Egiptologia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

História da Egiptologia:

"A Batalha das Pirâmides". Francois-Louis-Joseph Watteau. 1798-1799.

“A Batalha das Pirâmides”. Francois-Louis-Joseph Watteau. 1798-1799.

O estudo arqueológico do Egito Antigo teve início com a invasão napoleônica ao país em 1798, isto graças ao grupo de cientistas e artistas que acompanharam o exército francês como uma comitiva que tinha como objetivo registrar aspectos culturais, históricos e botânicos da cultura egípcia (BARD, 1999), no entanto, o início da Egiptologia cientifica data de 1822, com a publicação do artigo Lettre à Dacier, relative à l’alphabet des hiéroglyphes phonétiques par les Égyptiens, pour inscrire sur les monuments les noms et surnoms des souverrains grecs et romains, escrito por Champollion, momento em que foi anunciada para a Académie des inscriptions et belles-lettres a decifração dos hieróglifos egípcios (GUKSCH, 1999; VERCOUTTER, 2002).

A diferença primordial entre Arqueologia Egípcia e Egiptologia é que possuir uma formação na segunda não habilita ninguém para exercer a primeira, ou seja, a Arqueologia é uma disciplina impar e necessita de um treino bastante específico tanto em termos teóricos como práticos. Já a Egiptologia é o estudo da extinta civilização egípcia, tratando-se de uma especialização agregada com outras disciplinas, tais como a própria Arqueologia ou História, Artes, Literatura, etc.

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De uma forma geral a Egiptologia teve seu princípio como um estudo humanístico do passado, caracterizando-se por sua dedicação no campo da Filologia, História da Arte e até certo ponto por História Política. Embora esta disciplina, a priori, possuísse estes tipos de interesses, isto não a guiava para fora de outras preocupações, a exemplo da tentativa de entendimento da vida cotidiana, como mostram alguns trabalhos surgidos a partir de meados do século XIX (TRIGGER, 1998).

Logo do Egypt Exploration Society. Disponível em . acesso em 14 de agosto de 2013.

Logo do Egypt Exploration Society. Disponível em < http://www.csad.ox.ac.uk/POxy/ees/ees.htm >. acesso em 14 de agosto de 2013.

Uma das mais antigas associações de egiptólogos (as) é o Egypt Exploration Society e está aberta para profissionais, estudantes e curiosos. Porém, ser sócio do EES não dá ao interessado subsidio para realizar pesquisas de Arqueologia, muito menos um título de pesquisador. Desta forma não existe necessidade de que sua associação seja citada no seu currículo.

Fundado em 1882 como The Egypt Exploration Fund, o Egypt Exploration Society trata-se hoje de uma sociedade de Arqueologia que trabalha no Egito com o auxílio financeiro de seus sócios e vendas de documentários e livros. Destaca-se por ser uma das maiores organizações do tipo que atuam no país não só com a escavação, limpeza e análise de artefatos, mas com a Arqueologia Pública e programas educacionais para crianças.

Do que se trata o trabalho de um egiptólogo:

De acordo com Bard (1999), a Egiptologia trata-se da análise de antigos textos, artefatos e arquitetura egípcia. Naturalmente não se resume a isto. Segundo Guksch (1999), o campo de estudo da Egiptologia parte do Período Pré-Dinástico até 395 D. E. C., data da última inscrição hieroglífica conhecida. Em complemento Trigger (1998) aponta que para os interessados no estudo da vida cotidiana, serão necessários o entendimento da Filologia e da História da Arte.

Egiptólogo William Carruthers analisando registros históricos dos primórdios da Egiptologia. Disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.

Egiptólogo William Carruthers analisando registros históricos dos primórdios da Egiptologia. Disponível em < http://www.ees.ac.uk/news/index/112.html >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Porém, graças ao grande número de materiais acadêmicos gerados, existe um amplo espaço de estudo e até a reanalise dos antigos diários de escavações, desta forma, a meu ver, o estudo da Egiptologia necessita expandir os seus debates para o Egito contemporâneo, especialmente em relação ao ainda recorrente emprego do orientalismo  nas pesquisas.

Kathleen Martinez. Disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.

Kathleen Martinez em Taposiris Magna. Disponível em < https://www.facebook.com/photo.php?fbid= 335237159850106&set=pb. 257145350992621.-2207520000 .1376488905.&type=3&theater >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Predominantemente do sexo masculino (foi permitida a ampla da participação acadêmica de mulheres somente ao longo do século 20), os egiptólogos de meados do século 19 possuíam mais uma aspiração para a caça a tesouros e colecionismo em uma larga escala, do que a preocupação em manter a integridade dos artefatos. Em poucas palavras cada país europeu, representados por seus militares, cônsules e pesquisadores, travavam uma corrida para coletar os mais excêntricos e bonitos objetos para compor suas galerias e gabinetes de curiosidades (TRIGGER, 1998; PECK, 1999). Este era também a época dos estudos independentes e do diletantismo que, ainda que tenham contribuído fortemente para a deterioração de milhares de artefatos, foram responsáveis pela documentação e salvaguarda de muitos outros, embora em vários casos totalmente fora de contexto.

Foi somente em 1858 com a criação do Service des Antiquités, fundado pelo o arqueólogo francês Auguste Mariette (1821 – 1881), que as pesquisas e coletas de artefatos começaram a se regulamentar no país. Foi este serviço também o responsável pela a restrição e depois total proibição da saída de objetos arqueológicos do país. Este órgão mudou de nome cinco vezes até o atual momento, chamando-se Egyptian Antiquities Organization (a partir de 1971), Supreme Council of Antiquities (a partir de 1993), Ministry of State for Antiquities (em 2011) e Supreme Council of Antiquities novamente em 2011, mas dentro do Ministry of State for Antiquities, não mais do Ministério da Cultura.

Trabalho de Arqueologia na TT184. Disponível em . Acesso em 30 de abril de 2013.

Trabalho de Arqueologia na TT184. Disponível em < http://www.facebook.com/photo.php?fbid=406228292807679&set=a. 185828818180962.37761. 185391424891368&type=1& relevant_count=101 >. Acesso em 30 de abril de 2013.

O Supreme Council of Antiquities é um órgão semelhante ao IPHAN do Brasil. Embora torne possível que escavações arqueológicas sejam realizadas no Egito a principal crítica contra o MSA/SCA é a sua burocracia.

Um dos grandes papéis do MSA/SCA além da fiscalização e regulamentação das pesquisas de Arqueologia no Egito é a imposição da publicação dos resultados da pesquisa por parte dos responsáveis pelas explorações, o que resulta em uma ampla produtividade acadêmica. Também tornou-se obrigatória nas equipes de escavações a presença de pesquisadores, em especial advindos da Arqueologia, com altas titulações acadêmicas e vasta experiência de campo.

Referências:

BARD, Kathryn A. “The study of ancient Egypt”. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

GUKSCH, Christian E. “Anthropology and Egyptology”. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

PECK, William. “History of Egyptology”. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

TRIGGER, Bruce. Early Civilizations: Ancient Egypt in Context. Cairo: The American University in Cairo, 1993.

VERCOUTTER, Jean. Em busca do Egito Esquecido. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

Quem fiscaliza as pesquisas de Arqueologia no Egito?

Por: Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Arqueologia no Egito, hoje, é realizada sob os auspícios do Ministry of State for Antiquities (MSA), onde entra o Supreme Council of Antiquities (SCA), que antes era somente um conselho vinculado ao Ministério da Cultura.

Auguste Mariette. Disponível em . Acesso em 11 de agosto de 2013.

Auguste Mariette. Disponível em < http://members.bib-arch.org/publication.asp?PubID=BSAO&Volume=7&Issue=1&ArticleID=7 >. Acesso em 11 de agosto de 2013.

Chamado em seus primórdios de Service des Antiquités e fundado em 1858 pelo o arqueólogo francês Auguste Mariette (1821 – 1881), este órgão do governo mudou de nome cinco vezes ao longo da sua existência sendo:

  1. Service des Antiquités criado em 1858
  2. Egyptian Antiquities Organization a partir de 1971
  3. Supreme Council of Antiquities a partir de 1993
  4. Ministry of State for Antiquities em 2011
  5. Supreme Council of Antiquities novamente em 2011, mas dentro do Ministry of State for Antiquities, não mais do Ministério da Cultura.

Embora possua desde o seu início a tarefa de salvaguardar os artefatos egípcios em segurança, este serviço foi um fruto do imperialismo europeu, tendo como seus diretores gerais os franceses até o ano de 1953, quando o primeiro egípcio, o Mostafa Amer, assumiu o cargo.

Com a chegada da Primavera Árabe no Egito em 2011 ocorreu varias nomeações e exonerações no SCA/MSA e atualmente (2013) está ocorrendo por parte do governo provisório uma tentativa de extinção do Ministry of State for Antiquities e a devolução do Supreme Council of Antiquities para o Ministério da Cultura.

Dr. Zahi Hawass. Foto retirada de “Shaking Up the Land of the Pharaohs”. Disponível em Acesso em 04 de Março de 2011.

Dr. Zahi Hawass, um dos últimos diretores gerais do SCA. Foto retirada de “Shaking Up the Land of the Pharaohs”. Disponível em < http://www.archaeology.org/online/features/ hawass/index.html >Acesso em 04 de Março de 2011.

O MSA possui em todo o Egito escritórios regionais, criados para atender a fiscalização de todas as escavações arqueológicas no país. Os fiscais designados para a missão são arqueólogos nativos cujo objetivo é supervisionar o trabalho de campo realizado pelas missões de Arqueologia, as quais em sua maioria são estrangeiras.

Link externo:

Supreme Council of Antiquities (SCA) 

  

Secretário-geral do SCA pede demissão

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Ontem (terça-feira, 20 de setembro de 2011), o secretário-geral do Supremo Conselho de Antiguidades (SCA), Mohamed Abdel Fatah, pediu demissão do seu cargo. No mesmo dia ele declarou ao Ahram estar “de saco cheio” de tantas manifestações que têm atrasado corriqueiramente a organização do Conselho. “Todos estes protestos estão atrapalhando o prosseguimento correto dos trabalhos de Arqueologia”, disse ao jornal.

“Eu não posso ser responsável sem uma autoridade concreta em minhas mãos”, continuou, mencionando sua falta de voz no novo Ministério que está sob o encargo de Essam Sharaf. Ele deixou claro que não é contra os pedidos dos manifestantes, mas afirma que “Todos os trabalhos de Arqueologia estão sendo postos em espera devido a estes contínuos e corriqueiros protestos”.  

Desta forma, o conselho dado por Dr Mohammed Ismail continua de pé.

 

 

É Abdel Maqsud quem substitui Hawass

 

Abdel Maqsud é escolhido como substituto de Zahi Hawass

 

Por Márcia Jamille Costa |@MJamille 

 

Depois do JAN25 e a criação “assustada” do Ministério das Antiguidades do Estado, Hawass foi retirado do seu posto, porém a sua saia deflagrou uma greve no SCA que repudiava o então novo nome escolhido para reger o Ministério: Abdel Fattah al-Banna.

Fattah al-Banna não passou nem dois dias no poder, foi imediatamente retirado sob o pretexto de que ele é um restaurador e não arqueólogo. Na mesma semana o Ministério das Antiguidades do Estado foi dissolvido, já que a sua criação não era vista como legal, uma vez que a constituição egípcia determina que todos os assuntos ligados a Arqueologia devem ser tratados com o Ministério da Cultura. No final, o SCA recebeu novamente o dever de reger as antiguidades, porém, sem um novo substituto Hawass permaneceu no cargo até que alguém qualificado fosse encontrado.

Esta semana o novo secretário do SCA foi escolhido, seu nome é Abdel Maqsud, um arqueólogo de 57 anos e com vasta experiência na área. Ele já determinou o que espera fazer pelo o Supremo Conselho: Dar trabalho aos mais de 10 000 recém formados em arqueologia do Egito que não viam oportunidades de emprego, tentar pagar a divida de 1.000.000.000 Libras Egípcias (algo entre R$260.000.000 e R$300.000.000) e o mais importante para os arqueólogos estrangeiros que é permanecer com os antigos contratos e continuar com as colaborações estrangeiras. Já os antigos contratos com as grandes empresas de divulgação como National Geographic e Discovery Channel serão reavaliados. Ele também quer continuar com o legado positivo de Hawass, que é a luta pelo o repatriamento de peças arqueológicas, dentre elas o busto de Nefertiti e a Pedra de Roseta.

As missões estrangeiras, que antes eram avaliadas unicamente por Hawass irão passar pela avaliação de um comitê.

Maqsud está tentando apagar a imagem empregada por muitos profissionais pelo o mundo que observam o JAN25 como um estopim para fechar a Arqueologia Egípcia só entre os egípcios. Tal atitude seria até inviável, já que muitos dos grandes projetos como o Grand Museum of Egypt, por exemplo, está sendo financiado por capital de missões estrangeiras.

 

Fontes:

 

Antiquities staff divided over ministry’s future. Disponível em < http://www.almasryalyoum.com/en/node/479253> Acesso em 30/07/2011.

Controversy over legality of Egypt’s antiquities ministry Disponível em < http://english.youm7.com/News.asp?NewsID=342487&SecID=12> Acesso em 30/07/2011.

La arqueología egipcia apuesta por sus tesoros frente a viejos personalismos. Disponível em < http://www.larazon.es/noticia/4053-la-arqueologia-egipcia-apuesta-por-sus-tesoros-frente-a-viejos-personalismos> Acesso em 30/07/2011.

 

Alaaeldin Shaheen substituiu Hawass

Por Márcia Jamille N. Costa | @MJamille

 

Antes só eram conversas vagas saídas do Supremo Conselho de Antiguidades, principalmente depois de uma reunião do Prof. Dr. Alaaeldin M. Shaheen como o Primeiro Ministro no dia 12 de Março. Mas já está confirmado, Shaheen é o novo nome que irá substituir o do Dr. Zahi Hawass.

Não saiu nenhuma nota para a impressa ainda, mas alguns egiptólogos no Egito mencionaram que é certeza de que o cargo já foi preenchido por Shaheen.

 

UPDATE – 14 de Março de 2011 – 08h50

Fui procurar saber se o SCA realmente oficializou o cargo de Shaheen: o SCA não confirmou nada ainda e nem mencionou que Shaheen foi o escolhido embora a comunidade de egiptologia esteja acreditando que será ele. Outro nome que foi dado é o de Mohamed Abdel Maksoud.

Devo lembrá-los que o Ministério de Assuntos de Antiguidades não existe mais, ou seja, o SCA voltou a existir e continua agregado ao Ministério da Cultura que agora está sob a liderança de Emad Abou-Ghazi (um historiador).

 

Estejam atentos a esta página porque eu posso fazer um UPDATE a qualquer momento.      

 

 

Alaaeldin Shaheen. Retirado de Prof. Dr. Alaa El-Din Abd el-mohsen Shaheen. Disponível em http://www.alaashaheen.com/ Acesso em 14 de março de 2011.