Conheça o novo lar bilionário dos tesouros arqueológicos do Egito

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

O turista que visitar por estes dias o Platô de Gizé, lar das três grandes pirâmides do Egito, poderá ver ao longe cerca de 5.000 operários trabalhando 24 horas por dia para terminar o Grande Museu Egípcio (GEM), cuja promessa de inauguração se arrasta por anos. Agora, acredita-se que este grande prédio estará disponível para a visitação em 2020. Quando ele estiver pronto e totalmente funcional se tornará o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização.

Foto: Dana Smillie

A ideia da criação do Grande Museu Egípcio surgiu como uma tentativa de se criar um museu modelo e ao mesmo tempo afrouxar o Museu Egípcio, na praça Tahrir, no Cairo, que estava cada vez mais abarrotado de artefatos arqueológicos: muitos dos quais permanecem em seu porão sem um tratamento adequado e a maioria nem mesmo foi estudado. Além disso, o GEM terá um centro de estudos aberto a arqueólogos de todo o mundo, centros de conferências, cinemas, lojas e vários restaurantes.

“Todos os meios de tecnologia moderna foram levados em consideração para tornar isso uma experiência inesquecível para o visitante, mas ao mesmo tempo fornecer o melhor ambiente possível para os artefatos.”, explicou Tarek Tawfik, diretor-geral do museu à CNN.

Foto: Dana Smillie

O Grande Museu Egípcio trata-se de um edifício gigantesco com uma enorme fachada de vidro que apresenta um grande panorama do Platô de Gizé e naturalmente as três pirâmides dos reis e a Grande Esfinge, que ficam a apenas dois quilômetros de distância. Por fotos é possível ver a dimensão do lugar. Esforços não foram poupados para igualar o edifico às antigas obras dos faraós. Ele possui um formato triangular e é forrado por uma parede translucida de calcita. O design é assinado pelo estúdio irlandês Heneghan Peng.

Imagem: Divulgação

“Ter um edifício que se harmonize bem com essas pirâmides e forneça, para a próxima geração de jovens egípcios, um lugar onde eles possam realmente conhecer as raízes da civilização de sua história – isso é algo fantástico”, disse Tawfik.

Imagem: Divulgação

Custando mais de 1 bilhão de dólares, o GEM irá realojar e restaurar algumas das mais preciosas relíquias do país, a exemplo dos tesouros do faraó Tutankhamon, os quais estão recebendo atenção especial. Algumas peças já foram restauradas, a exemplo de uma de suas roupas: uma túnica que jamais tinha sido apresentada ao público. Assim como um dos seus muitos pares de sandálias. Quando este calçado em questão foi entregue a um conservador chamado Mohamed Yousri, não se existia muitas esperanças de recuperação, as solas haviam se desintegrado e os enfeites de contas estavam em frangalhos. Mas, o seu esforço valeu a pena. A sandália está restaurada e pronta para ser exibida ao público.

Foto: Dana Smillie

Só a título de curiosidade: o museu terá 93.000 metros quadrados de espaço de exposição, onde os artefatos de Tutankhamon ocuparão cerca de um terço.

Uma dezena de outros artefatos ao longo dos últimos anos têm recebido atenção dos conservadores do museu, que agora tem o seu espaço como um dos maiores centros de conservação do mundo.

A construção do GEM passou por uma série de altos de baixos. Tendo a sua construção se iniciado em 2010, sua inauguração foi atrasada várias vezes: além de ter assistido a Primavera Árabe em 2011, sofreu com a ausência de verbas para a sua construção. Hoje é a esperança de reviver o turismo no Egito, que decaiu nos últimos anos e só agora começa a se reerguer.

Fonte:

Egypt’s treasures to receive a new $1 billion home. Disponível em < https://edition.cnn.com/style/article/grand-egyptian-museum/index.html >. Acesso em 6 de junho de 2018.
En la pirámide de Tutankamón. Disponível em < http://www.elcorreo.com/culturas/piramide-tutankamon-20180324102115-nt.html?edtn=bizkaia >. Acesso em 2 de junho de 2018.

Restauradores egípcios estão recuperando roupa de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

O centro de restauro do Grand Egyptian Museum (GEM; Grande Museu Egípcio) recuperou uma túnica descoberta na tumba do faraó Tutankhamon, que por sua vez foi encontrada em 1922. Esta peça jamais foi mostrada ao público devido ao seu mau estado de conservação.

Osama Abou El-Khier, diretor da seção de restauro do GEM, disse que uma grande revelação foi feita: os pesquisadores descobriram que ela, em verdade, não seria de Tutankhamon, mas que poderia ter pertencido a Akhenaton ou Smenkhara, ambos seus antecessores, e que de alguma forma foi parar entre os pertences do rei.

Esta túnica, dentre tantas coisas, é importante porque, segundo Abu El Kheir, (…) lançará luz sobre a indústria têxtil no antigo Egito, como as antigas peças de roupas estão sendo coletadas para determinar o comprimento e a cor do item histórico da roupa”.

Imagem frontal da máscara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

 

E existe uma história interessante por trás da descoberta desta roupa: Howard Carter, descobridor da tumba do rei, em suas memórias deixou um conselho para os egípcios, pedindo para que no futuro eles a estudasse, uma vez ela seria capaz de fornecer dados acerca da história têxtil do Egito.

O que certamente Carter não imaginou é que a tecnologia de restauros avançaria tanto e que agora essa roupa não só será restaurada, como muito possivelmente será um dia exposta para o público.

Fonte:

GEM to reveal King Tut’s tunic. Disponível em < http://www.egypttoday.com/Article/1/44952/GEM-to-reveal-King-Tut%E2%80%99s-tunic >. Acesso em 20 de março de 2018.

Mãe de Tutankhamon é tema de documentário

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Recentemente foi anunciada a estreia de um documentário que falará sobre a mãe do faraó Tutankhamon e a nova reconstituição facial feita para ela. Será um especial dividido em duas partes para o programa Expedition Unknown, da Travel Channel. Ainda não existe uma data prevista para o Brasil.

No Egito foram descobertos alguns esconderijos onde estavam múmias da realeza. O mais famoso é o de Deir el-Bahari, o qual já foi comentado aqui no Arqueologia Egípcia. Já um dos menos conhecidos  é o que foi descoberto em 1898, na KV-35. Neste foi encontrada a múmia da mulher cujo exames genéticos apontam como sendo a mãe de Tutankhamon. É ela um dos focos do documentário:

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Artefatos da tumba do faraó Tutankhamon estão vindo para a América

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Como parte das comemorações que ocorrerão nos próximos anos em homenagem aos 100 anos da descoberta da tumba do faraó Tutankhamon, ocorrida em 1922, os artefatos provenientes de sua sepultura entrarão em mais uma turnê no ano de 2018.

Rosto de um dos sarcófagos do Faraó Tutankhamon. Foto pertencente ao acervo da National Geographic. Kenneth Garrett. Setembro de 1998.

A primeira parada da chamada “KING TUT: Treasures of the Golden Pharaoh” (Rei Tut: Tesouros do Faraó de Ouro) será a Califórnia (EUA), no Museu de Los Angeles, onde permanecerá por 10 meses a partir do mês de maio. Depois eles seguirão para a Europa em janeiro de 2019.

Dr. Diane Perlov, Diretora Adjunta de Exposições no Centro de Ciências da Califórnia, comentou que a exposição será “mais uma experiência de tipo imersiva”, pois cada artefato estará acompanhado por uma multimídia que contará como seria o pós vida de Tutankhamon.

Tutankhamun

De acordo com o museu, esta exposição representa a maior coleção de artefatos de Tutankhamon que será exposta para o público fora do Egito. 40% dos itens estão saindo pela primeira vez do pais.

Com o fim desta turnê internacional todos os artefatos do rei terão um novo lar, saindo definitivamente do centenário Museu Egípcio do Cairo, sendo exibidos permanentemente no Grand Museu Egípcio, cujo edifício foi construído perto das Pirâmides de Gizé.

 

Fonte: 

Artifacts from King Tut’s tomb are coming to LA. In: KPCC. Disponível em < http://www.scpr.org/news/2017/11/29/78274/artifacts-from-king-tut-s-tomb-set-for-internation/ >. Publicado em 29 de novembro de 2017. Acesso em 06 de dezembro de 2017.

Saiba mais: https://californiasciencecenter.org/exhibits/king-tut-treasures-of-the-golden-pharaoh

Móveis de Tutankhamon foram destaque em evento de Arqueologia

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Como comentado aqui no AE ocorreu este mês (de 06 a 08 de maio; 2017) o terceiro ano de um evento internacional realizado no Egito para discutir unicamente o faraó Tutankhamon. Essa reunião ocorre no Grande Museu Egípcio desde 2015 como uma tentativa de discutir mais sobre os melhores métodos para restaurar e preservar a coleção funerária de Tutankamon e garantir o seu transporte seguro do Museu Egípcio na Praça Tahrir para o Grande Museu.

Tut Ankh Amon Sarcophagus, Egyptian Museum, Cairo, Egypt

A versão deste ano, com o título Tutankhamun: Human Remains and Furniture (Tutankhamon: remanescentes humanos e mobília), contou com a apresentação de trabalhos de 12 estudiosos de seis países (França, Espanha, Alemanha, Suíça, Japão e Dinamarca). Além do debate de 17 artigos científicos.

Foram três dias de evento onde o primeiro foi dedicado a discutir sobre alguns dos móveis encontrados na tumba do rei tais como cadeiras, camas e suas caixas de madeira. O segundo para comentar a experiencia do Museu de Berlim na Alemanha e do Museu do Louvre em Paris no transporte de peças de sua coleção, juntamente com novas técnicas utilizadas na exibição de artefatos. E o terceiro e último teve como foco as melhores técnicas usadas para restaurar a coleção funerária do rei.

E como esperado, a questão da possibilidade — cada vez mais minguada — da existência de câmaras ocultas na tumba não foi o foco desta vez (ano passado ocorreu uma mesa especifica para o assunto).

Fonte:

Third annual Tutankhamun conference inaugurated today. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/268197/Heritage/Ancient-Egypt/Third-annual-Tutankhamun-conference-inaugurated-to.aspx >. Acesso em 06 de maio de 2017.