Menção ao faraó Ramsés II é encontrada em templo em Israel

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Um templo cananeu com cerca de 3.200 anos foi descoberto onde outrora se encontrou a cidade bíblica de Laquis, que durante a antiguidade passou alguns tempos sob o domínio do império egípcio. A descoberta foi feita por uma equipe de arqueólogos liderada pelo professor Yosef Garfinkel, da Universidade Hebraica de Jerusalém, e pelo professor Michael Hasel, da Universidade Adventista do Sul, no Tennessee.

Equipe de arqueologia trabalhando no local

E uma das coisas que mais chamou a atenção nesta pesquisa foi o descobrimento de caldeirões de bronze, punhais, cabeças de machados, escaravelhos e uma garrafa banhada a ouro com o nome do faraó Ramsés II, que viveu durante o Novo Império, 19ª Dinastia. 

Fundo dos escaravelhos egípcios encontrados

Eles também descobriram um amuleto aparentemente inspirado na deusa Hathor, divindade egípcia do amor, festas e alegria. “Aparentemente” porque na imagem o que vemos é uma figura feminina nua com o típico cabelo em arco da deusa.

Suposta imagem da deusa Hathor

Agora, o que tem a ver o Egito com Israel? Por que o nome de Ramsés II foi encontrado neste templo em Laquis? 

Laquis é uma antiga cidade que se encontra no centro de Israel. Surgida por volta de 1800 a. E. C., cerca de 400 anos mais tarde foi atacada e destruída pelo faraó Tutmés III (Novo Império, 18ª Dinastia). Décadas depois, durante o Período Amarniano (Novo Império, 18ª Dinastia), o governo de Laquis troca correspondências com o governo egípcio através das atualmente chamadas “Cartas de Amarna”. E o link entre os dois países continua a existir durante o governo de Ramsés II. 

Fonte: 

Ancient Canaanite Temple With Statues of Baal Found in Southern Israel. Disponível em < https://www.haaretz.com/archaeology/.premium.MAGAZINE-ancient-canaanite-temple-with-statues-of-baal-and-standing-stones-found-at-lachish-1.8551716 >. Acesso em 18 de fevereiro de 2020. 

A faraó que não seria esquecida

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Hatshepsut foi uma faraó que viveu no início da 18ª Dinastia (Novo Império). Já comentei sobre ela em dois outros posts aqui no Arqueologia Egípcia e brevemente no vídeo “Mulheres Faraós“.

No vídeo abaixo temos uma animação apresentada no TED-Ed (um projeto que une educadores com animadores) onde a história de Hatshepsut é apresentada de forma resumida. Nesse caso a pesquisadora é a Kate Narev. O vídeo está em inglês, mas vocês podem habilitar as legendas no próprio Youtube (na aba do play tem um quadradinho ao lado de uma engrenagem: é lá que você habilita e escolhe a língua).

Uma nota sobre o vídeo: outras faraós chegaram a reinar no Egito, inclusive antes da própria Hatshepsut. E alguns pesquisadores acreditam que a memória dos feitos dela foram apagados não por ódio, ou exclusivamente por uma questão de gênero, mas para manter a legitimidade do trono do filho de Tutmés III; lembre-se que enquanto Hatshepsut era filha do faraó com uma Grande Esposa Real, o seu enteado, Tutmés III, era filho de uma esposa secundária. Ser pouco legítimo para assumir o trono era muito mais grave para Maat do que ter uma mulher assumindo o governo. Por isso que a destruição só ocorreu 20 após ele assumir o reino.

Imagem 1: Faraó Hatshepsut usando uma barba falsa. Imagem retirada de MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto. (Tradução de Maria da Graça Crespo) 1ª Edição. Lisboa: Editora Taschen, 1999. p. 123.

— Saiba mais: Um vislumbre da faraó-mulher Hatshepsut

— Saiba mais: A faraó Hatshepsut precisou se portar em tempo integral como um homem?

Por fim, indicarei aqui um artigo meu que fala sobre a forma que os pesquisadores têm analisado os remanescentes arqueológicos relacionados com mulheres: Como a Arqueologia tem minimizado o papel das mulheres egípcias que viveram na Antiguidade faraônica.