É descoberta estátua da rainha Tiye, mãe do faraó Akhenaton

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Um missão arqueológica euro-egípcia encontrou em Luxor, em um templo do faraó Amenhotep III (Novo Império; 18ª Dinastia), uma estátua de alabastro de uma das suas esposas, a rainha Tiye, com a qual teve sete filhos, dentre eles o faraó Akhenaton.

De acordo com a arqueóloga responsável pela descoberta, Hourig Sourouzian, a escultura foi encontrada de forma fortuita, quando se levantava um colosso de Amenhotep III. A imagem foi esculpida na parte inferior dos seus pés e de acordo com o Ministério das Antiguidade do Egito é a primeira vez que uma estátua da rainha feita com esse tipo de material é encontrada no interior do templo.

Foto: Ministério das Antiguidades do Egito.

Em complemento, a imagem ainda conserva parte da pintura que a cobriu um dia de forma integral. Por esse motivo ela necessitará de um cuidado de restauro delicado.

 

Fonte:

Hallan una estatua de alabastro de la reina Tiye, abuela de Tuntakamón. Disponível em < http://www.abc.es/cultura/abci-hallan-estatua-alabastro-reina-tiye-abuela-tuntakamon-201703231424_noticia.html >. Acesso em 25 de maio de 2017.

KV-55: uma das mais controversas descobertas feitas no Egito

Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A Arqueologia egípcia na virada do século XIX para o XX ainda tinha um forte caráter imperialista e antiquarista, estando associada ao fetiche da descoberta do ouro e de belas esculturas. E foi nesse cenário que uma das mais polêmicas descobertas realizadas no Vale dos Reis foi feita, contando com um registro pobre dos artefatos e um relatório pouco confiável.

A temporada teve início no dia 1 de janeiro de 1907 com o arqueólogo Edward Russell Ayrton (1882 – 1914) limpando a área a sul da KV-6 (tumba de Ramsés IX) onde encontrou nos dias seguintes vários jarros grandes datados da 20ª Dinastia e mais adiante, em um nível inferior, a entrada para uma tumba hoje chamada de KV-55 (REEVES; WILKINSON, 1996).

Hortense Schleiter, Edward Russell Ayrton, Theodore Davies e Arthur Weigall.

Mesmo após mais de 100 anos da sua descoberta, a KV-55 é um dos mais controversos achados feitos no Egito, mas não somente devido às dúvidas que levantou acerca dos artefatos, mas dada as circunstâncias adversas em que foi escavada e a confecção do seu relatório de divulgação, que não foi escrito pelo arqueólogo da equipe, o Ayrton, mas por Theodore Davis, um rico empresário norte-americano patrocinador da pesquisa e sem formação em Arqueologia (REEVES, 2008). Aparentemente Davis era um homem caprichoso e não queria que ninguém interferisse em suas opiniões, mesmo que a intromissão fosse de algum profissional da Arqueologia, como uma citação em uma carta do rev. Archibald Henry Sayce (1845 – 1933) para Arthur Weigall (1880 – 1934), supervisor de Davis em nome do Serviço de Antiguidades, sugere:

“Eu estou com medo de que você poderia muito bem tentar parar uma avalanche assim com tentar parar Sr. Davis quando ele está inclinado a fazer uma coisa em particular” (REEVES; WILKINSON, 1996, pág. 78).

Graças a intervenção de Davis o relatório não saiu de acordo com o ponto de vista e análises de Ayrton e até mesmo o registro fotográfico foi comprometido: a ordem foi para que deixasse a bagunça do local mais “apresentável” nas fotografias (JACQ, 2002). Um erro grosseiro.

A KV-55 é compreendida por um corredor que leva até uma câmara funerária onde foi encontrada uma série de artefatos incluindo um santuário de madeira folheado a ouro, um ataúde, quatro vasos canópicos e um conjunto de objetos chamados de “tijolos mágicos”. Provavelmente foi escavada concomitante com a KV-46 (tumba de Yuya e Tuya) e a KV-62 (tumba de Tutankhamon) e um indicio aponta que o local não foi finalizado: foi observado que as paredes e o teto da câmara funerária foram engessados, mas não decorados e uma ostraca pintada com o que parece ter sido o plano original da tumba foi encontrada dentro da KV-55 em 1993, durante as pesquisas da arqueóloga canadense Lyla Pitada Brock. Algumas marcas nas paredes também dão indicações sobre a sua confecção, pois mostram indícios de alargamento deixados pelos pedreiros na entrada, incluindo uma posterior elevação no teto e o número de escadas aumentado[1].

O Período Amarniano:

Para tentar compreender esta sepultura e seus artefatos é necessário entender o Período Amarniano, intervalo temporal que inicia com a coroação do faraó Akhenaton e termina com o reinado do faraó Ay[2]. Filho de Amenhotep III e da rainha Tiye, Akhenaton, outrora chamado de Amenhotep IV, tornou-se notável na Egiptologia por conta de sua revolução religiosa onde passou a ignorar todas as divindades do Egito, exceto uma, Aton, o Disco Solar, e da mudança da capital de Tebas, que recebia a proteção do deus Amon, para Aketaton, cuja tradução é “Horizonte de Aton”.

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Akhenaton, sua esposa Nefertiti e três das suas seis filhas sendo tocadas pelos raios de Aton. Foto: Kenneth Garrett. Abril de 2001.

Sua preferência por Aton ao contrário dos demais deuses foi o que levou anos depois a exclusão tanto do seu nome, como dos seus descendentes, dos inventários de faraós, sendo então apresentada uma lista que dá um pulo do governo de Amenhotep III para o de Horemheb. Porém, entre estes dois conhecemos a existência de ao menos cinco faraós:

☥ Amenhotep IV/Akhenaton: Que inaugurou a capital “Akhetaton” e criou templos para Aton. Construiu uma tumba para si em Tebas e depois em Akhetaton, contudo provavelmente sua sepultura foi relocada para algum lugar em Tebas;

☥ Smenkhará: Sucessor de Akhenaton, mas que só reina por cerca de três a dois anos. Sua tumba não foi encontrada;

☥ Ankheperurá: Farani cuja existência ainda é fruto de muito debate. Sua tumba não foi encontrada;

☥ Tutankhaton/Tutankhamon: Faraó que reinou por nove anos e foi sepultado na KV-62;

☥ Ay: Reinou por cerca de dois anos. Foi sepultado na KV-22.

O declínio do Período Amarniano tem início com o reinado do faraó Tutankhamon, que restituiu o panteão de deuses, mas não dá totalmente as costas para Amarna, relocando sepultamentos da família real para Tebas e a KV-55 parece ser uma dessas tumbas.

Os artefatos encontrados e o corpo no ataúde:  

No local foram encontrados muitos objetos datados como pertencentes ao Período Amarniano. Um dos principais é o santuário que foi originalmente preparado para a rainha Tiye, o que levou Davis a declarar que a KV-55 trata-se da sua tumba e de fato faz sentido, já que este tipo de peça era utilizado para proteger o sarcófago de pedra e o ataúde. Entretanto, foi sugerido através dos exames de DNA realizados entre os anos de 2007 e 2008 que uma das múmias encontradas em um esconderijo em outra tumba, a KV-35, seria a da rainha, uma proposta que não é amplamente aceita, porque mesmo com o resultado apontando que ela trata-se de uma parente sanguineamente próxima ao casal Yuya e Tuya, pais da própria rainha (HAWASS et al, 2010; PARRA, 2011), não é aconselhado realizar análise de DNA em múmias por conta não só da antiguidade do material, mas devido a possibilidade de contaminação que os corpos podem ter sofrido. Caso de fato uma das múmias encontradas na KV-35 seja da rainha Tiye a explicação para o que poderia ter ocorrido é que a sua tumba original (talvez a KV-55) foi comprometida de alguma forma e ela precisou ser relocada para um espaço seguro (REEVES, 2008).

Já os vasos canópicos seguramente foram feitos para a rainha Kiya, uma esposa secundária do faraó Akhenaton, uma vez que estão nominados para ela. Por muito tempo muitos acadêmicos acreditaram que a rainha Kiya era a mãe do faraó Tutankhamon, entretanto, a análise de DNA dos anos de 2007 e 2008 aponta que em verdade a mãe dele seria uma irmã de Akhenaton (HAWASS et al, 2010; PARRA, 2011).

Tampa do vaso canópico da rainha Kiya. Imagem disponível em < https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/05/f2/60/05f260fc082f729bcfc514ffeb334e6e.jpg >. Acesso em 27 de janeiro de 2015.

Todavia a identidade do dono do ataúde e do corpo encontrado dentro dele é uma grande incógnita. O problema começa com o próprio ataúde, cujo o nome que se encontrava em um cartouche protetor foi extraído, o que parece ter sido algo deliberado, já que o rosto do sarcófago também foi avariado (REEVES, 2008). De acordo com a crença egípcia, para que o morto não sofresse uma “morte verdadeira” e fosse capaz de realizar sua viagem no “além tumulo” era necessário que a sua múmia estivesse intacta e devidamente nominada. A sua máscara mortuária deveria retratar o seu rosto de tal forma que o individuo pudesse ser reconhecido. Sabendo disto foi sugerido então que quem quer que realizou as mudanças no sarcófago não tinha a mínima intenção de que a pessoa nele sepultada pudesse ingressar no além vida (PARRA, 2011).

Ataúde da KV-55. Imagem disponível em < http://www.ancient-origins.net/ancient-places-africa/mystery-egyptian-tomb-kv55-valley-kings-002608 >. Acesso em 27 de janeiro de 2015.

Uma das primeiras teorias levantadas durante a busca da sua identidade foi apontada pelo famoso filólogo Sir Alan Gardiner (1879 – 1963) que argumentou que as titulações presentes no ataúde eram as de Akhenaton. Outros pesquisadores, no entanto, pontuaram que as inscrições foram alteradas em algum momento na antiguidade e que por isso o corpo sepultado lá poderia não ser o dono original do ataúde. Já o estudioso francês Georges Daressy sugeriu que ele poderia ter sido originalmente feito para a rainha Tiye e que depois foi adaptado para Smenkhkara, um sucessor de Akhenaton que reinou por pouco tempo antes de Ankheperura e Tutankhamon. Outra teoria é de que ele foi feito para Smenkhkara durante o reinado de Akhenaton e que após assumir o trono ele foi modificado[3]. Já Reeves (2008) aponta que o ataúde possivelmente foi preparado originalmente para a rainha Kiya, mas que foi alterado para servir outro dono.

Detalhe do sarcófago da KV-55. Imagem disponível em < http://egyptologist.org/discus/messages/41/7446.html?1046805375 >. Acesso em 27 de janeiro de 2015.

Não é de se espantar que tantos pesquisadores experientes se debatam em razão de qual poderia ser a identidade do dono do ataúde, afinal, quando o olhamos notamos que ele foi feito para alguém da realeza, possuindo o negativo de um cartouche, elemento usado somente para o nome de pessoas da nobreza como o faraó, a rainha e suas crianças, e também possui uma ureus em sua testa; Entretanto, no lugar do tradicional nemes (o toucado de listras), que era um objeto que identificava um faraó ou uma farani, está uma peruca núbia que era usada tanto por mulheres como por homens comuns e inclusive pelos próprios faraós. Ainda nas inscrições remanescentes no corpo do ataúde podemos encontrar a expressão “senhor do Alto e Baixo Egito” (JACQ, 2002), também marcas que apontam ser ali um faraó ou uma farani.

Em relação ao corpo, algumas das pesquisas já realizadas apontaram similaridades físicas e de grupo sanguíneo entre este individuo com a múmia de Tutankhamon (alguns aspectos desse estudo serão apresentados no meu livro “Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis”); o exame de DNA 2007/2008 apontou um forte grau de parentesco que sugere que ele seria o pai de Tutankhamon e as deduções arqueológicas levam a crer que este homem desconhecido da KV-55 seria o próprio Akhenaton (REEVES, 2008; HAWASS et al, 2010). Todavia, o fato é que ainda não existe consenso acerca da identidade dos restos mortais do individuo encontrado lá, especialmente porque em algum momento ao longo destes mais de 3000 anos a múmia se decompôs e resumiu o corpo a osso os quais atualmente está em um mau estado de conservação a tal ponto que não é possível realizar uma análise osteológica para definir um parâmetro de sua idade no momento da sua morte, sem acabar por confundir a degradação óssea devido à sua antiguidade com uma patologia óssea gerada pelo o envelhecimento do próprio individuo. Desta forma a sua idade já chegou a ser estimada como 25/26 anos, outros acima de 35, e mesmo reduzida para 20 anos (PÉREZ-ACCINO, 2003; REEVES, 2008).

Mais questões problemáticas:

Conhecer a finalidade da KV-55, a identidade do corpo nela encontrado e para quem de fato o ataúde foi confeccionado não são meras curiosidades, ter estas informações podem auxilar os atuais pesquisadores a entender mais os anos finais do Período Amarniano, como por exemplo, além de excluir os nomes dos faraós deste período e se de fato a ideia de danificar o ataúde era para deixar a pessoa nele encerrado sem uma identidade na sua vida no “além-túmulo”, até onde teria ido a perseguição à memória dos principais nomes dessa época?

Entretanto, dado ao trabalho executado com tantas falhas, algumas questões podem não ser respondidas, uma vez que existem casos não solucionados de furtos. Desde a década de 1920 os pesquisadores que tiveram algum contato com os artefatos retirados da tumba não foram coesos em afirmar quais objetos chegaram a sumir após a descoberta. Aparentemente tratam-se de folhas de ouro que teriam sido encontradas dentro do ataúde e que possivelmente um dia enrolou o corpo da múmia. Ao que parece tais folhas foram furtadas em algum momento ligeiramente após a descoberta da KV-55. Porém, mais coisas teriam sido furtadas, como sugeriu o ex-ministro das antiguidades, Zahi Hawass. Segundo ele, há alguns anos, partes dessas folhas, juntamente com elementos do fundo do próprio sarcófago, ressurgiram no Museu de Arte Egípcia, em Munique, na Alemanha e que com a descoberta do crime os objetos foram repatriados para o Egito[3].

O que tudo sugere é que a KV-55 continuará emanando muitos mistérios, pois, independente dos esforços dos atuais pesquisadores, questões e mais questões (algumas de teor sensacionalista) sempre são levantas, demonstrando o fascínio que o senso comum e mesmo acadêmicos sentem por esta descoberta que guarda o corpo de um individuo tão desafortunado, uma vez que o ódio e exclusão de um nome em um ataúde era uma situação gravíssima e indicava que a pessoa não era bem-quista em vida e muito menos na morte.

Referências:

HAWASS, Zahi.  GAD, Yehia Z.  ISMAIL, Somaia. KHAIRAT, Rabab. FATHALLA, Dina. HASAN, Naglaa. AHMED, Amal. ELLEITHY, Hisham. BALL, Markus. GABALLAH, Fawzi. WASEF, Sally. FATEEN, Mohamed. AMER, Hany. GOSTNER, Paul. SELIM, Ashraf. ZINK, Albert. PUSCH, Carsten M. Ancestry and Pathology in King Tutankhamun’s Family. JAMA. 303(7):638-647, 2010.

JACQ, Christian. Nefertiti e Akhenaton: O casal solar (Tradução de Maria D. Alexandre). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

JAMES, Henry. Tutancâmon (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2005.

PARRRA, José Miguel. El verdadero origen del faraón niño: La familia de Tutankamón. Historia. National Geographic. Nº 83.

PÉREZ-ACCINO, José Ramón (c). “Where is the body of Akhenaten?”. In: Manley, Bill. (ed). The Seventy Great Mysteries of Ancient Egypt. United Kingdom: Thames & Hudson, 2003.

O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: Terra de faraós (Tradução de Francisco Manhães). Barcelona: Folio, 2007.

REEVES, Nicholas; WILKINSON, Richard. The Complete Valley of the Kings. London: Thames & Hudson, 1996.

REEVES, Nicholas. The Complete Tutankhamun. London: Thames & Hudson, 2008.


 

[1] KV 55 (Tiye (?) or Akhenaten (?)).  Disponível em < http://www.thebanmappingproject.com/sites/browse_tomb_869.html >. Acesso em 16 de janeiro de 2015.
[2] Alguns autores preferem situar seu fim no reinado do faraó Tutankhamon.
[3] Hawass, Zahi. Mystery of the Mummy from KV55. Disponível em < http://www.guardians.net/hawass/articles/Mystery%20of%20the%20Mummy%20from%20KV55.htm >. Acesso em 16 de janeiro de 2015.

De acordo com reanálise de DNA a Rainha Tiye e o Faraó Amenhotep III eram primos

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

As investigações que se seguiram após as análises de DNA das múmias reais, publicadas em Fevereiro de 2010, proporcionaram materiais para uma nova árvore genealógica da Família Real do final da XVIII Dinastia.

Após debates acerca da confiabilidade das sugestões laçadas naquela época, um exame minucioso destes resultados levou este ano à conclusão de que alguns elos genéticos não foram notados pela a equipe responsável pelo exame em 2010.

Estátuas de Amenhotep III e Tiye. Salão principal do Museu Egípcio do Cairo. Retirado de: Chapter 20: Amenhotep the Magnificent. Disponível em: . Acesso em 12 de Janeiro de 2011.

Estátuas de Amenhotep III e Tiye. Salão principal do Museu Egípcio do Cairo. Retirado de: Chapter 20: Amenhotep the Magnificent. Disponível em: < http://www.answersingenesis.org/articles/utp/amenhotep-the-magnificent>. Acesso em 12 de Janeiro de 2011.

De acordo com a revisão do estudo, o fato mais significativo é que foi descoberto que Yuya, pai da Grande Esposa Real Tiye, compartilhou com seu genro, Amenhotep III, cerca de 1/3 de herança genética. Como consequência está sendo proposto que Yuya é um tio de Amenhotep III por parte de mãe, o que aponta que em verdade a rainha Tiye era prima de Amenhotep III e não uma plebeia, como muito se afirmou.

Faraó Amenhotep III. Imagem disponível em . Acesso em 12 de outubro de 2013.

Faraó Amenhotep III. Imagem disponível em < http://www.cis.nctu.edu.tw/~ whtsai/Egypt%20Trip/Summary %20of%20Trip/Part%20I%20—%20 Days%2001~04/Part%20I%20—%20By% 20Browsing/page_05.htm >. Acesso em 12 de outubro de 2013.

Rainha Tiye. Imagem disponível em . Acesso em 12 de outubro de 2013.

Rainha Tiye. Imagem disponível em < http://www.pinterest.com/pin/2476 2767948 4031042/ >. Acesso em 12 de outubro de 2013.

Outra sugestão da pesquisa é que a “Jovem Mulher”, encontrada com a múmia da rainha Tiye e já identificada como mãe do faraó Tutankhamon, trata-se de Nefertiti, já que possui um grau de parentesco próximo tanto com Yuya e sua esposa Tuya, como também com Tiye e Amenhotep III. Mas esta última teoria está mais baseada na possibilidade de que Nefertiti poderia ser filha de Ay, que por sua vez poderia ser filho de Yuya e Tuya.

A última conclusão da análise é que uma das mulheres encontradas na KV-21 se trataria de Mutemuiya, mãe de Amenhotep III.

Referência:

Marc Gabolde, « L’ADN de la famille royale amarnienne et les sources égyptiennes », ENiM 6, 2013, p. 177-203. Disponível em < http://www.osirisnet.net/news/n_09_13.htm  >. Acesso em 10 de Outubro de 2013.

Passado e presente: Tubo para guardar Kohl

 

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Todos os dias, ao sair de casa, as pessoas que viviam no Egito se deparavam com o calor solar do deserto do Saara, somado a isto estava o fato de que as nuvens eram praticamente inocorrentes, dando poucas possibilidades de sombra fresca. Para prevenir quaisquer problemas com a saúde da pele ou dos olhos criou-se elaborados unguentos e pastas, estas últimas para as pálpebras.

Foram pensadas misturas diferentes para os olhos, mas por fim foi obtido e adotado o mesdemet, que nada mais era que uma pasta negra utilizada para cobrir as pálpebras (às vezes também sobrancelhas) humanas, formando o efeito que corriqueiramente observamos representado nas estátuas e desenhos egípcios:

 

 

O mesdemet era amplamente utilizado entre homens e mulheres e a crença dita que além da sua utilidade estética serviria para reter parte da luz solar e a poeira do deserto, impedindo-os de chegar aos olhos propriamente ditos (RICE, 1999). Sua importância era tamanha que não era incomum que ele composse as listas de oferendas durante o Antigo Império (STROUHAL, 2007).

A bibliografia é um pouco contraditória no que diz respeito a composição deste material. Em alguns casos é sugerido que na antiguidade ele era obtido através da malaquita triturada e em outros diz-se que era misturado com ardósia, esteatito e grauvaque (RICE, 1999), ou mesmo que era obtido através da estibinita ou da galena, esta última sendo a composição do atual kohl (palavra de origem semítica), disponível para comércio no Egito, ou através de distribuidores, e que é tido de uma forma geral como uma maquiagem remanescente do Período Faraônico, é tanto que se habituou a chamar o mesdemet simplesmente de kohl (STROUHAL, 2007).

 

Passado e presente: armazenamento do cosmético para olhos

De forma cônica, o tubo apresentado mais a diante servia para armazenar este tipo de maquiagem. Este em questão é feito com faiança azulada e possui o prenome de Amenhotep III e o nome da Grande Esposa Real Tiye o que levanta a probabilidade de ter pertencido a um (a) alto (a) funcionário (a), um membro da realeza ou ao próprio casal real. Atualmente ele pertence ao acervo do Brooklyn Museum.

 

Tubo de Kohl com os nomes de Amenhotep III e Tiye. Fotografia digitalmente modificada para melhorar a visualização. Imagem disponível em < http://ancientstandard.com/2010/12/08/ancient-cosmetics-the-beautiful-killer/ >. Acesso em 28‎ de ‎maio‎ de ‎2013.

 

Para retirar a pasta do seu interior era utilizada uma pequena vara de madeira ou de faiança, maneira de uso que lembra os nossos atuais modelos de recipientes de cosméticos para olhos:

 

Exemplo de recipiente de um delineador disponível atualmente no mercado.

 

Apesar da leve semelhança no armazenamento, os cosméticos comumente disponíveis em lojas especializadas naturalmente em nada tem a ver com o kohl, mas não só na composição, como também na textura e cor: enquanto hoje existem produtos líquidos, em gel, pasta ou vendidos em forma de lápis, ambos em diferentes cores, o kohl não raramente deveria possuir uma textura provavelmente granulada (se sua matéria prima fosse mal triturada) e a única cor disponível era o preto.

O azul encontrado nas pálpebras e sobrancelhas de em algumas imagens estava relacionado com o lado místico da sociedade egípcia, onde os cabelos das divindades seriam azulados.

Referências:

RICE, Michael. “Glossary”. In: RICE, Michael. Who’s Who in Ancient Egypt. Londres: Routledg, 1999.

STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito. (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

 

Encontradas pedaços de estátuas

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Foram encontradas esta semana por uma das equipes do SCA seis pedaços de imagens do faraó Amenhotep III e sua esposa Tiye (XVIII Dinastia) em Medinet Habu. Tais partes pertencem às estátuas que hoje estão no centro do salão principal do Museu Egípcio do Cairo.

Um dos seis pedaços encontrados em Medinet Habu da peruca da rainha Tiy que faltam de sua estátua – que se encontra atualmente no salão principal do Museu Egípcio do Cairo -. Foto: Meghan E. Strong. Retirado de: Dr. Hawass: Press Release – Pieces of Amenhotep III and Tiye statue found. Disponível em: < http://www.drhawass.com/blog/press-release-pieces-amenhotep-iii-and-tiye-statue-found>. Acesso em 12 de Janeiro de 2011.

De acordo com o secretário-geral do SCA, Dr. Zahi Hawass, as estátuas, que foram descobertas em 1889 por Auguste Mariette em também em Medinet Habu, foram “complementadas” por uma equipe restauradora italiana com alvenaria moderna.

Dois pedaços de pedra calcária, representando parte da mão e os dedos da rainha Tiye – que se encontra atualmente no salão principal do Museu Egípcio do Cairo -. Foto: Meghan E. Strong. Retirado de: Dr. Hawass: Press Release – Pieces of Amenhotep III and Tiye statue found. Disponível em: < http://www.drhawass.com/blog/press-release-pieces-amenhotep-iii-and-tiye-statue-found>. Acesso em 12 de Janeiro de 2011.

As peças recuperadas de Amenhotep III pertencem ao seu peito, coroa e perna, já dentre as encontradas da rainha Tiye está parte de sua peruca. Em breve os pedaços serão levados para o Museu Egípcio do Cairo e recolocados no seu local original.

Essas seis peças são apenas alguns dos cerca de 1.000 fragmentos de estátuas que têm sido encontradas e que datam da época faraônica até o copta. O supervisor da escavação é o arqueólogo Abdel Ghaffar Wagdy que disse que os pedaços foram encontrados durante o resgate de artefatos em um projeto para diminuir as águas subterrâneas na margem oeste de Luxor.

Estátuas de Amenhotep e Tiye. Salão principal do Museu Egípcio do Cairo. Retirado de: Chapter 20: Amenhotep the Magnificent. Disponível em: < http://www.answersingenesis.org/articles/utp/amenhotep-the-magnificent>. Acesso em 12 de Janeiro de 2011.

Fonte:

Dr. Hawass: Press Release – Pieces of Amenhotep III and Tiye statue found. Disponível em: < http://www.drhawass.com/blog/press-release-pieces-amenhotep-iii-and-tiye-statue-found>. Acesso em 12 de Janeiro de 2011.

Tutankhamon por todos os lados

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Esta minha semana foi particularmente conturbada, desde a segunda estive mais ansiosa do que nunca com os resultados do exame de DNA de Tutankhamon que é prometido desde 2008, são dois anos, uma longa espera. Ocorreu primeiramente uma serie de mudanças de data para liberar o resultado, o que já era até que esperado, afinal uma pesquisa de tal magnitude pode ter vários imprevistos. Foi dito que seria liberado no dia 16/02/2010 embora outras fontes tenham dito que seria em 17/02/2010. Independente a notícia se espalhou no dia 17/02 e o mundo ficou olhando extasiado para a internet enquanto as informações se multiplicavam. O faraó Tutankhamon, mesmo após quase noventa décadas, sabe ainda chamar a atenção.

 

Tutankhamon viveu durante a XVIII Dinastia e reinou até os 18 a 19 anos de idade.

Durante este tempo estive esperando o resultado do exame porque ele traçaria o perfil genético de Tutankhamon e dos fetos do sexo feminino encontrados com ele (que se provou serem suas filhas) e assim tentar encontrar seus parentes entre corpos reais do seu período que ainda não tinham sido identificados. A rainha Ankhesenamon ainda não tinha sido encontrada, logo ela faz parte na preferência pela a procura. Passei estes dois anos esperando, mas infelizmente a espera não acabou.

Foram identificados os pais de Tutankhamon como sendo o esqueleto encontrado na KV-55 (que quase seguramente é de Akhenaton) e a múmia mais nova encontrada na KV-35 (A que em 2003 foi proposta como Nefertiti, mas se provou como sendo muito mais nova que a rainha e é uma das irmãs de Akhenaton). A múmia da senhora mais velha da KV-35 é a rainha Tiye, avó de Tutankhamon.

Múmia da KV-35 identificada como sendo a rainha Tiye, e avó de Tutankhamon.

Múmia da KV-35 identificada como filha de Tiye e mãe de Tutankhamon. Ainda não se sabe o seu nome.

 

Duas múmias encontradas na KV-21 foram também submetidas ao exame, não se sabe quem são, acredita-se que uma delas possa ser Ankhesenamon. Mas é aí que começa a má noticia: uma delas possui maior probabilidade de ser a rainha, mas para uma confirmação segura não há mais dados legíveis no material.

Extrair DNA de corpos tão antigos não é tarefa fácil por diversos fatores, dentre eles a contaminação do material genético e do material ser antigo. Como um resultado seguro é difícil de se obter o Supremo Conselho de Antiguidades do Egito proibiu este tipo de exame por alguns anos, mas o retomou de forma quase insegura e cética. Para que nesta situação não ocorresse o risco de dar um resultado contraditório a equipe responsável pela a análise do material de Tutankhamon se dividiu em subgrupos, onde fariam o exame independentemente. Desta forma o resultado acabou sendo praticamente incontestável.

Depois de anos de especulação a malária, ao lado de uma infecção óssea, foi o veredicto para o rei, mas as pessoas não vão parar de se questionar sobre a sua morte, vão continuar imaginando e especulando. Da mesma forma que foi apontada na década de 60 como causa de seu falecimento uma pancada na cabeça ele poderá ganhar outra causa de morte daqui a algumas décadas, mas por enquanto, com o maximo da tecnologia do nosso tempo este resultado já é bem abrangente e seguro.

Quanto a Ankhesenamon a espera continua.

Um programa da Discovery Channel denominado KING TUT Unwrapped será veiculado este próximo domingo nos EUA (sem previsão para passar no Brasil).

Saiba mais sobre o assunto:

Os Escândalos da Arqueologia Forense com Múmias e Esqueletos Egípcios, 19/02/2010 < www.arqueologiaegipcia.com.br/texto_antrop_escandalos.html>
Pesquisa sobre a terceira princesa de Amarna, 19/02/2010 < www.arqueologiaegipcia.com.br/texto_pesquisa_ankhesenamon.html>

Fontes das imagens:

Tut: Disease and DNA News, 19/02/2010 < http://www.archaeology.org/online/features/tutdna/>