Entrevista: Perfil Arqueológico, com Márcia Jamille

No quadro “Perfil Arqueológico”, do canal Olhar de Arqueólogo, serão entrevistados acadêmicos de diferentes locais, origens e formações, para saber um pouco sobre suas experiências e como surgiu o seu interesse pela Arqueologia.

Fui a primeira entrevistada do quadro, até comentei sobre este dia no blog #AEgípcia.

— Saiba mais: Fui entrevistada para o “Olhar de Arqueólogo” https://goo.gl/JdKczY

Foto: Fernanda Libório. 2016.

No vídeo falo sobre como me interessei por Arqueologia e Antiguidade egípcia. Como foi a minha principal pesquisa e perspectivas para o futuro. Confira abaixo:

Obrigada ao Olhar de Arqueólogo, na figura do Luis Felipe, pelo convite.

[Vídeo] Entrevista com Márcia Jamille sobre a Arqueologia Egípcia

 

Abaixo está o vídeo feito comigo onde sou entrevistada pelo João Carlos Moreno de Sousa (estudante de Arqueologia no MAE-USP e administrador do Arqueologia e Pré-História) acerca de assuntos tais como a Arqueologia Egípcia, os egiptólogos que mais admiro, algumas pesquisas no Egito, minhas próprias pesquisas e um pouco acerca do meu site.

Também faço o anuncio do tema do meu primeiro livro que será lançado em breve. Abaixo o vídeo:

Perguntas de final de ano para Márcia

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Perguntas enviadas pelos leitores para Márcia Jamille N. Costa (publicado dia 31/12/2010)

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Na penúltima semana de dezembro recebi questões de vocês leitores e agora as respostas estão disponíveis. Pode parecer clichê, mas não foi tarefa fácil descartar algumas perguntas.

Gostaria de falar que fiquei extremamente feliz pela disposição de todos que enviaram as questões e que esta foi uma experiência muito bacana. Lembrando que foi permitido que algumas perguntas fossem marcadas como anônimas.

Algumas foram extremamente criativas e bem interessantes, mas eu deveria escolher somente cinco perguntas e acabei respondendo sete, o que não deveria ser feito. Eu realmente responderia todas se pudesse.

Vamos para as perguntas e as respostas:

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1ª pergunta (enviada por Rodolfo Francisco Marques):

Como surgiu seu interesse pela arqueologia e pelo Egito?

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Olá Rodolfo! Ambos surgiram ao mesmo tempo enquanto eu assistia o documentário “Egito: em busca da imortalidade”, antes desde episódio a história do Egito faraônico era irrelevante para mim, mas quando vi as cenas iniciais que mostravam o túmulo de Tutankhamon e o cuidado que os antigos tinham por seus mortos me senti comovida, aquela gente queria ser lembrada a todo custo, tinham mais medo do esquecimento do que da própria morte, é um sentimento muito profundo. Pois é, desde então  eu quis seguir a carreira.  Eu tinha treze anos e brincava com pinceis tirando as poeiras dos moveis dizendo que estava recuperando um objeto… Eu hoje imagino o que a minha mãe andava pensando de mim naquela época…

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Rosto de um dos ataúdes de Tutankhamon. Fotografia tirada pela a expedição ao Egito realizada pelo o Metropolitan Museum of Art. (Ano desc.)

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2ª pergunta (anônima):

Como surgiu a idéia de criar o site?

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Eu já navegava muito na internet em 2003 (e até 2004, acredite, eu achava que era a única pessoa no mundo que colecionava livros e revistas sobre a civilização egípcia…) e acompanhei o desenvolvimento de sites de Egiptologia em português e muitos me decepcionavam ao extremo, eram conteúdos sem fundamento, impressões de pessoas que nem sequer tinham lido as pesquisas sobre o assunto, então quando tinha chegado 2008 eu resolvi fazer um site só por “diversão”, armazenando cópias digitalizadas de revistas e artigos, passando horários de documentários, divulgando as revistas publicadas, etc, mas voltado só para os meus amigos. No entanto, notei que o site estava recebendo muitas visitas e pessoas começaram a escrever para mim. Estava começando a ficar clara a necessidade de comprar um espaço e tornar o Arqueologia Egípcia algo grande. Acredito que este site que estamos vendo agora faz ainda parte do embrião de 2008 e pela a visível mudança que ele veio sofrendo acredito que vai ficar ainda mais interessante.

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3ª pergunta (enviada por Rennan Lemos):

O Arqueologia Egípcia é uma ferramenta importantíssima para a disseminação de conhecimento egiptológico atualizado no nosso país, principalmente aquele produzido por egiptólogos nacionais. Para você, então, qual é a importância de se manter um canal de divulgação da Egiptologia no Brasil – um país onde a área não é, ainda, um setor constituído nos cursos de pós-graduação? Parabéns pelo site!

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Olá Rennan! Esta é uma questão muito importante, mas que está sendo tão ignorada. Nós temos no Brasil egiptólogos tão maravilhosos, mas cujo trabalho é tão pouco acessível e esta é  uma situação desconfortável, principalmente porque a população precisa saber do resultado do nosso trabalho. Existem também as pessoas que não têm uma especialização na área, mas que saem por aí se apresentando como egiptólogos, não preciso nem mencionar que isto é crime. Então, manter um canal de divulgação da Egiptologia nacional ajudaria bastante não só o público, como também a academia a saber se não estamos escutando o papo de um charlatão.

O Arqueologia Egípcia tenta fazer a sua parte, mas não é muito fácil, nem todos querem divulgar seus trabalhos na rede, mas o site está aberto para receber o material que for necessário.

Se eu pudesse faria uma faixa enorme e estenderia na frente de todas as universidades com os dizeres “Egiptologos, saiam um pouco da biblioteca e criem um blog”. Montar uma página na web é a coisa mais fácil do mundo. Façam um grupo com amigos egiptólogos e montem um grande blog e postem toda a sexta-feira. O Brasil está tão carente disto, está muito necessitado dos nossos egiptólogos. Acreditem, eles querem conhecê-los.

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4ª pergunta (enviada por João Carlos):

Que tal fazer uma sessão no site com sugestões de livros sobre o Egito?

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Quando li esta pergunta me senti no direito moral de respondê-la. Pois é João, eu nunca tinha pensado nisto! Existe uma parte no site para anunciar publicações, mas estas atualizações só são feitas quando eu acabo de ler um livro. Vou estudar a sua idéia para ver como ela pode se encaixar no site.

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5ª pergunta (enviada por Ana):

Primeiramente parabéns pelo site! Queria saber se a vida de um arqueólogo é muito difícil. As descobertas são escassas? Vale a pena se tornar um?

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Olá Ana, obrigada. Primeiramente se a vida fosse fácil a vida não seria vida… Todas as profissões possuem desafios, a Arqueologia não poderia ficar de fora. A sua pergunta é em termos financeiros? Neste caso a resposta vai variar de pessoa para pessoa, em outras profissões mais conhecidas como advocacia, por exemplo, você tem aqueles que ganham muito ou que ganham pouco, é tanto que existem os chamados “advogados de porta de cadeia”. O mercado brasileiro até que é favorável para os arqueólogos, mas muita coisa ainda está em uma total bagunça em termos de fiscalização, pessoas de má fé ainda estão trabalhando com escavação, danificando artefatos (neste sentido o que nos resta é denunciar). Desemprego existe, mas este é um risco a se correr como em qualquer outra profissão.

Dizem que arqueólogo é um aventureiro, entra no mato com uma pederneira e nada mais, passa dias a fio no meio do nada, não tem onde fazer suas necessidades, etc, mas a realidade não é bem assim, arqueólogo não precisa ser masoquista, e ninguém precisa ser radical como F. Petrie que normalmente dormia dentro de túmulos ao lado de múmias. Existem os que tentam apavorar as moças falando, por exemplo, que elas deveriam fazer o mesmo serviço braçal que eles, tudo bem que em alguns campos elas acabam fazendo, mas existem coordenadores de escavação que não obrigam nem os rapazes, nem as moças a fazer o que eles não conseguem. Se você não consegue subir um matacão para analisar pinturas eles não vão te obrigar ou apontar o dedo para a sua cara dizendo que você não serve para a profissão. Outra coisa, dizem que o trabalho de Arqueologia é tão “perigoso” que só pode ser exercido por homens, esta é uma visão equivocada, não só no Brasil, mas no mundo, temos muitos exemplos de arqueólogas de destaque no ramo.

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Flinders Petrie. Fonte: http://www.athenapub.com/aria-PE-Petrie1.GIF

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Agora sua pergunta “se as descobertas são escassas”, felizmente não. Trabalhamos com cultura material, coisa produzida pelo o homem, ou seja, enquanto existirmos sempre será produzida cultura material. Certa vez em um evento uma pessoa do público perguntou se os cursos de graduação em Arqueologia iriam deixar escassos os sítios para serem estudados. De forma alguma! Existem vários tipos de Arqueologias, inclusive aquela que trabalha com o meio urbano, ou com lixo moderno e até mesmo com o lixo espacial! Arqueologia não é só escavar.

Se vale a pena se tornar um arqueólogo? Creio que isto conta principalmente do que você ama fazer… Se esta coisa te traz satisfação pessoal. Amo a Arqueologia desde pequena, sempre quis fazer isto e não me imagino mesmo fazendo outra coisa. Ao menos para mim está valendo a pena, apesar dos apesares eu gosto de falar sobre Arqueologia, eu amo ficar procurando fragmentos, amo conhecer lugares novos e pessoas novas. Sinceramente estou muito feliz com a minha decisão de me tornar arqueóloga.

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6ª pergunta (anônima):

As possibilidades de se fazerem grandes descobertas sobre a civilização egípcia ainda são grandes?

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“Grandes descobertas” seriam ao estilo da tumba do faraó Tutankhamon? A Arqueologia Egípcia por vezes pode ser uma caixinha de surpresas, antes da descoberta do sepulcro do Tutankhamon um rico chamado Theodore Davis que estava pagando alguns arqueólogos para escavar no Vale dos Reis falou a celebre frase “Receio que o Vale das Tumbas já esteja esgotado”, isto em 1912, daí em 1922 “pimba”! Howard Carter encontra a KV-62. Depois muitos outros acharam que não se tinha mais nada “grande” para se encontrar em todo o Egito até que em 2003 um camponês encontra o sepulcro das múmias douradas (pesquisado então por Zahi Hawass) no oásis Baharia. Estou dando somente dois exemplos que foram assediados pela a mídia, mas tiveram outros como a tumba da princesa Khnumet (Dashur), a tumba do general Psusennes I (Tânis), a tumba da rainha Heteferes, mãe de Quéops (Giza) e assim por diante. O próprio Vale dos Reis promete outras descobertas, acreditam que a tumba da rainha Nefertiti esteja lá. Fora a tumba de Marco Antonio e Cleópatra que alguns acreditam estar em Taposiris Magna. Mas não podemos ignorar as descobertas “menores”, talvez elas não sejam importantes para a imprensa, mas são importantes para entender um contexto de uma sociedade.

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7ª pergunta (enviada por Paulo H.):

Que múmia você gostaria de descobrir escavando o Vale dos Reis, caso houvesse uma expedição e você fosse convocada para a equipe.

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Tesoureiro Maya. Foto: Kenneth Garrett. 2003.

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Olá Paulo! Se fosse para desejar eu gostaria de encontrar Tutmés III ou Amenofis III, mas já encontraram!! Tutmés III era, pelo o que sabemos, um faraó concentrado em suas atividades, não era um relaxado. E Amenofis III usava a paz como estratégia, fazia muito uso da diplomacia, ele parecia ser mesmo um cara muito esperto. Se a sua pergunta fosse em relação as necrópoles de Saqqara eu me sentiria muito feliz em ver cara a cara Maya (ama de leite), Maya (tesoureiro) ou Huy, os três eram funcionários de Tutankhamon.

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Agora que terminou a lista de perguntas que finalizaram as postagens de 2010 só tenho a desejar para vocês o início de um Ano Novo feliz!

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Os primórdios da Arqueologia Histórica

Está nas bancas o nº 30 (do ano de 2010) da revista Leituras da História com uma entrevista com o professor Pedro Paulo Funari sobre a Arqueologia Histórica, sua origem, acessão no meio acadêmico e perspectiva de estudo no Brasil. Há também uma matéria sobre os Navegadores Antigos (dividido em partes, cuja próxima será lançada na edição 31) com tópicos sobre a exploração do Nilo por marinheiros do imperador romano Nero.

Entrevista: Pedro Paulo A. Funari

Por Márcia Jamille Costa, estudante de arqueologia na UFS. Entrevista publicada no dia 11/05/2009

No dia 24/04/2009 gentilmente o Dr. Pedro Paulo Funari aceitou o meu convite para uma entrevista. Ele já é um conhecido nosso, teu texto está disponível para leitura na área de artigos e o livro “Arqueologia” já foi indicado no site. Atualmente ele é Professor Titular da UNICAMP além de Coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da mesma universidade e em sua carreira tem acumuladas dezenas de artigos publicados e é editor de varias revistas cientificas no Brasil e exterior. Confira abaixo a entrevista que abre o nosso novo quadro no site.

Funari é um ícone da arqueologia brasileira e uma das principais bibliografias recomendadas em termos de arqueologia histórica. Foto cedida pelo entrevistado.

Márcia Jamille Costa: Vamos começar pelo o livro Arqueologia (2006) que é usado como bibliografia por muitas pessoas que estão começando, inclusive o indico em meu site, é um material muito pequeno, mas bem explicativo. Como se deu a elaboração dele?

Pedro Paulo Funari: O livro surgiu na década de 1980, para apresentar, de forma clara e didática, a Arqueologia para o público geral e estudantil. Foi publicado pela Ática. No século XXI, o livro foi atualizado, com novas questões e atualizações, mas sempre com essa perspectiva, tanto introdutória, como crítica, ao corrente das discussões no âmbito das Ciências Humanas e Sociais. Sua elaboração contou com literatura, mas também com a experiência de campo e científica, internacional e brasileira.

O que você acha do termo “Arqueologia Histórica”, muitos alunos sentem certa dificuldade em entender do que de fato se trata, deveria haver uma nova definição para este tipo de arqueologia?

P. P. F: O termo surgiu no Estados Unidos, para designar o estudo da cultura material a partir da Idade Moderna, a partir do fim da Idade Média. Na Europa há outras definições, mais ligadas ao estudo das civilizações egípcia, mesopotâmica, grega, romana. Em 1999, publicamos o livro Historical Archaeology, back from the edge (Londres, Routledge), com a participação de estudiosos do mundo todo, propondo uma outra definição: o estudo da cultura material das sociedades com escrita.

Como alguém que participa do corpo editorial de 30 revistas cientificas dentre o nosso país e o exterior, há algum ponto em que a Arqueologia brasileira deveria se espelhar na arqueologia de outros países?

P. P. F: Não se trata de espelhar-se, mas de interagir com a ciência internacional. A Arqueologia brasileira tem, cada vez mais, estado em contato com o que se faz na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa, com um grande enriquecimento da disciplina no Brasil. O Brasil, por sua parte, já tem contribuído para a ciência internacional, com a produção de livros e artigos de alcance internacional, em diversos temas e áreas, como no caso da Arqueologia subaquática e na Arqueologia Histórica.

Uma das enciclopédias que você co-edita é a Oxford Encyclopaedia of Archaeology, deve ser uma experiência e tanto!

P. P. F: De fato! Articular autores dos quatro continentes é muito instigante. A diversidade de pontos de vista é impressionante e se aprende muito.

Foto cedida pelo entrevistado.

Quando estive no Rio de Janeiro fiquei sabendo que você estava para dar uma palestra sobre a história militar na antiguidade, sei também da existência de um artigo seu sobre o mundo mulçumano. O arqueólogo se especializar em uma só área seria uma espécie de barreira para explanar varias culturas?

P. P. F: É comum que as pessoas se especializem. Esta é uma tendência da ciência desde o …século XVIII! Contudo, quanto maior a capacidade de tratar de uma diversidade de temas, tanto melhor, pois isto permite que a pesquisa seja mais complexa a abrangente. Hoje, essa tendência é crescente e beneficia estudiosos e público em geral.

Qual você considera sua maior contribuição para a Arqueologia?

P. P. F: A ciência é coletiva e a Arqueologia, em particular, de forma especial. Por isso, qualquer contribuição deve ser entendida como algo coletivo, como parte de um esforço compartilhado. Meu intento sempre foi no sentido do incentivo ao pensamento crítico e independente, de uma Arqueologia integrada à sociedade, antenada com o mundo. Se for para escolher um lema, seria de omnibus dubitandum (“deve duvidar-se de tudo”), pois, como já dizia Sócrates, o pensador grego do século V a.C., só vale viver uma vida de forma crítica.

Entrando agora um pouquinho mais para o tema do site, algumas pessoas que se preparam para se especializar na Arqueologia Egípcia sofrem muitas vezes certa discriminação por ser considerado por alguns como “um tema batido” ou por não ser algum assunto relaciona do ao Brasil. Você tem experiência na área de História Antiga, já sofreu com algo parecido?

P. P. F: Claro! Nem sempre a má fama, contudo, foi sem fundamento. A Antiguidade  reacionária, idealizada ou opressora é terrível. Há quem justifique a opressão das mulheres pela Antiguidade. Contudo e por isso mesmo, o estudo do antigo pode ser muito relevante, pois mostra, pela diferença e semelhança, como podemos viver, hoje, de forma critica,  de modo a transformarmos a sociedade. O Egito Antigo poder servir para tudo isso!

Você trabalha muito com a questão do patrimônio, temos o caso do busto de Nefertiti e da pedra de Roseta, além de muitos outros artefatos egípcios que o Conselho Supremo de Antiguidades do Egito está pedido para que sejam devolvidos. Qual a sua opinião sobre esta atitude?

P. P. F: Franceses e ingleses pilharam o Egito, como tantos outras potências imperiais o fizeram. As antigas colônias ou regiões subjugadas reivindicam que isso seja revisto e isto parece razoável.

Agora a pergunta clichê: Quais caminhos te levaram para a Arqueologia?

P. P. F: Antes de tudo, o que os gregos chamavam de acaso (tykhé) e oportunidade (kairós). Já adolescente, gostava da Arqueologia, como aventura, devorava os livros de Ceram. Contudo, fui levado à Arqueologia por oportunidades concretas, já como estudioso da História, no mestrado.

Gostaria de deixar algum recado para os leitores do arqueologiaegipcia.com.br?

P. P. F: A paixão é o combustível que garante a perseverança necessária para um estudo prazeroso e bem sucedido!

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