Máscara funerária do faraó Tutankhamon: um artefato único

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A máscara de Tutankhamon é um dos artefatos arqueológicos mais surpreendentes advindos da Antiguidade. Feita em ouro e pedras semi e preciosas, ela tinha como objetivo tanto retratar o rei, como passar uma mensagem divina, afinal, de acordo com a crença egípcia antiga, a pele dos deuses era feita de ouro e os seus cabelos de lápis-lazúli.

Imagem frontal da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Existem algumas controvérsias que envolvem este artefato, um delas é se de fato ele retrata o jovem rei. Esta questão, assim como outras informações adicionais tais como os matérias que a compõe, significados das inscrições que estão em suas costas, seu peso e tamanho são comentados no vídeo abaixo:

Caso ainda não seja inscrito no canal do Arqueologia Egípcia inscreva-se clicando aqui e ative o sino para receber novidades sobre os estudos do Egito Antigo.

Barba de Tutankhamon: Cera de abelha foi a solução

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Quase um ano após o escândalo da cola epóxi que foi posta na barba da máscara mortuária do faraó Tutankhamon em agosto de 2014, o artefato finalmente encontra-se livre do aderente.

Entenda o caso:

Tudo começou em janeiro de 2015, quando a imprensa mundial ficou ciente de que durante a manutenção do expositor em que a peça fica exposta ocorreu um acidente que fez com que a barba da máscara se soltasse e que, como medida, foi optado por usar uma cola epóxi, o que não era o ideal para o objeto. De acordo com os responsáveis por colar o artefato, a ordem para utilizar tal aderente partiu de superiores.

A egiptóloga Monica Hanna, especialista em conservação de pinturas murais, foi uma das pessoas que denunciaram o crime. De acordo com ela, cinco conservadores tentaram delatar o ocorrido, mas após uma visita do ministro das antiguidades ao museu no dia 17 de novembro de 2014 todos foram demitidos.

— Leia mais em “Cola na barba da máscara mortuária de Tutankhamon: O que ocorreu nas últimas horas?“.

Para variar, fotografias dentro do museu até então estavam proibidas, desta forma era difícil convencer as pessoas de que a cola estava lá ou a gravidade da intervenção. Entretanto, com a pressão por parte da imprensa nacional e internacional, o Ministério das Antiguidades se viu obrigado a realizar em 24 de janeiro de 2015, uma reunião com repórteres no Museu Egípcio do Cairo para confirmar o ocorrido e apresentar o conservador alemão Christian Eckmann, que seria o responsável pela remoção do epóxi.

Detalhe da cola no queixo em fotografia tirada em 24 de janeiro de 2015. Foto: Hassan Ammar. AP. 2015

O fim e uma descoberta:

Os trabalhos de Eckmann começaram em outubro e após nove semanas a máscara finalmente ficou pronta para ser posta em seu local de exibição no Museu Egípcio do Cairo.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

— Leia mais em “Restauro da máscara mortuária de Tutankhamon está em andamento“.

Apesar das circunstancias, ainda assim foi possível realizar mais uma descoberta arqueológica. De acordo com Mamdouh Eldamaty, ministro das antiguidades, “O processo revelou surpresas. A primeira é que a barba tem um tubo interior que a conecta com o rosto da máscara e a segunda é que a reintegração de 1946 se fez utilizando uma leve soldadura” [1].

Para pôr a barba em seu devido lugar Eckmann e sua equipe fizeram uso de técnicas antigas. Como aderente eles utilizaram cera de abelha, porque era um material comum no Antigo Egito, além de que é uma matéria orgânica que oferece um menor risco de causar danos ao metal da máscara.

1 – Barba separada do seu tubo interno. A seta aponta os resíduos da soldagem feita em 1946. Uma técnica atualmente condenada por restauradores.

2 – A cera de abelha aplicada ao tubo interno.

3 – A cera de abelha aplicada ao tubo interno. Usar técnicas do passado nos trabalhos de conservação é o aconselhado pelos profissionais da área. Assim não retira muito da identidade original do objeto.

4 – Trabalho concluído.

Abaixo o resultado:

Foto: Sahen Ramzy. 2015.

As informações obtidas pelo escaneamento serão apresentadas em um futuro livro.

Fonte:

[1] Regresa la barba de Tutankamón, con cera de abeja. Disponível em < http://www.ngenespanol.com/el-mundo/culturas/15/12/22/restauracion-barba-rey-tutankamon-museo-el-cairo-egipto.html >. Acesso em 27 de dezembro de 2015.

Album de Noor Mostafa. Disponível em < https://www.facebook.com/noor.mostafa.19/posts/915316655189980 >. Acesso em 27 de dezembro de 2015.

Restauro da máscara mortuária de Tutankhamon está em andamento

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Na noite do dia 10/10/2015, a máscara mortuária do faraó Tutankhamon foi retirada do seu display para passar pela a remoção da cola posta em sua barba e por trabalhos de restauro — Entenda o caso: Cola na barba da máscara mortuária de Tutankhamon: O que ocorreu nas últimas horas? —.

Foto: Ahram Online. 2015.

Dez dias depois o Ministério das Antiguidades convidou a imprensa egípcia e estrangeira para registrar as primeiras notícias sobre as atividades realizadas com o artefato.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

O coordenador da equipe, o restaurador alemão Christian Eckmann, declarou que análises microscópicas estão sendo realizadas para estudar uma melhor forma de remover a cola. Ele ainda explicou que após esta fase, a qual ele espera finalizar em uma semana, a remoção começará e alertou que para se livrar de toda a cola sem afetar a integridade do objeto requer muita paciência.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Foto: Mai Shaheen. 2015.

Outro artefato de Tutankhamon foi centro das atenções da mídia esta semana:

A mídia árabe acusou recentemente estudantes que realizavam uma visita ao Museu Egípcio do Cairo de terem danificado a máscara mortuária de Tutankhamon, acusação que foi negada pelo o supervisor geral do museu, Khaled El-Enany. Ele explicou que um único incidente ocorreu nos últimos dias e foi com uma cabeça de madeira do faraó onde ele é representado ainda criança. De acordo com o supervisor os estudantes, após uma pequena comoção, acabaram se esbarrando na vitrine fazendo o artefato se inclinar um pouco. Um comitê imediatamente foi formado para averiguar se o objeto tinha sofrido algum dano, o que não foi o caso.

Por fim ele esclareceu que a máscara desde que foi retirada do seu display só está sendo visitada pelos especialistas responsáveis por seu restauro.

Fontes:

Restoration of Tutankhamun mask underway at Egyptian Museum. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/161407/Heritage/Ancient-Egypt/Restoration-of-Tutankhamun-mask-underway-at-Egypti.aspx>. Acesso em 20 de outubro de 2015.

Egyptian Museum boss rubbishes reports of Tutankhamun gold mask damage. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/News/161232.aspx>. Acesso em 20 de outubro de 2015.

PHOTO GALLERY: Experts pore over Tutankhamun’s mask as restoration gets underway. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/NewsContentMulti/161411/Multimedia.aspx>. Acesso em 20 de outubro de 2015.

Cola na barba da máscara mortuária de Tutankhamon: O que ocorreu nas últimas horas?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Nos últimos dias comentei na página do Arqueologia Egípcia no Facebook que esta semana foi realizada uma denuncia sobre a possibilidade de terem posto cola epóxi (um tipo de super cola) na máscara mortuária de Tutankhamon, acusação que o Ministério de Antiguidades negou estar ciente, mas que segundo as fontes da denuncia eles já sabiam há meses.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

Máscara mortuária de Tutankhamon antes da intervenção de 2014. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

Detalhe da cola no queixo em fotografia tirada em 24 de janeiro de 2015. Foto: Hassan Ammar. AP. 2015.

De acordo com os denunciantes, restauradores que preferem permanecer anônimos, durante a manutenção do expositor da peça a barba da máscara mortuária soltou e foi colada de volta em seu lugar com um material inadequado, uma super cola. Ainda nas palavras deles a ordem de intervenção na peça partiu de superiores.

Caso esses eventos sejam reais o incidente é trágico por tais motivos:

O uso de um material inadequado para o restauro, a cola epóxi, já que uma das regras mais básicas do restauro é que sejam utilizados materiais de fácil remoção e que não comprometa a integridade da peça. O que não é o caso da epóxi.

As pessoas que manipularam o artefato para por a barba no lugar, de acordo com as denuncias tentaram suavizar a aparência da cola lixando a área e assim teriam arranhado o queixo da imagem.

A ignorância em acreditar que a peça estava quebrada ao ponto de colar o objeto no lugar, visto que a barba é um item que já foi removido na década de 1920, como aponta os registros fotográficos. Porém, caso esse fato já fosse conhecido no momento da intervenção, então a ordem partiu da má fé.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em Acesso em 26 de setembro de 2011.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Foto: Acervo Griffith Institute, University of Oxford. Harry Burton. Disponível em < http://www.griffithinstituteprints.com/image/433271/harry-burton-the-gold-mask-of-tutankhamun-3-4-view > Acesso em 26 de setembro de 2011.

Visita do rei Farouk I ao Museu Egípcio do Cairo em 1949. Nesta época a barba ainda era exposta separada. Disponível em < https://www.flickr.com/photos/kelisli/8511041153/in/photostream/ >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

Barba e colar de Tutankhamon separados da máscara mortuária. Arquivo Griffith Institute. Disponível em < http://www.griffith.ox.ac.uk/php/am-makepage1.php?&db=burton&view=gall&burt&card&desc=mask&strt=1&what=Search&cpos=15&s1=imagename&s2=cardnumber&s3&dno=25 >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

A ausência de sensibilidade daqueles que deram a ordem para colar a peça. Isso pode ser um reflexo de um dos grandes problemas do turismo arqueológico, que é quando o artefato deixa de ser um registro para a ciência e passa a ser um bem de consumo. Quantas vezes vocês já não ouviram ou leram semelhante frase “A tumba de Tutankhamon é tão pequena e sem graça que não valeu o dinheiro que paguei”?

Com a polêmica, no sábado, 24 de janeiro de 2015, ocorreu no Museu Egípcio do Cairo uma conferência para a imprensa onde foi apresentada a questão da intervenção com a super cola na máscara mortuária. O conservador alemão, Christian Eckmann, especialista em conservação de materiais arqueológicos feitos de vidro e metal, analisou na manhã daquele mesmo sábado a máscara para saber que tipo de aderente de fato foi utilizado e garantiu durante a reunião que mesmo sem saber especificamente qual o tipo da super cola o material utilizado neste caso está de acordo com as normas internacionais de restauro, ou seja, seu uso é reversível, porém ainda não é possível relatar se o objeto sofreu algum dano, a exemplo dos arranhões; no caso deles será realizada uma investigação para saber se são antigos ou se foram feitos no momento em que colocaram a cola.

Eckmann ainda esclareceu que a cola anterior, que foi colocada no objeto em 1941 (caso a visita do rei Farouk I tenha sido mesmo em 1949 então existe um equivoco nessa afirmação) para fixar barba, pode ter simplesmente se deteriorado e que por isso o item teria caído.

Durante o evento o Ministério das Antiguidades e os coordenadores do Museu Egípcio do Cairo pediram desculpas pelo o ocorrido e ao final os representantes de ambos pediram ponderação à imprensa ao relatar o acontecimento e que as pessoas parem com as especulações agressivas.

Entretanto, essa questão parece ir mais além. Jackie Rodriguez, uma turista que visitou o Museu Egípcio em 12 de agosto de 2014, forneceu para a agência de notícias AP uma fotografia de dois homens que estão a executar os trabalhos de reparo no artefato, enquanto a galeria estava aberta. “Todo o trabalho parecia palhaçada”, disse ela que complementou “Foi desconcertante porque o procedimento ocorreu em frente a uma grande multidão e, aparentemente, sem as ferramentas adequadas”.

Registro fotográfico realizado pela turista Jacqueline Rodriguez em 2014. Foto: AP.

A egiptóloga Monica Hanna, especialista em conservação de pinturas murais, também realizou denuncias: através do seu Twitter comentou que cinco conservadores tentaram delatar o ocorrido, mas após uma visita do ministro das antiguidades ao museu no dia 17 de novembro de 2014 eles foram demitidos.

Horas após a reunião entrei em contato com a Hanna para saber se os ativistas egípcios do Egypt’s Heritage Task ainda têm planos de denunciar o Museu Egípcio para o Ministério Público e ela respondeu que sim, eles irão seguir em frente com a denúncia.

Composta por incrustações de vidro e pedras semipreciosas, a máscara mortuária de Tutankhamon é um objeto feito em ouro maciço martelado e somente a barba pesa cerca de 2 quilos. Ela foi vista pela primeira vez por olhos modernos em 1926 — quatro anos após a descoberta da KV-62 —, protegendo a cabeça e os ombros do faraó Tutankhamon.

Fonte:

Máscara de Tutancâmon é danificada após restauração com material errado. Disponível em < http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/mascara-de-tutancamon-danificada-apos-restauracao-com-material-errado-15118812?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O+Globo >. Acesso em 22 de janeiro de 2015.
Botched repair of Tut mask ‘reversible’: German conservator. Disponível em < http://www.france24.com/en/20150124-botched-repair-tut-mask-reversible-german-conservator/?aef_campaign_date=2015-01-24&aef_campaign_ref=partage_aef&ns_campaign=reseaux_sociaux&ns_linkname=editorial&ns_mchannel=social&ns_source=twitter >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.
Archaeologists Want Egyptian Officials Charged for Damage to Tutankhamen’s Burial Mask. Disponível em < http://www.nytimes.com/2015/01/24/world/middleeast/archaeologists-want-egyptian-officials-charged-for-damage-to-tutankhamens-burial-mask.html?smid=tw-NYTOpenSource&seid=auto&_r=0 >. Acesso em 24 de janeiro de 2015.

(Imagem) Máscara mortuária de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @Mjamille

Após a sua morte, durante os anos finais da XVIII Dinastia, o faraó Tutankhamon foi sepultado em uma pequena tumba no Vale dos Reis, necrópole real perto de Tebas.

Descoberto praticamente intacto em 1922 pelo arqueólogo inglês Howard Carter, o sepulcro ainda guardava a múmia do faraó com as suas bandagens e sua máscara mortuária, que o representa usando um toucado nemes com as deusas Nekhbet e Wadjyt em sua testa.

Feita em uma mistura de ouro e pedras semipreciosas, este objeto tinha como uma das suas funções além de proteger a cabeça do rei garantir a ele uma jornada tranquila para o além-mundo através das fórmulas sagradas cunhadas em seus ombros.

Imagem frontal da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

As deusas Nekhbet e Wadjyt na testa da máscara mortuária de Tutankhamon. JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005. pág. 95.

Face máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem pertencente ao acervo da National Geographic. Kenneth Garrett. Setembro de 1998.

Máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em TIRADRITTI, Francesco. Tesouros do Egito do Museu do Cairo. São Paulo: Manole, 1998. pág 234.

Costas da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 174.

Máscaras Mortuárias na RHBN

 

Está nas bancas neste mês de março (2012), na Revista de História da Biblioteca Nacional, o artigo “A face das múmias” de Márcia Severina Vasques. Veja abaixo uma previa do texto:

 

Nós, brasileiros, não estamos alheios à rica civilização antiga que foi a egípcia. Acervos como os do Museu Nacional ou da Fundação Eva Klabin, ambos no Rio de Janeiro, são importantes fontes de pesquisa para quem quiser estudar Egiptologia. Normalmente, este tipo de pesquisa é feito no Brasil com base em coleções de museus e em visitas a sítios arqueológicos. Um estudo sobre máscaras mortuárias pode ser feito a partir da análise das peças de coleções de museus ou por meio de publicações especializadas. É um tipo de pesquisa que exige paciência, persistência e, sobretudo, paixão, pois temos que nos debruçar sobre inúmeras peças e tentar estabelecer conexões entre elas, refletindo sobre sua produção e seu significado.

Em geral, os procedimentos de uma pesquisa arqueológica envolvem trabalho de campo, laboratório, e, por fim, o cruzamento de dados e informações por parte do arqueólogo. Pode ocorrer também o caso de o material já estar disponível em um acervo de museu, pois foi resultado de escavação antiga, ou mesmo já ter sido publicado em um catálogo de coleção. Este fato não impede que um novo estudo seja feito a seu respeito, pois cada pesquisador tem uma nova pergunta para seu objeto de estudo. Em minha pesquisa, estava preocupada em analisar as relações culturais entre egípcios, gregos e romanos no Egito sob domínio romano (30 a.C.- 395 d.C.). Selecionei, a partir de catálogos e publicações, as máscaras confeccionadas em determinadas regiões do Egito – Alto Egito, Médio Egito, Fayum e os Oásis de Kharga e Baharyia, e as classifiquei conforme suas áreas de achado, conhecidas ou prováveis. Assim, poderia observar as mudanças nos costumes funerários tanto pela característica de cada localidade como também a partir da longa duração.

Foi possível notar que a função dessas máscaras permaneceu praticamente inalterada desde o seu aparecimento na época faraônica. A arte egípcia – desenhos, esculturas, pinturas e mesmo os hieróglifos – tinha como função principal manter “vivos” os rituais mágicos. A máscara, em última instância, tinha por objetivo servir como substituto da cabeça do morto, sobretudo se a múmia fosse danificada. No entanto, seu tipo de produção e seus elementos iconográficos não eram exatamente iguais em todo o Egito. Em áreas onde predominava uma população de origem grega e macedônica, a influência cultural romana é mais perceptível, sendo o morto retratado “à romana”, em termos de vestimentas, penteados e adornos. Mas quando nos afastamos do Mar Mediterrâneo e das cidades costeiras em direção ao interior, ao sul do Egito, percebemos maior apego às formas tradicionais egípcias (…).

 

Texto disponível em < http://www.revistadehistoria.com.br/secao/a-historia-do-historiador/a-face-das-mumias >. Acesso em 15 de março de 2012.

 

Leia mais na edição de março.

 

Clique aqui e veja o currículo de Márcia Severina Vasques.