A notícia da descoberta de restos de exército egípcio no Mar Vermelho é falsa

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Eu já tinha ouvido falar desse hoax várias vezes, inclusive recebo o tempo todo sugestões de pessoas pedindo para eu dar uma olhada nos trabalhos realizados com os artefatos encontrados no Mar Vermelho, mas nunca indicavam artigos científicos e nem mesmo nomes de pesquisadores. Contudo, eu não imaginava que essa farsa ia começar a ser tomada como verdade até entre alguns pesquisadores em compartilhamentos na internet.

Isso ocorre porque o pessoal está compartilhando notícias sem procurar saber a fonte real, como é o caso da matéria “Mar Vermelho: Arqueólogos descobrem restos do exercito egípcio do Êxodo bíblico” do site “Sempre Questione” que, como o nome bem diz, convida o leitor a se perguntar se o que está ali é real.

O fato é que o “Sempre Questione” é um site ao estilo “Sensacionalista” e esta matéria sobre o exército foi retirada do World News Daily Report, outro site do seguimento, ou seja, é tudo é só uma brincadeira. Abaixo parte do print da notícia original:

Para quem ficou curioso a foto utilizada é de uma pesquisa de Arqueologia Subaquática realizada no México. Para saber mais sobre a pesquisa veja aqui: Was Naia the first American? Teenage girl’s skeleton found deep in underwater Mexican cave dates from the last ice age 13,000 years ago and is oldest ever found in the Americas.

O final de 2014 é o momento do Egito Antigo nos cinemas

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Quem é egiptomaniaco não tem o que reclamar deste final do ano de 2014. Ao todo três produções inspiradas na temática da antiguidade egípcia estão (ou em breve estarão) nos cinemas mundiais. São filmes que vão desde comédia, drama até terror. Todos já foram citados individualmente aqui anteriormente, mas não custa nada recapitular:

“The Pyramid” (2014)

Produzido por Alexandre Aja e dirigido por Grégory Levasseur, “The Pyramid” (2014) é um filme de terror cuja trama apresenta uma expedição de arqueólogos norte-americanos que descobrem uma pirâmide totalmente diferente de todas as outras que já foram encontradas no Egito. Ao entrarem no monumento tudo indica que as pesquisas no local seriam como outra qualquer, até que coisas estranhas começam a ocorrer, como o desaparecimento de membros da equipe.

O título não possui ainda tradução para o português e não tem previsão de estréia no Brasil, mas já está rodando nos EUA.

 

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“Êxodo: Deuses e Reis” (2014)

Seguindo a onda de filmes épicos bíblicos, Ridley Scott, diretor de Gladiador, está com a responsabilidade da direção de “Êxodo: Deuses e Reis”, que nada mais é que uma adaptação do mito de Moisés (narrado no Antigo Testamento). Infelizmente o filme seguiu algumas inspirações orientalistas e apesar de afirmar que contou com a consultoria de egiptólogos os figurinistas cometeram erros bem gritantes.

A estréia está marcada para o dia 25 de dezembro.

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“Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba” (2014)

O vigilante noturno Larry Daley (Ben Stiller) tentará desvendar o segredo da Placa Dourada do Faraó Ahkmenrah que dá a vida para as peças do Museu de História Natural, mas que está sendo corroída por forças misteriosas, o que consequentemente irá impedir que os personagens do museu possam despertar todas as madrugadas. Para tentar resolver o enigma Larry viaja para Londres e desperta também as peças do Museu Britânico.

O filme já está disponível nos cinemas dos EUA, mas a estréia no Brasil está prevista somente para 2015.

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De todos o que planejo assistir no cinema é com certeza “Uma noite no museu”. Sou fã da franquia e quero ver o filme logo. Quanto aos demais estou totalmente confortável em esperar ver somente quando sair em DVD.

Fotografias do cenário do filme “Exodus”

Por Márcia Jamille | @Mjamille | Instagram

 

Seguindo a onda de filmes épicos bíblicos, Ridley Scott, diretor de Gladiador, está com a responsabilidade da direção de Exodus, que nada mais é que uma adaptação do mito de Moisés (narrado no Antigo Testamento). Infelizmente, observando a última foto deste post, já está óbvio que o filme está seguindo algumas inspirações orientalistas, o que é preocupante.

Filme Exodus. Foto via Omelete.

A história conta a vida de um filho de escravos hebreus que, para ser salvo da ira do faraó, é lançado ao Nilo, porém acaba sendo adotado por uma princesa egípcia e recebe o nome de Moisés. O garoto, quando alcança a idade adulta, torna-se o libertador de seu povo.

Filme Exodus. Foto via Omelete.

Quem interpretará Moisés será Christian Bale, reconhecido mundialmente por seu papel como Bruce Wayne, nos filmes “Batman Begins” (2005), “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (2008) e “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012). Quem também está no elenco é a Sigourney Weaver, como a personagem Tuya, Joel Edgerton, como Ramsés e John Turturro como Seti. Acredito que pelos nomes eles resolveram adotar a época da 19ª Dinastia como palco do enredo.

Filme Exodus. Foto via Omelete.

Filme Exodus. Foto via Omelete.

Filme Exodus. Foto via Omelete.

Filme Exodus. Foto via Omelete.

Filme Exodus. Foto via Omelete.

Filme Exodus. Foto via Omelete.

Filme Exodus. Foto via Omelete.

A estreia do filme está prevista para 25 de dezembro de 2014.

Para saber mais:

Exodus. Disponível em < http://www.imdb.com/title/tt1528100/ >. Acesso em 08 de março de 2014.

Êxodo hebreu no Egito: aconteceu ou não?:  http://arqueologiaegipcia.com.br/2011/04/24/exodo-hebreu-no-egito-aconteceu-ou-nao/

Todas as fotografias deste post foram retiradas de “Galeria Exodus”, do site Omelete. Disponível em < http://omelete.uol.com.br/galeria/Exodus/Exodus-set-22out-2013/?slug_conteudo=exodus-foto-do-epico-de-ridley-scott-revela-visual-de-christian-bale-como-moises >. Acesso em 08 de março de 2014.

Rede Record estreará uma minissérie sobre “José do Egito”

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Com 26 capítulos, “José: De Escravo a Governador” contará o mito de “José do Egito”, que era o filho preferido de Jacó (um dos patriarcas da Bíblia), e por isto foi invejado pelos irmãos mais velhos.

De acordo com o mito (que é narrado no final do Gênesis e início do Êxodo), José tinha dezessete anos quando Jacó já era um idoso e por este motivo era o seu filho favorito. Nesta idade o garoto já possuía o dom de receber mensagens em sonhos, o que irritava ainda mais os seus irmãos que como vingança vendem então o menino para mercadores de especiarias que estão em caravana para o Egito. Chegando ao Egito, José é vendido a um eunuco capitão da guarda chamado Potifar, que confia ao rapaz o controle de sua casa. Porém, graças a uma falsa denuncia da esposa do egípcio, José é preso. Durante o seu cárcere ele se mostra como um ótimo intérprete de sonhos e devido a este dom é chamado pelo o próprio faraó, que está adormentado por pesadelos, para que o rapaz o ajude. Após acertar na interpretação do sonho do faraó, salvando assim o Egito de anos de fome que seria causada por uma seca, ele ganha um cargo de confiança.

José (Ângelo Paes Leme). Imagem disponível em < http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/record-leva-30-atores-para-gravar-durante-3-semanas-em-deserto/2012/11/07/ >. Acesso em 03 de Dezembro de 2012.

A minissérie está sendo dirigida por Alexandre Avancini, o texto é de Vívian de Oliveira, a mesma autora de “A História de Ester” (2009) e “Rei Davi” (2012). As primeiras cenas foram registradas em plantações de trigo na cidade de Madre de Deus, em Minas Gerais e as demais no deserto do Atacama, no Chile e em relação ao próprio Egito, onde de acordo com o mito ocorre a maior parte da trama, foram feitas somente captações de stock shots (imagens de paisagens e fachadas), para serem agregadas em cenas com os atores.

José. Disponível em < http://rederecord.r7.com/video/breve-na-record-jose-de-escravo-a-governador-50ae46aab61cb8b33a902358/ >. Captura de Vídeo. Márcia Jamille N. Costa.

Hapu (Iran Malfitano). Imagem disponível em < http://rederecord.r7.com/2012/11/12/jose-%E2%80%93-de-escravo-a-governador-iran-malfitano-e-hapu/ >. Acesso em 03 de Dezembro de 2012.

Faraó Apopi (Leonardo Vieira). Imagem disponível em < http://noticiasdatvbrasil.wordpress.com/2012/11/15/jose-de-escravo-a-governador-leonardo-vieira-e-o-farao-apopi/ >. Acesso em 03 de Dezembro de 2012.

Tany (Bianca Rinaldi). Imagem disponível em < http://rederecord.r7.com/2012/11/09/jose-%E2%80%93-de-escravo-a-governador-bianca-rinaldi-e-tany/ >. Acesso em 03 de Dezembro de 2012.

As gravações estão ocorrendo desde agosto e a previsão é de que a minissérie comece em Janeiro.

Na Arqueologia:

“José do Egito”, embora tratado até alguns anos como uma realidade histórica nas últimas décadas a sua existência vem sendo contestada. Este mito influenciou em algumas das primárias conclusões relacionadas aos artefatos egípcios, por exemplo, os primeiros turistas que visitaram o Egito chegaram a identificar as pirâmides de Gizé como os celeiros de José. Hoje bem sabemos que elas funcionavam como túmulo.

 

Fonte da notícia:

 

Breve na Record: José: De Escravo a Governador. Disponível em < http://rederecord.r7.com/video/breve-na-record-jose-de-escravo-a-governador-50ae46aab61cb8b33a902358/>. Acesso em 26 de Novembro de 2012.

Record define próxima minissérie bíblica: José do Egito. Disponível em < http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/record-define-proxima-minisserie-biblica-jose-do-egito/2012/03/12/ >. Acesso em 03 de Dezembro de 2012.

Alexandre Avancini dirigirá minissérie sobre José do Egito. Disponível em < http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/alexandre-avancini-dirigira-minisserie-jose-do-egito/2012/03/21/ >. Acesso em 03 de Dezembro de 2012.

Record começa a filmar minissérie e deve levar atores para deserto. Disponível em < http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/record-comeca-a-filmar-minisserie-e-deve-levar-atores-para-deserto/2012/08/13/ >. Acesso em 03 de Dezembro de 2012.

Êxodo hebreu no Egito: aconteceu ou não?

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

O mito do êxodo hebreu no Egito é provavelmente um dos temas mais complicados a ser abordado pela a Arqueologia, isto porque fala justamente de crença religiosa de muitas pessoas da atualidade, e este assunto deixa os ânimos extremamente sensíveis. Infelizmente, apesar de abortar crenças modernas, ele tem sido tratado de forma tão pouco rigorosa que acaba sendo alvo de documentários e matérias esdrúxulas que criam um cenário bizarro.

Conheço a história do êxodo hebreu desde que me entendo por gente, meus pais sempre tiveram em casa matérias sobre Arqueologia. O meu pai, em especial, era aficionado em ver documentários e a maioria na época se não falasse das expedições de Jacques-Yves Cousteau falavam das chamadas cidades santas, logo, não demorou muito para que eu acabasse pegando a mania de ver filmes clássicos bíblicos (provavelmente se eu não me interessasse por Arqueologia Egípcia iria acabar parando na Arqueologia Bíblica ou do Oriente Próximo). Foi nesta época que conheci sobre um dos capítulos do Velho Testamento que fala dos principais acontecimentos da vida de um filho de escravos (afastando-se agora do mito, aos arqueólogos e egiptólogos, é importante citar que a definição de “escravidão” para a força trabalho na sociedade faraônica é um termo que precisa ser reavaliado) hebreus que, após ser lançado no rio Nilo, é adotado pela a filha do faraó. O nome da criança seria então Moisés.

Este nome no mundo ocidental praticamente não carece de apresentações, mas o que se conhece sobre a história de Moisés só pode ser vista na Bíblia (livro sagrado do cristianismo) que traz o Antigo Testamento (Tanakh).

O que torna a narrativa do êxodo hebreu tão polêmica é que, apesar de toda a manifestação em volta desta história, em termos de cultura material ou outros escritos que não sejam bíblicos não existe nada que fale da ocorrência de um êxodo da magnitude demonstrada no Velho Testamento que tenha ocorrido no Egito, ou mesmo que se tenha existido uma comunidade israelita na época em que apontam a ocorrência do êxodo. Embora a afirmação de que os egípcios jamais narravam suas derrotas seja válida em termos teóricos, na prática, a Arqueologia trabalha não só com documentos escritos, mas também com a cultura material (artefatos). De acordo com a Bíblia, desde os filhos de Israel (pai de José) até Moisés, gerações de hebreus floresceram até que um dado momento seu número superavam aos dos egípcios na região. As pessoas sempre estão usando e abusando de cultura material, e não seria tão difícil encontrar vestígios de uma sociedade com pontos tão diferenciados das dos egípcios em seu próprio território. Usemos a cidade de Akhetaton como exemplo: ela teve somente dezessete anos de atividades e após breve período foi abandonada e desmontada para se esconder a religião rival da do deus Amon em Tebas. No século XIX seus restos (estruturas de casas, restos de estátuas para uso privado, restos de imagens parietais, cemitérios, etc) foram encontrados e passíveis de serem estudados.

Entre Arqueólogos e Egiptólogos quase existe um consenso de que não existiu o êxodo bíblico no Egito, e nem sequer bairros israelitas, no entanto, a “Estela de Merenptah” (ou como presunçosamente é chamada de “Estela de Israel”), que fala sobre as vitórias deste faraó contra os inimigos do Egito, faz uma listagem dos países derrotados por Merenptah, faraó da XIX Dinastia. Nesta declaração, dentre muitos hieróglifos está um conjunto que pode estar falando de Israel. Por este hieróglifo estar acompanhado pela a imagem de um homem e uma mulher (e não dos símbolos que indicam um país), acredita-se que estaria falando de um povo nômade ou uma tribo, mas não existe certeza quando ao seu significado. Esta estela foi encontrada no templo mortuário de Merenptah e originalmente pertencia a Amenhotep III da XVIII Dinastia. Hoje ela pode ser visitada no Museu Egípcio, no Cairo.

Estela de Merenptah. Retirado de Merneptah Stele. Disponível em < http://www.flickr.com/photos/frankrytell/2155909119/ > Acesso em 24 de Abril de 2011.

Com a existência da “Estela de Merenptah” foi sugerido que o faraó do êxodo seria Ramsés II, já que ele, quando subiu ao trono, ordenou a construção da cidade de Pi-Ramsés no Delta do Nilo. Quando Ramsés chegou ao fim da vida o seu primogênito Amunherwenewmef já estava morto. Merenptah, seu sucessor, era seu décimo terceiro filho. Como Ramsés ordenou a criação de uma nova capital no Delta (de certa forma próximo ao Mar Vermelho, o caminho de escape dos hebreus na fuga do Egito) e seu primogênito morreu muito antes do faraó especulou-se que este seria o governante egípcio que teria enfrentado Moisés e o seu sucessor teria lutado e derrotado os israelitas marcando então sua vitória na estela. Mas pelos motivos já citados anteriormente no texto não há nada que comprove a vivência hebreia no Egito.

 

O que é o Êxodo

A palavra “êxodo” significa “saída” e no caso desta parte da Bíblia a ideia central é a liberdade do povo e a aliança então estabelecida entre o deus dos hebreus e os homens que, por sua vez, recebem diretamente da divindade as leis que transformaria a relação entre as pessoas.

A bíblia narra que após a morte de José (que foi vendido por seus próprios irmãos como escravo para os egípcios) e de toda sua geração, os filhos de seus filhos se multiplicaram e tornaram-se numerosos e poderosos nas terras do Egito. Por já ter passado anos da morte de José (que tinha sido amado pelo o faraó e sua família já que previu uma seca de sete anos que, se não fosse seu aviso prévio, teria matado a população de fome), o novo faraó não conhecia sua história e vendo que os filhos de Israel eram muitos e com o medo de que em caso de guerra eles se aliassem com os inimigos do Egito, foram transformados em escravos e obrigados a construir as cidades-armazéns de Pitom e Ramsés. A bíblia ainda fala que o faraó ordena, em um dado momento, que todos os meninos que nascessem de uma hebreia fossem jogados no Nilo, mas as meninas poderiam viver. Porém, uma das hebreias conseguiu esconder o filho por três meses, e vendo que não era mais capaz de manter oculta a criança lacrou um cesto com betume. Feito isto colocou dentro o bebê, e o deixou boiar no Nilo. Descendo o rio, o cesto acabou sendo encontrado pela a filha do faraó e sua comitiva que a preparava para o banho. A princesa adotou o menino e deu para ele o nome de Moisés.

Quando crescido e após ter visto o seu povo escravizado, Moisés se compadeceu e matou um egípcio que maltratava um hebreu. Sabendo do ocorrido o faraó ordena a morte de Moisés, mas este foge e após receber um chamado divino retorna ao Egito para tentar libertar os hebreus – que já eram mais numerosos que os próprios egípcios da região – da escravidão.

Ao se encontrar com o faraó, Moisés e seu irmão Aarão tentam convencê-lo a libertar os escravos, mas estes eram numerosos e praticamente a força de trabalho do país, assim, o faraó não os deixa ir e ainda os castiga retirando a palha pronta para que fizessem os tijolos e os sobrecarrega de trabalho para que não pensassem em seu deus.

Em uma tentativa de mostrar os prodígios do deus dos hebreus e assim convencer o faraó, Moisés e Aarão foram tentar mais um diálogo com o regente egípcio, mas desta vez transformou sua vara (que carregava desde o início de sua jornada) em uma cobra, o faraó não se impressionou e ordenou que os seus sacerdotes fizessem a mesma coisa, os mesmos o fizeram e também com sucesso. Na manhã seguinte Moisés e Aarão procuram o faraó às margens do Nilo e não conseguindo mais uma vez convencê-lo transforma a água do rio, reservatórios, canais e vasilhames em sangue. Os sacerdotes egípcios realizaram o mesmo truque e assim o faraó não se convence.

As pragas do Egito retratadas por Joseph Turner em 1800. Disponível em < http://www.grahamphillips.net/news/plagues.htm> Acesso em 22 de Abril de 2011.

Outras tentativas são feitas, mas o faraó não cede, e assim o deus dos hebreus vai lançando pragas no Egito, estando na ordem: transformar água em sangue, rãs, piolhos, moscas, peste nos animais, chagas, chuva de pedras e raios, gafanhotos, eclipse e morte dos primogênitos.

Morte do primogênito do faraó por Rifa’a el-Tahtawy. Disponível em < http://www.ancienthistory.about.com/od/epidemics/tp/10plaguesegypt.htm>Acesso em 22 de Abril de 2011.

A última praga levou a vida do primogênito do faraó, que então resolve deixar os hebreus partirem. Mas o regente volta atrás em sua decisão e persegue os seus então ex-escravos até chegar ao Mar Vermelho, onde Moisés abre um caminho entre as águas deixando o exército do faraó para atrás.

Após vagar por três meses eles chegaram ao Sinai e levantaram acampamento onde se deu início a aliança em que Moisés recebe os 10 Mandamentos, armazenados então na Arca da Aliança. Entender o Êxodo é entender alguns dos princípios da fé judaica e cristã e a comiseração de deus com o homem, além de que este é um dos capítulos mais importantes do Velho Testamento.

Êxodo na cultura atualmente

◘ O cinema fez muito uso de temas como as das 10 Pragas do Egito, Os 10 Mandamentos e A Arca da Aliança, esta última bate lado a lado, em termos de popularidade, com o Santo Graal, ambos transformados em ícones do mundo da “Arqueologia Pop” idealizada por George Lucas e Steven Spielberg nos filmes do Indiana Jones.

◘ A banda Metallica gravou e lançou entre 1983 e 1984 a música “Creeping Death” que fala sobre o clamor do deus hebreu pedindo para que o faraó liberte seu povo da escravidão e a última praga.

◘ Em 1998 a DreamWorks lançou o filme em desenho animado O Príncipe do Egito, um dos primeiros a tratarem Ramsés II como o faraó do Êxodo.

◘ No filme “Todo Poderoso”, de 2003, o ator Jim Carrey faz uma analogia a abertura do Mar Vermelho com uma tigela de leite.

◘ No show “Hermanoteu na terra de Godah”, de “Os Melhores do Mundo” ocorre uma sátira ao Êxodo.

Hermanoteu no Egito: uma sátira ao Êxodo

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Um grupo de comédia do Brasil chamado “Os Melhores do Mundo” (nome para provocar um deboche, já que mesmo eles falam que ninguém é melhor que ninguém) possui uma peça chamada “Hermanoteu na terra de Godah” que conta a história de um homem que peregrina em nome de Deus em busca da terra de Godah, e assim pregar a palavra do Senhor aos seus habitantes, mas ele se depara com inúmeros problemas após encontrar o Diabo.

 

Hermanoteu na terra de Godah. Adriana Nunes como Cleópatra.

Recheada de humor negro e muitos palavrões “Hermanoteu na terra de Godah” ainda consegue uma comédia de qualidade, para o deleite de muitos dos seus espectadores.

Durante a sua busca pela a terra de Godah, Hermanoteu passa pelo o Egito, e encontra Isaac, o último hebreu escravizado [1]. Abaixo o vídeo :

“Os Melhores do Mundo” são realmente muito bons, caso queira ver a peça completa (e de acordo com o DVD – que também está à venda – de “Os Melhores do Mundo”) clique nos links abaixo:

Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 1/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 2/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 3/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 4/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 5/9) (Egito)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 6/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 7/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 8/9)
Os Melhores do Mundo: Hermanoteu na terra de Godah (Parte 9/9)

[1] Não foi encontrada pistas de escravização de hebreus no Egito. Um hieróglifo encontrado na “Estela de Merneptah” pode ser a única prova de que ao menos os egípcios tiveram um contato bélico com os israelitas, embora nem mesmo isto seja conclusivo.