Comentando o trailer de “A Maldição dos Faraós” (Assassin’s Creed Origins)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No último dia 13/03/18, a Ubisoft lançou mais uma extensão para o jogo Assassin’s Creed Origins, o A Maldição dos Faraós. Aqui nos reencontramos como o medjay Bayek que desta vez precisará enfrentar faraós zumbis e monstros terríveis.

Na noite anterior ao lançamento gravei um vídeo comentando alguns pontos curiosos do trailer. O Egito Antigo mais uma vez foi magistralmente representado e nem mesmo as licenças poéticas retiraram o tato da Ubisoft ao representar novamente a civilização egípcia. Assista abaixo aos meus comentários e não deixe de se inscrever no canal (clique aqui).

E quer saber quais foram os meus comentários mais gerais acerca de Assassin’s Creed Origins? Assista o vídeo abaixo:

Abaixo veja algumas imagens de “A Maldição dos Faraós”:

 

A rainha Ahhotep é a protagonista de um game brasileiro

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Não é nenhuma novidade que o Egito Antigo tem sido usado e reutilizado por mídias da cultura pop. Basta ligar a TV ou abrir alguma revista para encontrá-lo em propagandas, filmes, desenhos e games. Temos o recente Assassin’s Creed Oringis, mas podemos contar com muitos outros, a exemplo do Pharaoh e Luxor.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Aqui no Brasil um grupo de desenvolvedores de games de Francisco Beltrão, Paraná, o Adhoc Games, também tem bebido dessa inspiração. Eles estão organizando o Echoes of the Gods (Ecos dos Deuses), que tem como protagonista a rainha Ahhotep I.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

O game não tem data de lançamento, mas caso queiram dar uma força para o grupo clique aqui para acessar a página deles no Facebook. Abaixo está um vídeo de apresentação de como está ficando o jogo:

Echoes of the Gods: Divulgação.

Echoes of the Gods: Divulgação.

Quem era Ahhotep I:

Esta rainha, que viveu durante o final da 17ª Dinastia (Segundo Período Intermediário) e viu nascer a 18ª Dinastia (Novo Império), foi a esposa do rei Seqenenre Tao II, que possivelmente morreu durante alguma batalha contra os hicsos, que governavam o Norte do Egito. Na época em que eles viveram o país era comandado por ao menos três dinastias: A tebana, a qual Ahhotep I pertencia, a hicsa, no Norte do país e a de Abidos, que não teve uma longa existência.

Em uma tentativa de tomar o controle de todo o Egito Seqenenre Tao II iniciou companhas contra os estrangeiros e com a sua morte foi substituído por seu filho Kamose. Porém, o príncipe não sobreviveu muito, então o seu irmão mais novo, Ahmose, foi declarado o novo rei. Contudo ele ainda era uma criança quando isso ocorreu, então a sua mãe assumiu a regência do reino.

Esse período da história egípcia ainda é muito nebuloso, mas sabemos que a guerra se seguiu por anos e Ahhotep I precisou proteger o seu território não só contra os hicsos, mas também contra os núbios[1], ao sul do Nilo. No fim, Ahmose finalmente chegou até a idade ideal para reinar e ao lado da mãe conseguiu expulsar os estrangeiros e reunificar o país, abrindo o Novo Império e dando inicio a elevação do deus Amon como patrono do Egito.

Por sua atuação, Ahhotep I recebeu, mesmo anos após a sua morte, honrarias divinas e um culto foi estabelecido em sua memória. O seu próprio filho, Ahmose, a definiu em uma estela como sendo “alguém que pacificou o Alto Egito[2] e expulsou os rebeldes”.

 

O colar de ouro da honra:

Em 1859 um colar de 59 centímetros foi encontrado em Dra Abu el-Naga em um lugar em que se acreditava ser a tumba da rainha Ahhotep I. Contudo, por conta da natureza de alguns dos artefatos encontrados no local, que eram de cunho militar, alguns pesquisadores custam a acreditar que essas peças, inclusive o colar, tenha pertencido à rainha. Este colar, que é feito em ouro, possui três pingentes de 9 centímetros que representam moscas.

Foto: EINAUDI, 2009.

Este tipo de joia era dada a pessoas que realizaram proezas militares. Talvez por incapacidade de alguns pesquisadores em acreditar que uma rainha possa ter atuado como comandante leve a tal dúvida, que, por sua vez, não é de toda infundada, uma vez que no local também foram encontrados artefatos com o nome de seus filhos.

Saiba mais: Há alguns anos escrevi um artigo intitulado “Gênero invisível? Como a Arqueologia tem minimizado a participação histórica das mulheres egípcias durante a Antiguidade faraônica”, onde discuto como pesquisadores têm subestimado a participação social das mulheres egípcias em sua sociedade. Ele pode ser lido gratuitamente clicando aqui.

Fontes:

DABBS, Gretchen R; SCHAFFER, William C. Akhenaten’s Warrior? An Assessment of Traumatic Injury at the South Tombs Cemetery. Paleopathology Newsletter. No. 142, June, 2008.

EINAUDI, Silvia. Coleção Grandes Museus do Mundo: Museu Egípcio Cairo (Tradução de Lúcia Amélia Fernandez Baz). 1º Título. Rio de Janeiro: Folha de São Paulo, 2009.

RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg. 1999.

SINGER, Graciela Noemí Gestoso. Queen Ahhotep and the “Golden Fly”. Cahiers Caribéens d’Egyptologie. nº 12, février-mars, p. 75 – 88, 2009.


[1] Reino que se encontrava onde hoje é o Sudão.

[2] O Alto Egito refere-se ao Sul do país. Ahmose, então, estava falando sobre os núbios.

O que mais você precisa saber sobre o Egito Antigo em Overwatch

Lançado pela Blizzard Entertainment, Overwatch é um game onde os jogadores competem entre si em equipes usando heróis com diferentes características e origens, que exercem funções de defesa, ataque ou cura. A exemplo de muitos outros jogos ele traz algumas inspirações relacionadas com a antiguidade egípcia e foi isso o comentado no post “O Egito Antigo em Overwatch: um dos maiores games do momento” (clique aqui para ler). Depois de ter sido publicado, a leitora Isabella Czamanski pontuou alguns detalhes do jogo que não foram comentados. Abaixo o texto dela:  

Antes de mais nada, adorei sua iniciativa de falar de Overwatch no AE, principalmente por existirem até cenários bem inspirados na antiguidade egípcia no jogo. Mas, como jogadora eventual de Overwatch (mas muito, muito fã), me sinto na obrigação de fazer alguns adendos à sua matéria.

Além da skin normal da Pharah, existem mais duas inspiradas no Anúbis (mudando apenas a cor entre uma e outra, gosto particularmente da preta).

Além disso, existe mais uma personagem egípcia, a Ana, que é mãe da Pharah e também possui uma tatuagem do Olho de Hórus em seu próprio olho.

Fora isto, existe uma skin para o personagem Zenyatta (que é um robô zen) claramente inspirada em Rá e com alguns detalhes muito interessantes, como o nemes e o uso de azul e dourado.

Eu realmente acho interessante a forma como a Blizzard conseguiu inserir história em Overwatch, mesmo se tratando de um futuro distópico. Podemos ver alta tecnologia em meio a cenários outrora históricos, como o templo de Anúbis, sem que pareça forçado ou irreal. As skins dos personagens também foram muito bem construídas.

O Egito Antigo em Overwatch: um dos maiores games do momento

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

De gênero de tiro em primeira pessoa, Overwatch é um dos jogos mais populares do momento. Lançado pela Blizzard Entertainment os jogadores competem entre si em equipes usando heróis com diferentes características e origens, que exercem funções de defesa, ataque, investida ou cura. Até o andamento deste texto o jogo conta com 25 heróis, dentre eles Pharah, cujo o Wedjat (Olho de Hórus) em um dos seus olhos e o seu nome (que vem de pharaoh, “faraó” em inglês) remetem à antiga civilização dos faraós.

 

A personagem Pharah:

“Pharah” é o codinome de uma egípcia chamada Fareeha Amari, uma chefe de segurança responsável por proteger uma instalação de pesquisa de inteligência artificial abaixo do Platô de Gizé, Egito.

No jogo ela tem a posição de ataque, ou seja, é responsável pela ofensiva e a baixa dos inimigos. Possui uma armadura de combate que a torna capaz de soltar foguetes e dar saltos. É possível conhecer um pouco mais sobre Pharah no perfil da personagem no site do próprio Overwatch.

Sobre a coloração da sua armadura, não foi possível saber se foi intencional, mas a cor dourada e azul eram usualmente associadas com o ouro e o lápis-lazuli, considerados a constituição da pele e dos cabelos dos deuses, respectivamente. A máscara mortuária do faraó Tutankhamon, por exemplo, não teve o seu padrão de cores escolhido ao acaso, onde suas sobrancelhas são de cor azul e pele dourada:

Máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

E algumas peças religiosas, assim como amuletos, também foram representados com uma cor azulada, uma vez que a crença ditava que o azul era uma cor mágica:

Imagem da deusa Hathor feita em lápis-lazuli e ouro. Autor da foto: Desconhecido.

 

Cenários:

Mas, o Egito Antigo não está presente somente em Pharah. Dentre os vários mapas disponíveis, três cenários trazem o Egito como tema e dois deles são inspirados na antiguidade: os fictícios Templo de Anúbis e Necrópole.

Mapa Templo de Anúbis

Mapa Templo de Anúbis

Mapa de Necrópole

Fanarts:

A personagem Pharah ganhou muitos fãs e alguns resolveram demonstrar a sua estima desenhando-a. Confira abaixo alguns exemplos de ilustrações:

Link de consulta: www.zerochan.net

Artista: SirensReverie

 

Link de consulta: comicvine.gamespot.com

Link de consulta: @captain.overwatch

Artista: Raphire

Artista: MonoriRogue

Artista: JhessyJay

Artista: JeongSeok Lee

Curiosidade vinda de terras brasileiras e novidade:

Dentre os heróis temos um personagem brasileiro também. É o Lúcio, cuja função é a de suporte. Se ficou curioso sobre Overwatch clique aqui para acessar a página oficial. E a Blizzard tem uma ótima notícia: nos próximos 22 a 25 de setembro (2017) será possível degustá-lo. Clique aqui para saber mais!

(Vídeo) Antigo Egito em Jogos: “Salão de Princesa Egípcia”

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Neste vídeo explico como o jogo casual “Salão de Princesa Egípcia” (Egypt Princess: Spa Salon, no original), desenvolvido pela TNN Games, pode ser utilizado na educação infantil. Este game está disponível no Google Play e tem como único objetivo levar o usuário a arrumar a personagem da princesa egípcia para um encontro com o seu namorado.

Apesar da proposta simplista e sexista este jogo pode ser utilizado em sala de aula com um propósito educativo, para analisar como a antiguidade egípcia tem sido apresentada para as crianças.

Infelizmente adotar um jogo desses em sala de aula tem as suas limitações, principalmente em diferentes contextos sociais, uma vez que nem todas as crianças têm acesso a smartphones. Entretanto fica aqui a dica.

Abaixo o vídeo com as minhas pontuações:

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