O mistério das manchas marrons na tumba de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Quem já visitou a tumba do faraó Tutankhamon ou viu fotografias certamente notou que as pinturas que enfeitam as paredes estão cobertas por estranhas manchas amarronzadas. Por anos algumas suposições foram levantas buscando entender o que seriam estas marcas. A mais famosa é que seriam o resultado da umidade acumulada por conta da visita de muitos turistas, tal como foi o caso da tumba da rainha Nefertari, que precisou ser fechada para ser preservada. Ou seja, seriam microrganismos que estariam destruindo as imagens pouco a pouco. Agora, os pesquisadores do Getty Conservation Institute de Los Angeles acreditam ter desvendado o mistério.

Fotos da época da descoberta foram comparadas com as dos dias de hoje e o que se viu é que essas manchas tinham tomado novas áreas. Naturalmente isso preocupou os cientistas que entraram em ação com estudos de DNA, análises químicas e microscópicas. Eles confirmaram o que muitos temiam: de fato as manchas são de origem microbiológica. Em termos simples, tratam-se de mofo e fungos. Porém, a ótima notícia é que eles estão mortos e não são mais uma ameaça.

Este estudo, que está sendo realizado há quase uma década, é fruto de uma associação entre o Getty Conservation Institute e o Ministério das Antiguidades do Egito. O seu objetivo é avaliar as condições da tumba do rei e assim ajudar a evitar que ela se deteriore. Por conta desses trabalhos melhorias foram aplicadas no tumulo tal como a construção de uma rampa e trilhos para controlar o acesso de visitantes, regras para determinar o numero máximo de pessoas que podem entrar e a instalação de um sistema de ventilação. Eles também estabilizaram a perda dos pigmentos pretos e vermelhos dos murais.

O diretor do projeto explicou que em um dado momento dos trabalhos foi necessário mover a múmia do rei. Isso ocorreu em meados de outubro de 2016, período em que a tumba foi fechada por um mês para a visita de turistas.

Sobre as manchas, elas não serão removidas. Isso porque os cientistas perceberam que elas penetraram totalmente as tintas de tal forma que qualquer tentativa de remoção acabará acarretando na destruição das pinturas.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Em uma delas são retratados personagens realizando a atividade descrita aqui: a pintura em parede.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fonte:

Getty Completes Study of Paintings at King Tut’s Tomb. Disponível em < https://www.nytimes.com/2018/03/26/arts/design/king-tut-getty-egypt-conservation.html?partner=rss&emc=rss&smtyp=cur&smid=tw-nytimesscience >. Acesso em 31 de março de 2018.

Múmia intacta datada do Período Greco-Romano é encontrada em Fayum (Egito)

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Uma missão de arqueologia egípcio-russa, em Fayum, no Sítio Arqueológico de Deir al-Banat (Mosteiro de Al-Banat), descobriu um caixão de madeira com uma múmia datada do Período Greco-romano.

A múmia está em boas condições de preservação e ainda enrolada em linho. Ela também contém a sua máscara mortuária que é feita de cartonagem, pintada em azul e ouro. Na área do seu tórax está uma cena da deusa Ísis.

Apesar da conservação da múmia, o ataúde está em mau estado: além de não possuir inscrições, ele possui rachaduras que se espalham por todo o artefato.

A missão realizou uma conservação preliminar tanto no ataúde como na múmia, para que ela fosse transportada com mais segurança para um outro local, onde será submetida a mais trabalhos de conservação e documentação.

Sítio Arqueológico de Deir al-Banat (Mosteiro de Al-Banat)

A missão russa está trabalhando nesta área há cerca de 7 anos afiliada ao Russian Institute for Oriental Studies e está sob a liderança da Dra. Galina Belova.

Notícia e fotos via comunicado de imprensa do MSA.

Tumba recém descoberta no Egito revela múmias e máscaras mortuárias

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Hoje mais cedo, autoridades do Ministério de Antiguidades do Egito revelaram para imprensa detalhes de uma tumba recém-descoberta em Draa Abu-el Naga (Luxor). A sepultura pertenceu a um casal: O homem chamava-se Amenemhat, um ourives do deus Amon e a mulher era chamada de Amenhotep. Eles viveram durante a 18ª Dinastia, mas o túmulo foi utilizado em outros períodos, tais como a 21ª e a 22ª Dinastia.

No local foram achados sarcófagos, estatuetas, potes cerâmicos e outros artefatos. Restos mumificados também estão presentes e dentre eles estão as múmias de uma mulher e seus dois filhos adultos. Máscaras mortuárias pertencentes a quatro oficiais igualmente foram encontradas.

A entrada da tumba foi descoberta no pátio de outra sepultura e ela leva para uma câmara quadrada. Lá dentro existe uma representação do casal no interior de um nicho. Estas estátuas são feitas de arenito e estão parcialmente danificadas. Entre as suas pernas está a representação do filho do casal, que de acordo com os arqueólogos que fizeram a descoberta seria algo inusitado, uma vez que o comum eram as filhas ou as noras ser apresentadas dessa forma e não os rapazes.

Apesar dos saques e dos sepultamentos mais tardios, entre os artefatos foram descobertos objetos do casal.

Fontes: 

Newly unearthed ancient tomb with mummies unveiled in Egypt. Disponível em < http://edition.cnn.com/2017/09/09/africa/egypt-luxor-ancient-tomb/index.html?utm_content=bufferd2214&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer >. Acesso em 09 de setembro de 2017.

Tomb of Pharoah’s goldsmith who died 3,500 years ago is discovered in Luxor in ancient civil service cemetery. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/news/article-4868124/Tomb-Pharoah-s-goldsmith-discovered-Luxor.html#ixzz4sEE4fxvZ >. Acesso em 09 de setembro de 2017.

Várias múmias foram descobertas em tumba egípcia

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Ontem, dia 8 de setembro (2017), o Ministério de Antiguidades do Egito anunciou que hoje irá revelar para a imprensa uma tumba com várias múmias em seu interior, em Draa Abu-el Naga (Luxor). Ela está próxima a de um oficial da 18ª Dinastia (Novo Império) chamado Userhat (– 157 –), a qual a sua redescoberta foi revelada em meados de abril deste ano (2017). O AE chegou a noticiar este acontecimento, clique aqui para ler o post. Na época tinha sido explicado para a imprensa que existiam mais duas sepulturas no local. Aparentemente é uma delas o foco da coletiva que ocorrerá na manhã de hoje.

Artefatos encontrados na tumba de Userhat. Foto: Luxor Times.

Não foram revelados muitos detalhes do que foi encontrado, exceto que a visada sepultura provavelmente pertenceu a um sacerdote importante e que a sua escavação ainda está em andamento. Entretanto, vários ushabtis, máscaras mortuárias e outros artefatos feitos de cerâmica e faiança foram descobertos. No local igualmente foram encontrados vários restos humanos mumificados.

Esta notícia está sendo recebida com muita expectativa pelos pesquisadores e espera-se que em algumas horas mais novidades sejam reveladas.

 

Fonte:

Exclusive: Egyptian archaeologists discover 3500 years old tomb contains many mummies. Disponível em <http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/09/exclusive-egyptian-archaeologists.html?utm_content=buffer2fa9d&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer >. Acesso em 08 de setembro de 2017.

 

Buscando pela tumba da esposa de Tutankhamon… Ou não!

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No mês de julho (2017) foi lançada a notícia de que o arqueólogo egípcio Zahi Hawass, teria encontrado evidências que apontam para a existência de uma tumba não analisada, próximo a área do Vale dos Reis, famoso sítio arqueológico que abriga as tumbas dos faraós do Novo Império. “Nós estamos crentes que existe uma tumba lá, mas nós não sabemos com certeza a quem pertence”, disse Hawass ao site Live Science. “Nós estamos certos de que é uma tumba escondida naquela área porque eu encontrei quatro depósitos de fundações”[1], fundações estas que seriam caches ou furos no chão que foram preenchidos com objetos votivos tais como vasos de cerâmica, restos de comida e outras ferramentas, nas palavras do próprio arqueólogo.

Ancient Egypt Dr. zahi Hawass

Dr. Zahi Hawass na tumba da rainha Nefertari

A área visada por Hawass é o chamado Vale Oeste (ou Vale Ocidental), um espaço um pouco mais afastado das tumbas principais do Vale dos Reis, tais como a do faraó Tutankhamon (KV-62), Seti I (KV-17), Ramsés II (KV-7), etc. Embora o Vale Oeste seja pouco conhecido pelo público comum, é lá onde foram sepultados o faraó Amehotep III (WV22) e ainda mais afastado o Ay (WV23), esta última é a mais próxima desta possível tumba identificada por Hawass.

Dada a esta proximidade com a WV23, Hawass sugeriu em entrevista que o dono do sepulcro poderia ser a rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon. Esta sugestão não é infundada, já que existem ao menos três fatores que apontam para ela ser a melhor possibilidade como a dona do local:

Pair Statue of Tutankhamun and AnkhesenamunTutankhamon e Ankhsenamon

☥ A proximidade com a tumba de Ay que possivelmente foi seu esposo ou co-regente;

☥ Que a tumba de Ay, a priori, pode ter pertencido a Tutankhamon;

☥ Ela não foi sepultada no Vale das Rainhas, porque este cemitério possivelmente foi inaugurado pela rainha Sitra (QV-38), consorte de Ramsés I.

— Saiba mais: Ankhesenamon e Tutankhamon

Mas, é importante que não se leve esta possibilidade como a única, como o próprio Hawass salientou no início de agosto: “Quero deixar claro, porque se tem publicado informações erradas nos últimos dias. A escavação não começou e nem ocorreu descoberta alguma ainda[2]. Eu confio em poder iniciar a missão em breve e que os trabalhos nos levem a este enterramento escondido” [3].

137 In the Valley of the KingsVale dos Reis

Existe alguma possibilidade de que esta tumba esteja intacta?

Sim, existe. Entretanto, ao longo dos séculos vários saques ocorreram em sítios arqueológicos egípcios, a exemplo do Vale dos Reis e o Vale Oeste, que foram duas das áreas mais visadas pelos ladrões de antiguidades. Por isso, é pouco provável que caso exista uma sepultura neste espaço ela esteja intacta. Porém, nunca se sabe, já que a Arqueologia é sempre cheia de surpresas.

Fontes:

[1] King Tut’s Wife May Be Buried in Newly Discovered Tomb. Disponível em < https://www.livescience.com/59840-king-tut-wife-tomb-possibly-found.html >. Acesso em 19 de julho de 2017.

[3] En busca de la tumba de la esposa de Tutankamón. Disponível em < http://www.elmundo.es/ciencia-y-salud/ciencia/2017/08/09/5989f96946163f3c418b45d4.html >. Acesso em 10 de agosto de 2017.


[2] Negrito meu.