é importante lembrar que o depósito de bactérias na superfície ou interior de uma múmia pode acelerar a sua degradação).

Imagem frontal da mascara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Imagem frontal da mascara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Mas por que tantas mortes?

Lord Carnarvon.

Quinto Conde de Carnarvon.

Embora uma infecção explique a morte de Carnarvon, a dúvida ainda paira acerca dos outros óbitos que os tabloides relacionaram com a Maldição de Tutankhamon. Mas não existe mistério também nisto: quando a notícia da descoberta da tumba estourou, Carnarvon vendeu os direitos de reportagem para o The Times, um jornal voltado para a elite inglesa. Sem matérias exclusivas e aproveitando o embalo do falecimento do patrocinador, os demais jornais procuravam qualquer definhamento relacionado com algum membro da equipe de escavação, ou mesmo de algum familiar que nem sequer entrou no sepulcro, para assimilar à morte agourenta. Um deles até mesmo inventou que na porta da sepultura existia uma maldição escrita ameaçando todos aqueles que incomodassem o descanso do faraó.

Considerações finais:

Este é um documentário para sanar a curiosidade acerca da Maldição da Múmia, e não apresenta muitos aspectos da vida no Antigo Egito, contudo, faz bem o seu trabalho ao mostrar os riscos de contaminação existentes em túmulos e corpos egípcios.

Meus comentários sobre o DVD “A Maldição de Tutankamon” no Youtube:

Dados do DVD:

Título: A Maldição de Tutankamon

Gênero: Egiptologia, múmias

Diretor: Gary Parker

Distribuidora: Discovery

Ano de Lançamento (Brasil): 1998

Valor: Entre R$19,90 e R$20,90