Um time de Roller Derby e o antigo Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Já ouviram falar do Roller Derby? Trata-se de um esporte de contato muito popular nos Estados Unidos e que põe dois grupos de jogadoras se locomovendo com patins umas contra as outras.

A aceitação deste esporte foi tão notória que ganhou adeptos e times em outros países, a exemplo do Egito, onde foi criada a a liga CaiRollers, que foi fundada em 2011 por dois expatriados americanos e que atualmente tem como maioria mulheres egípcias.

As “CaiRollers” receberam muitas repreensões no início, os críticos falavam que este era um esporte perigoso para as mulheres e outros usavam questões religiosas para tentar desestimular a atividade. Entretanto, as opiniões não têm afetado a escolha de algumas dessas moças que estão se candidatando para poder participar do time.

Ver uma liga de esporte feminina é extremamente positivo, principalmente quando rememoramos que o país tem um histórico preocupante de repressão à mulher e de assédios sexuais (inexistentes na cabeça dos próprios assediadores, de alguns políticos egípcios e dos turistas mais sonhadores). A liga tem ajudado as jogadoras a perceberem que se elas possuem força e coragem para competir em um time de Roller Derby elas são capazes de vencer em outros campos de suas vidas.

A escolha do símbolo da equipe é outro ponto interessante. Como pode ser conferido abaixo trata-se de uma mulher representada ao estilo egípcio antigo patinando.

Outro quesito inspirado até certo ponto na antiguidade egípcia é o lema delas, “Block like an Egyptian” (Bloqueando como uma egípcia), uma referência a frase “Walk Like an Egyptian” (Caminhando como um egípcio), que seria o andar de frente frequentemente representado nas paredes de tumbas e templos. Essa frase foi popularizada pela música do grupo The Bangles, Walk Like an Egyptian.

Para conhecer mais sobre a liga:

Site Official: www.cairollers.com/

Página no Facebook: www.facebook.com/CaiRollergirls

Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]