Alguns detalhes do busto da rainha Nefertiti

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Já discuti em outros posts acerca da rainha Nefertiti: em “O Sol e a Família Real de Amarna (IMAG.)” mostro uma imagem dela acompanhada por seu marido Akhenaton e três das suas seis filhas. Em “(Imagem) Busto de Nefertiti” o leitor pode visualizar algumas fotos do famoso busto da rainha que se encontra desde 1912 na Alemanha e que foi solicitado formalmente pelo o governo egípcio em 2011, tendo sido então o pedido negado.

Homenageada por uma marca de cigarros e ganhando até uma customização feita em uma boneca Barbie, pouco se sabe sobre a vida de Nefertiti, mas podemos ter uma ideia a partir das análises feitas da iconografia presente nos talatats encontrados em 1926 em Karnak.

Este busto foi encontrado no dia 06 de dezembro de 1912 no ateliê do artista Tutmés, em Aketaton, acompanhado por outras imagens igualmente realistas tanto da rainha Nefertiti como de alguns cidadãos da corte de Akenaton, os quais a identidade é desconhecida.

Nefertiti. Fonte da imagem AFP. Disponível em <http://www.google.com/hostednews/afp/article/ ALeqM5hdhUI4kP9k3k4OlCPPxsxKIKID_Q>. Acesso em 02 de Outubro de 2012.

Alguns pontos para a observação:

 

 

(1) O núcleo da imagem é feita em pedra calcária onde foi esculpido um rosto rebuscado da rainha e que foi coberto por uma camada de gesso, que serviu para retocar a imagem áspera e como a base para a tinta que imita a cor da pele e os adereços da rainha. No objeto não existe uma identificação nominal que indique que seja Nefertiti, mas o que a identifica como tal é a sua “Coroa Azul”, amplamente utilizada por esta governante.

(2) Outrora na parte frontal da “Coroa Azul” existia uma ureus, uma naja que simbolicamente protegia a divindade (neste caso a Nefertiti). Tanto a serpente, como parte das orelhas e a parte de trás da coroa foram danificadas devido o passar dos séculos.

(3) O olho esquerdo da rainha é inexistente, mas isto não aponta uma deficiência.  Teorias já foram levantadas para tentar justificar a ausência deste olho, uma delas é de que ele não teria sido posto no lugar devido a pressa em se abandonar Amarna (embora seja bem possível que com os reinados de Smenkhará e Tutankhamon o abandono tenha se dado de forma gradual e não imediato) ou de forma proposital, uma vez que o busto só seria uma escultura utilizada como modelo no lugar da rainha quando a presença dela não fosse possível no momento de se fazer outras imagens.

(4) Dependendo de que forma o busto é iluminado é possível ver as rugas da governante, principalmente próximo aos olhos e na área das bochechas, o que faz jus a definição de “realista”, quando definimos alguns dos momentos da arte amarniana.

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Márcia Jamille

Arqueóloga formada pela UFS com a monografia “Egito Submerso: a Arqueologia Marítima Egípcia” e mestra em Arqueologia também pela UFS com a pesquisa “Arqueologia de Ambientes Aquáticos no Egito: uma proposta de pesquisa das sociedades dos oásis do Período Faraônico”. É administradora do Arqueologia Egípcia e autora do livro "Uma viagem pelo Nilo". [Leia seu perfil]