As 9 melhores descobertas arqueológicas de 2017 sobre o Egito Antigo

Por Márcia Jamille | Instagram @MJamille

Caso você tenha caído de paraquedas aqui neste post ou simplesmente não tem o habito de ler sites ou blogs: o Arqueologia Egípcia é um site dedicado a trazer textos, vídeos, fotos e notícias sobre as pesquisas relacionadas com o Egito Antigo. Aqui até existe uma aba especial dedicada às novidades. É lá onde se encontram as notícias sobre descobertas arqueológicas associadas com a história egípcia e foi de onde tirei as 9 pesquisas que foram tidas como as mais interessantes, chamativas e legais de 2017.

Contudo, antes de dar início a lista, devo explicar que usei o termo “melhores” no título para resumir as mais magnificas do ponto de vista não só dos acadêmicos, mas do público. Sou da turminha da Arqueologia que considera toda e qualquer descoberta arqueológica passível de ser interessante para o entendimento do passado. Abaixo, as descobertas selecionadas:

 

1: Descoberta de imagens de embarcações:

Uma equipe de arqueólogos encontrou, gravadas na parede de um fosso em Abidos, gravuras representando uma frota egípcia. No local, que fica próximo ao túmulo do faraó Sesostris III (Médio Império; 12ª Dinastia) foram contados nos desenhos 120 navios, desenhados sobre uma superfície de gesso. Alguns são bem detalhados, contendo informações como remos e timões.

Foto: Josef Wegner

Neste caso não se sabe quem fez estas gravuras, mas ao menos duas teorias foram levantadas: a de que foram feitas pelos próprios trabalhadores que construíram o fosso ou que tenha sido a ação de vândalos. É né… Vai que.

 

2: Sepulturas de crianças egípcias revelam desnutrição generalizada:

Esta provavelmente é uma das descobertas mais chocantes. Uma arqueóloga da Universidade de Manchester, em sociedade com a Missão Arqueológica Polaco-Egípcia, fez uma série de descobertas perturbadoras em Saqqara: eles encontraram corpos de crianças que parecem ter sofrido grave anemia, cáries dentárias e sinusite crônica.

Foto: Iwona Kozieradzka-Ogunmakin

Através dos seus estudos, a arqueóloga foi capaz de estabelecer que a criança mais jovem encontrada no cemitério tinha algumas semanas de idade e as mais velhas 12 anos, mas a maioria tinha entre três e cinco anos.

 

3: Fragmentos de uma estátua colossal:

Esta foi um hype! A historinha é a seguinte: Uma missão egípcia-alemã, que está trabalhando em El-Mataria (Cairo), antiga Heliópolis, desenterrou partes de duas estátuas colossais da época ramséssida, no sítio arqueológico de Suq el-Khamis. A princípio acreditou-se que se trataria de Ramsés II, da 19ª dinastia, Novo Império, mas não passou muito tempo até que descobrissem que na verdade era Psamético I, que reinou como rei do Egito durante a 26ª Dinastia, Baixa Época.

Foto: Reuters.

4: Descoberta de tumba de princesa egípcia:

A tumba de uma princesa egípcia foi identificada na pirâmide de Ameny Qemau (13ª Dinastia), na necrópole de Dashur. Nas escavações que revelaram a câmara funerária da princesa foram identificados um sarcófago mal preservado, bandagens e uma caixa de madeira contendo vasos canópicos. Inscrições na caixa indicam que os objetos pertenceram a ela, que por sua vez era uma das filhas do próprio Ameny Qemau.

Foto: MSA

Esta foi uma descoberta que não revelou para a imprensa tantos achados assim, somente informações básicas. Mas o público do site amou muito e compartilhou a notícia extensamente. Então ela está aqui marcando presença.

 

5: Descoberta de faraó pouco conhecido:

Na verdade, esta foi uma descoberta dupla em que a princípio tinha sido encontrada uma pirâmide datada do Segundo Período Intermediário, em Dashur e somente depois foi apontado que ela pertencia a um faraó praticamente desconhecido chamado Ameny Qemau.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Porém, esta história não acaba por aqui: uma outra pirâmide pertencente a esse mesmo governante foi descoberta em 1957, também em Dashur.

 

6: Os mais antigos hieróglifos egípcios:

Uma expedição conjunta entre a Universidade de Yale e o Museu Real de Belas Artes de Bruxelas, que está estudando a antiga cidade egípcia de El kab, descobriu inscrições hieroglíficas com cerca de 5200 anos. São as mais antigas conhecidas.

Foto: MSA.

Os arqueólogos também identificaram um painel de quatro sinais, criados por volta de 3250 aEC e escritos da direita para esquerda — é assim que usualmente os hieróglifos egípcios eram lidos — retratando imagens de animais tais como cabeças de touros em um pequeno poste, seguido por duas cegonhas com alguns íbis acima e entre eles.

 

7: Cabeça de faraó encontrada em Israel:

Uma cabeça de uma estátua retratando um faraó tem intrigado alguns pesquisadores. Isso porque ela foi encontrada em 1995 em Israel na área da antiga cidade de Hazor. Outrora fragmentada ela retrata uma típica imagem de um faraó contendo, inclusive, a serpente ureus, que é uma das insígnias reais egípcias, ou seja, um dos símbolos que demonstram realeza.

Divulgação/Gaby Laron/Hebrew University/Selz Foundation Hazor Excavations.

Em outros anos outras estátuas egípcias também foram encontradas em Hazor e todas fragmentadas no que os pesquisadores concluíram como uma destruição deliberada.

 

8: O maior fragmento de obelisco datado do Antigo Reino:

Uma missão arqueológica — encabeçada por franceses e suíços — que atua em Saqqara encontrou a parte superior de um obelisco datado do Antigo Reino, pertencente à rainha Ankhnespepy II, mãe do rei Pepi II (6ª Dinastia).

Foto: MSA

Ankhnespepy II foi uma das rainhas mais importantes da sua dinastia. Ela foi casada com Pepi I e quando ele morreu casou-se com Merenre, o filho que o seu falecido esposo tinha tido com sua irmã Ankhnespepy I.

 

9: Descoberta da localização de um templo de Ramsés II

A missão arqueológica egípcio-checa descobriu restos do templo do faraó Ramsés II (Novo Império; 19ª Dinastia) durante os trabalhos de escavações realizados em Abusir.

Foto: MSA

A missão já tinha encontrado em 2012 evidências arqueológicas de que existia um templo nesta área, fato que encorajou os pesquisadores a escavar nesta região ao longo dos últimos quatro anos.

 

Deliberadamente deixei a descoberta do “espaço vazio” da Grande Pirâmide de fora pelos motivos citados no vídeo “Espaço vazio dentro da Grande Pirâmide do Egito: Entenda!”:

Agora é a vez de vocês! Qual é a sua descoberta arqueológica do ano de 2017 favorita?

Mais uma parte de uma das embarcações de Khufu é encontrada

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Quando o faraó Khufu (Quéops em grego) foi sepultado em sua pirâmide foi acompanhado por duas embarcações que foram seladas em fossos construídos ao lado do seu túmulo. Uma foi desenterrada em 1954. A outra permaneceu em seu local original jamais analisada, até que em 1987 a National Geographic examinou o seu fosso, o qual, consequentemente, passou a ser assolado por pequenos animais, que comprometeram a integridade das peças.

Khufu solar boat

A primeira embarcação de Khufu já montada e disponível para a visita em seu próprio museu.

Foi com a chegada de 2011 que um projeto, liderado pela Universidade de Waseda retirou as peças do lugar para restaurá-las.

Contudo, recentemente uma tábua de madeira de 26 metros foi desenterrada próximo da grande pirâmide e acredita-se que faça parte dessa segunda barca.  Ela foi encontrada a quase 3 metros de profundidade e já está sendo restaurada com as demais. Abaixo fotos dos trabalhos:

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

 

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Foto: Mohamed el-shahed (AFP)

Outros sítios arqueológicos egípcios contêm embarcações em contextos funerários. Isso tem relação com a crença religiosa de que esse tipo de artefato seria utilizado em algumas passagens durante a jornada no além vida.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a “barca solar de Quéops.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

 

Fonte:

Ancient Plank from Pharaoh King Khufu’s Boat Found near the Great Pyramids. Disponível em < https://egyptianstreets.com/2017/03/30/ancient-plank-from-pharaoh-king-khufus-boat-found-near-the-great-pyramids/ >. Acesso em 14 de abril de 2017.

Comienza la restauración de la segunda barca funeraria de Keops. Disponível em < http://elpais.com/elpais/2017/03/29/album-02/1490806314_072400.html >. Acesso em 14 de abril de 2017.

2ª Barca solar de Khufu será revelada. Disponível em < http://arqueologiaegipcia.com.br/2011/06/25/segunda-barca-solar-de-khufu-revelada/ >. Acesso em 14 de abril de 2017.

Importantes descobertas de embarcações em tumbas egípcias

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Em 2013, após dois anos de pesquisas, finalmente apresentei a dissertação que me deu o título de mestra em arqueologia. O tema era relacionado com a discussão da importância de se estudar os artefatos ligados de alguma forma com os ambientes aquáticos durante o Período Faraônico. Nesse mesmo trabalho levantei propostas de análises e exemplos de artefatos. Afinal, é um fato que os seres humanos convivem com a água desde sempre, de uma forma ou de outra.

Os egípcios, por exemplo, tinham uma série de simbolismos em relação aos líquidos como o vinho, a cerveja e claro, a água (POO, 2010). Mas, essa última possuiu um patamar diferente, pois os aspectos imaginários ligados a ela são muito mais complexos, ao ponto de os artefatos relacionados com os ambientes aquáticos ou húmidos possuírem, em alguns casos, um status sagrado. É aqui onde entram as embarcações.

Nas palavras de George Bass, o pioneiro da Arqueologia Subaquática, o papel das embarcações no progresso humano não deve ser subestimado. Em várias e diferentes sociedades elas foram as responsáveis por transportar matérias-primas e ideias. Capazes de deslocar pessoas com rapidez, o seu uso permitiu chegar a ilhas e continentes, abrindo assim cada vez mais o horizonte humano (BASS, 1969).

Recentemente, uma equipe de arqueólogos encontrou, gravadas na parede de um fosso em Abidos, gravuras representando uma frota egípcia. No local, que fica próximo ao túmulo do faraó Sesostris III (Médio Império; 12ª Dinastia) [1], outrora tinha sido encontrada uma embarcação com cerca de 20 metros [2].

Foto: Josef Wegner

Na iconografia foram contados 120 navios, desenhados sobre uma superfície de gesso. Alguns são bem detalhados, contendo informações como remos e timões [2].

Foto: Josef Wegner

Não se sabe quem realizou tais registros. O arqueólogo responsável pelo estudo do local, Josef Wegner, apresentou várias teorias do que poderia ter ocorrido, mas, salientando que nenhuma é uma certeza: talvez foram feitos pelos próprios construtores do local, foram parte de uma cerimônia religiosa ou invasores fizeram isso. A única coisa que é garantia é que em algum momento posterior ao sepultamento do faraó um grupo de ladrões invadiram o recinto e levaram tábuas que pertenciam a embarcação que um dia esteve lá [2].

Foto: Josef Wegner

145 peças de cerâmicas também foram encontradas no espaço, provavelmente para guardar algum líquido. “As oferendas líquidas foram parte integral do culto funerário pessoal nas práticas mortuárias egípcias, mas não aparecem associadas normalmente a objetos inanimados” comentou o Wegner no seu artigo “A Royal Boat Burial and Watercraft Tableau of Egypt’s 12th Dynasty (c.1850 BCE) at South Abydos“, publicado na Online Library [2].

Muitas outras descobertas envolvendo embarcações:

Em sítios arqueológicos egípcios foi possível encontrar desenhos representando embarcações durante o Pré-dinástico (5300-3000 a. E. C.) e a pratica se seguiu com força durante o faraônico, mas desta vez também através de pequenos modelos ou de embarcações propriamente dita. Um ótimo exemplo, sem dúvidas, são as barcas do rei Khufu, descobertas em 1955. Uma delas, a Khufu I, encontra-se montada próximo a sua pirâmide (HAWASS, 1992; O’CONNOR, 2007).

Khufu Boat Museum, Giza, Egypt.

Khufu I

Khufu solar boat

Khufu I

Muitos anos antes, em 1894, na área de Dashur foram descobertas seis embarcações próximas a pirâmide de Sesostris III[1]. De todas somente o paradeiro de quatro é conhecido: duas permanecem no Egito e as demais nos EUA (DELGADO, 1996).

Dashur Boat

Um dos barcos de Dashur

Em 1920 um arqueólogo norte-americano encontrou durante a limpeza da tumba de um homem chamado Meketra, em Deir-el-Bahari, um esconderijo que continha uma série de modelos que representavam pessoas em diferentes atividades e uma delas era a de navegação (O’CONNOR et al, 2007). A ideia deste tipo de representação provavelmente tinha relação com a crença de que aquelas cenas se tornariam vivas no além. A outra proposta é a de que seriam somente objetos favoritos do Meketra e que, como tal, os queria em sua nova vida.

Traveling Boat Rowing Dynasty 12 early reign of Amenemhat I from tomb of Meketre Thebes 1981-1975 BCE (4)

Um dos modelos de Meketra

Achados desse tipo também se fez presente na tumba de Tutankhamon, descoberta em 1922, temos exemplos de alguns modelos, 35 no total. Alguns certamente foram postos lá com uma intenção ritual, utilizados como um transporte mágico para o além (JAMES, 2005; O’CONNOR et al, 2007). Remos também foram encontrados, todos depositados na câmara mortuária.

Modelo de embarcação encontrada na tumba de Tutankhamon. Foto: Harry Burton.

E em 2012, um uma equipe de arqueólogos encontrou em Abu Rawash uma barca funerária de madeira que pode ter sido usada durante o governo do faraó Den (também chamado de Udimu), da 1ª Dinastia.

O que todas essas descobertas possuem em comum é que elas não só nos dão informações sobre o ponto de vista religioso egípcio, mas, também sobre a tecnologia de construção desse tipo de transporte, tripulação e design.

Para saber mais: Publiquei um artigo intitulado “Por uma Arqueologia egípcia mais ‘aquática’” na Revista Labirinto, onde mostro alguns dos aspectos mais marcantes destas antigas comunidades que demonstram que a água durante o faraônico foi mais do que um espaço para a captação de recursos e que ela deve receber uma atenção maior por parte da Arqueologia.

Fontes:

[2] Hallan una flota de más de 120 barcos grabada junto a la tumba del faraón Sesostris III. Disponível em < http://www.abc.es/cultura/abci-hallan-flota-mas-120-barcos-grabada-junto-tumba-faraon-sesostris-201611021401_noticia.html >. Acesso em 02 de novembro de 2016.

BASS, George, Fletcher. Arqueologia Subaquática. Lisboa: Editorial Verbo, 1969.

DELGADO, James. Encyclopedia of Underwater and Maritime Archaeology. London: British Museum, 1996.

HAWASS,  Zahi. “A  Burial  with  an  Unusual  Plaster  Mask  in  the  Western  Cemetery  of Khufu’s  Pyramid”.  In:  FRIEDMAN,  Renée;  ADAMS,  Barbara. The  Followers  of  Horus: Studies Dedicated to Michael Allen Hoffman. Oxford: Editora Oxbow, 1992.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Folio, 2005.

O’CONNOR, D.; FORBES, D.; LEHNER, M. Grandes civilizações do passado: terra de faraós. Tradução de Francisco Manhães. 1ª Edição. Barcelona: Ed. Folio, 2007.

POO, Mu-chou. “Liquids in Temple Ritual”. In: DIELEMAN, Jacco; WENDRICH, Willeke; FROOD, Elizabeth; BAINES, John. UCLA Encyclopedia of Egyptology. Los Angeles: UC Los Angeles, 2010.


[1] Sesostris III possuiu duas sepulturas: uma em Abidos e outra em Dashur. Certamente uma delas foi um cenotáfio.

 

2ª Barca solar de Khufu será revelada

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Quando a Barca Solar de Khufu (Quéops, em grego) foi descoberta em 1954 já se sabia que próximo ao seu fosso existia uma segunda estrutura com outra embarcação. Naquela época foi sugerido que não se mexesse nesta região do sítio, uma vez que não existia necessidade de intervenção. Em 1987, a National Geographic Society, em uma parceria com o governo egípcio, examinou este segundo fosso, o que culminou com a penetração de animais no local, provocando o comprometimento da peça.

 

Em 2008, uma equipe japonesa da Universidade Waseda, liderada pelo arqueólogo Sakuji Yoshimura, inseriu uma pequena câmera no fosso para avaliar as condições do artefato (ver vídeo abaixo). Desta forma, agora em 2011, foi decidido retirar o barco de seu lugar original. Tal responsabilidade está confiada a Universidade Waseda e o Instituto Japonês para Investigação e Restauração. A universidade doou ao Ministério de Antiguidades Egípcias $ 10 milhões para poder retirar o artefato de seu lugar, restaurá-lo e remontá-lo para que fique, então, ao lado do primeiro barco encontrado.

Vídeo com imagens das peças (que ainda estão dentro do fosso):

 

 

Imagens da remoção dos pilares de calcário:

[cincopa AAPANrqaOhF1]

Nesta primeira fase do resgate (a de retirada dos pilares de calcário) foi encontrado o nome de Khufu dentro de um cartucho (significado de realeza) assim como o do seu filho (e logo depois sucessor) Djedefre, porém o deste último está sem a proteção de um cartucho (Ver na imagem). O significado disto é que o fosso foi lacrado ainda no reinado de Khufu, já que o seu filho e substituto ainda não está recebendo a proteção real [1].

 

Um exemplo de Cartucho (“Cartouche”, em francês). Ele recebeu este nome por lembrar uma capsula de bala. Inicialmente os nomes reais eram postos dentro destes Cartuchos e com o passar do tempo esta regalia se estendeu para altos membros da realeza. No exemplo, o nome do faraó Tutmose (Tutmés, no grego). Imagem: Arqueologia Egípcia. 2011.

Espera-se que um dia uma das embarcações seja enviada para Grand Egyptian Museum, assim que este estiver concluido.

Mais sobre o primeiro barco:

O Arqueologia Egípcia já lançou um texto sobre o primeiro Barco. Clique aqui e confira (com imagens).

Vídeo do primeiro barco:

Foto da época do restauro (ano desconhecido):

Restauro do primeiro barco de Khufu (ano desconhecido). Disponível em < http://skunkincairo.blogspot.com/2007/05/solar-boats.html> acesso em 25 de Junho de 2011.

Fontes:

Khufu’s second solar boat revealed. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/~/NewsContent/9/40/14861/Heritage/Ancient-Egypt/Khufu%E2%80%99s-second-solar-boat-revealed.aspx>. Acesso em 25 de Junho de 2011.

Egipto desenterrará mañana la segunda barca solar del faraón Keops en Giza. Disponível em < http://terraeantiqvae.com/group/egiptologa/forum/topics/egipto-desenterrara-manana-la>. Acesso em 25 de Junho de 2011.

[1] Uncovering the Second Solar Boat at the Great Pyramid Today. Disponível em< http://www.drhawass.com/blog/uncovering-second-solar-boat-great-pyramid-today >. Acesso em 25 de Junho de 2011.

Arqueologia Marítima: Barco de Khufu

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

A Arqueologia Marítima, apesar do nome, não trabalha exclusivamente com os artefatos encontrados em áreas de mar, mas também em locais onde estão lagos, rios e pântanos. Além dos objetos submersos este ramo da disciplina trabalha também com objetos de uso aquático que são agregados ao dia a dia na terra. Um exemplo bem explícito era o uso de uma arca em forma de embarcação utilizada durante os festivais – a exemplo do Opet – durante a era faraônica.

Em 2010 apresentei ao Núcleo de Arqueologia da UFS o meu trabalho de conclusão de curso cujo título é “Egito Submerso: A Arqueologia Marítima Egípcia”, onde, em termos gerais, eu aponto as especificações que tornam o Egito totalmente passível de um estudo mais amplo de Arqueologia Marítima.

Os restauradores têm tido um papel muito importante para a Arqueologia Egípcia, e um dos trabalhos mais reconhecidos sem dúvida foi o realizado no Barco Solar do faraó Khufu (Quéops).

Abaixo um trecho retirado praticamente na integra da minha monografia. Fiz leves modificações e alguns grifos que não estão presentes no texto original:

Os artefatos ligados a Arqueologia Marítima encontrados em terra não merecem menos dedicação em termos de pesquisa, como mostrou o trabalho de escavação – ou seria remoção sistemática, já que estava dentro de um fosso praticamente protegido das areias do deserto – do barco do faraó Khufu. Tendo sido, em 1954, encontrada uma estrutura em pedra durante a limpeza de rotina próxima a Grande Pirâmide, pensou-se inicialmente que se tratava de um muro que cercaria o edifício, mas após uma escavação mais profunda, realizada pelo arqueólogo egípcio Kamal El Mallakh, foram encontrados dois fossos cuja parede é feita de pedra calcária e que guardava em seu interior as peças desmontadas de um barco feito de madeira de cedro (O’CONNOR et al., 2007; p. 61). Para o trabalho de montagem foi contratado o restaurador egípcio Hag Ahmed Youssef Moustafa que, apesar da sua experiência de vinte anos trabalhando na restauração de tumbas tebanas, acreditava que seus conhecimentos e os conhecimentos dos cientistas eram limitados quanto a montagem dos antigos barcos. Sobre isto escreveu “Senti-me ansioso e cheio de receio. Não sabia absolutamente nada sobre construção de barcos, e parecia que aquele trabalho necessitava mais de um carpinteiro ribeirinho que de um restaurador” (O’CONNOR et al., 2007, p. 62). Assim, durante três meses visitou artesões locais e fez modelos de navios em escala praticando para a tarefa que o esperava no platô de Giza. Quanto a um dos barcos encontrados, e o escolhido para ser montado, possuía mais de 1.200 peças que foram migradas uma a uma para um galpão próximo ao local para a sua restauração. O tratamento de preservação de cada peça variava, as esteiras de junco e as cordas de linho, por exemplo, eram tratadas em resinas para que não se esfarelassem. Ao todo foram treze camadas de madeira e todas elas fotografadas e catalogadas (O’CONNOR et al., 2007, p. 62).

Mesmo com toda a preocupação de conviver e tentar aprender com os ribeirinhos a arte de fazer barcos de madeira, a técnica dos egípcios faraônicos não foi preservada, logo Moustafa não sabia quais as disposições das peças para montá-las, mas tentou segui-las de acordo com a ordem que foram postas dentro do fosso. Como o estibordo e bombordo estavam lado a lado isto deu uma ideia de como prosseguir com o trabalho. Estando as cegas a equipe de Moustafa precisou iniciar e reiniciar o processo de montagem quatro vezes, todas com insucessos até que um dos ajudantes notasse que as peças que se encaixavam perfeitamente possuíam símbolos comuns que pareciam servir como guias. Apesar da ajuda antiga os remos não possuam as indicações e foram postos onde os restauradores supunham que seria o seu local original (O’CONNOR et al., 2007; p. 65). Ao final de dezesseis anos de trabalho a embarcação foi formada.

Como é estreito e comprido o seu desenho é de característica papiriforme, tentando imitar o aspecto dos pequenos barcos de papiro e a embarcação por inteira não utilizou nenhum tipo de metal para a sua fixação, os operários da antiguidade fizeram uso das cordas de linho, o que atesta uma maestria na construção naval faraônica, já que os antigos construtores conseguiram fazer um bom uso das cordas e de sua experiência de tal forma que as madeiras conseguiam ficar rigidamente unidas. Esta união, para nós tão incomum, ajudou a especular que o navio não foi usado de forma ritual, mas que também já navegou outrora devido ao desgaste por fricção das cordas com a madeira possivelmente causada pelo o inchaço desta última ao ficar em contato com a água. Em uma consideração Moustafa levantou que o barco pode ter transportado o corpo de Khufu de Mênfis para Giza e no final, como uma relíquia sagrada, foi guardado próximo a sua pirâmide (O’CONNOR et al., 2007, p. 64).

Hoje o barco está exposto em um museu construído em cima do fosso onde permaneceu por séculos guardado. Um segundo poço, encontrado no mesmo ano, também contém uma embarcação, mas que permanece intacta e guardada em seu local original.

Referência:

O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: terra de faraós. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007.

Imagens da embarcação de Khufu que hoje é exposta em um museu exclusivo para ela ao lado da grande pirâmide:

Retirado de El barco solar de Khufu. Disponível em < http://www.flickr.com/photos/danielcanoott/5418805166/ > Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Referência para imagens (a partir da segunda): Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Disponível em <http://www.flickr.com/photos/joaoleitao/sets/72157619662543317/> Acesso em 14 de Abril de 11.