Os deuses do Egito Antigo: o que você precisa saber!

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Após uma longa espera finalmente os leitores e seguidores do site Arqueologia Egípcia podem assistir ao primeiro episodio (ou melhor: episódio piloto) da nossa série “Deuses do Egito Antigo“.

Neste capítulo é feito um apanhado bem geral sobre as divindades desta icônica civilização. É basicamente uma prévia para preparar vocês para a nossa primeira série oficial:

(Artigo) O Festival de Osíris e a Legitimação da Monarquia Faraônica durante o Reino Médio Tardio

O Festival de Osíris e a Legitimação da Monarquia Faraônica durante o Reino Médio Tardio | Beatriz Moreira da Costa

A manutenção do status divino do faraó no Egito Antigo era de grande importância para a ideologia real. Dessa forma o faraó participava de numerosos rituais e festivais destinados a reforçar a sua divindade e a sua relação com o ka real. A partir do pressuposto que ação ritual é poder, o presente artigo tem como objetivo analisar o Festival de Osíris, tendo como recorte temporal o Reino Médio Tardio.

Obtenha o artigo O Festival de Osíris e a Legitimação da Monarquia Faraônica durante o Reino Médio Tardio.

(Artigo) O poder legitimador de Serápis

O Poder Legitimador de Serápis: Uma análise da iconografia monetária alexandrina durante o período Antonino (96-192) | Caroline Oliva Neiva | Português |

Serápis se apresenta como uma divindade que reflete o hibridismo cultural da sociedade alexandrina e a necessidade de adaptação dos elementos culturais egípcios e helênicos. Sua iconografia traz um homem maduro, barbado, vestido à moda grega. Seu nome seria a transliteração em grego de Osor-Hapi, divindade egípcia com corpo de homem e cabeça de touro que remete ao deus Osíris mumificado e ao touro sagrado de Mênfis, Ápis. Dessa forma seu culto fora associado a diferentes elementos, a saber: a fertilidade e abundância agrícola, aos ritos funerários, ao poder de cura, a proteção de Alexandria e dos alexandrinos e, sobretudo, a Legitimação dos governantes Lágidas (305-30 a.C.). O caráter político de Serápis associado à Legitimação foi apropriado pelos governantes Romanos. Neste artigo propõe-se a análise e interpretação de representações de Serápis na iconografia monetária alexandrina durante o governo dos imperadores Antoninos (96-192 d.C.), com o objetivo de compreender o discurso de Legitimação Imperial contido nas moedas, transformando o discurso imagético num discurso literário na proposta de Erwin Panofsky.

Obtenha o artigo O Poder Legitimador de Serápis Uma análise da iconografia monetária alexandrina durante o período Antonino (96-192).

Encontradas múmias de animais: Abidos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

A descoberta de múmias de animais ligadas ao deus chacal e restos de uma estátua de feições humanas – presumivelmente pertencente a rainha Hatshepsut -, revelam detalhes antes desconhecidos acerca de um espaço sagrado durante o Período Faraônico.

Localização de Abidos.

Para entender o pensamento da sociedade egípcia temos que ter em mente que precisamos inserir os estudos acerca dos animais ao contexto das pesquisas arqueológicas, uma vez que muitos dos aspectos das sociedades que viviam às margens do Nilo eram ligados intimamente com a visão de mundo que os egípcios possuíam a partir do seu olhar sobre os animais. Desta forma, ao longo do período faraônico, eram realizadas oferendas votivas de um determinado animal ligado a algum deus em especial.

Este ano foi anunciado no último dia 14/02/2012 a descoberta de mais de oitenta e três múmias de animais aparentemente associadas a imagem de um faraó, provavelmente Hatshepsut de acordo com a sugestão da equipe já que a imagem é masculina, mas possui uma quadril levemente avantajado, feição tipicamente feminina. Hatshepsut, que reinou no Egito entre os anos de 1473 – 1458 a.C. (XVIII Dinastia; Novo Império), é conhecida por ter sido uma das poucas mulheres a tornarem-se faraós e por ter se transvestido de homem, buscando se enquadrar a imagem de Hórus (do qual o faraó era um “representante” terreno) [Clique aqui e veja mais sobre Hatshepsut].

As descobertas foram feitas em Abidos durante a campanha passada pela a equipe de Mary-Ann Pouls Wegner, diretora da escavação e professora da Universidade de Toronto. Abidos outrora era considerada uma cidade sagrada devido ao culto a Osíris, pai de Hórus e governante do submundo. De acordo com a lenda o faraó em vida era Hórus e após a morte transformava-se em Osíris, o símbolo maior da fertilidade dos campos egípcios. Seu culto tornou-se popular em Abidos devido a crença de que teria sido lá onde se encontrava o seu sepulcro – existindo, inclusive, uma tumba que acreditavam ser dele [1] -, o que levou aos primeiros soberanos do Egito a escolherem tal cidade como local de sepultamento. Um templo dedicado a Osíris foi construído em Abidos e todos os anos, em uma grande procissão, os egípcios levavam uma imagem do deus deste templo até a sua tumba, onde era velada durante a madrugada com rituais performáticos. Esta procissão era tão importante que capelas tanto de indivíduos da realeza, como particulares foram construídas por toda a rota de passagem [1]. A procissão chamava-se “Mistérios de Osíris”, e ela era um louvor da vida e morte do deus (BAINES; MÁLEK, 2008, p. 114).

Crânio de um dos cães encontrados em Abidos. Imagem: North Abydos Votive Zone Project. 2012. Disponível em < http://www.livescience.com/18462-animal-mummies-ancient-egypt.html >. Acesso em 20 de Fevereiro de 2012.

As múmias foram encontradas em uma das câmaras de um sepulcro encontrado pela missão de Arqueologia. Dos oitenta e três animais encontrados somente dois são gatos, o restante são cães. A presença de tantos cães está ligada ao culto a Wepwawet, um deus chacal cuja procissão precedia imediatamente a de Osíris. Para a equipe de Wegner os animais foram sacrificados, porém existem indícios de que eles foram bem tratados em vida, como o caso de um cão que teve uma pata quebrada, mas que foi medicado e curado antes de ser entregue como oferenda [1].

Encontrar a estátua de madeira de Hatshepsut não é um dos únicos indícios que demonstra que o local foi utilizado em anos subsequentes aos primeiros cultos a Osíris, estruturas ligadas a Tutmosis III (sucessor de Hatshepsut) e até mesmo a Seti I foram descobertas. E Wegner também crê que pode existir outra tumba no local datada do Terceiro Período Intermediário. Na matéria divulgada pelo site LiveScience não fica claro de que período pertencem estes animais (apesar de associados à estátua não quer dizer necessariamente que todos pertenciam a mesma época), mas existem pesquisas que demonstram a existência de oferendas se prolongando até o final do período Greco-romano (BAINES; MÁLEK, 2008, p. 114). Em verdade é possível encontrar em Abidos artefatos ligados a vários faraós de diferentes épocas, desde Aha da I Dinastia até contextos do Período Tardio ligados aos faraós Apries, Amásis e Nectanebo I (BAINES; MÁLEK, 2008, p. 116-117).

Fonte:

Animal Mummies Discovered at Ancient Egyptian Site. Disponível em < http://www.livescience.com/18462-animal-mummies-ancient-egypt.html >. Acesso em 20 de Fevereiro de 2012.

BAINES, John. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito. (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2008.

 

 

O Coração e a Eternidade

O Coração e a Eternidade: o símbolo tema do Arqueologia Egípcia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Para quem está acompanhado o Arqueologia Egípcia desde a sua criação já deve ter percebido que um símbolo bem incomum prevaleceu no site a partir do tema de 2009. Com sua forma ovulada e uma ave pintada ao centro logo começou a chamar a atenção:

 

 

 

Pertencente aos artefatos da tumba de Tutankhamon, este objeto representa um coração com o tema votivo ao Benu (Bennu).

O nome benu vem do verbo egípcio “brilhar” e na mitologia ele remete aos tempos da criação, tendo o seu grito quebrado o silêncio do início dos tempos, assim como também ao renascimento, o que lhe garantiu comparações com a Fenix, embora o mito do primeiro não possa ser relacionado com a criação do mito da segunda.

Em muitos casos ele é ligado aos deuses e Atum (como também ao ba de Osíris), criando então uma associação com o Sol.

Esta ave é uma das formas utilizadas pelo o falecido para sair de sua tumba, como explica o trecho a seguir do “Livro dos Mortos”:

 

entrei como falcão, mas sai como Benu.

 

No primeiro tema do site escolhi o papiro de Ani, mas agora acredito que o coração (onde os egípcios acreditavam que estaria o centro de todas as suas emoções e ações) e o Benu (símbolo do renascimento e eternidade) podem dar uma idéia melhor do sentimento dos egípcios quanto ao motivo de todas as coisas que construíram e para que fim.

Veja também: Benu, 30/01/2010 <http://www.touregypt.net/featurestories/benu.htm>
Fonte para a imagem: 30/01/2010 <http://www.flickr.com/photos/11787607@N02/3596040207/>