Mais uma parte de uma das embarcações de Khufu é encontrada

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Quando o faraó Khufu (Quéops em grego) foi sepultado em sua pirâmide foi acompanhado por duas embarcações que foram seladas em fossos construídos ao lado do seu túmulo. Uma foi desenterrada em 1954. A outra permaneceu em seu local original jamais analisada, até que em 1987 a National Geographic examinou o seu fosso, o qual, consequentemente, passou a ser assolado por pequenos animais, que comprometeram a integridade das peças.

Khufu solar boat

A primeira embarcação de Khufu já montada e disponível para a visita em seu próprio museu.

Foi com a chegada de 2011 que um projeto, liderado pela Universidade de Waseda retirou as peças do lugar para restaurá-las.

Contudo, recentemente uma tábua de madeira de 26 metros foi desenterrada próximo da grande pirâmide e acredita-se que faça parte dessa segunda barca.  Ela foi encontrada a quase 3 metros de profundidade e já está sendo restaurada com as demais. Abaixo fotos dos trabalhos:

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

 

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Outros sítios arqueológicos egípcios contêm embarcações em contextos funerários. Isso tem relação com a crença religiosa de que esse tipo de artefato seria utilizado em algumas passagens durante a jornada no além vida.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a “barca solar de Quéops.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

 

Fonte:

Ancient Plank from Pharaoh King Khufu’s Boat Found near the Great Pyramids. Disponível em < https://egyptianstreets.com/2017/03/30/ancient-plank-from-pharaoh-king-khufus-boat-found-near-the-great-pyramids/ >. Acesso em 14 de abril de 2017.

Comienza la restauración de la segunda barca funeraria de Keops. Disponível em < http://elpais.com/elpais/2017/03/29/album-02/1490806314_072400.html >. Acesso em 14 de abril de 2017.

2ª Barca solar de Khufu será revelada. Disponível em < http://arqueologiaegipcia.com.br/2011/06/25/segunda-barca-solar-de-khufu-revelada/ >. Acesso em 14 de abril de 2017.

Louvre restaurará uma capela funerária egípcia graças ao apoio popular

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Conseguir verba para a cultura é difícil em qualquer lugar no mundo, mas o Museu do Louvre, muito famoso por suas peças arqueológicas, encontrou uma solução para isso: ultimamente ele tem realizado campanhas de apadrinhamento para conseguir arrecadar dinheiro para concretizar projetos que tem como objetivo preservar artefatos que estão sob os seus cuidados.

Até o momento sete campanhas foram lançadas com sucesso. A última foi para arrecadar fundos para o restauro da capela funerária de Akhethetep, um rico dignitário que viveu durante o Egito faraônico. Procedente de um sítio arqueológico de Saqqara, a capela da sua mastaba foi apresentada pela primeira vez ao público em 1905. Ela foi adquirida pelo Estado francês em 1903 e é advinda de uma coleção que o governo egípcio começou a vender no início do século XX, quando a prática de vendas de artefatos arqueológicos era comum.

Imagem: Reprodução.

Não se sabe muito da história de Akhethetep, mas os pesquisadores acreditam que o seu filho tenha casado com uma princesa, além de ter possuído os títulos de “chefe dos segredos da manhã” e “sacerdote do Heka”.

Imagem: Reprodução.

O prazo de arrecadação do projeto terminou no dia 31 de janeiro (2017), arrecadando $558,490. A previsão é que os trabalhos de restauros estejam concluídos até o final deste ano (2017) e que no início de 2018 o público já possa conferir os resultados.

Link do projeto: http://www.tousmecenes.fr/en

Fonte:

El Louvre restaurará una capilla egipcia gracias al mecenazgo popular. Disponível em < http://www.abc.es/cultura/arte/abci-louvre-restaurara-capilla-egipcia-gracias-mecenazgo-popular-201701280125_noticia.html >. Acesso em 17 de fevereiro de 2017

Tesouros arqueológicos no porão do Museu Egípcio no Cairo

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

O Museu Egípcio no Cairo (Egito) contém a mais prestigiosa coleção de artefatos egípcios do país. Sua fundação foi inspirada pelas centenas de descobertas arqueológicas datadas dos tempos dos faraós que ocorreram no século XIX, ao lado da ausência de um bom lugar para armazenar as peças coletadas (EINAUDI, 2009).

Inaugurado em 1902 (EINAUDI, 2009), por quase doze décadas o museu tem recebido artefatos catalogados em diferentes línguas, retirados dos seus sítios de origem por arqueólogos de distintas épocas. Assim, em poucos anos o porão do edifício começou a ficar abarrotado com peças arqueológicas dos mais variados períodos, algumas até fora do seu contexto. E o que era para parecer com uma reserva técnica — local onde nós arqueólogos e os museólogos armazenamos as peças analisadas e catalogadas —, atualmente se assemelha com um depósito empoeirado com artefatos fragilizados e com etiquetas bagunçadas escritas em árabe, francês ou inglês [1].

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

As condições de armazenamento precário dos objetos nesse espaço já foi motivo de críticas em outros anos. Alguns não se sabe a procedência, outros há anos não foram tocados por um especialista. Esse enorme problema é um dos motivos da inauguração do Grande Museu Egípcio, o qual receberá a maior parte da sua coleção [1].

Pequena parte do porão mostrado na série Chasing Mummies: The Amazing Adventures de Zahi Hawass (2010), da The History Channel.

Outra medida foi anunciada em janeiro deste ano (2017): A direção do museu prometeu retirar de lá 600 ataúdes de madeira. “Estamos ansiosos para começar a tarefa. Nós esperamos por ótimos resultados”, declarou ao jornal El Mundo o chefe de curadoria Moamen Othman, “Tem caixões que vêm principalmente de escavações arqueológicas. Eles são de diferentes idades e origens, o que torna este um projeto muito emocionante”[1].

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito

A retirada será realizada por uma equipe multidisciplinar composta por 35 pessoas, além de peritos dos EUA, Reino Unido e Itália [1].

O restaurador que retirou uma cola epóxi da barba de Tutankhamon — posta lá de forma negligente em 2014 — também participará da equipe: “Nós vamos primeiro nos concentrar na documentação e conservação dos caixões. É um desafio enorme porque nós iremos fotografar e investigar cada um dos sarcófagos” e complementou “Todo mundo vai desfrutar de documentos de estudo completos, mas a restauração vai afetar apenas de 15 a 20 caixões” [1].

Muitos dos artefatos estão frágeis. “Há milhares de objetos no porão. Não temos um número exato”, explicou Othman.

Moamen Ozman apresentando o projeto. Foto: Francisco Carrión

“Os caixões, uma vez restaurados e catalogados, estarão disponíveis para pesquisadores e para o público em geral. É uma coisa maravilhosa, porque significa que pessoas de todo o mundo podem descobrir e apreciar este património”, declarou Martin Perschler, diretor do fundo que paga esta missão, o Fundo para a Preservação Cultural, que se trata de um programa dos EUA. “Uma das preocupações é o ambiente em que os sarcófagos estão. Uma transferência imediata para outro lugar poderia ter um efeito negativo sobre a sua preservação”, concluiu [1].

As condições do porão também serão investigadas, para saber se existe algum perigo estrutural[1].

 

Referências bibliográficas:

En busca de los tesoros ocultos en el sótano del Museo Egipcio de El Cairo. Disponível em < http://www.elmundo.es/ciencia/2017/01/17/587e00dee5fdea19078b4598.html >. Acesso em 03 de março de 2017.

EINAUDI, Silvia. Coleção Grandes Museus do Mundo: Museu Egípcio Cairo (Tradução de Lúcia Amélia Fernandez Baz). 1º Título. Rio de Janeiro: Folha de São Paulo, 2009.

 

Um dos colossos de Ramsés II em Karnak está sendo restaurado

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

O Ministério das Antiguidades do Egito permitiu trabalhos de restauro integral em uma estátua colossal do faraó Ramsés II, que governou o Egito durante a 19ª Dinastia (Novo Império). A imagem, que é feita em granito e possui 10,8 metros de altura, no passado ficava na fachada do primeiro pilone de Karnak, um dos mais famosos complexos de templos do país, juntamente com mais cinco esculturas do rei. Ela sofreu grandes danos após um terremoto que ocorreu em algum momento durante o quarto século após a Era Cristã.

Coroa e parte da cabeça da estátua. Foto: Abdel Razek Ali.

Mostafa Waziri, chefe do Departamento do Ministério de Antiguidades em Luxor, comunicou ao Ahram Online que os trabalhos tiveram início há mais de um mês, e que a previsão é que sejam finalizados em dois meses.

Pedaços da imagem. Foto: Abdel Razek Ali.

A estátua está sendo montada em seu lugar original e certamente será uma bela vista para os turistas que visitarem o templo.

Parte do corpo da estátua. Foto: Abdel Razek Ali.

Fonte:

Egypt’s antiquities ministry restores colossus of Ramsess II at Karnak Temples. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/258581/Heritage/Ancient-Egypt/Egypts-antiquities-ministry-restores-colossus-of-R.aspx >. Acesso em 03 de março de 2017.

Barba de Tutankhamon: Cera de abelha foi a solução

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Quase um ano após o escândalo da cola epóxi que foi posta na barba da máscara mortuária do faraó Tutankhamon em agosto de 2014, o artefato finalmente encontra-se livre do aderente.

Entenda o caso:

Tudo começou em janeiro de 2015, quando a imprensa mundial ficou ciente de que durante a manutenção do expositor em que a peça fica exposta ocorreu um acidente que fez com que a barba da máscara se soltasse e que, como medida, foi optado por usar uma cola epóxi, o que não era o ideal para o objeto. De acordo com os responsáveis por colar o artefato, a ordem para utilizar tal aderente partiu de superiores.

A egiptóloga Monica Hanna, especialista em conservação de pinturas murais, foi uma das pessoas que denunciaram o crime. De acordo com ela, cinco conservadores tentaram delatar o ocorrido, mas após uma visita do ministro das antiguidades ao museu no dia 17 de novembro de 2014 todos foram demitidos.

— Leia mais em “Cola na barba da máscara mortuária de Tutankhamon: O que ocorreu nas últimas horas?“.

Para variar, fotografias dentro do museu até então estavam proibidas, desta forma era difícil convencer as pessoas de que a cola estava lá ou a gravidade da intervenção. Entretanto, com a pressão por parte da imprensa nacional e internacional, o Ministério das Antiguidades se viu obrigado a realizar em 24 de janeiro de 2015, uma reunião com repórteres no Museu Egípcio do Cairo para confirmar o ocorrido e apresentar o conservador alemão Christian Eckmann, que seria o responsável pela remoção do epóxi.

Detalhe da cola no queixo em fotografia tirada em 24 de janeiro de 2015. Foto: Hassan Ammar. AP. 2015

O fim e uma descoberta:

Os trabalhos de Eckmann começaram em outubro e após nove semanas a máscara finalmente ficou pronta para ser posta em seu local de exibição no Museu Egípcio do Cairo.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

— Leia mais em “Restauro da máscara mortuária de Tutankhamon está em andamento“.

Apesar das circunstancias, ainda assim foi possível realizar mais uma descoberta arqueológica. De acordo com Mamdouh Eldamaty, ministro das antiguidades, “O processo revelou surpresas. A primeira é que a barba tem um tubo interior que a conecta com o rosto da máscara e a segunda é que a reintegração de 1946 se fez utilizando uma leve soldadura” [1].

Para pôr a barba em seu devido lugar Eckmann e sua equipe fizeram uso de técnicas antigas. Como aderente eles utilizaram cera de abelha, porque era um material comum no Antigo Egito, além de que é uma matéria orgânica que oferece um menor risco de causar danos ao metal da máscara.

1 – Barba separada do seu tubo interno. A seta aponta os resíduos da soldagem feita em 1946. Uma técnica atualmente condenada por restauradores.

2 – A cera de abelha aplicada ao tubo interno.

3 – A cera de abelha aplicada ao tubo interno. Usar técnicas do passado nos trabalhos de conservação é o aconselhado pelos profissionais da área. Assim não retira muito da identidade original do objeto.

4 – Trabalho concluído.

Abaixo o resultado:

Foto: Sahen Ramzy. 2015.

As informações obtidas pelo escaneamento serão apresentadas em um futuro livro.

Fonte:

[1] Regresa la barba de Tutankamón, con cera de abeja. Disponível em < http://www.ngenespanol.com/el-mundo/culturas/15/12/22/restauracion-barba-rey-tutankamon-museo-el-cairo-egipto.html >. Acesso em 27 de dezembro de 2015.

Album de Noor Mostafa. Disponível em < https://www.facebook.com/noor.mostafa.19/posts/915316655189980 >. Acesso em 27 de dezembro de 2015.

Restauro da máscara mortuária de Tutankhamon está em andamento

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Na noite do dia 10/10/2015, a máscara mortuária do faraó Tutankhamon foi retirada do seu display para passar pela a remoção da cola posta em sua barba e por trabalhos de restauro — Entenda o caso: Cola na barba da máscara mortuária de Tutankhamon: O que ocorreu nas últimas horas? —.

Foto: Ahram Online. 2015.

Dez dias depois o Ministério das Antiguidades convidou a imprensa egípcia e estrangeira para registrar as primeiras notícias sobre as atividades realizadas com o artefato.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

O coordenador da equipe, o restaurador alemão Christian Eckmann, declarou que análises microscópicas estão sendo realizadas para estudar uma melhor forma de remover a cola. Ele ainda explicou que após esta fase, a qual ele espera finalizar em uma semana, a remoção começará e alertou que para se livrar de toda a cola sem afetar a integridade do objeto requer muita paciência.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Outro artefato de Tutankhamon foi centro das atenções da mídia esta semana:

A mídia árabe acusou recentemente estudantes que realizavam uma visita ao Museu Egípcio do Cairo de terem danificado a máscara mortuária de Tutankhamon, acusação que foi negada pelo o supervisor geral do museu, Khaled El-Enany. Ele explicou que um único incidente ocorreu nos últimos dias e foi com uma cabeça de madeira do faraó onde ele é representado ainda criança. De acordo com o supervisor os estudantes, após uma pequena comoção, acabaram se esbarrando na vitrine fazendo o artefato se inclinar um pouco. Um comitê imediatamente foi formado para averiguar se o objeto tinha sofrido algum dano, o que não foi o caso.

Por fim ele esclareceu que a máscara desde que foi retirada do seu display só está sendo visitada pelos especialistas responsáveis por seu restauro.

Fontes:

Restoration of Tutankhamun mask underway at Egyptian Museum. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/161407/Heritage/Ancient-Egypt/Restoration-of-Tutankhamun-mask-underway-at-Egypti.aspx>. Acesso em 20 de outubro de 2015.

Egyptian Museum boss rubbishes reports of Tutankhamun gold mask damage. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/News/161232.aspx>. Acesso em 20 de outubro de 2015.

PHOTO GALLERY: Experts pore over Tutankhamun’s mask as restoration gets underway. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/NewsContentMulti/161411/Multimedia.aspx>. Acesso em 20 de outubro de 2015.

Cola na barba da máscara mortuária de Tutankhamon: O que ocorreu nas últimas horas?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Nos últimos dias comentei na página do Arqueologia Egípcia no Facebook que esta semana foi realizada uma denuncia sobre a possibilidade de terem posto cola epóxi (um tipo de super cola) na máscara mortuária de Tutankhamon, acusação que o Ministério de Antiguidades negou estar ciente, mas que segundo as fontes da denuncia eles já sabiam há meses.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

Máscara mortuária de Tutankhamon antes da intervenção de 2014. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

Detalhe da cola no queixo em fotografia tirada em 24 de janeiro de 2015. Foto: Hassan Ammar. AP. 2015.

De acordo com os denunciantes, restauradores que preferem permanecer anônimos, durante a manutenção do expositor da peça a barba da máscara mortuária soltou e foi colada de volta em seu lugar com um material inadequado, uma super cola. Ainda nas palavras deles a ordem de intervenção na peça partiu de superiores.

Caso esses eventos sejam reais o incidente é trágico por tais motivos:

O uso de um material inadequado para o restauro, a cola epóxi, já que uma das regras mais básicas do restauro é que sejam utilizados materiais de fácil remoção e que não comprometa a integridade da peça. O que não é o caso da epóxi.

As pessoas que manipularam o artefato para por a barba no lugar, de acordo com as denuncias tentaram suavizar a aparência da cola lixando a área e assim teriam arranhado o queixo da imagem.

A ignorância em acreditar que a peça estava quebrada ao ponto de colar o objeto no lugar, visto que a barba é um item que já foi removido na década de 1920, como aponta os registros fotográficos. Porém, caso esse fato já fosse conhecido no momento da intervenção, então a ordem partiu da má fé.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em Acesso em 26 de setembro de 2011.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em < http://www.griffithinstituteprints.com/image/433271/harry-burton-the-gold-mask-of-tutankhamun-3-4-view > Acesso em 26 de setembro de 2011.

Visita do rei Farouk I ao Museu Egípcio do Cairo em 1949. Nesta época a barba ainda era exposta separada. Disponível em < https://www.flickr.com/photos/kelisli/8511041153/in/photostream/ >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

Barba e colar de Tutankhamon separados da máscara mortuária. Arquivo Griffith Institute. Disponível em < http://www.griffith.ox.ac.uk/php/am-makepage1.php?&db=burton&view=gall&burt&card&desc=mask&strt=1&what=Search&cpos=15&s1=imagename&s2=cardnumber&s3&dno=25 >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

A ausência de sensibilidade daqueles que deram a ordem para colar a peça. Isso pode ser um reflexo de um dos grandes problemas do turismo arqueológico, que é quando o artefato deixa de ser um registro para a ciência e passa a ser um bem de consumo. Quantas vezes vocês já não ouviram ou leram semelhante frase “A tumba de Tutankhamon é tão pequena e sem graça que não valeu o dinheiro que paguei”?

Com a polêmica, no sábado, 24 de janeiro de 2015, ocorreu no Museu Egípcio do Cairo uma conferência para a imprensa onde foi apresentada a questão da intervenção com a super cola na máscara mortuária. O conservador alemão, Christian Eckmann, especialista em conservação de materiais arqueológicos feitos de vidro e metal, analisou na manhã daquele mesmo sábado a máscara para saber que tipo de aderente de fato foi utilizado e garantiu durante a reunião que mesmo sem saber especificamente qual o tipo da super cola o material utilizado neste caso está de acordo com as normas internacionais de restauro, ou seja, seu uso é reversível, porém ainda não é possível relatar se o objeto sofreu algum dano, a exemplo dos arranhões; no caso deles será realizada uma investigação para saber se são antigos ou se foram feitos no momento em que colocaram a cola.

Eckmann ainda esclareceu que a cola anterior, que foi colocada no objeto em 1941 (caso a visita do rei Farouk I tenha sido mesmo em 1949 então existe um equivoco nessa afirmação) para fixar barba, pode ter simplesmente se deteriorado e que por isso o item teria caído.

Durante o evento o Ministério das Antiguidades e os coordenadores do Museu Egípcio do Cairo pediram desculpas pelo o ocorrido e ao final os representantes de ambos pediram ponderação à imprensa ao relatar o acontecimento e que as pessoas parem com as especulações agressivas.

Entretanto, essa questão parece ir mais além. Jackie Rodriguez, uma turista que visitou o Museu Egípcio em 12 de agosto de 2014, forneceu para a agência de notícias AP uma fotografia de dois homens que estão a executar os trabalhos de reparo no artefato, enquanto a galeria estava aberta. “Todo o trabalho parecia palhaçada”, disse ela que complementou “Foi desconcertante porque o procedimento ocorreu em frente a uma grande multidão e, aparentemente, sem as ferramentas adequadas”.

Registro fotográfico realizado pela turista Jacqueline Rodriguez em 2014. Foto: AP.

A egiptóloga Monica Hanna, especialista em conservação de pinturas murais, também realizou denuncias: através do seu Twitter comentou que cinco conservadores tentaram delatar o ocorrido, mas após uma visita do ministro das antiguidades ao museu no dia 17 de novembro de 2014 eles foram demitidos.

Horas após a reunião entrei em contato com a Hanna para saber se os ativistas egípcios do Egypt’s Heritage Task ainda têm planos de denunciar o Museu Egípcio para o Ministério Público e ela respondeu que sim, eles irão seguir em frente com a denúncia.

Composta por incrustações de vidro e pedras semipreciosas, a máscara mortuária de Tutankhamon é um objeto feito em ouro maciço martelado e somente a barba pesa cerca de 2 quilos. Ela foi vista pela primeira vez por olhos modernos em 1926 — quatro anos após a descoberta da KV-62 —, protegendo a cabeça e os ombros do faraó Tutankhamon.

Fonte:

Máscara de Tutancâmon é danificada após restauração com material errado. Disponível em < http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/mascara-de-tutancamon-danificada-apos-restauracao-com-material-errado-15118812?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O+Globo >. Acesso em 22 de janeiro de 2015.
Botched repair of Tut mask ‘reversible’: German conservator. Disponível em < http://www.france24.com/en/20150124-botched-repair-tut-mask-reversible-german-conservator/?aef_campaign_date=2015-01-24&aef_campaign_ref=partage_aef&ns_campaign=reseaux_sociaux&ns_linkname=editorial&ns_mchannel=social&ns_source=twitter >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.
Archaeologists Want Egyptian Officials Charged for Damage to Tutankhamen’s Burial Mask. Disponível em < http://www.nytimes.com/2015/01/24/world/middleeast/archaeologists-want-egyptian-officials-charged-for-damage-to-tutankhamens-burial-mask.html?smid=tw-NYTOpenSource&seid=auto&_r=0 >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

Possível destruição da pirâmide de Saqqara: entenda o caso

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde o mês de setembro (2014) uma grande polêmica está rondando a Pirâmide Escalonada, locada em Saqqara. Um grupo de ativistas e egiptólogos tem denunciado para a imprensa a suposta rápida degradação do edifício causada por uma empresa de construção que deveria cuidar do restauro do monumento.

A Pirâmide de Saqqara é a percussora de todas as outras pirâmides do país, sendo o edifício edificado deste tipo mais antigo do Egito, mas o que era uma estrutura bem distinguível, com o tempo perdeu sua camada exterior e sua base interna sofreu com uma grande rachadura, o que pode um dia levá-la ao seu colapso. Dado aos seus problemas estruturais foi iniciado em 2006 os trabalhos de restauro no monumento, ocasião em que uma empresa de Gales, a Cintec, trabalhou no local para tentar assegurar a sua integridade. “Nós enfrentamos um problema pouco comum: contar com toneladas de pedras irregulares aparelhadas na pressão da abertura de 8 metros quadrados que forma o teto da câmara funerária” explicou na época o diretor da Cintec, Peter James, ao jornal EL Mundo. “A questão era como proteger os blocos sem mover nem modificar nenhuma das forças que agem sobre ela. Qualquer mudança poderia ter provocado um colapso imediato”, concluiu.

Pirâmide de Djoser. Imagem disponível em < http://www.elmundo.es/la-aventura-de-la-historia/2014/09/16/54180bc5ca4741fc178b457c.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

Para segurar toda a estrutura e aliviar a pressão foi adotado então o uso de airbags, que consistem em bolsas de água, cada uma fabricada de acordo com a forma da câmara funerária para não deformar o edifício.

Bolsões de água foram usados para estabilizar a pressão na pirâmide. Foto retirada de < http://www.walesonline.co.uk/news/need-to-read/2011/07/13/airbags-to-the-rescue-of-egypt-s-oldest-pyramid-91466-29041624/ >. Acesso em 15 de julho de 2011.

Uma das estruturas mais antigas do mundo está sendo restaurada para não entrar em colapso. Foto retirada de < http://estaticos04.cache.el-mundo.net/elmundo/imagenes/2011/07/13/ciencia/1310579192_extras_ladillos_2_0.jpg >. Acesso em 15 de julho de 2011.

No entanto, com a chegada da primavera árabe em 2011 e os protestos pela saída do ditador Hosni Mubarak os trabalhos sofreram uma pausa, uma breve retomada e novamente uma pausa em fevereiro de 2013 por “motivos administrativos” o que, de acordo com o engenheiro Mishiar Farid, não conferiram risco algum de desmoronamento do edifício, exceto no caso da ocorrência de um terremoto [1][2].

Pirâmide de Djoser. Foto: Mohamed El-Shahed. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20140917/ong-egipcias-denuncian-danos-restauracion-piramide-saqqara-gobierno-niega/1013261.shtml >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

Então em meados de setembro (2014) o porta-voz da associação egípcia Non-stop Robberies (cujo objetivo é a proteção dos monumentos do país) lançou um comunicado onde denunciou que a empresa de construção Al-Shorbagy, que deveria cuidar da restauração da pirâmide, em verdade está acelerando o seu processo de degradação, além de ter adicionado mais de 5% de novas estruturas a ela, que vai contra os padrões internacionais de conservação de patrimônios. Ainda de acordo com o documento a empresa nunca antes tinha trabalhado com a conservação de monumentos arqueológicos (PARRA, 2014). Para variar, egiptólogos também questionaram a forma de trabalho da empresa, a exemplo de José Miguel Parra, que falou ao EL Mundo:

“O resultado, tenho que reconhecer, era um pouco chocante, porque estavam preenchendo as brechas com cal branco… É certo que atualmente se fazem todos os esforços para que as modificações e o monumento original se diferenciem, mas tanto?” (PARRA, 2014 – Tradução nossa)

E ainda mencionou um acontecimento inusitado que ocorreu com um amigo da área:

“(…) um professor universitário amigo meu comentou para mim acerca de uma viagem por estes lugares e que, enquanto levava um grupo de alunos para visitar a pirâmide, um dos “capatazes” que se encarregava da obra se aproximou dele e lhe perguntou com tristeza se sabia como encontrar os cantos teóricos do monumento… Inacreditável, mas verdadeiro!” (PARRA, 2014 – Tradução nossa)

Contudo, mesmo com as criticas, Kamal Wahid, Diretor das Antiguidades de Saqqara e Gizé, afirmou que a empresa está qualificada como classe A pelo governo e ainda complementou que os trabalhos estavam indo de acordo com o que foi aprovado pela UNESCO e o Ministério de Antiguidades (PARRA, 2014), ou seja, todos estariam sabendo do que estava ocorrendo em Saqqara. Para variar, o trabalho estaria sendo supervisionado por consultores do Ministério de Antiguidades sob a coordenação do arquiteto Hassan Fahmy e revisada por um comitê de arquitetura dirigido por Mustafa Al-Ghamrawi e cinquenta professores de arquitetura das Universidades do Cairo e Ain Shams (PARRA, 2014). Mas o que dá para perceber por esta primorosa lista de arquitetos renomados? Que, como bem salientou Parra (2014), não estão inclusos na equipe arqueólogos com especialização em Egiptologia ou mesmo restauradores, que seriam o suporte principal para subsidiar e fazer o trabalho funcionar.

Pirâmide de Djoser. Foto: AFP.

Para rebater as críticas o ministro das antiguidades, Mamduh al Dalmati, defendeu os trabalhos citando a corroboração da UNESCO e a existência da supervisão tanto no lado externo como interno da pirâmide e ainda sugeriu, para não restar mais nenhuma dúvida acerca dos trabalhos realizados, que se criasse uma “comissão de peritos internacionais independentes” para avaliar se a pirâmide está em perigo ou não[1][2]. No vídeo abaixo é possível ver mais imagens:

Referências:

PARRA, José Miguel. La destructiva restauración de la pirámide de Sakkara. Disponível em < http://www.elmundo.es/la-aventura-de-la-historia/2014/09/16/54180bc5ca4741fc178b457c.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

[1] ONG egipcias denuncian daños en la restauración de la pirámide de Saqqara que el Gobierno niega. Disponível em < http://www.rtve.es/noticias/20140917/ong-egipcias-denuncian-danos-restauracion-piramide-saqqara-gobierno-niega/1013261.shtml >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

[2] Polémica en Egipto sobre el estado de la pirámide de Saqqara. Disponível em < http://www.abc.es/cultura/20140917/abci-peligro-piramide-saqara-201409161956.html >. Acesso em 30 de setembro de 2014.

‘Airbags’ para salvar a la madre de las pirámides de Egipto. Retirado de <http://www.elmundo.es/elmundo/2011/07/13/ciencia/1310579192.html>. Acesso em 14 de Julho de 2011.

Welsh technology helps save Egypt’s oldest pyramid. Retirado de <http://www.bbc.co.uk/blogs/waleshistory/2011/07/welsh_technology_helps_save_eg.html>. Acesso em 15 de Julho de 2011.

Em breve: Novas peças da tumba de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Faraó Tutankhamon em Imagem parietal de seu túmulo.

Faraó Tutankhamon em Imagem parietal de seu túmulo.

O Egyptian Museum do Cairo unido com o Römisch-Germanisches Zentral Museum de Mainz, a University of Tübingen e o Cairo Department of the German Archaeological Institute estão trabalhando para restaurar e exibir um grupo de artefatos de folhas de ouro ainda inéditos pertencentes a KV-62, tumba de Tutankhamon.

O faraó Tutankhamon ficou conhecido no mundo inteiro após a descoberta da sua tumba praticamente intacta em 1922. De lá foram catalogados centenas de artefatos, alguns dos quais jamais entraram para exibição, a exemplos destas folhas de ouro.

A notícia foi anunciada na página do DAI Kairo – German Archaeological Institute Cairo, no Facebook.