Um dos colossos de Ramsés II em Karnak está sendo restaurado

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

O Ministério das Antiguidades do Egito permitiu trabalhos de restauro integral em uma estátua colossal do faraó Ramsés II, que governou o Egito durante a 19ª Dinastia (Novo Império). A imagem, que é feita em granito e possui 10,8 metros de altura, no passado ficava na fachada do primeiro pilone de Karnak, um dos mais famosos complexos de templos do país, juntamente com mais cinco esculturas do rei. Ela sofreu grandes danos após um terremoto que ocorreu em algum momento durante o quarto século após a Era Cristã.

Coroa e parte da cabeça da estátua. Foto: Abdel Razek Ali.

Mostafa Waziri, chefe do Departamento do Ministério de Antiguidades em Luxor, comunicou ao Ahram Online que os trabalhos tiveram início há mais de um mês, e que a previsão é que sejam finalizados em dois meses.

Pedaços da imagem. Foto: Abdel Razek Ali.

A estátua está sendo montada em seu lugar original e certamente será uma bela vista para os turistas que visitarem o templo.

Parte do corpo da estátua. Foto: Abdel Razek Ali.

Fonte:

Egypt’s antiquities ministry restores colossus of Ramsess II at Karnak Temples. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/258581/Heritage/Ancient-Egypt/Egypts-antiquities-ministry-restores-colossus-of-R.aspx >. Acesso em 03 de março de 2017.

Possível destruição da pirâmide de Saqqara: entenda o caso

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde o mês de setembro (2014) uma grande polêmica está rondando a Pirâmide Escalonada, locada em Saqqara. Um grupo de ativistas e egiptólogos tem denunciado para a imprensa a suposta rápida degradação do edifício causada por uma empresa de construção que deveria cuidar do restauro do monumento.

A Pirâmide de Saqqara é a percussora de todas as outras pirâmides do país, sendo o edifício edificado deste tipo mais antigo do Egito, mas o que era uma estrutura bem distinguível, com o tempo perdeu sua camada exterior e sua base interna sofreu com uma grande rachadura, o que pode um dia levá-la ao seu colapso. Dado aos seus problemas estruturais foi iniciado em 2006 os trabalhos de restauro no monumento, ocasião em que uma empresa de Gales, a Cintec, trabalhou no local para tentar assegurar a sua integridade. “Nós enfrentamos um problema pouco comum: contar com toneladas de pedras irregulares aparelhadas na pressão da abertura de 8 metros quadrados que forma o teto da câmara funerária” explicou na época o diretor da Cintec, Peter James, ao jornal EL Mundo. “A questão era como proteger os blocos sem mover nem modificar nenhuma das forças que agem sobre ela. Qualquer mudança poderia ter provocado um colapso imediato”, concluiu.

Pirâmide de Djoser. Imagem disponível em < http://www.elmundo.es/la-aventura-de-la-historia/2014/09/16/54180bc5ca4741fc178b457c.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

Para segurar toda a estrutura e aliviar a pressão foi adotado então o uso de airbags, que consistem em bolsas de água, cada uma fabricada de acordo com a forma da câmara funerária para não deformar o edifício.

Bolsões de água foram usados para estabilizar a pressão na pirâmide. Foto retirada de < http://www.walesonline.co.uk/news/need-to-read/2011/07/13/airbags-to-the-rescue-of-egypt-s-oldest-pyramid-91466-29041624/ >. Acesso em 15 de julho de 2011.

Uma das estruturas mais antigas do mundo está sendo restaurada para não entrar em colapso. Foto retirada de < http://estaticos04.cache.el-mundo.net/elmundo/imagenes/2011/07/13/ciencia/1310579192_extras_ladillos_2_0.jpg >. Acesso em 15 de julho de 2011.

No entanto, com a chegada da primavera árabe em 2011 e os protestos pela saída do ditador Hosni Mubarak os trabalhos sofreram uma pausa, uma breve retomada e novamente uma pausa em fevereiro de 2013 por “motivos administrativos” o que, de acordo com o engenheiro Mishiar Farid, não conferiram risco algum de desmoronamento do edifício, exceto no caso da ocorrência de um terremoto [1][2].

Pirâmide de Djoser. Foto: Mohamed El-Shahed. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20140917/ong-egipcias-denuncian-danos-restauracion-piramide-saqqara-gobierno-niega/1013261.shtml >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

Então em meados de setembro (2014) o porta-voz da associação egípcia Non-stop Robberies (cujo objetivo é a proteção dos monumentos do país) lançou um comunicado onde denunciou que a empresa de construção Al-Shorbagy, que deveria cuidar da restauração da pirâmide, em verdade está acelerando o seu processo de degradação, além de ter adicionado mais de 5% de novas estruturas a ela, que vai contra os padrões internacionais de conservação de patrimônios. Ainda de acordo com o documento a empresa nunca antes tinha trabalhado com a conservação de monumentos arqueológicos (PARRA, 2014). Para variar, egiptólogos também questionaram a forma de trabalho da empresa, a exemplo de José Miguel Parra, que falou ao EL Mundo:

“O resultado, tenho que reconhecer, era um pouco chocante, porque estavam preenchendo as brechas com cal branco… É certo que atualmente se fazem todos os esforços para que as modificações e o monumento original se diferenciem, mas tanto?” (PARRA, 2014 – Tradução nossa)

E ainda mencionou um acontecimento inusitado que ocorreu com um amigo da área:

“(…) um professor universitário amigo meu comentou para mim acerca de uma viagem por estes lugares e que, enquanto levava um grupo de alunos para visitar a pirâmide, um dos “capatazes” que se encarregava da obra se aproximou dele e lhe perguntou com tristeza se sabia como encontrar os cantos teóricos do monumento… Inacreditável, mas verdadeiro!” (PARRA, 2014 – Tradução nossa)

Contudo, mesmo com as criticas, Kamal Wahid, Diretor das Antiguidades de Saqqara e Gizé, afirmou que a empresa está qualificada como classe A pelo governo e ainda complementou que os trabalhos estavam indo de acordo com o que foi aprovado pela UNESCO e o Ministério de Antiguidades (PARRA, 2014), ou seja, todos estariam sabendo do que estava ocorrendo em Saqqara. Para variar, o trabalho estaria sendo supervisionado por consultores do Ministério de Antiguidades sob a coordenação do arquiteto Hassan Fahmy e revisada por um comitê de arquitetura dirigido por Mustafa Al-Ghamrawi e cinquenta professores de arquitetura das Universidades do Cairo e Ain Shams (PARRA, 2014). Mas o que dá para perceber por esta primorosa lista de arquitetos renomados? Que, como bem salientou Parra (2014), não estão inclusos na equipe arqueólogos com especialização em Egiptologia ou mesmo restauradores, que seriam o suporte principal para subsidiar e fazer o trabalho funcionar.

Pirâmide de Djoser. Foto: AFP.

Para rebater as críticas o ministro das antiguidades, Mamduh al Dalmati, defendeu os trabalhos citando a corroboração da UNESCO e a existência da supervisão tanto no lado externo como interno da pirâmide e ainda sugeriu, para não restar mais nenhuma dúvida acerca dos trabalhos realizados, que se criasse uma “comissão de peritos internacionais independentes” para avaliar se a pirâmide está em perigo ou não[1][2]. No vídeo abaixo é possível ver mais imagens:

Referências:

PARRA, José Miguel. La destructiva restauración de la pirámide de Sakkara. Disponível em < http://www.elmundo.es/la-aventura-de-la-historia/2014/09/16/54180bc5ca4741fc178b457c.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

[1] ONG egipcias denuncian daños en la restauración de la pirámide de Saqqara que el Gobierno niega. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20140917/ong-egipcias-denuncian-danos-restauracion-piramide-saqqara-gobierno-niega/1013261.shtml >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

[2] Polémica en Egipto sobre el estado de la pirámide de Saqqara. Disponível em < http://www.abc.es/cultura/20140917/abci-peligro-piramide-saqara-201409161956.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

‘Airbags’ para salvar a la madre de las pirámides de Egipto. Retirado de <http://www.elmundo.es/elmundo/2011/07/13/ciencia/1310579192.html>. Acesso em 14 de Julho de 2011.

Welsh technology helps save Egypt’s oldest pyramid. Retirado de <http://www.bbc.co.uk/blogs/waleshistory/2011/07/welsh_technology_helps_save_eg.html>. Acesso em 15 de Julho de 2011.

“Airbags” são usados em pirâmide

Para evitar colapso equipe britânica usa bolsões de água na pirâmide de Djoser

 

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Pirâmide de Djose. Foto retirada de < http://images.travelpod.com/users/robthebruce/6.1263592209.step-pyramid.jpg > . Acesso em 15 de julho de 2011. >. Acesso em 15 de julho de 2011.

 

Uma das primeiras grandes estruturas edificada do mundo corre o risco de entrar em colapso. A pirâmide do faraó Djoser passou por uma grande prova quando sobreviveu a um terremoto em 1992 e desde 2007 vem sofrendo análises na busca de soluções para o seu problema estrutural. Desta forma uma empresa de Gales, a Cintec, vem trabalhando no local para tentar assegurar a integridade da Pirâmide Escalonada (ou Pirâmide de Degraus, como também é conhecida). “Nós enfrentamos um problema pouco comum: contar com toneladas de pedras irregulares aparelhadas na pressão da abertura de 8 metros quadrados que forma o teto da câmara funerária” explicou o diretor da Cintec Peter James ao jornal EL Mundo. “A questão era como proteger os blocos sem mover nem modificar nenhuma das forças que agem sobre ela. Qualquer mudança poderia ter provocado um colapso imediato”, complementou.

[cincopa AELAfra0uGWK]

Os “airbags” consistem em bolsas de água que ajudam a mortificar a pressão da estrutura. Cada uma fabricada de acordo com a forma da câmara funerária para não deformar o edifício. Com a pressão estável a pirâmide será restaurada e alguns dos blocos serão realinhados, para impedir a degradação do prédio.

Veja um pouco mais:

No Facebook e Orkut eu postei uma imagem e uma nota sobre a construção da Pirâmide Escalonada:

No Facebook:

Inscrição de Imhotep e Djoser.

No Orkut:

Nota sobre a construção da Pirâmide de Djoser (Escalonada) e foto da inscrição de Imhotep e Djoser.

Fonte:

‘Airbags’ para salvar a la madre de las pirámides de Egipto. Retirado de <http://www.elmundo.es/elmundo/2011/07/13/ciencia/1310579192.html>. Acesso em 14 de Julho de 2011.

Welsh technology helps save Egypt’s oldest pyramid. Retirado de <http://www.bbc.co.uk/blogs/waleshistory/2011/07/welsh_technology_helps_save_eg.html>. Acesso em 15 de Julho de 2011.

 

Museu de Arte Islâmica no Egito reabrirá

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Após quatro anos fechado para reforma, o Museu de arte Islâmica do Cairo será reaberto em dezembro deste ano (2010).

Planejado em 1869 para abrigar a coleção nacional de arte islâmica, ficou pronto em 1881. A inauguração teve como sua exposição inicial o número de 111 peças compostas por acervos de mesquitas e mausoléus de todo o Egito. Com a chegada do ano de 1903 o museu já continha mais de 3154 objetos, o que obrigou que durante este período de tempo adições de salas fossem feitas.

O edifício nunca teve a sua estrutura avaliada, até que em 2001 uma série de fatores de risco para o prédio foram descobertas. Assim, em 2003, o Ministério da Cultura lançou um projeto de restauração completa para o museu incluindo a recuperação da disposição original de algumas estruturas arquitetônicas como a volta da sua antiga entrada e ganhará ambientes novos como um laboratório totalmente equipado e um museu para crianças.

Museu de arte Islãmica. Foto: Creative Commons.

 

Para saber mais: http://weekly.ahram.org.eg/2010/1011/heritage.htm