O filme “A Múmia” (2017): comentando o novo trailer

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Em pouco mais de um mês o filme “A Múmia” (2017) estará nas telas do cinema do Brasil. No dia 08 de junho o público poderá conferir a nova roupagem do monstro que tanto ajudou a popularizar a cultura egípcia em filmes e desenhos animados.

Recentemente foram liberados mais um pôster e o segundo trailer da produção, que ao contrário do primeiro explica melhor para o público o enredo: agora temos a história da princesa Ahmanet (Sofia Boutella), que após cometer um crime é sepultada viva como punição. Milênios depois ela acaba sendo despertada e começa a espalhar o mal.

Novo pôster. Reprodução.

Agora é a vez de Ahmanet. Foto: Divulgação.

Aqui o protagonista é interpretado pelo Tom Cruise, que viverá um membro das forças especiais que irá para um deserto em busca de terroristas, mas que acaba descobrindo a tumba da princesa. Teremos também a Annabelle Wallis, que interpretará uma arqueóloga e o Russell Crowe vivendo o personagem clássico Henry Jekyll, do livro “O Médico e o Monstro”.

Então, atendendo a pedidos, gravei um vídeo comentando o que, através deste último trailer, eu espero do filme:

Como o leitor Yuri Ribeiro bem lembrou nos comentários do YouTube eu acabei esquecendo de comentar as roupas egípcias. Tudo bem, fica para quando eu comentar o filme completo. E rememoro que já falei sobre as tatuagens da personagem do monstro no vídeo “Franquia de filmes ‘A Múmia’ da Universal Studios”. Deem uma conferida nele também.

Um filme sobre a Antiguidade egípcia será gravado no Egito com atores nativos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Dica: Fernanda Libório, via Facebook.

Após vários anos lançando filmes sobre o Egito Antigo protagonizado por atores caucasianos (em sua maioria)[1], aparentemente Hollywood está pensando fora da caixa. No último dia 10 de fevereiro (2017) a Action Film International liberou a informação de que está produzindo um filme sobre a antiguidade do país, só que desta vez contará com um elenco nativo.

Pirâmides do Platô de Gizé. Por Ricardo LiberatoAll Gizah Pyramids, CC BY-SA 2.0, Ligação

O projeto foi intitulado como “The Chosen Guard” e trata-se de uma colaboração entre produtoras norte-americanas e egípcias. Outra novidade é que o filme será rodado no próprio Egito, algo que não é comum: todas as produções hollywoodiana sobre a Antiguidade egípcia são gravadas no Marrocos, na África do Sul ou em qualquer outro lugar disponível. Isso é consequência das altas taxas cobradas para se gravar no próprio país.

A sinopse ainda não foi liberada. Porém,  do pouco que foi entregue para a imprensa a sugestão é que o enredo se passe nos dias de hoje e que conte a história do personagem fictício Sabaa, um homem escolhido pelos faraós para defender o também fictício “Templo de Ouro”, a última relíquia inexplorada da antiguidade.

As filmagens começarão em abril (2017).

Egípcios em outras produções:

Pessoalmente só conheço um caso de egípcio interpretando seus próprios antepassados no cinema, que é em “Uma noite no museu” (a trilogia), onde o ator descendente de egípcios, Rami Malek, interpreta o faraó Akhmenrah.

Fonte:

Epic Hollywood Action Movie To Be Filmed In Egypt With An All Arab Cast In April. Disponível em < http://www.cairoscene.com/ArtsAndCulture/Epic-Hollywood-Action-Movie-Filmed-Egypt-Arab-Cast-April?M=True >. Acesso em 13 de favereiro de 2017.

American Film Team to Produce “The Chosen Guard” in Egypt. Disponível em < http://www.prnewswire.com/news-releases/american-film-team-to-produce-the-chosen-guard-in-egypt-300405789.html >. Acesso em 13 de favereiro de 2017.


[1] Apesar de, aparentemente, o Egito Antigo ter sido um país fortemente mestiço (com grande inclinação para a cor negra e “oliva”), poucas são as produções que trazem não caucasianos como protagonistas. Um exemplo é “TUT” (2015), com Avan Jogia, que é descendente de indianos. Outro é “Cleópatra” (1999) com Leonor Varela, que é chilena.

A franquia de filmes “A Múmia” da Universal Studios

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Quando o cinema surgiu no final do século XIX o público já estava, de certa maneira, acostumado com as imagens da Antiguidade egípcia em detrimento da Egiptomania, surgida graças a invasão napoleônica ao Egito em 1798. Por conta disso, alguns filmes lúdicos foram gravados, todos trazendo um passado cheio de mistério, exotismo e misticismo. Essa ainda era a época do cinema mudo.

The Haunted Curiosity Shop [A loja de curiosidades assombrada ] (R.W. Paul, 1901)

The Haunted Curiosity Shop [A loja de curiosidades assombrada ] (R.W. Paul, 1901)

— Saiba mais: O Antigo Egito e os primórdios do cinema

Em 1922 ocorreu a descoberta da tumba do faraó Tutankhamon o que deu um patamar novo para o passado egípcio no mundo ocidental: esse país não era mais somente um lugar cheio de tesouros arqueológicos, para algumas pessoas os seus artefatos poderiam conter a “maldição da múmia”, ideia popularizada pela morte do Lorde Carnarvon, patrocinador da descoberta do túmulo de Tutankhamon.

Paralelamente, a Universal Studios estava investindo em filmes de horror. Duas das suas grandes realizações tinha sido “Drácula” (1931), com Béla Lugosi e “Frankenstein” (1931) com Boris Karloff. Ambos trazendo atrama de homens que voltaram da morte. Foi com um princípio parecido que “A Múmia”, de 1932, estrelado também por Boris Karloff, foi pensado.

Ambientado na própria década de 1930, a fita conta a história do sacerdote Imhotep, que foi sepultado vivo como uma punição por um crime terrível. Ressuscitado no século XX, ele tenta então trazer a sua amada à vida, custe o que custar.

Anos depois foi lançado “A Mão da Múmia” (1940), onde é a vez do antigo egípcio Kharis despertar. O caminho de maldade de Kharis resultou em mais três filmes: “A Tumba da Múmia” (1942), “O Fantasma da Múmia” (1944) e “A Praga da Múmia” (1944).

“O Fantasma da Múmia” (1944). Foto: Divulgação.

Então, com a chegada de 1955, é a vez da comédia “Abbott e Costello caçando múmias no Egito”. Depois dessa produção o público precisou esperar 44 anos para poder ver “A Múmia” (1999) novamente nas telas do cinema, mas agora com um remake do filme de 1932. O personagem Imhotep foi repaginado com magias muito mais poderosas, novos personagens também foram criados. No entanto, a trama central permanece: ele fará de tudo para trazer de volta ao mundo dos vivos a sua amada. Esse novo “A Múmia” gerou duas continuações: “O Retorno da Múmia” (2001) e “A Múmia: tumba do Imperador Dragão” (2008).

“A Múmia” (1999). Foto: Divulgação.

Como é possível ver, esse monstro parece ser uma fonte inesgotável de inspiração. E é exatamente por isso que a Universal irá estrear nesse ano de 2017 um novo “A Múmia”, em que o monstro será uma princesa egípcia chamada Ahmanet.

“A Múmia” (2017). Foto: Divulgação.

— Veja mais: A espera acabou! Saiu o trailer de “A Múmia”, com Tom Cruise e Sofia Boutella

Em menos de 20 anos essa franquia completará 100 e aparentemente continuará a encontrar as gerações seguintes. Arrecadando milhares de fãs ao redor do mundo ela, apesar de apelar para o lado lúdico e muitas vezes errando feio ao representar a cultura faraônica, tem encantado várias pessoas de diferentes idades, algumas das quais acabaram, inclusive, se apaixonando pela verdadeira história do Egito. De um sacerdote egípcio apaixonado a uma princesa egípcia com sede de vingança, até onde o monstro “A Múmia” nos levará? ☥

 

Chega ao fim filmagens do novo “A Múmia”, que estreará em 2017

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Após anos de espera os fãs do monstro clássico “A Múmia” poderão vê-lo novamente nas telas do cinema. Aliás, vê-la, já que agora a criatura será uma mulher: o papel foi dado para a atriz Sofia Boutella que trabalhou em Kingsman: The Secret Service (2015) e Star Trek Beyond (2016).

“A Múmia” protagonizou vários títulos da Universal Studios, passando pela temática de terror até aventura.

— Saiba mais: O Egito Antigo nos filmes de terror.

Algumas fotos do set já estão rondando a internet. Em algumas podemos ver a Boutella caracterizada enrolada em bandagens e com uma coloração cinza (seria alguma homenagem à criatura vivida pela primeira vez pelo Boris Karloff?). Um detalhe que achei mito interessante são os desenhos de pontinhos que cobrem praticamente todo o corpo da personagem. Eles lembram um dos temas das tatuagens egípcias.

— Saiba mais: Tatuagens no Egito Antigo.

No filme igualmente estará Tom Cruise, que protagonizará o longa.

Uma sinopse também já foi disponibilizada através do site Comingsoon. Então sabemos mais uma novidade; a múmia não será ligada ao sacerdócio (apesar das supostas tatuagens), desta vez será uma rainha. Abaixo a tradução realizada pelo site Omelete:

Sepultada com segurança nas profundezas de um deserto implacável, uma antiga rainha (Sofia Boutella), cujo destino foi injustamente tirado dela, acorda nos dias atuais, trazendo sua maldade alimentada durante milênios e terrores que desafiam a compreensão humana. Das areias deslumbrantes do Oriente Médio, através de vários labirintos e chegando aos dias atuais em Londres, A Múmia traz uma surpreendente intensidade e equilíbrio e trilha um caminho que inaugura um novo mundo de deuses e monstros.

O lançamento do filme está previsto para 8 de junho de 2017. E eu já comentei sobre ele em uma outra oportunidade no texto “Novidades sobre o novo filme ‘A Múmia’”.

Fontes:

A Múmia | Sinopse revela que Sofia Boutella será uma rainha impiedosa no filme. Disponível em < https://omelete.uol.com.br/filmes/noticia/a-mumia-sinopse-revela-que-sofia-boutella-sera-uma-rainha-impiedosa-no-filme/ >. Acesso em 09 de outubro de 2016.

Official Synopsis for The Mummy Reboot Released by Universal. Disponível em < http://www.comingsoon.net/movies/news/684201-official-synopsis-for-the-mummy-reboot-released-by-universal#EGoUdTk21hGr3I1T.99 >. Acesso em 09 de outubro de 2016.

 

Novidades sobre o novo filme “A Múmia”

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Em 2013 anunciei aqui no site que agora em 2016 a Universal Studios iria estrear um novo filme sobre um dos seus monstros clássicos: “A Múmia”. Entretanto, a data de lançamento do longa foi adiada para 2017.

​“A Múmia” protagonizou vários títulos no estúdio indo desde a temática de horror até a aventura. Praticamente em todos os filmes o monstro era um homem, mas agora será uma mulher que assumirá o papel.  A atriz escolhida é a Sofia Boutella (Kingsman: Serviço Secreto), que ainda por cima é a cara da Patricia Velasquez, coadjuvante de A Múmia de 1999 e 2001.

Sofia Boutella em “Kingsman: Serviço Secreto”. 2014.

Saiba mais em — O Egito Antigo nos filmes de terror.

Durante uma mesa-redonda em 2014 Donna Langley, presidenta da Universal, comentou um pouco sobre a produção:

Precisamos garimpar nossos recursos. Não temos heróis de capa na nossa biblioteca, mas temos um legado incrível e uma história com os monstros. Tentamos fazer novos filmes de monstros ao longo dos anos, sem sucesso. Então nós analisamos com cuidado e decidimos em tirar o gênero de horror e levar mais para o lado da ação e aventura, situando as tramas no presente, trazendo esses personagens ricos e complexos para os dias de hoje e ‘reimaginando-os’ e reintroduzindo-os para um público contemporâneo [1].

Outra notícia é que Tom Cruise poderá estrear o longa. Igualmente já foi liberado que Annabelle Wallis (Annabelle) irá viver uma arqueóloga e o ator Jack Johnson (New Girl, Jurassic World) um militar.

O filme terá a direção de Alex Kurtzman (Bem-Vindo à Vida) e roteiro de Jon Spaihts (Prometheus). A previsão de lançamento é o dia 9 de junho de 2017 [5].

Fonte:

[1] Filmes de monstros da Universal vão trocar horror pela aventura, afirma executiva. Disponível em < http://omelete.uol.com.br/filmes/noticia/filmes-de-monstros-da-universal-vao-trocar-horror-pela-aventura-afirma-executiva/>. Acesso em 17 de março de 2016.

[2] A Múmia | Remake pode ter monstro do sexo feminino. Disponível em <  http://omelete.uol.com.br/filmes/noticia/a-mumia-remake-pode-ter-monstro-do-sexo-feminino/>. Acesso em 17 de março de 2016.

[3] A Múmia | Tom Cruise deve estrelar o remake. Disponível em <  http://omelete.uol.com.br/filmes/noticia/a-mumia-tom-cruise-deve-estrelar-o-remake/>. Acesso em 17 de março de 2016.

[4] A Múmia | Atriz de Kingsman negocia para estrelar o filme com Tom Cruise. Disponível em <  http://omelete.uol.com.br/filmes/noticia/a-mumia-atriz-de-kingsman-negocia-para-estrelar-o-filme-com-tom-cruise/>. Acesso em 17 de março de 2016.

[5] A Múmia | Reboot com Tom Cruise é confirmado para 2017. Disponível em <  http://omelete.uol.com.br/filmes/noticia/a-mumia-reboot-com-tom-cruise-e-confirmado-para-2017/>. Acesso em 17 de março de 2016.

[6] A Múmia | Filme com Tom Cruise contrata mais uma atriz http://omelete.uol.com.br/filmes/noticia/a-mumia-filme-com-tom-cruise-contrata-mais-uma-atriz/

(Comentários) Trailer do filme “Deuses do Egito” (2016)

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Irá estrear no dia 24 de fevereiro (2016) o filme “Deuses do Egito” (“Gods of Egypt“, no original), que está estrelando Nikolaj Coster-Waldau (Game of Thrones) e que cujo o enredo é inspirado na luta entre os deuses Seth e Hórus, um dos mitos mais famosos da Antiguidade egípcia.

Quando o primeiro trailer saiu várias pessoas enviaram mensagens para mim perguntando a minha opinião e eu a dei de forma bem concisa na página do Arqueologia Egípcia no Facebook, até que eu arranjasse um tempinho para poder sentar e escrever mais acerca. Bom, o momento chegou. Abaixo o trailer (legendado):

Porém, antes de apresentar para vocês os meus comentários, preciso conta-lhes antes o mito das batalhas entre Hórus e Seth.

Ísis e Hórus versus Seth

Tudo tem início com o nascimento dos irmãos Ísis (protetora do trono real e senhora da magia), Osíris (senhor da vegetação e fertilidade), Néftis (protetora do palácio) e Seth (senhor do caos e deserto), que casam entre si, sendo que o casal Ísis e Osíris assumem o trono do Egito. Ambos eram extremamente amados pela população, mas não por Seth, que tinha muita inveja e rancor dos dois, em especial por Osíris.

Fonte dos desenhos: Jeff Dahl.

Seth então prepara uma audaciosa cilada para matar o irmão: ele o convida para um banquete onde pede para que cada um dos convidados entrem em uma maravilhosa e grande caixa. Aquele indivíduo que nela coubesse a ganharia como prêmio.

Todos experimentaram a tal caixa, mas ninguém coube perfeitamente, exceto Osíris, o último a prová-la e que se encaixou impecavelmente. Contudo, o que o rei não sabia é que ela tinha sido confeccionada exatamente com as suas medidas e assim que entrou Seth o trancou e jogou a grande caixa no Nilo, onde morreu afogado.

Ísis descobre o ocorrido e recupera a caixa, despertando a ira de Seth que a rouba e esquarteja o corpo do deus falecido, jogando suas partes por toda a extensão do Nilo. Ísis mais uma vez sai em busca do marido e em uma longa jornada recupera uma a uma as partes do seu corpo, exceto o pênis, que foi comido por um peixe. Usando da sua magia e após longas rezas a deusa se transfigura em um falcão fêmea e com o bater das suas asas dá o sopro de vida necessário para ressuscitar o esposo. Ao mesmo tempo faz surgir o pênis e engravida do seu primeiro e único filho, Hórus, uma divindade com corpo humano e cabeça de falcão.

Neste meio tempo, Seth já tomou para si o trono do Egito, fazendo com que Ísis, protegida por sua irmã Néftis e o deus Anúbis, esconda-se nos juncos do Nilo com o recém-nascido Hórus, onde ela lhe ensina tudo o que é importante para reinar e o prepara para o futuro embate com o tio por seu trono de direito.

Após alguns anos, Hórus vai enfrentar o tio, que por sua vez o acusa de não ser filho de Osíris, afinal, Ísis não estava grávida quando ele estava vivo. Mas com a intervenção dos demais deuses é imposto que Hórus e Seth devem batalhar em uma série de atividades e o vencedor ficaria com a coroa.

Seth usa sempre da sabotagem para tentar vencer o sobrinho, mas todas as vezes é desmascarado por Ísis. Porém, em uma das lutas, Seth arranca um dos olhos de Hórus. A visão lhe é devolvida pelo o deus Thot ou a deusa Hathor, que põe um olho substituto no lugar, enquanto o original torna-se o “Wedjat”, que é oferecido a Osíris como um amuleto para a regeneração.

Voltando ao filme “Deuses do Egito”: observando o trailer

Como dito no início, o enredo baseia-se na luta entre estas duas divindades, mais especificamente na batalha em que Hórus perde o seu olho, séculos antes da unificação do Egito, em algum momento do Pré-Dinástico (que é tipo a “Pré-História” egípcia). No entanto, como nos mostra bem o trailer, no filme Seth arrancará ambos os olhos. Mais tarde um deles será recuperado por um humano. Já vemos então a primeira diferença aí, além de que ambos os deuses serão retratados em uma forma humana.

Hórus.

Seth.

O amuleto “Wedjat” incorporado no filme.

Em termos de roupas senti certa inspiração em “Fúrias de Titãs” e um leitor também citou “300”. Praticamente não há roupagem alguma egípcia. Vi alguns toucados nemes estilizados em um figurante ou outro (muitas produções insistem em por estes toucados em cidadãos comuns sendo que era de uso exclusivo do faraó), uma inspiração na Coroa Azul da rainha Neferiti e uma coroa com um elemento da deusa Hathor. É um dos filmes inspirados no Egito que menos possui fortes elementos egípcios. Conseguiu ganhar até mesmo da série TUT.

Eu acho que consigo ver um indiano e um árabe…

Num futuro (espero não muito distante) pretendo fazer um post detalhado falando sobre as roupas egípcias. Vocês verão que não tem nada a ver com isso.

Na testa dela estão os chifres da deusa Hathor.

Na minha humilde opinião, em termos de narrativa cinematográfica não foi ruim incluir armaduras nos deuses, adicionar monstros enormes e bizarros, batalhas surreais, etc. Isto vai levar os amantes de aventura e ficção para o cinema e quem sabe fazê-los pesquisarem mais tarde. Eu, por exemplo, aprendi a gostar de assuntos relativos às constelações graças aos “Cavaleiros do Zodíaco”, porém, o que achei de péssimo gosto e de grande ignorância, foi incluir alguns artefatos claramente inspirados no universo grego e até mesmo mesoamericano, duas culturas totalmente diferentes da egípcia.

Outro grande problema e que enfureceu muitas pessoas levando aos produtores do filme pedirem desculpas, foi a escolha de um elenco quase exclusivamente caucasiano para representar o Egito Antigo. Entretanto, falar que o Egito era totalmente negro, como os críticos mais ferrenhos apontam, também não é condizente com a realidade. O Egito foi um território que recebeu povos de diferentes lugares ao longo da sua formação, apesar do seu “isolamento” geográfico, que tornava difícil a invasão de exércitos, mas não a entrada de grupos de nômades. Está mais para uma civilização “mestiça”, mas é pouco provável que encontraríamos um Nikolaj Coster-Waldau andando em uma rua do faraônico, muito menos ainda em tempos anteriores a época de unificação, como seria o caso do filme.

Mas também tem uns momentos bacanas que servem como curiosidade para vocês, como a cena abaixo, que mostra um tipo de arquitetura que lembra a egípcia faraônica, mas que não existia no Pré-Dinástico, toda via. Apesar do anacronismo, foi legal eles utilizarem elementos egípcios, mesmo que com leves modificações, porque a arquitetura egípcia é tão bonita e combina muito com o deserto.

A seguinte cena também é interessante. Se eu estiver correta trata-se de uma sepultura. Caso seja, tirando o sarcófago de pedra, uma sepultura de alguém com posses durante o Pré-Dinástico era bem assim. Clicando aqui vocês serão levados para um post onde tem a fotografia de uma.

Mais uma curiosidade para vocês tirarem nota é que no período do filme a escrita hieroglífica ainda não existia. Ela só é desenvolvida durante ou após a unificação do Alto e Baixo Egito.

Outra coisa bem legal, e que espero que tenham mantido no filme, é que eles retratarem Hórus enorme. Na iconografia egípcia deuses ou faraós usualmente eram retratados maiores do que o restante da população, então foi uma ótima sacada.

Dito tudo isso, espero que quem assistir este filme e ficar interessado pela história egípcia que leia este post com carinho. A ideia aqui é ensinar aos interessados em aprender. Se você é fã do filme não sinta-se atacado. E caso algum de vocês creditem que não tem nada a ver uma acadêmica discutir entretenimento, leiam então este meu post: — Arqueologia e ficção: tudo vale em nome do entretenimento?

Ademais, bom filme! E não conversem na sala de cinema.

P.S: Se não gostou do filme não precisa descarregar sua frustração aqui. Não faço parte da produção e nem sou obrigada a ler os mais criativos palavrões. 

Leituras interessantes:

SANTOS. P. V. Religião e sociedade no Egito antigo: uma leitura do mito de Ísis e Osíris na obra de Plutarco (I d.C.). Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, São Paulo.

O Antigo Egito e os primórdios do cinema. Disponível em <http://arqueologiaegipcia.com.br/2014/07/13/antigo-egito-primordio-do-cinema/>.

(Vídeo) O Egito Antigo nos filmes de terror

Neste vídeo convido vocês a fazerem um passeio comigo por algumas das obras cinematográficas de terror que tiraram inspiração da antiguidade egípcia. Naturalmente não citei alguns filmes, mas em breve liberarei em um segundo post mais detalhes sobre o tema e mais alguns títulos para vocês darem uma olhada.

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