(Vídeo) Alinhamento Solar no Templo de Abu Simbel

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

O complexo de templos de Abu Simbel foi construído na divisa entre as terras do Egito e o antigo território núbio (hoje Sudão), por Ramsés II a partir de algum momento durante as três primeiras décadas do seu governo. Tratam-se de estruturas gigantes cavadas nas rochas na margem ocidental do Nilo: uma menor dedicada à rainha Nefertari e uma maior, para o próprio Ramsés II. E é deste que comento no vídeo.

Wikimedia Commons | User: Przemyslaw “Blueshade” Idzkiewicz.

Este evento solar ocorre duas vezes no ano e usualmente reuni várias pessoas para testemunhar esta ocorrência. Além do vídeo abaixo, também já escrevi sobre ele aqui no Arqueologia Egípcia: — Alinhamento solar no templo de Abu Simbel: 22 de fevereiro e 22 de outubro.

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Alinhamento solar no templo de Abu Simbel: 22 de fevereiro e 22 de outubro

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O templo de Abu Simbel foi construído na divisa do antigo território núbio e egípcio provavelmente no ano 24 do reinado de Ramsés II (DAVID, 2007). Sua edificação visava honrar os principais deuses – Amon, Ptah e Ra-Harakhte – além de deificar o próprio Ramsés II. Na época faraônica o edifício empregou um grande número de sacerdotes e servia de aviso para os estrangeiros advindos do Sul, mostrando a magnificência do império egípcio.

Templo de Abu Simbel. Disponível em <http://dailyinspires.com/wp-content/uploads/2013/02/Temple-of-Ramesses-II-Abu-Simbel-Wallpaper.jpg>. Acesso em 22 de outubro de 1922.

Na década de 1960 a UNESCO mobilizou uma grande campanha que arrecadou $40,000,000 para retirar o templo do seu local original e levá-lo para um local seguro, longe das enchentes provocadas pelas represas já existentes no Nilo e da própria Represa de Aswan, que até então estava ainda em projeto.

Dentro do templo de Abu Simbel. Ao final encontra-se o santuário com o quarteto de deuses. Disponível em <http://paradiseintheworld.com/wp-content/uploads/2012/10/abu-simbel-inside.jpg >. Acesso em 22 de outubro de 2014.

Foi reservada muita energia para dar ao edifício um aspecto semelhante ao que ele possuía em seu lugar original, inclusive o efeito solar que o monumento presencia atualmente duas vezes ao ano, um em 22 de fevereiro e outro em 22 de outubro. Entretanto, de acordo com a literatura, o templo original foi projetado para permitir que a luz do sol penetrasse o santuário nos dias 21 dos referidos meses e não no 22.

Quarteto de divindades sob luz artificial. Disponível em <http://hdwallpaperia.com/wp-content/uploads/2013/10/Abu-Simbel-Temple.jpg>. Acesso em 22 de outubro de 2014.

O efeito faria com que três das deidades (exceto Ptah), que ficam no santuário, fossem iluminadas por um feixe de luz. Estas datas são supostamente o aniversário de nascimento e o dia da coroação do rei, respectivamente, mas não há nenhuma evidência para apoiar isso.

Curiosidades:

Para assistir alinhamento solar pessoas invadem templo de Abu Simbel

As forças de segurança de Aswan, na manhã de sábado do dia 22 de fevereiro de 2014, não conseguiram impedir que um grande número de pessoas, que compreendiam desde egípcios a turistas, invadisse o templo. Estima-se que mais de 6,000 indivíduos foram prestigiar o fenômeno que foi associado com um dia religioso denominado “Santo dos Santos”. Enquanto alguns visitantes estavam em clima de festa, outros não ponderaram suas atitudes e forçaram a entrada no santuário.

Para ver mais fotos clique aqui.

Apesar de toda a confusão, de acordo com as fontes oficiais, o templo não sofreu danos.

Abu Simbel já virou um doodle

Para comemorar o evento em 2012 o Google transformou o templo em um doodle (uma daquelas imagens comemorativas que ficam na página inicial do navegador).

Doodle via Google. 2012.

 

Referências:

David O’CONNOR, Rita FREED e Kenneth KITCHEN. Ramsés II (Tradução de Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Fólio, 2007.
SILIOTTI, Alberto. Viajantes e Exploradores: A Descoberta do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Michel Teixeira). Barcelona: Editora, 2007.