Ministério de Antiguidades do Egito nega que um cemitério com “um milhão de múmias” foi encontrado

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Nos últimos dias viralizou na internet a notícia de que a equipe de arqueologia da Universidade de Brigham Young, de Utah, EUA, descobriu na área de Fayum um cemitério com um milhão de múmias, achado sem precedentes no Egito.

De acordo com as matérias, o local trata-se de um espaço de sepultamento de pessoas comuns, que acabaram sendo mumificadas artificialmente. Entretanto, ao contrário do que os títulos dizem, o coordenador da missão, o professor Kerry Muhlestein, não deixa claro o número de corpos encontrados, como ele explicou em seu texto de divulgação, “Estamos quase certos de que há mais de um milhão de enterramentos dentro desse cemitério. É grande e denso”[1], o que deu margem para a interpretação equivocada da imprensa. É o que diz o Ministério de Antiguidades do Egito, que lançou ontem uma declaração oficial negando que “um milhão de múmias” foram encontradas em Fayum e salientou que a notícia espalhada pela mídia trata-se de “rumores”. Com a nota foi noticiado também que a missão da BYU teve sua concessão de escavação cancelada por ter feito declarações para a imprensa sem consentimento do MSA, o que fere os regulamentos do acordo para escavar no Egito [2].

Mão mumificada de uma criança. Foto: divulgação. “BYU in Egypt”. “Arqueólogos encontram cemitério com ‘um milhão de múmias’ no Egito”. Disponível em < http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/arqueologos-encontram-cemiterio-com-um-milhao-de-mumias-no-egito-14856533 >. Acesso em 18 de dezembro de 2014.

Explicando de modo simples, todos os coordenadores de escavações que trabalham no Egito são proibidos de comentar suas descobertas com terceiros — principalmente com a mídia — sem a aprovação do relatório de pesquisa que deve ser entregue ao MSA em todo o final de temporada.

Outras polêmicas:

Fiz uma breve pesquisa na internet para entender o professor Kerry Muhlestein. Em um blog li que ele foi protagonista em uma polêmica que envolveu um conjunto de fragmentos denominado de “Papiro Joseph Smith” e o chamado de “Livro de Abrão”. O burburinho teve início com uma série de vídeos que Muhlestein lançou na internet, onde afirma que existem conexões entre Abrão (personagem bíblico) e a antiguidade egípcia, entretanto, os vídeos apresentam argumentos contraditórios onde até mesmo a ligação entre o “Papiro Joseph Smith” e o “Livro de Abrão” não é sólida o que rendeu uma série de críticas por parte de alguns dos seus colegas que definiram suas conclusões como inviáveis [3][4].

Um dos depoimentos escritos pela Dr. Kara Cooney, que leciona na mesma Universidade em que Muhlestein se formou, a UCLA, acerca deste ocorrido é um pouco preocupante:

“Eu assisti aos três vídeos, e eu não concordo com nada disso. Os antigos egípcios não tinha noção de Abraão, então eu não sei de onde ele tira essas comparações… e não, a maioria dos egiptólogos não concorda, apesar do que Kerry diz. Eu conheço Kerry, mas eu não tenho muito respeito pelo seu trabalho. Agora eu tenho menos ainda. O fato de que ele está escavando no Egito é ainda mais preocupante … Seu PhD foi concedido antes de eu chegar na UCLA, embora eu saiba que Kerry terminou sua dissertação, baseada em textos, depois de apenas dois anos de treinamento em língua egípcia, o que é bastante ridículo”[3].

No blog onde foi divulgada a mensagem da egiptóloga está clara a preferência pelas interpretações de Muhlestein, embora as mesmas tenham mais afinidade com a Egiptofilia do que com a Egiptomania [4].

Escavação em Fayum. Foto: “BYU in Egypt”. “AExperts Make Massive Discovery Under the Sand of the Egyptian Desert — and It’s Left Them Puzzled”. Disponível em < http://www.theblaze.com/stories/2014/12/17/experts-make-massive-discovery-under-the-sand-of-the-egyptian-desert-and-its-left-them-puzzled/ >. Acesso em 19 de dezembro de 2014.

Área de sepulturas. Foto: “BYU in Egypt”. “AExperts Make Massive Discovery Under the Sand of the Egyptian Desert — and It’s Left Them Puzzled”. Disponível em < http://www.theblaze.com/stories/2014/12/17/experts-make-massive-discovery-under-the-sand-of-the-egyptian-desert-and-its-left-them-puzzled/ >. Acesso em 19 de dezembro de 2014.

Também procurei pelo perfil no Facebook “BYUEgyptExcavation” e não encontrei resultados. Igualmente consultei por “BYU in Egypt” (onde estavam disponíveis algumas fotografias da campanha), mas a página foi apontada como “indisponível”.

Fonte da notícia:

[1] Arqueólogos encontram cemitério com ‘um milhão de múmias’ no Egito. Disponível em < http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/arqueologos-encontram-cemiterio-com-um-milhao-de-mumias-no-egito-14856533 >. Acesso em 18 de dezembro de 2014.
[2] Mummy Curse Strikes Again: MSA Stops BYU Mission. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2014/12/mummy-curse-strikes-again-msa-stops-byu.html?m=1 >. Acesso em 19 de dezembro de 2014.
Reverend Spalding Strikes Again: A Response to Internet Criticism of Kerry Muhlestein’s Book of Abraham Videos. Disponível em < http://blog.fairmormon.org/2013/03/06/reverend-spalding-strikes-again-a-response-to-internet-criticism-of-kerry-muhlesteins-book-of-abraham-videos/ >. Acesso em 19 de dezembro de 2014.
BYU professor speaks on unnoticed assumptions about the Book of Abraham. Disponível em < http://www.deseretnews.com/article/865608559/BYU-professor-speaks-on-unnoticed-assumptions-about-the-Book-of-Abraham.html?pg=all>. Acesso em 19 de dezembro de 2014.

 

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo

Por Márcia Jamile | @MJamille | Instagram

 

Roubada no dia 14 de agosto de 2013, a estatueta da filha de Akhenaton, a até então princesa Ankhesenpaaton, esteve desaparecida até ter sido confirmado o seu retorno ontem (08 de dezembro de 2013).

Abaixo imagens do objeto, que estava levemente danificado quando foi encontrado:

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em . Acesso em 09 de dezembro de 2013.

Imagens da estatueta de Ankhesenamon recuperada meses após seu roubo. Disponível em < https://www.facebook.com/ media/set/?set=a.745520428811354. 1073741863. 648057078557690&type=1 >. Acesso em 09 de dezembro de 2013.

 

A princesa Ankhesenpaaton foi uma das herdeiras de Akhenaton. Ao abandonar a cidade idealizada por seu pai trocou seu nome por “Ankhesenamon”. Foi casada com o faraó Tutankhamon.

Estátua de filha de Akhenaton roubada do Museu de Mallawi foi recuperada

Por Márcia Jamile | @MJamille | Instagram

Saqueado em 14 de agosto de 2013, durante os protestos pró e contra o ex-presidente Mohamed Mursi, o Museu de Mallawi teve 1040 objetos roubados dos 1089 que estavam no museu. 49 ainda permaneciam no edifício quando o mesmo foi incendiado ainda naquela semana.

Dentre os artefatos roubados estava uma estatueta de uma das filhas de Akhenaton, identificada como Ankhesenpaaton (futura Ankhesenamon), um dos objetos mais famosos da coleção:

http://www.elaosboa.com/show.asp?id=7107&vnum=elaosboa&page=Arts#.UgwJEWQ_n-u Estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton roubada do Museu de Mallawi em 14 de agosto de 2013. Imagem disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.

Estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton roubada do Museu de Mallawi em 14 de agosto de 2013. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/photo.php?fbid=675137912516273&set=a. 675090315854366.1073741831. 648057078557690&type=3&theater >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Ao longo dos meses, com o auxilio da INTERPOL, mais da metade dos objetos saqueados já tinham sido recuperados (800 no total), exceto a estatueta amarniana. No entanto, hoje (08 de dezembro de 2013), foi confirmada a notícia de que este artefato finalmente foi encontrado, mas não foi divulgado onde ele estava.

Na ocasião da invasão do Museu de Mallawi, além das perdas físicas, um guarda que tentava proteger o local foi assassinado.

Fonte da notícia:

Statue of Pharaoh Tutankhamun’s sister recovered. Disponível em < http://english.alarabiya.net/en/life-style/art-and-culture/2013/12/08/Statue-of-Pharaoh-Tutankhamun-s-sister-recovered.html >. Acesso em 08 de dezembro de 2013.

Egiptologia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

História da Egiptologia:

"A Batalha das Pirâmides". Francois-Louis-Joseph Watteau. 1798-1799.

“A Batalha das Pirâmides”. Francois-Louis-Joseph Watteau. 1798-1799.

O estudo arqueológico do Egito Antigo teve início com a invasão napoleônica ao país em 1798, isto graças ao grupo de cientistas e artistas que acompanharam o exército francês como uma comitiva que tinha como objetivo registrar aspectos culturais, históricos e botânicos da cultura egípcia (BARD, 1999), no entanto, o início da Egiptologia cientifica data de 1822, com a publicação do artigo Lettre à Dacier, relative à l’alphabet des hiéroglyphes phonétiques par les Égyptiens, pour inscrire sur les monuments les noms et surnoms des souverrains grecs et romains, escrito por Champollion, momento em que foi anunciada para a Académie des inscriptions et belles-lettres a decifração dos hieróglifos egípcios (GUKSCH, 1999; VERCOUTTER, 2002).

A diferença primordial entre Arqueologia Egípcia e Egiptologia é que possuir uma formação na segunda não habilita ninguém para exercer a primeira, ou seja, a Arqueologia é uma disciplina impar e necessita de um treino bastante específico tanto em termos teóricos como práticos. Já a Egiptologia é o estudo da extinta civilização egípcia, tratando-se de uma especialização agregada com outras disciplinas, tais como a própria Arqueologia ou História, Artes, Literatura, etc.

quadro_explicativo_egiptologia_site_arqueologia_egipcia

De uma forma geral a Egiptologia teve seu princípio como um estudo humanístico do passado, caracterizando-se por sua dedicação no campo da Filologia, História da Arte e até certo ponto por História Política. Embora esta disciplina, a priori, possuísse estes tipos de interesses, isto não a guiava para fora de outras preocupações, a exemplo da tentativa de entendimento da vida cotidiana, como mostram alguns trabalhos surgidos a partir de meados do século XIX (TRIGGER, 1998).

Logo do Egypt Exploration Society. Disponível em . acesso em 14 de agosto de 2013.

Logo do Egypt Exploration Society. Disponível em < http://www.csad.ox.ac.uk/POxy/ees/ees.htm >. acesso em 14 de agosto de 2013.

Uma das mais antigas associações de egiptólogos (as) é o Egypt Exploration Society e está aberta para profissionais, estudantes e curiosos. Porém, ser sócio do EES não dá ao interessado subsidio para realizar pesquisas de Arqueologia, muito menos um título de pesquisador. Desta forma não existe necessidade de que sua associação seja citada no seu currículo.

Fundado em 1882 como The Egypt Exploration Fund, o Egypt Exploration Society trata-se hoje de uma sociedade de Arqueologia que trabalha no Egito com o auxílio financeiro de seus sócios e vendas de documentários e livros. Destaca-se por ser uma das maiores organizações do tipo que atuam no país não só com a escavação, limpeza e análise de artefatos, mas com a Arqueologia Pública e programas educacionais para crianças.

Do que se trata o trabalho de um egiptólogo:

De acordo com Bard (1999), a Egiptologia trata-se da análise de antigos textos, artefatos e arquitetura egípcia. Naturalmente não se resume a isto. Segundo Guksch (1999), o campo de estudo da Egiptologia parte do Período Pré-Dinástico até 395 D. E. C., data da última inscrição hieroglífica conhecida. Em complemento Trigger (1998) aponta que para os interessados no estudo da vida cotidiana, serão necessários o entendimento da Filologia e da História da Arte.

Egiptólogo William Carruthers analisando registros históricos dos primórdios da Egiptologia. Disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.

Egiptólogo William Carruthers analisando registros históricos dos primórdios da Egiptologia. Disponível em < http://www.ees.ac.uk/news/index/112.html >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Porém, graças ao grande número de materiais acadêmicos gerados, existe um amplo espaço de estudo e até a reanalise dos antigos diários de escavações, desta forma, a meu ver, o estudo da Egiptologia necessita expandir os seus debates para o Egito contemporâneo, especialmente em relação ao ainda recorrente emprego do orientalismo  nas pesquisas.

Kathleen Martinez. Disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.

Kathleen Martinez em Taposiris Magna. Disponível em < https://www.facebook.com/photo.php?fbid= 335237159850106&set=pb. 257145350992621.-2207520000 .1376488905.&type=3&theater >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Predominantemente do sexo masculino (foi permitida a ampla da participação acadêmica de mulheres somente ao longo do século 20), os egiptólogos de meados do século 19 possuíam mais uma aspiração para a caça a tesouros e colecionismo em uma larga escala, do que a preocupação em manter a integridade dos artefatos. Em poucas palavras cada país europeu, representados por seus militares, cônsules e pesquisadores, travavam uma corrida para coletar os mais excêntricos e bonitos objetos para compor suas galerias e gabinetes de curiosidades (TRIGGER, 1998; PECK, 1999). Este era também a época dos estudos independentes e do diletantismo que, ainda que tenham contribuído fortemente para a deterioração de milhares de artefatos, foram responsáveis pela documentação e salvaguarda de muitos outros, embora em vários casos totalmente fora de contexto.

Foi somente em 1858 com a criação do Service des Antiquités, fundado pelo o arqueólogo francês Auguste Mariette (1821 – 1881), que as pesquisas e coletas de artefatos começaram a se regulamentar no país. Foi este serviço também o responsável pela a restrição e depois total proibição da saída de objetos arqueológicos do país. Este órgão mudou de nome cinco vezes até o atual momento, chamando-se Egyptian Antiquities Organization (a partir de 1971), Supreme Council of Antiquities (a partir de 1993), Ministry of State for Antiquities (em 2011) e Supreme Council of Antiquities novamente em 2011, mas dentro do Ministry of State for Antiquities, não mais do Ministério da Cultura.

Trabalho de Arqueologia na TT184. Disponível em . Acesso em 30 de abril de 2013.

Trabalho de Arqueologia na TT184. Disponível em < http://www.facebook.com/photo.php?fbid=406228292807679&set=a. 185828818180962.37761. 185391424891368&type=1& relevant_count=101 >. Acesso em 30 de abril de 2013.

O Supreme Council of Antiquities é um órgão semelhante ao IPHAN do Brasil. Embora torne possível que escavações arqueológicas sejam realizadas no Egito a principal crítica contra o MSA/SCA é a sua burocracia.

Um dos grandes papéis do MSA/SCA além da fiscalização e regulamentação das pesquisas de Arqueologia no Egito é a imposição da publicação dos resultados da pesquisa por parte dos responsáveis pelas explorações, o que resulta em uma ampla produtividade acadêmica. Também tornou-se obrigatória nas equipes de escavações a presença de pesquisadores, em especial advindos da Arqueologia, com altas titulações acadêmicas e vasta experiência de campo.

Referências:

BARD, Kathryn A. “The study of ancient Egypt”. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

GUKSCH, Christian E. “Anthropology and Egyptology”. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

PECK, William. “History of Egyptology”. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.

TRIGGER, Bruce. Early Civilizations: Ancient Egypt in Context. Cairo: The American University in Cairo, 1993.

VERCOUTTER, Jean. Em busca do Egito Esquecido. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

Lista vermelha dos artefatos roubados do Museu de Mallawi

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Caros, estou divulgando mais uma vez a lista não oficial de artefatos roubados do Museu Nacional de Mallawi. Como a descrição anterior do álbum estava somente em árabe e inglês, enviei para eles a tradução (que já está disponível na página) para o português e espero que desta forma mesmo aqueles que não são safos na língua estrangeira possam entender o que podem fazer para ajudar a recuperar os artefatos roubados. Abaixo minha tradução:

Até que um inventário completo do Museu de Mallawi seja realizado, por favor, alertem casas de leilões, lojas de antiguidades e alfândegas acerca dos seguintes objetos que poderiam ter sido roubados hoje do museu. Nós também iremos atualizar esta coleção continuamente. Algumas das fotografias foram repetidas para mostrar melhor os objetos em diferentes ângulos. As fotos são cortesia de vários amigos e colegas.

Este é o link para a lista: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.675090315854366.1073741831.648057078557690&type=1

Mas não vamos nos fixar somente nos artefatos que estão nesta lista. Muitos outros saíram do Egito anteriormente a esta crise, hora nas malas de turistas desavisados quanto a ilegalidade de seus atos e hora nos malotes de contrabandistas. Por tanto visitem páginas de leilões na internet (Mercado Livre, Ebay, etc) e feiras de antiguidades e denunciem no caso de ver algo irregular.

Estes são 9 dos 1040 artefatos roubados do Museu Nacional de Mallawi em agosto de2013.

Estes são 9 dos 1040 artefatos roubados do Museu Nacional de Mallawi em agosto de 2013.

Eu já comentei uma vez e quero deixar reiterado que se não fossem aquelas pessoas dispostas a pagar por artefatos arqueológicos estes crimes não estariam ocorrendo nem no Egito e nem em qualquer outro lugar pelo mundo.

Imagens do Museu de Mallawi após os saques e incêndio

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Invadido e saqueado no dia 14 de agosto de 2013 e parcialmente incendiando no dia seguinte (15 de agosto de 2013), o Museu de Mallawi sofreu uma série de perdas onde soma-se a uma vida humana (um dos seguranças do local foi assassinado), a danificação do edifício e o roubo de 1040 objetos arqueológicos dos 1089 que estavam no prédio.

Durante o incêndio os 49 artefatos restantes ainda permaneciam no local, resultando no comprometimento de alguns pelo fogo. Abaixo imagens:

Sarcófago de madeira jogado no chão após invasão ao Museu Nacional de Mallawi. Foto: Marwa Ahmed. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/ photo.php?fbid=575852482453523&set =a.253473151358126.58859. 226475497391225&type =1&relevant_count=1011  >. Acesso em 17 de agosto de 2013.

Sarcófago de madeira jogado no chão após invasão ao Museu Nacional de Mallawi. Foto: Marwa Ahmed. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/ photo.php?fbid=575852482453523&set =a.253473151358126.58859. 226475497391225&type =1&relevant_count=1011 >. Acesso em 17 de agosto de 2013.

Museu de Mallawi após roubo 02

Fundo de um sarcófago de madeira em meio aos artefatos e moveis quebrados no Museu Nacional de Mallawi. Foto: Monica Hanna. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/ photo.php?fbid=575867929118645&set= pb.226475497391225.-2207520000. 1377024030.&type=3&src= https%3A%2F%2Ffbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net% 2Fhphotos-ak- ash3%2F1174676_575867929118645_ 236904660_n.jpg&size=634%2C404 >. Acesso em 17 de agosto de 2013.

Vitrines quebradas. Outrora elas exibiam os artefatos do Museu Nacional de Mallawi.

Vitrines quebradas. Outrora elas exibiam os artefatos do Museu Nacional de Mallawi.

Artefatos danificados do Museu Nacional de Mallawi. Imagem disponível em . Acesso em 20 de agosto de 2013.

Artefatos danificados do Museu Nacional de Mallawi. Imagem disponível em < http://egyptianstreets.com/2013/08/20/the-allegory-of-the-mallawi-museum-history-lost/ >. Acesso em 20 de agosto de 2013.

Artefato danificado do Museu Nacional de Mallawi. Imagem disponível em . Acesso em 20 de agosto de 2013.

Artefato danificado do Museu Nacional de Mallawi. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/ photo.php?fbid=576423879063050&set= pb.226475497391225.-2207520000. 1377024030.&type=3&theater>. Acesso em 20 de agosto de 2013.

 

Vídeo mostrando o Museu Nacional de Mallawi após invasão e saque: 

Felizmente algumas das peças roubadas já foram reavidas. Civis egípcios estão se dedicando na recuperação dos artefatos levados e o governo está trabalhando conjuntamente com a INTERPOL para barrar quaisquer tentativas de vendas ilegais de artefatos arqueológicos.

O MSA também já iniciou o trabalho de remoção dos artefatos remanescentes do local (14 ao todo) os quais serão transferidos para os depósitos do Al-Ashmounein onde estão recebendo o tratamento adequado por parte de uma equipe de restauro.

 

Remoção de alguns dos artefatos do Museu Nacional de Mallawi. Foto: Monica Hanna. Imagem disponível em . Acesso em 20 de agosto de 2013.

Remoção de alguns dos artefatos do Museu Nacional de Mallawi. Foto: Monica Hanna. Imagem disponível em < https://www.facebook.com /photo.php?fbid=676172394286&set= a.578759400706.2043916.134500521&type 1&theater >. Acesso em 20 de agosto de 2013.

 

Fonte:

Malawi Museum artefacts being restored. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/44/79392/Heritage/Museums/Malawi-Museum-artefacts-being-restored.aspx >. Acesso em 20 de agosto de 2013.

 

URGENTE – Confirmado: o Museu de Mallawi foi saqueado

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Ontem eu tinha anunciado na página do Arqueologia Egípcia no Facebook que existiam denuncias de que o Museu de Mallawi, no Médio Egito, tinha sido roubado. Hoje pela manha o MSA confirmou em nota que de fato o edifício foi atacado e saqueado esta terça-feira (14 de agosto de 2013).

De acordo com informações não oficiais o diretor do museu foi agredido e um guarda assassinado.

Mohamed Ibrahim, ministro das antiguidades, está tomando medidas legais para evitar que quaisquer artefatos arqueológicos sejam levados por contrabandistas para fora do país.

Um inventário oficial das peças roubadas ainda não está disponível, mas a página Egypt’s Heritage Task Force está organizando, com o auxílio de internautas, um álbum de peças que se encontravam no museu e que podem estar desaparecidos agora. Dentre muitos dos objetos levados está uma estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton (Novo Império; 18ª Dinastia; Período Amarniano).

Estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton roubada do Museu de Mallawi em 14 de agosto de 2013. Imagem disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.

Estatueta de uma das filhas do faraó Akhenaton roubada do Museu de Mallawi em 14 de agosto de 2013. Imagem disponível em < https://www.facebook.com/photo.php?fbid=675137912516273&set=a. 675090315854366.1073741831. 648057078557690&type=3&theater >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Infelizmente roubos e furtos de peças arqueológicas ocorrem principalmente porque existem pessoas dispostas a comprar estes objetos.

Update – 17h54 | 15 de Agosto

 

◘  Correm relatos não confirmados de que a estátua da filha de Akhenaton foi encontrada por moradores. A INTERPOL já foi acionada em relação aos artefatos roubados.

◘ Outro relato é que o Museu de Mallawi está em chamas e ainda existem artefatos lá dentro.

 

Update – 19h27 | 15 de Agosto

 

◘ Os objetos roubados da coleção somam 1040, dos 1089 que estavam no museu, ou seja, 49 ainda permaneciam no edifício no momento do incêndio, o qual, ainda não se sabe a gravidade ou se fez vítimas.

 

Updates via Luxor Times e Monica Hanna.

URGENTE – Sítios arqueológicos e museus serão fechados por tempo indeterminado

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Os sítios arqueológicos e museus de todo o país ficarão fechados indefinidamente. Esta é uma medida preventiva em resposta à onda de violência que está ocorrendo no Egito desde a expulsão de Mohammed Morsi da presidência e a seguinte tentativa do exército egípcio em dissolver a Irmandade Muçulmana.

Museu Egípcio do Cairo. Disponível em  Acesso em 28 de Janeiro de 2011.

Museu Egípcio do Cairo. Disponível em < http://wingstoafrica.com/egyptian-museum-cairo-2.html > Acesso em 28 de Janeiro de 2011.

A liminar definida pelo Ministry of State for Antiquities (MSA) tem por objetivo evitar futuros saques aos museus e sítios arqueológicos.

Fonte:
Egypt’s archaeological sites and museums closed indefinitely. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/News/79035.aspx >. Acesso em 14 de agosto de 2013.

Quem fiscaliza as pesquisas de Arqueologia no Egito?

Por: Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Arqueologia no Egito, hoje, é realizada sob os auspícios do Ministry of State for Antiquities (MSA), onde entra o Supreme Council of Antiquities (SCA), que antes era somente um conselho vinculado ao Ministério da Cultura.

Auguste Mariette. Disponível em . Acesso em 11 de agosto de 2013.

Auguste Mariette. Disponível em < http://members.bib-arch.org/publication.asp?PubID=BSAO&Volume=7&Issue=1&ArticleID=7 >. Acesso em 11 de agosto de 2013.

Chamado em seus primórdios de Service des Antiquités e fundado em 1858 pelo o arqueólogo francês Auguste Mariette (1821 – 1881), este órgão do governo mudou de nome cinco vezes ao longo da sua existência sendo:

  1. Service des Antiquités criado em 1858
  2. Egyptian Antiquities Organization a partir de 1971
  3. Supreme Council of Antiquities a partir de 1993
  4. Ministry of State for Antiquities em 2011
  5. Supreme Council of Antiquities novamente em 2011, mas dentro do Ministry of State for Antiquities, não mais do Ministério da Cultura.

Embora possua desde o seu início a tarefa de salvaguardar os artefatos egípcios em segurança, este serviço foi um fruto do imperialismo europeu, tendo como seus diretores gerais os franceses até o ano de 1953, quando o primeiro egípcio, o Mostafa Amer, assumiu o cargo.

Com a chegada da Primavera Árabe no Egito em 2011 ocorreu varias nomeações e exonerações no SCA/MSA e atualmente (2013) está ocorrendo por parte do governo provisório uma tentativa de extinção do Ministry of State for Antiquities e a devolução do Supreme Council of Antiquities para o Ministério da Cultura.

Dr. Zahi Hawass. Foto retirada de “Shaking Up the Land of the Pharaohs”. Disponível em Acesso em 04 de Março de 2011.

Dr. Zahi Hawass, um dos últimos diretores gerais do SCA. Foto retirada de “Shaking Up the Land of the Pharaohs”. Disponível em < http://www.archaeology.org/online/features/ hawass/index.html >Acesso em 04 de Março de 2011.

O MSA possui em todo o Egito escritórios regionais, criados para atender a fiscalização de todas as escavações arqueológicas no país. Os fiscais designados para a missão são arqueólogos nativos cujo objetivo é supervisionar o trabalho de campo realizado pelas missões de Arqueologia, as quais em sua maioria são estrangeiras.

Link externo:

Supreme Council of Antiquities (SCA)