Arqueólogos descobriram duas grandes esfinges do faraó Amenhotep III

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Enquanto restaurava os “Colossos de Memnon”, que apesar do apelido grego são estátuas do faraó Amenhotep III, assim como as ruínas do templo mortuário do referido faraó, uma missão de arqueologia fruto de uma parceria entre pesquisadores egípcios e alemães encontrou pedaços de algumas estátuas: de um lado temos pedaços de duas grandes esfinges de calcário que representam o próprio faraó, cujo nome está escrito nela. Do outro temos três bustos em granito preto representando a deusa Sekhmet, divindade da cura e das artes bélicas. 

Face de uma das esfinges de Amenhotep III. Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades.
Uma das estátuas de Sekhmet. Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades.
Busto de uma estátua. Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades.

A equipe está sendo coordenada pela professora Hourig Sourouzian. Os trabalhos estão ocorrendo na parte ocidental de Luxor, antiga capital Tebas (Aset, como era chamada entre os egípcios antigos), onde estes monumentos estão localizados. Nas palavras de Sourouzian: 

“Pesquisas preliminares sobre essas esfinges colossais revelaram que seu comprimento era de cerca de oito metro, o que as torna as segundas maiores esfinges produzidas no antigo Egito depois da Grande Esfinge de Gizé, possuindo 22 metros de comprimento, e quase parecidas com a esfinge de alabastro do sitio de Mit Rahina medindo oito metros de comprimento.”[1] 

Os pesquisadores também encontraram restos de paredes e colunas decoradas com cenas cerimoniais e rituais, a exemplo de uma parede de arenito representando o Heb-sed, festival do jubileu de Amenhotep III. 

Amenhotep III. Foto: Gérard Ducher

No momento todas as peças encontradas estão sendo submetidas à limpeza e restauro. Agora a esperança é que elas possam ser um dia exibidas em seus locais originais do templo. Um dos detalhes mais interessantes é que de acordo com estudos é provável que algumas destas descobertas remontem ao período pós-Amarna, quando os trabalhos de restauração neste templo continuaram sob a ordem dos faraós seguintes. O Período Amarniano foi a época em que o casal Akhenaton e Nefertiti reinaram e tentaram estabelecer uma reforma religiosa e artística.  

Parte de parede do templo funerário. Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades.
Parte de parede do templo funerário. Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades.
Estrutura arqueológica encontrada na área do templo. Foto: Ministério de Turismo e Antiguidades.

  

Os “Colossos de Memnon” e o templo mortuário: 

Os Colossos de Memnon são duas grandes estátuas do faraó Amenhotep III esculpidas em quartzito arenito. Essas imagens já eram bem conhecidas na antiguidade e até pouco tempo os únicos sinais de que naquela região existiu um templo funerário. O nome “Memnon” é uma referência a um herói grego dado por turistas que incapazes de ler os até então extintos hieróglifos egípcios e inspirados por textos clássicos, viram nas estátuas o herói lendário.  

Colossos de Memnon. Fonte da foto: br.memphistours.com
Foto: ZHUKOV OLEG/SHUTTERSTOCK

Já o templo funerário foi construído com tijolos de barro e foi desmantelado ainda na antiguidade, décadas após a morte do faraó. Seus restos foram utilizados como materiais de construção. Ele também foi vítima de um terremoto devastador que varreu o país na antiguidade. Atualmente equipes de arqueologia e restauro estão tentando recuperá-lo através de um projeto que teve início em 1998 sob a supervisão do agora chamado Ministério do Turismo e Antiguidades e do Instituto Arqueológico Alemão. 

 

Fontes: 

Two royal statues discovered in Luxor. Disponível em < https://www.egyptindependent.com/two-royal-statues-discovered-in-luxor/ >. Acesso em 23 de janeiro de 2022.  

[1] New discoveries in Luxor and Sinai. Disponível em < https://english.ahram.org.eg/NewsContent/50/1207/455094/AlAhram-Weekly/Heritage/New-discoveries-in-Luxor-and-Sinai.aspx >. Acesso em 23 de janeiro de 2022.  

2 giant sphinxes depicting King Tut’s grandfather found at ancient Egyptian temple. Disponível em < https://www.livescience.com/two-ancient-egyptian-sphinxes-discovered-at-temple >. Acesso em 23 de janeiro de 2022. 

Egypt unearths remains of two ancient royal statues in Luxor. Disponível em < https://africa.cgtn.com/2022/01/14/egypt-unearths-remains-of-two-ancient-royal-statues-in-luxor/ >. Acesso em 23 de janeiro de 2022. 

 

Antigas imagens: Colossos de Memnon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Em 20 de Fevereiro anunciei aqui no Arqueologia Egípcia a pretensão do governo egípcio em por de pé o 3º Colosso de Memnon ao lado da já clássica dupla de estátuas conhecidas (clique aqui e veja a matéria). Neste sábado a terceira estátua já foi posta ereta.

Terceira estátua já de pé (Nota: não suba em artefatos arqueológicos, o que estes rapazes estão fazendo não é aconselhado). Foto: Miguel Ángel López. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20120303/egipto-levanta-tercer-coloso-memnon/503959.shtml >. Acesso em 3 de Março de 2012.

Veja mais notícias acerca da terceira estátua encontrada:

 

Egypt: International Conference in Luxor to Mark Restoring Amenhotep III Statue. Disponível em < http://allafrica.com/stories/201203021243.html >. Acesso em 3 de Março de 2012.

Egipto levanta el tercer coloso de Memnon. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20120303/egipto-levanta-tercer-coloso-memnon/503959.shtml >. Acesso em 3 de Março de 2012.

The third colossus of Memnon, rescued from the waters, is already standing. Disponível em < http://www.deltaworld.org/international/The-third-colossus-of-Memnon-rescued-from-the-waters-is-already-standing/ >. Acesso em 3 de Março de 2012.

3ª estátua para os Colossos de Memnon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Foi anunciado esta semana que existem planos para que uma terceira estátua venha a compor a paisagem do sítio arqueológico onde estão situados os Colossos de Memnon (Tebas), apelido grego para as grandes estátuas que fazem parte de um extenso complexo funerário pertencente ao faraó Amenhotep III (Amenofis III) que ruiu durante um terremoto ocorrido cerca em 27 a.C (BOURBON, 2006, p. 165).

Colossos de Memnon. Foto BOURBON, Fabio. Egito Ontem e Hoje: Litografias de David Roberts. (Tradução de Maria Júlia Braga, Joana Bergman, Michel Teixeira). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2006. p. 164.

Esta terceira estátua possui 15 metros, três vezes menor do que a dupla amplamente conhecida, e foi descoberta em 2002 por Hourig Sourouzian.  Em 2004 o restaurador espanhol Miguel Ángel López Marcos, especialista em artefatos de pedra, recebeu a permissão para direcionar os trabalhos de consolidação da imagem.

Assim como os seus irmãos ainda de pé este terceiro colosso está com uma aparência disforme, porém reconhecível: Amenhotep III também é retratado sentado e aos seus pés está a sua esposa Tiye. A divulgação desta terceira estátua está sendo ampla porque já existe um projeto para mantê-la erguida, porém, de acordo com López o artefato pesa 250 toneladas, o que dificulta o seu transporte para levá-la até o seu novo local [1].

Trabalhos com a terceira estátua que irá compor os Colossos de Memnon. Foto: Miguel Ángel López Disponível em < http://www.elmundo.es/elmundo/2012/02/18/ciencia/1329528264.html >. Acesso em 20 de Fevereiro de 2012.

Trabalhos com a terceira estátua que irá compor os Colossos de Memnon. Foto: Miguel Ángel López Disponível em < http://www.elmundo.es/elmundo/2012/02/18/ ciencia/1329528264.html >. Acesso em 20 de Fevereiro de 2012.

Classicamente os Colossos de Memnon são retratados como uma dupla e é uma das imagens mais icônicas do Egito. Recebeu este nome no período Ptolomaico graças ao ruído que a estátua mais a Norte emitiria quando era aquecida pelo sol, o que levou a viajantes gregos e latinos a o associarem com o mítico Memnon, filho de Aurora (Eos) a qual todas as manhãs chorava pelo filho que fora morto por Aquiles durante a Guerra de Troia. Hoje acredita-se que o som seria emitido por uma das muitas rachaduras da estátua que com o calor faria o efeito sonoro (BOURBON, 2006, p. 165).

Os Colossos de Memnon retratado por David Roberts em 4 de dezembro de 1838. Fonte: BOURBON, Fabio. Egito Ontem e Hoje: Litografias de David Roberts. (Tradução de Maria Júlia Braga, Joana Bergman, Michel Teixeira). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2006. Pág. 162.

Fonte:

Los dos colosos de Memnon ya son tres. Disponível em < http://cultura.elpais.com/cultura/2012/02/16/actualidad/1329426160_441298.html >. Acesso em 18 de Fevereiro de 2012.

El arqueólogo español que resucitó el tercer coloso de Memnón. Disponível em < http://www.elmundo.es/elmundo/2012/02/18/ciencia/1329528264.html >. Acesso em 20 de Fevereiro de 2012.

BOURBON, Fabio. Egito Ontem e Hoje: Litografias de David Roberts. (Tradução de Maria Júlia Braga, Joana Bergman, Michel Teixeira). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2006.