Conheça a história da maior campanha de salvamento arqueológico do Egito: Templos de Abu Simbel

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Vocês conhecem a história da transferência dos Templos de Abu Simbel? Ela foi a maior campanha de salvamento arqueológico que já ocorreu! E possivelmente em nossas vidas não veremos novamente algo igual.

Foto: youssef_alam

Ao sul do Egito temos a primeira catarata do rio Nilo e é por ali onde se encontra o atual distrito de Assuã, mas no passado aquele território fazia parte do que hoje chamamos de “Núbia”. Ou seja, era o território do povo núbio, que por muito tempo foram vassalos dos egípcios. E o território deles variou ao longo dos anos, mas normalmente encontrava-se entre a 1ª e além da 5ª catarata, locais que hoje são territórios do atual Sudão.

E nas margens do rio Nilo ocorreram grandes mudanças no século passado por conta da construção da primeira Represa de Assuã entre 1898 a 1902 e as posteriores obras de expansão da barragem. Essas ocorreram em duas ocasiões, uma entre os anos de 1907 a 1912 e a outra entre 1929 a 1934. Anos depois, no final da década de 1950 foram feitas no Egito reuniões para a construção da Grande Represa de Assuã. Essa causaria um impacto tremendo na integridade de vários sítios arqueológicos, causando a destruição em massa de vários registros históricos de milênios!

Isso fez com que os governos do Egito e do Sudão se unissem em 1959 para realizar um apelo internacional, através da Unesco, para salvar o patrimônio não só egípcio, mas núbio também. E vários templos foram tirados de seus locais originais e levados para longe de onde a água seria represada e dois destes templos foram os de Ramsés II e da rainha Nefertari, ambos em Abu Simbel.

Foto: dailyinspires.com

Nestas fotos vocês podem ter uma ideia do que aconteceu na época, como os templos foram cortados e remontados em seu novo lar, 60 metros colina acima, onde foram remontados seguindo a mesma orientação utilizada pelos antigos egípcios.

Foto: Georg Gerster
Foto: Centro de Documentação Estudos Sobre o Egito Antigo.
Foto: UNESCO
Foto: Foto: Georg Gerster

A transferência de Abu Simbel teve início em 1964 e ao todo foram cortados entre 1036 a 1050 blocos, cada um pesando entre 7 e 30 toneladas. E os trabalhos só tiveram fim em 1967.

Entenda como tudo ocorreu:

Dicas de leitura:

Who’s Who in Ancient Egypt” de Michael Rice
https://amzn.to/3uTEO4X
The Oxford Handbook of Ancient Nubia” editado por GEOFF EMBERLING e BRUCE BEYER WILLIAMS
https://amzn.to/3oRbOqM
The Rescue of Nubian Monuments and Sites
https://whc.unesco.org/en/activities/173/

Egito anuncia descoberta arqueológica da época de Ramsés II

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O Egito tem tentado controlar o avanço da COVID-19 no país e paralelamente tem retomado as pesquisas arqueológicas — com uma série de restrições as quais já sitei aqui no site —. Então, agora em agosto, o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito anunciou a descoberta de artefatos que datam do reinado de Ramsés II — um dos reis mais famosos da 19ª Dinastia —, além de restos de estruturas pertencentes aos coptas. Tudo isso em Mit Rahina, que no passado ficava nas proximidade da antiga Mênfis.

A importância dessa descoberta está no fato de que Mênfis foi por muitos séculos capital do Egito e mesmo quando perdeu esse posto, continuou a ter relevância religiosa.

Foram encontrados vários blocos e estátuas de pedra esculpidas, dentre elas está uma feita em granito preto representando uma mulher. Já os blocos são feitos de calcário e pertencem à era copta, que em nada tem a ver com o tempo dos faraós. Os coptas tratam-se de uma das comunidades cristãs mais antigas do Oriente Médio. Desta forma, os arqueólogos responsáveis pelas pesquisas acreditam que esses blocos seriam reutilizações de partes de templos da época dos faraós.

O artefato do faraó Ramsés II encontrado é uma estátua, que estava acompanhada por várias estátuas representando diferentes divindades como Sekhmet, Hathor e Ptah. Tem curiosidade em conhecer mais sobre os deuses da antiguidade egípcia? Assista ao vídeo “Deuses do Egito Antigo: O que você precisa saber!“:

E quer conhecer um dos feitos mais famosos de Ramsés II? Veja ao vídeo “Deslocamento dos Templos de Abu Simbel: Ramsés II e Nefertari“:

Os trabalhos de escavações nesse sítio de Mit Rahina continuarão até que todos os artefatos e estruturas arqueológicas tenham passado por um trabalho de conservação.

Fonte:

Egypt announces new archaeological discovery from Ramses II era. Disponível em <https://dailynewsegypt.com/2020/07/28/egypt-announces-new-archaeological-discovery-from-ramses-ii-era/ >. Acesso em 04 de agosto de 2020.

Menção ao faraó Ramsés II é encontrada em templo em Israel

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Um templo cananeu com cerca de 3.200 anos foi descoberto onde outrora se encontrou a cidade bíblica de Laquis, que durante a antiguidade passou alguns tempos sob o domínio do império egípcio. A descoberta foi feita por uma equipe de arqueólogos liderada pelo professor Yosef Garfinkel, da Universidade Hebraica de Jerusalém, e pelo professor Michael Hasel, da Universidade Adventista do Sul, no Tennessee.

Equipe de arqueologia trabalhando no local

E uma das coisas que mais chamou a atenção nesta pesquisa foi o descobrimento de caldeirões de bronze, punhais, cabeças de machados, escaravelhos e uma garrafa banhada a ouro com o nome do faraó Ramsés II, que viveu durante o Novo Império, 19ª Dinastia. 

Fundo dos escaravelhos egípcios encontrados

Eles também descobriram um amuleto aparentemente inspirado na deusa Hathor, divindade egípcia do amor, festas e alegria. “Aparentemente” porque na imagem o que vemos é uma figura feminina nua com o típico cabelo em arco da deusa.

Suposta imagem da deusa Hathor

Agora, o que tem a ver o Egito com Israel? Por que o nome de Ramsés II foi encontrado neste templo em Laquis? 

Laquis é uma antiga cidade que se encontra no centro de Israel. Surgida por volta de 1800 a. E. C., cerca de 400 anos mais tarde foi atacada e destruída pelo faraó Tutmés III (Novo Império, 18ª Dinastia). Décadas depois, durante o Período Amarniano (Novo Império, 18ª Dinastia), o governo de Laquis troca correspondências com o governo egípcio através das atualmente chamadas “Cartas de Amarna”. E o link entre os dois países continua a existir durante o governo de Ramsés II. 

Fonte: 

Ancient Canaanite Temple With Statues of Baal Found in Southern Israel. Disponível em < https://www.haaretz.com/archaeology/.premium.MAGAZINE-ancient-canaanite-temple-with-statues-of-baal-and-standing-stones-found-at-lachish-1.8551716 >. Acesso em 18 de fevereiro de 2020. 

Descoberta rara: foi encontrada uma Estátua Ka de Ramsés II

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No início deste mês de dezembro, o Ministério das Antiguidades do Egito anunciou que uma equipe de arqueologia desenterrou uma Estátua Ka feita em granito vermelho e que pertence ao rei Ramsés II (19ª dinastia). O artefato possui 105 cm de altura, 55 cm de largura e 45 cm de espessura.

Descoberta da Estátua Ka de Ramsés II. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

O achado foi realizado durante escavações em terras de propriedade privada na vila de Mit Rahina. Isso ocorreu após denúncias de que o proprietário estava realizando escavações ilegais no local a fim de encontrar artefatos arqueológicos.

Estátua Ka de Ramsés II. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

De acordo com a legislação egípcia (assim como a brasileira) artefatos arqueologicos são bens da União, ou seja, são de responsabilidade do governo. Desenterrar, vender ou manter ilegalmente em casa objetos arqueologicos são considerados crimes.

Saiba mais detalhes sobre esta notícia: 

Um achado extremamente importante

Estátuas Ka, como bem aponta o nome, são artefatos que representam o ka da pessoa retratada. De acordo com a tradição egípcia, o corpo de um indivíduo era dividido em várias partes tais como ba, sah, ankh, etc. E o ka era uma destas partes sendo uma espécie de força vital.

Estátua Ka de Ramsés II. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

E no caso dessa descoberta em questão, ela é importante porque, de acordo com o Ministério das Antiguidades do Egito, só existem duas Estátuas Ka registradas até o momento. A mais famosa é a do rei Hor Awibre, que viveu durante a 13ª dinastia e que no momento está em exposição no Museu Egípcio do Cairo.

Estátua Ka de Hor Awibre. Foto: Getty.

A outra é esta recentemente encontrada e que será exposta em um museu a céu aberto na própria Mit Rahina.

Estátua Ka de Ramsés II. Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

Fontes:

Unique red granite bust of Ramses II unearthed on private land in Giza. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/357585/Heritage/Ancient-Egypt/Unique-red-granite-bust-of-Ramses-II-unearthed-on-.aspx >. Acesso em 12 de dezembro.