Nefertiti nunca teria sido uma faraó, diz arqueóloga

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Ao contrário do que alguns pesquisadores pensam, Nefertiti, uma das mulheres mais famosas da antiguidade egípcia, não teria se tornado faraó. Ao menos é o que diz a Dra. Joyce Tyldesley, arqueóloga e egiptóloga da Universidade de Manchester, em seu livro “Nefertiti’s Face: The Creation of an Icon” (Face de Nefertiti: a criação de um ícone), publicado pela Profile Books e que será oficialmente lançado no próximo dia 25 de janeiro (2018), mas sem lançamento previsto para o Brasil.

Imagem de Nefertiti escupida por Tutmosis (Tutmés). Foto: Nile Magazine.

Nefertiti governou o Egito durante o final do Novo Império, mais especificamente no atualmente chamado Período Amarniano. Sua participação na vida pública e religiosa egípcia levou alguns acadêmicos a acreditar que ela reinou após a morte do seu esposo, Akhenaton, como uma faraó. Tese esta que não é sumariamente aceita entre os egiptólogos.

—  Saiba mais: Conheça algumas das mulheres que foram faraós.

Essa rainha ficou mundialmente famosa através do seu busto, que foi encontrado em 1912 e que atualmente está exposto em Berlim, Alemanha. Em seu livro Tyldesley conta a história da famosa escultura desde sua criação até a sua condição nos dias de hoje.

Nefertiti. Foto: Wikimedia Commons.

Sobre as alegações de que esse artefato seria falso, a pesquisadora teceu algumas palavras: “Alguns alegaram que é uma falsificação, mas eles estão completamente errados. Não tenho dúvidas de que o objeto exposto na Alemanha é o verdadeiro, é verdadeiramente notável.”

— Saiba mais: Seria a famosa estátua da rainha Nefertiti falsa?

E também explica sobre o fascínio do público por esta imagem e a tentativa de apropriação de sua identidade: Os admiradores da escultura tendem a ver suas próprias culturas e interesses refletidos em sua imagem; Hitler, por exemplo, presumivelmente a viu como ariana.”

Nefertiti em exposição em 1963.

A teoria de que ela teria sido faraó surgiu quando alguns acadêmicos começaram a sugerir que a forma como ela era retratada (usualmente do mesmo tamanho que o rei ou quase da sua altura) e sua extensa participação nos cultos ou atividades políticas ao lado do esposo, indicariam que ela teria muito mais poder que muitas outras rainhas de sua época. A mesma teoria sugere que com a morte de Akhenaton ela teria mudado o seu nome e reinado como Ankhkheperura Neferneferuaton (assista ao vídeo “Mulheres Faraós” para saber mais).

Mas, para Tyldesley o cenário é outro: “Embora a maioria das pessoas e muitos egiptólogos acreditem que Nefertiti era uma mulher da realeza excepcionalmente poderosa e, possivelmente, mesmo uma faraó, acredito que este não era o caso.” e continua “ela não nasceu na realeza, e para uma mulher da não realeza tornar-se rei[1] teria sido algo sem precedentes. Sua filha Meritaton, no entanto, realmente nasceu na realeza — e também é uma candidata mais provável para ser faraó”. E complementa: “só porque ela é a rainha mais famosa e poderosa do Egito em nosso mundo não significa que ela tenha sido uma famosa e poderosa rainha do Egito em seu mundo”.

Dra. Joyce Tyldesley é autora de vários outros livros de Egiptologia tais como “Stories from Ancient Egypt”, “Cleopatra: Last Queen of Egypt”, “Egypt: How A Lost Civilisation Was Rediscovered” e “Ramesses: Egypt’s Greatest Pharaoh”.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas apresenta o faraó e a Grande Esposa Real.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fonte:

Nefertiti was no pharaoh, says renowned Egyptologist. Disponível em < https://phys.org/news/2018-01-nefertiti-pharaoh-renowned-egyptologist.html >. Acesso em 22 de janeiro de 2018.


[1] Aqui teria sido melhor utilizar o termo “faraó”, já que esta palavra significa “grande morada” e não necessariamente “rei”.

(Resenha-Livro) “Uma viagem pelo Nilo” de Márcia Jamille

O historiador Jason Guedes do canal História Tube e administrador do site História Estúdio, fez uma resenha do livro “Uma Viagem pelo Nilo“. Obra que foi lançada por mim em 2014 através do próprio Arqueologia Egípcia.

Jason comentou vários aspectos da obra, dando a sua opinião sobre alguns pontos. Abaixo sua resenha em vídeo:

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(Resenha-Livro) “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico” do Ronaldo Gurgel Pereira

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Lançado em 2014, a “Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico” é uma obra completa para os falantes em língua portuguesa interessados em se especializar academicamente na Egiptologia. Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira, seu autor, é egiptólogo e leciona gramática egípcia clássica na Universidade de Nova Lisboa, Portugal.

“Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico”, Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira. 2014.

Um dos temas que mais chamam atenção dos curiosos ou estudiosos da história egípcia certamente são os hieróglifos egípcios. Seu nome deriva das palavras gregas hieros “sagrado” e hyphos “escrita”. Essa denominação foi empregada porque os hieróglifos tinham sido uma escrita amplamente utilizada em templos e monumentos sagrados bem como em alguns túmulos, o que deu aos gregos a ideia de que o seu uso era estritamente sagrado, embora igualmente fossem encontrados em objetos banais como peças de toalete ou mobílias. Sabemos que esse tipo de escrita foi utilizada desde a formação do reino egípcio até 396 d.E.C., ano em que o imperador Constantino proibiu o uso deste tipo de linguagem e o culto aos deuses egípcios.

No primeiro capítulo, “Origem da língua Egípcia Antiga”, o autor nos apresenta ao surgimento desta escrita e sua evolução temporal, fazendo uma distinção entre o seu estágio Inicial (antigo) e Final (tardio).

Igualmente ele nos fala sobre o surgimento do “egípcio cursivo”, da “escrita hieroglífica ptolomaica”, da escrita demótica e o “copta antigo”, considerado o último vínculo com a linguagem dos tempos faraônicos e que atualmente é utilizada como língua litúrgica da Igreja Ortodoxa copta.

Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira.

No segundo capítulo, “Decifração dos hieróglifos egípcios”, o autor explica como se deu a queda do uso da escrita hieroglífica e demótica graças a cristianização do Egito e como o grego foi utilizado para a evangelização. Ronaldo ainda cita as tentativas de tradução dos hieróglifos anteriores ao francês Jean-François Champollion, como o caso do jesuíta alemão Athanasius Kircher que século 17 lançou suas suposições sobre como seria possível traduzir os hieróglifos. Porém, suas propostas de traduções se mostraram erradas. Outros nomes importantes são citados, muitos deles desconhecidos do público comum e inclusive acadêmico.

No terceiro capítulo, “Escrita Hieroglífica Egípcia”, são explicadas as grandes mudanças sofridas pela escrita hieroglífica ao longo de todo o faraônico. Ainda somos apresentados para as diferenças entre fonograma, logograma e determinativos, funções importantes para a tradução e que por isso devem ser entendidas pelos alunos no princípio dos seus estudos.

Apesar destes três primeiros capítulos elucidarem vários pontos históricos da escrita egípcia, o leitor deve ser avisado de antemão que, assim como explica o título, este livro trata-se de fato de uma gramática e como tal abordará assuntos como substantivo, prefixos, flexões de gênero e número, morfema, concordância, etc, ou seja, se o interessado não estiver familiarizado com as regras gramaticais da língua portuguesa irá ter muita dificuldade para compreender o assunto. Assim, a partir do Capítulo D (4º) serão tratadas as explicações das regras gramaticais do ponto de vista do faraônico. Um quesito importante é que a obra possui alguns exercícios e suas respectivas respostas.

Particularmente apreciei muito a inclusão de glossários ao final de alguns capítulos, que além de apresentar traduções, auxilia os estudantes a se familiarizarem com os hieróglifos e as suas respectivas transliterações. Devo explicar que em determinados trechos da obra só foi possível compreender o que o autor quis passar porque eu já tinha tido aulas de introdução a hieróglifos na UFS, ou seja, esse livro não é de todo indicado para quem nunca teve um contato prévio com essa linguagem, a não ser que esteja extremamente curioso e disposto a entendê-la sozinho.

Uma dica que dou é que o estudante ao separar as traduções dos textos literários escolha aquelas que estão acompanhadas por suas respectivas transliterações. Assim os ensinamentos do livro tornam-se mais fáceis. Aconselho igualmente que o interessado tente se familiarizar com a história egípcia ou ao menos com a divisão temporal do faraônico.

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Considerações finais:

Uma das maiores reclamações acerca desta obra é o preço, contudo, a maioria dos livros de Egiptologia costumam custar valores a partir de R$90,00, alguns chegam até mesmo ao valor de R$1.000. Levem em consideração que comprar este livro é um investimento em seu futuro acadêmico.

Apesar de volumoso, ele é de um material leve e com folhas amareladas (que deixa a leitura mais agradável), porém o material da capa deixa um pouco a desejar. Mas, no geral, é uma obra magnífica e um marco para o estudo da Egiptologia em língua portuguesa.

Dados do livro:

Título: Gramática Fundamental de Egípcio Hieroglífico

Gênero: Egiptologia

Autor: Ronaldo Guilherme Gurgel Pereira

Editora: Chiado

Ano de Lançamento: 2014

Edição: 1ª Edição

(Resenha – Livro) A vida no Antigo Egito, de Eugen Strouhal

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A vida no Antigo Egito, de Eugen Strouhal. 2007.

A vida no Antigo Egito (Life in the Ancient Egypt, no original) é um dos livros que eu mais cito em artigos, embora ele não seja do meu agrado. Ele apresenta de forma linear aspectos da vida no Egito faraônico como a concepção da vida, o nascimento, a educação infantil, as brincadeiras, o amor, sexo, trabalho e a morte. O seu autor, o Eugen Strouhal, estudou medicina, arqueologia e antropologia em Praga e Bratislava.  Trabalhou no Egyptological Institute e no Naprstek Museum em Praga e já escavou na Núbia com uma missão checa e no Egito na cidade de Abusir. Também trabalhou com uma missão anglo-holandesa.

Em um contexto geral a obra não decepciona, mas existem algumas questões problemáticas. Uma delas é o aparente machismo do autor, que descreve a vida das mulheres como parte da preocupação econômica dos homens, adotando o discurso de que elas não precisavam trabalhar para se sustentar, embora saibamos que esta é uma ideia equivocada e que leva a diante os discursos propagados por egiptólogos de séculos passados. Em complemento embora sustente o discurso da inferioridade feminina no Egito Antigo, ele consegue contradizer-se em outras sentenças ao falar da liberdade das mulheres egípcias, como escrever contratos de emprego, exercer diferentes cargos desde camponesas a supervisoras e até disponibilizar empréstimos.

Eugen Strouhal.

Da mesma forma é a afirmação da existência de escravidão: ele usa esta definição, embora o conceito de escravidão para o Antigo Egito precise ser revisado porque também foi pensado no início da Arqueologia Egípcia, quando o seu estudo era influenciado ao máximo pelas fontes clássicas e bíblicas.

Outra grande questão identificada são os erros de digitação (letras em falta, palavras escritas com as sílabas separadas) e de ortografia de alguns nomes próprios. A escrita em si também não é muito animadora, sendo por vezes um pouco confusa (como no 1º Capítulo) ou não linear, o que pode confundir até mesmo os leitores mais inteirados na antiguidade egípcia.

Existe também a ausência de referências em meio aos textos para a confirmação de alguns dados, exceto pela lista bibliográfica ao final. Logo, a única fonte de informação acerca de determinados assuntos é o próprio Strouhal, mas este não é um problema único dele, podemos notar isso em muitas outras obras estrangeiras (o que é bem irritante).

Contudo, um dos pontos positivos é justamente a presença de várias informações acerca da vida cotidiana no Egito faraônico, todavia, reiterando, algumas informações são equivocadas e frutos de estereótipos. O outro são os registros fotográficos, o livro é muito bem ilustrado e as fotografias contém em suas legendas informações parciais sobre o sítio de onde se localiza (ou se localizava) o objeto retratado e a datação dele de acordo como período histórico ou dinastia.

Ele também apresenta muitos termos do egípcio antigo, o que pode enriquecer um pouco o conhecimento linguístico dos leitores.

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Reafirmo que no geral ele não decepciona, mas eu aconselho aos interessados a lerem obras de teoria da Arqueologia e criticas ao Orientalismo antes de se dedicar a este livro porque assim será possível entender alguns dos posicionamentos adotados ao longo dos capítulos.

Dados do livro:

Título: A vida no Antigo Egito

Gênero: Egiptologia

Autor: Eugen Strouhal

Tradutores: Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves

Editora: Folio

Ano de Lançamento (Brasil): 2007

 

(Vídeo) 5 livros sobre o Antigo Egito: temas específicos

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Recente gravei um vídeo para o canal do Arqueologia Egípcia no Youtube apresentando 5 livros sobre o Antigo Egito que são voltados para temas específicos. São eles: Pirâmides, ouro, culinária, sexualidade e arquitetura.

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Abaixo a lista de livros:

☥ “As Pirâmides do Antigo Egito” de Aidan Dodson. O autor fez um catálogo de todas as pirâmides conhecidas na época em que este livro foi editado. Relata brevemente acerca do simbolismo destes edifícios e apresenta fotografias e descrições de muitas destas construções.

DODSON, Aidan. As Pirâmides do Antigo Império (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2007.

☥ “O ouro dos faraós” de Hans Wolfgang Muller e Esberhard Thiem. É um dos meus favoritos porque fala “um pouquinho de tudo” desde o surgimento da ideia do ouro como algo místico, comércio, tipos de pedras preciosas e semipreciosas e algumas das descobertas realizadas no país, além de ter muitas fotos de vários tipos de artefatos diferentes, todos, claro, contendo ouro.

MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). Barcelona: Folio, 2006.

☥ “A culinária no Antigo Egito”, de Pierre Tallet. Nele o autor mostra que embora a dieta básica egípcia fosse composta de grãos existiu uma variedade de alimentos que poderiam ser consumidos. Era tanta criatividade na hora de cozinhar que existem indícios arqueológicos mostrando tortas arcaicas enfeitadas, alimentos que lembram nossos sanduíches e que os menos afortunados chegavam até mesmo a comer ratos.

TALLET, Pierre. A culinária no Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Júlia Braga, Joana Bergman). Barcelona: Folio, 2006.

☥ “Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito”, de Joseph Toledano e El-Qhamid, que como bem fala o nome apresenta o lado erótico do Antigo Egito. O início dele é bem interessante porque o autor fala sobre o pudor de antigos pesquisadores ao rasurar, rasgar ou quebrar partes de artefatos arqueológicos na tentativa de deixar tudo mais “apresentável”. Os autores realmente não tiveram interesse de mascarar como era visto o amor e principalmente o sexo na antiguidade.

TOLEDANO, Joseph; EL-QHAMID. Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito (Suzel Santos, Carlos Nougué). Barcelona, Folio, 2007.

☥ “Egipto:  do Pré-dinástico aos Romanos” de Dietrich Wildung. Este é também um dos que mais gosto porque ele mostra vários aspectos da arquitetura no antigo Egito, não se limitando ao velho clichê pirâmide+tumba no Vale dos Reis. Nele o autor fala sobre moradias, templos feitos de madeira, ornamentos etc.

WILDUNG, Dietrich. O Egipto: da pré-história aos romanos (Tradução de Maria Filomena Duarte). Lisboa: Taschen, 2009.

Pedro Paulo Funari assina prólogo do livro “Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis”

Por Márcia Jamille e João Carlos Moreno de Sousa (Arqueologia e Pré-história)

Foi anunciado no dia 30 de setembro de 2014 o nome do segundo livro da arqueóloga Márcia Jamille, “Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis”, e desde então algumas das atualizações acerca da edição e curiosidades sobre a descoberta da KV-62 (tumba do faraó Tutankhamon) estão sendo disponibilizadas na página do Facebook dedicada à obra.

Entretanto, o que ainda não tinha sido liberada é a notícia de que o seu prólogo foi assinado pelo historiador e arqueólogo Prof. Dr. Pedro Paulo de Abreu Funari, que é professor titular da Universidade de Campinas (UNICAMP), onde também é coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM) e professor do programa de pós-graduação em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade de São Paulo (USP).

Prof. Dr. Pedro Paulo Abreu Funari. Foto: Divulgação.

Na USP ele obteve seu título de Bacharel em História (1981), Mestre em Antropologia Social (1986) e Doutor em Arqueologia (1990). Pela UNICAMP obteve o título de Livre Docente (1996). Possui nove pós-doutorados, obtidos nas seguintes universidades: Illinois State University (1992), University College London (1993 e 1997), Universitat de Barcelona (1995 e 1999), Université de Paris X, Nanterre (2008), Durham University (2009) e Stanford University (2009 e 2013).

Funari também é líder de grupos de pesquisas e assessor científico na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Com mais de 80 livros publicados, mais de 240 capítulos de livros e mais de 500 artigos em revistas e jornais de divulgação científica, Dr. Pedro Paulo Funari acumulou diversas premiações e se tornou referência mundial na Arqueologia.

Sobre o livro: 

“Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis” apresenta os passos dados pelo arqueólogo inglês Howard Carter e do seu patrocinado Lord Carnarvon até encontrar a KV-62, algumas curiosidades sobre aos trabalhos na sepultura e discute aspectos das pesquisas relacionadas com a vida de Tutankhamon.

Lorde Carnarvon (esquerda) e Howard Carter (direita). Foto disponível em < http://www.thetimes.co.uk/tto/magazine/article3650205.ece >. Acesso em 05 de outubro de 2014.

O livro ainda não tem uma data de lançamento prevista, mas é possível seguir as novidades sobre ele através dos seguintes links:

https://www.facebook.com/tutankhamoneovaledosreis
http://tutankhamoneovaledosreis.tumblr.com/

Uma viagem pelo Nilo no Portal Hanna Belly

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No dia 11 de julho ocorreu a festa de lançamento do meu livro Uma viagem pelo Nilo no Portal Hanna Belly (SE). O evento esteve sob a organização e o apoio do próprio Portal e da Contextos Arqueologia.

O arranjo do lugar ficou muito bonito, superou todas as minhas expectativas, para variar estava uma lua cheia linda. Definitivamente foi muito mágico. Abaixo algumas fotografias:

Lançamento do livro “Uma viagem pelo Nilo”. Foto: Contextos Arqueologia. 2014.

Lançamento do livro “Uma viagem pelo Nilo”. Foto: Contextos Arqueologia. 2014.

Lançamento do livro “Uma viagem pelo Nilo”. Foto: Contextos Arqueologia. 2014.

Lançamento do livro “Uma viagem pelo Nilo”. Foto: Contextos Arqueologia. 2014.

Lançamento do livro “Uma viagem pelo Nilo”. Foto: Contextos Arqueologia. 2014.

Lançamento do livro “Uma viagem pelo Nilo”. Foto: Contextos Arqueologia. 2014.

Lançamento do livro “Uma viagem pelo Nilo”. Foto: Contextos Arqueologia. 2014.

A coreografia da Márcia Sandrine também foi incrível, ela usou uma roupa preta com detalhes em dourado e uma tiara com uma naja, bem legal. Está aí algumas partes da coreografia que o Nicolas Santos postou no seu Instagram:

Obrigada a todos que compareceram, ao Portal Hanna Belly e Contextos Arqueologia.

Para saber mais sobre o Portal Hanna Belly:

Rua Jose Roberto Ribeiro, nº 05,
Jardim Jussara; Jardins
Aracaju-SE
(79) 3043-2822
Página no Facebook: https://www.facebook.com/hannabelly

Sobre a Contextos Arqueologia:

Av. Marieta Leite, nº67,
Jardins
Aracaju-SE
(79) 8101-9622; 3023-9622
e-mail: contextos.arqueologia@gmail.com

Sobre a dançarina Márcia Sandrine:

Perfil no Facebook: https://www.facebook.com/marciasandrine
Blogue: http://sandrineshimmy.blogspot.com.br/

(Resenha – Livro) “Egito Antigo”, de Sophie Desplancques

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Eu tenho este livro fazem quase dois anos pensando em realizar uma resenha para o Arqueologia Egípcia, mas nunca me animei de fato para lê-lo. Creio que isto se deu por meu preconceito com os formatos pockets ao acreditar que livros de verdade precisam ter um tamanho A5 ou superior e mais de oitenta páginas, mas estou tentando trabalhar este meu problema.

Egito Antigo. Sophie Desplancques. 2011.

Egito Antigo. Sophie Desplancques. 2011.

Apesar deste quesito, fui capaz de entender que a principal vantagem deste livro está em seu tamanho, que o faz mais portátil e possível de ser levado para qualquer lugar e ser lido tranquilamente por quem está interessado em conhecer mais acerca da civilização egípcia, mas não tem muito espaço para guardar um livro na bolsa ou mesmo não tem interesse ou disposição física para levar o peso extra de um livro na bagagem. A ideia dos pockets são tentar influenciar os mais variados indivíduos a ter uma proximidade com a leitura (por isto tantos clássicos foram convertidos para tal formato), mas é onde surge o problema do livro “Egito Antigo” (L’égypte Ancienne, título original): ele não é para o deleite, mas sim para realmente fazer uma introdução sem meias palavras do pensamento político e religioso do Egito Faraônico. Ele, definitivamente, é uma tentativa satisfatória de realizar uma apresentação dos principais aspectos das antigas comunidades que viviam no território egípcio, mas sem se aprofundar em individualidades, ou seja, a autora apresenta o Egito Antigo em termos generalistas.

O material foi escrito por Sophie Desplancques, que além de jornalista possui um doutorado em Egiptologia e ensina História da Civilização Egípcia na Associação Papyrus em Lille, na França. Não conheço nenhum outro material dela, mas com este livro sua capacidade em repassar a história faraônica em poucas linhas foi comprovada.

Sophie Desplancques.

Sophie Desplancques.

A leitura não é extenuante, mas para algumas pessoas pode tornar-se confusa com uso de termos que podem soar estranhos para um leigo, a exemplo do uso da definição “Baixa Época”, ou pelo o fato das informações serem tão condensadas. Para se ter uma ideia, na Introdução, que se consiste de três páginas, a autora comenta a ideologia que sustentava a base discursiva por trás da cronologia faraônica e cita como exemplo a queda do Período Amarniano; explica o uso, por parte dos antigos, do passado como um modelo de conduta; identidade egípcia; as fases históricas, a divisão por impérios e as dinastias locais durante os períodos de instabilidade política.

Enquanto que no capítulo 1º ela faz uma abordagem geral da história egípcia, no 2º ela comenta acerca dos estudos da Pré-História e História egípcia: em relação a Pré-História ela realiza um passeio pelo o que até então se sabia sobre as culturas badarianas, Naqada I e Naqada II.

No capítulo 3º ela comenta alguns dos acontecimentos ocorridos a partir da 3ª Dinastia até a invasão hicsa no Segundo Período Intermediário. Acerca deste capítulo é uma pena que ela cite o reinado da faraó Nitócris como o sinal de uma crise pelo o motivo de ter sido uma mulher quem assumiu o trono. Vemos irregularidades dinásticas ocorrerem em períodos antes e depois do reinado desta faraó, com militares ou sacerdotes assumindo o trono em épocas de crises politicas e sucessórias. Além do mais, outras mulheres assumiram as Duas Coroas, mas foram em momentos dispares da história, tanto em épocas intermediarias como durante o Império egípcio.

L’égypte Ancienne. Sophie Desplancques.

L’égypte Ancienne. Sophie Desplancques.

No capítulo 4º ela introduz o início de fato do Império Egípcio e o começo do auge de Karnak e do deus Amon. Aqui ela explica o papel das figuras principais que constituíram este período: os tutméssias, Akhenaton e os raméssidas. Acerca do Período Amarniano ela, ao contrário de muitos outros materiais, cita as intervenções do faraó Akhenaton em outros países, especialmente os da Ásia ocidental (usualmente os materiais especializados tendem a descrever o governo deste como apático em relação às questões da política externa).

No capítulo 5º, Desplancques explica o estado social que se encontrava o Egito a partir do final da 20ª Dinastia e que o levou para os domínios dos governantes estrangeiros na Baixa Época. O leitor deve notar o breve ensaio que a autora faz acerca do cargo da Divina Adoradora de Amon, muito importante na história faraônica (surgida efetivamente no Novo Império), mas que ainda é pouco discutido.

Considerações:

Este não é um livro para quem espera realizar uma leitura despreocupada, mas para aqueles que realmente possuem interesse em tentar começar a entender o que de fato foi a civilização egípcia, como ela começou a surgir, do que se constituiu e quando se deu o seu fim. Porém, de forma semelhante ao Grimal, ela denota pontos elitistas da história egípcia, tradicionalmente utilizados como parâmetro, narrando o passado do ponto de vista da realeza, e raramente comentando acerca da vida do povo comum, que era a maioria e em grande parte iletrada.

Minha ressalva negativa é que em todos os capítulos Desplancques introduz o tema a ser abordado com um resumo, depois, através de subcapítulos, ela comenta os principais aspectos do período abordado e não raramente repete informações que ela já tinha dados em outros pontos.

Em termos gerais o livro é bem escrito e embora seja um pocket ele não decepciona e cumpre o prometido, que é apresentar a história faraônica em termos gerais. Embora seja menor e tenha menos conteúdo, é um bom investimento, visto o preço, que é mais acessível que muitos livros acerca do mesmo tema que são encontrados no mercado.

Este é um dos poucos livros que dou nota máxima (inclusive no Skoob). E em pensar que antes eu não estava dando muita ressalva para ele simplesmente pelo o fato de se tratar de um pocket.

Dados do livro:

Título: Egito Antigo

Gênero: Egiptologia, História Antiga.

Autor: Sophie Desplancques

Tradutora: Paulo Neves

Editora: L&PM Pocket

Ano de Lançamento (Brasil): 2011

Edição: 2ª Edição

Valor do livro impresso: R$ 14,00

Valor do livro digital:  R$ 9,00

Sugestões de livros sobre o Antigo Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamilleInstagram

Devido ao número excessivo de mensagens que eu recebo de pedidos de sugestões de livros (embora ao final de cada texto eu deixe uma pequena lista de referências), resolvi escrever um post acerca.

Escolhi livros com temas gerais tanto em português como em inglês e planejo por updates sempre que possível.

Por favor, nos comentários não perguntem onde podem comprar, não tenho tais informações.

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Lista:

◘ ALLEN, James. The Ancient Egyptian Pyramid Texts. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2005.

◘ BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.

◘ BAGNALL, Roger; BRODERSEN, Kai; CHAMPION, Craige; ERSKINE, Andrew; HUEBNER, Sabine. The Encyclopedia of Ancient History. Oxford: Wiley-Blackwell, 2012.

◘ BARD, Kathryn. An Introduction to the Archaeology of Ancient Egypt. Oxford: Blackwell, 2007.

◘ BRANCAGLION Jr., Antonio. Tempo, material e permanência: o Egito na coleção Eva Klabin Rapaport. Rio de Janeiro: Casa da Palavra – Fundação Eva Klabin Rapaport, 2001.

◘ BUNSON, Margaret R. Encyclopedia of Ancient Egypt. New York: Facts On File, 2002.

◘ COSTA, Márcia Jamille Nascimento. Uma viagem pelo Nilo. Aracaju: Site Arqueologia Egípcia, 2014.

Estela de pedra de Iuny e Renut representando Khay na parte inferior realizando uma oferenda juntamente a um escriba. Imagem disponível em . Acesso em 25 de fevereiro de 2013.

Estela de pedra de Iuny e Renut. Imagem disponível em < http://www.ancient-egypt.co.uk/ashmolean/ pages/ashmolean_ sep2006_%20327.htm >. Acesso em 25 de fevereiro de 2013.

◘ David O’CONNOR, Rita FREED e Kenneth KITCHEN. Ramsés II (Tradução de Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Fólio, 2007.

◘ DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito (Tradução de Angela Machado). Rio de Janeiro: Difel, 2011.

◘ DAVID, Rosalie; DAVID, Antony. A Biographical Dictionary of Ancient Egypt. London: Steaby, 1992.

◘ DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo (Tradução de Paulo Neves). Porto alegre: L&PM, 2011.

◘ DODSON, Aidan. As Pirâmides do Antigo Império (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2007.

◘ GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas. Revisão Técnica Manoel Barros de Motta). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

◘ IKRAM, Salima. Divine Creatures: Animal Mummies in Ancient Egypt. Cairo: The American University in Cairo, 2005.

◘ KEMP, Barry. El Antiguo Egipto: Anatomía de uma civilización (Tradução de Mònica Tusell). Barcelona: Crítica, 1996.

◘ KI-ZERBO, Joseph (Org.). História Geral da África I: Metodologia e Pré-história da África. (Tradução de MEC – Centro de Estudos afro-brasileiros da Universidade de São Carlos). Brasília: UNESCO, 2011.

◘ LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

◘ MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto (Tradução de Maria da Graça Crespo). Lisboa: Taschen, 1999.

◘ MOKHTAR, Gamal. História Geral da África Vol. II: África Antiga (Tradução de MEC – Centro de Estudos afro-brasileiros da Universidade de São Carlos). Brasília: UNESCO, 2011.

◘ MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). Barcelona: Folio, 2006.

◘ REEVES, Nicholas; WILKINSON, Richard. The Complete Valley of the Kings. London: Thames & Hudson, 2008.

◘ SHAFER, Byron. Sociedade, moralidade e práticas religiosas (Tradução de Luis Krausz). São Paulo: Nova Alexandria, 2002.

◘ SILIOTTI, Alberto. Viajantes e Exploradores: A Descoberta do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Michel Teixeira). Barcelona: Editora, 2007.

◘ SILIOTTI, Alberto. Primeiros Descobridores: A Descoberta do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Michel Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Editora, 2007.

◘ STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

◘ TALLET, Pierre. A culinária no Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Júlia Braga, Joana Bergman). Barcelona: Folio, 2006.

◘ TOLEDANO, Joseph; EL-QHAMID. Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito (Suzel Santos, Carlos Nougué). Barcelona, Folio, 2007.

◘ WENDRICH, Willeke (Ed). Blackwell Studies in Global Archaeology: Egyptian Archaeology. New Jersey: Wiley-Blackwell, 2010.

◘ WILDUNG, Dietrich. O Egipto: da pré-história aos romanos (Tradução de Maria Filomena Duarte). Lisboa: Taschen, 2009.