Múmia intacta datada do Período Greco-Romano é encontrada em Fayum (Egito)

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Uma missão de arqueologia egípcio-russa, em Fayum, no Sítio Arqueológico de Deir al-Banat (Mosteiro de Al-Banat), descobriu um caixão de madeira com uma múmia datada do Período Greco-romano.

A múmia está em boas condições de preservação e ainda enrolada em linho. Ela também contém a sua máscara mortuária que é feita de cartonagem, pintada em azul e ouro. Na área do seu tórax está uma cena da deusa Ísis.

Apesar da conservação da múmia, o ataúde está em mau estado: além de não possuir inscrições, ele possui rachaduras que se espalham por todo o artefato.

A missão realizou uma conservação preliminar tanto no ataúde como na múmia, para que ela fosse transportada com mais segurança para um outro local, onde será submetida a mais trabalhos de conservação e documentação.

Sítio Arqueológico de Deir al-Banat (Mosteiro de Al-Banat)

A missão russa está trabalhando nesta área há cerca de 7 anos afiliada ao Russian Institute for Oriental Studies e está sob a liderança da Dra. Galina Belova.

Notícia e fotos via comunicado de imprensa do MSA.

464 artefatos arqueológicos egípcios foram recuperados pela polícia

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

No último dia 09/11 foi divulgada a notícia de que a Polícia de Turismo e de Antiguidades da cidade de Fayum (Egito) conseguiu frustar a ação de bandidos que tinham em sua posse centenas de artefatos arqueológicos. A ideia dos ladrões era contrabandear os objetos para comerciantes de antiguidades no exterior.

Durante a ação policial foram recuperados 464 artefatos que somam mais de trezentos ushabtis, 12 estatuetas, faces de madeira, potes cerâmicos e 66 fragmentos de ataúdes.

Não foi esclarecido a qual período histórico essas peças pertencem.

Fonte: 

464 historical artifacts seized by police in Fayoum. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/4/31709/464-historical-artifacts-seized-by-police-in-Fayoum >. Acesso em 13 de novembro de 2017.

 

Nome do faraó Senusret II em templo abre discussão sobre o passado

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Um grande lintel feito de granito vermelho foi descoberto por uma missão egípcia-espanhola durante os trabalhos de escavação no templo de Heryshef em um sítio arqueológico em Ihnasya El-Medina, Beni Suef. Mahmoud Afifi, chefe do Departamento de Antiguidades do Egito, anunciou a descoberta ontem (27/05).

Lintel com o nome do rei. Foto: Reprodução.

Ele descreveu o artefato como “muito importante” porque o lintel tem gravado dois cartuchos como o nome do rei Senusret II (Sesostris II) da 12ª Dinastia (Médio Reino). A presença do lintel no templo de Heryshef é um dos indícios que apontam o interesse de Senusret II por esse local, como foi o caso de Fayum.

Local em que o artefato foi encontrado. Foto: Reprodução.

Senusret II é um nome conhecido por suas obras realizadas em Fayum, entretanto, muitos aspectos do seu reinado, inclusive a sua duração, são alvos de muita discussão. Desta forma, a descoberta do seu nome neste lugar aumenta a teia de possibilidades para a interpretação do passado.

Senusret II. Fonte: W. M. Flinders Petrie.

Maria Carmen Pérez-Die, diretora da missão do Museu de Antiguidades de Madri, disse que a missão também descobriu vários níveis de construção, um deles é datado do início da 18ª Dinastia e foi finalizado no reinado de Tutmés III (Novo Império) e outro durante o de Ramsés II, da 19ª Dinastia (Novo Império).

 

Fonte:

Lintel bearing Middle Kingdom cartouches unearthed at Ihnasya site in Egypt. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/269618/Heritage/Ancient-Egypt/Lintel-bearing-Middle-Kingdom-cartouches-unearthed.aspx>. Acesso em 27 de maio de 2017.

Ministério de Antiguidades do Egito nega que um cemitério com “um milhão de múmias” foi encontrado

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Nos últimos dias viralizou na internet a notícia de que a equipe de arqueologia da Universidade de Brigham Young, de Utah, EUA, descobriu na área de Fayum um cemitério com um milhão de múmias, achado sem precedentes no Egito.

De acordo com as matérias, o local trata-se de um espaço de sepultamento de pessoas comuns, que acabaram sendo mumificadas artificialmente. Entretanto, ao contrário do que os títulos dizem, o coordenador da missão, o professor Kerry Muhlestein, não deixa claro o número de corpos encontrados, como ele explicou em seu texto de divulgação, “Estamos quase certos de que há mais de um milhão de enterramentos dentro desse cemitério. É grande e denso”[1], o que deu margem para a interpretação equivocada da imprensa. É o que diz o Ministério de Antiguidades do Egito, que lançou ontem uma declaração oficial negando que “um milhão de múmias” foram encontradas em Fayum e salientou que a notícia espalhada pela mídia trata-se de “rumores”. Com a nota foi noticiado também que a missão da BYU teve sua concessão de escavação cancelada por ter feito declarações para a imprensa sem consentimento do MSA, o que fere os regulamentos do acordo para escavar no Egito [2].

Mão mumificada de uma criança. Foto: divulgação. “BYU in Egypt”. “Arqueólogos encontram cemitério com ‘um milhão de múmias’ no Egito”. Disponível em < http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/arqueologos-encontram-cemiterio-com-um-milhao-de-mumias-no-egito-14856533 >. Acesso em 18 de dezembro de 2014.

Explicando de modo simples, todos os coordenadores de escavações que trabalham no Egito são proibidos de comentar suas descobertas com terceiros — principalmente com a mídia — sem a aprovação do relatório de pesquisa que deve ser entregue ao MSA em todo o final de temporada.

Outras polêmicas:

Fiz uma breve pesquisa na internet para entender o professor Kerry Muhlestein. Em um blog li que ele foi protagonista em uma polêmica que envolveu um conjunto de fragmentos denominado de “Papiro Joseph Smith” e o chamado de “Livro de Abrão”. O burburinho teve início com uma série de vídeos que Muhlestein lançou na internet, onde afirma que existem conexões entre Abrão (personagem bíblico) e a antiguidade egípcia, entretanto, os vídeos apresentam argumentos contraditórios onde até mesmo a ligação entre o “Papiro Joseph Smith” e o “Livro de Abrão” não é sólida o que rendeu uma série de críticas por parte de alguns dos seus colegas que definiram suas conclusões como inviáveis [3][4].

Um dos depoimentos escritos pela Dr. Kara Cooney, que leciona na mesma Universidade em que Muhlestein se formou, a UCLA, acerca deste ocorrido é um pouco preocupante:

“Eu assisti aos três vídeos, e eu não concordo com nada disso. Os antigos egípcios não tinha noção de Abraão, então eu não sei de onde ele tira essas comparações… e não, a maioria dos egiptólogos não concorda, apesar do que Kerry diz. Eu conheço Kerry, mas eu não tenho muito respeito pelo seu trabalho. Agora eu tenho menos ainda. O fato de que ele está escavando no Egito é ainda mais preocupante … Seu PhD foi concedido antes de eu chegar na UCLA, embora eu saiba que Kerry terminou sua dissertação, baseada em textos, depois de apenas dois anos de treinamento em língua egípcia, o que é bastante ridículo”[3].

No blog onde foi divulgada a mensagem da egiptóloga está clara a preferência pelas interpretações de Muhlestein, embora as mesmas tenham mais afinidade com a Egiptofilia do que com a Egiptomania [4].

Escavação em Fayum. Foto: “BYU in Egypt”. “AExperts Make Massive Discovery Under the Sand of the Egyptian Desert — and It’s Left Them Puzzled”. Disponível em < http://www.theblaze.com/stories/2014/12/17/experts-make-massive-discovery-under-the-sand-of-the-egyptian-desert-and-its-left-them-puzzled/ >. Acesso em 19 de dezembro de 2014.

Área de sepulturas. Foto: “BYU in Egypt”. “AExperts Make Massive Discovery Under the Sand of the Egyptian Desert — and It’s Left Them Puzzled”. Disponível em < http://www.theblaze.com/stories/2014/12/17/experts-make-massive-discovery-under-the-sand-of-the-egyptian-desert-and-its-left-them-puzzled/ >. Acesso em 19 de dezembro de 2014.

Também procurei pelo perfil no Facebook “BYUEgyptExcavation” e não encontrei resultados. Igualmente consultei por “BYU in Egypt” (onde estavam disponíveis algumas fotografias da campanha), mas a página foi apontada como “indisponível”.

Fonte da notícia:

[1] Arqueólogos encontram cemitério com ‘um milhão de múmias’ no Egito. Disponível em < http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/arqueologos-encontram-cemiterio-com-um-milhao-de-mumias-no-egito-14856533 >. Acesso em 18 de dezembro de 2014.
[2] Mummy Curse Strikes Again: MSA Stops BYU Mission. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2014/12/mummy-curse-strikes-again-msa-stops-byu.html?m=1 >. Acesso em 19 de dezembro de 2014.
Reverend Spalding Strikes Again: A Response to Internet Criticism of Kerry Muhlestein’s Book of Abraham Videos. Disponível em < http://blog.fairmormon.org/2013/03/06/reverend-spalding-strikes-again-a-response-to-internet-criticism-of-kerry-muhlesteins-book-of-abraham-videos/ >. Acesso em 19 de dezembro de 2014.
BYU professor speaks on unnoticed assumptions about the Book of Abraham. Disponível em < http://www.deseretnews.com/article/865608559/BYU-professor-speaks-on-unnoticed-assumptions-about-the-Book-of-Abraham.html?pg=all>. Acesso em 19 de dezembro de 2014.

 

Após roubos de artefatos arqueológicos, dois homens são presos

Matéria traduzida por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Dois suspeitos de posse ilegal de 50 artefatos foram presos em Fayum nesta quinta-feira (03/01/13).

A polícia de turismo e antiguidades recebeu a informação de que os dois suspeitos, que são irmãos, tinham sido vistos em várias áreas do Fayum, que são famosas como rotas de comércio de antiguidades. A polícia começou a observá-los de perto e em seguida pegou os suspeitos em uma emboscada.

As antiguidades que foram apreendidas incluem 25 moedas Greco-Romanas e 10 estátuas, incluindo bustos dos deuses Amon e Osíris e estátuas dos deuses Hórus e Anúbis. Seis máscaras de madeira do período Greco-Romano de diferentes tamanhos e cores também foram apreendidas.

Os suspeitos confessaram a polícia que eles pretendiam vender os artefatos.

Eles atualmente estão aguardando julgamento.

Matéria original:   Two arrested in Fayoum for possession of artifacts. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/news/two-arrested-fayoum-possession-artifacts  >.Acesso em 03 de Janeiro de 2013.

Dois leões de arenito são encontrados em Fayum

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Uma missão arqueológica descobriu duas estátuas de arenito representando leões deitados datados do Período Ptolomaico em Dima al-Sebaa (nome que significa “Ilha do Deus Crocodilo”), no oásis de Fayum, anunciou o Ministro das Antiguidades, Mohamed Ibrahim Ali, esta segunda-feira (03/12/2012).

Leões encontrados em Fayum. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/59724.aspx >. Acesso em 03 de dezembro de 2012.

 

De acordo com o comunicado lançado, as duas estátuas foram encontradas dentre as ruínas do templo do deus Soknopaios (em antigo egípcio “Sobek-en-Pai”), ainda no pronunciamento foi dito que o seu lugar original era decorando calhas de templos, algo comum durante o período Greco-Romano, no Alto Egito. Uma descoberta deste tipo ainda não tinha sido realizada em Fayum.

 

Detalhe da cabeça dos leões encontrados em Fayum. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/59724.aspx >. Acesso em 03 de dezembro de 2012.

 

A missão arqueologia responsável pela descoberta é advinda da Universidade Italiana de Salento, em Lecce, sob a coordenação do professor Mario Capasso.

Ambas as estátuas estão em ótimo estado de conservação e permanecem agora em um armazém em Fayum para a restauração.

 

Fonte da notícia:

Two Ptolemaic lion statues found in Fayoum. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/news/two-ptolemaic-lion-statues-found-fayoum?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter  >. Acesso em 03 de Dezembro de 2012.

Lion-shaped statues unearthed in Fayoum. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/59724.aspx  >. Acesso em 03 de dezembro de 2012.