Grandes estátuas de Ramsés II e Seti II são encontradas na “Cidade do Sol”: mas, existem alguns probleminhas…

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Uma missão egípcia-alemã, que está trabalhando em El-Mataria (Cairo), antiga Heliópolis, desenterrou partes de duas estátuas colossais da época ramséssida, no sítio arqueológico de Suq el-Khamis. As pesquisas estão sendo coordenadas pela Universidade de Leipzig em cooperação com o Ministério das Antiguidades do Egito [1].

Ambas, no momento da descoberta, estavam cobertas com lama argilosa. Partes delas já foram removidas do local e de acordo com o Ministro das Antiguidades, serão levadas para o Grande Museu Egípcio, cuja inauguração — cancelada várias vezes  — espera-se que ocorra em 2018 [1].

Uma delas, feita em pedra calcária, é a parte superior de uma imagem do rei Seti II (identificado por um cartucho em seu ombro direito) e mede cerca de 80 cm de altura.

Estátua de Seti II. Foto: Luxor Times.

Estátua de Seti II. Foto: Luxor Times.

A segunda é feita de quartzito. Não se sabe quem ela representa, embora a sugestão é de que possa ser Ramsés II — um ligeiro antecessor de Seti II —. Esta imagem deveria ter tido cerca de 8 metros de altura.

Possível estátua de Ramsés II. Foto: Luxor Times.

“Estou bastante certo de que [os quadris e pernas] estarão lá”, disse Dietrich Raue, diretor da equipe alemã, “mas o problema é que estamos no meio da cidade e a parte inferior pode estar muito perto das residências. É perigoso escavar mais perto das casas, assim provavelmente nós não teremos a parte inferior” [3]

O templo foi destruído no Período Greco-romano e as antiguidades foram saqueadas e enviadas para Alexandria ou Europa. Em épocas posteriores alguns elementos dos edifícios foram reciclados como material de construção no Cairo[3].

Controvérsias:

Em meio a várias notícias comemorando a descoberta, algumas fotos têm circulado por algumas mídias sociais criado uma grande polêmica no Egito. A questão tem relação com a utilização de uma escavadeira para extrair as estátuas da terra, o que levou a acusações de que essa metodologia teria prejudicado a integridade dos objetos e que, inclusive, teria quebrado um deles.

Em um comunicado, o Ministério das Antiguidades comentou o escândalo, garantindo que os artefatos não sofreram avarias e que estão recebendo acompanhamento de especialistas. Mahmoud Afify, chefe do Setor de Antiguidades Egípcias, disse que apenas parte da estátua, a cabeça, foi levantada com uma escavadeira devido ao seu peso excessivo, o restante permanece no local. Ainda de acordo com o mesmo, para retirá-la foram utilizados tarugos de madeira e cortiça para separá-la do metal do guindaste. Uma grande quantidade de argila também foi retirada com a peça durante o levantamento [2][3].

Possível estátua de Ramsés II. Foto: Luxor Times.

Possível estátua de Ramsés II. Foto: Luxor Times.

Possível estátua de Ramsés II. Foto: Luxor Times.

Zahi Hawass, ex-ministro as antiguidades, defendeu a metodologia adotada por seus colegas afirmando que “Se não for transportada deste modo, então ela nunca será transportada. Este é o método usado em todos os países do mundo para mover quaisquer artefatos arqueológicos desse tamanho (…). Portanto, garanto que o que foi feito pela missão foi um trabalho científico integrado em salvar a escultura descoberta e que não há outra maneira para a missão a não ser usar essas máquinas que preservaram a estátua” e complementou “Estou muito feliz com o transporte desta imagem e sua descoberta, porque tem gerado grande publicidade no mundo inteiro” [4].

Outros pontos foram levantados pela arqueóloga e ativista Monica Hanna em sua página em uma rede social. Ela explicou que o verdadeiro problema é que essas grandes estátuas foram encontradas em um terreno cedido pelos Ministério das Antiguidades. Em um outro momento o até então chefe de arqueologia da região afirmou, erroneamente, que o espaço não tinha nenhum interesse histórico e o deu para a Unidade Local para construir um mercado. Ela ainda salientou a questão do esgoto no sítio e falou sobre a possibilidade de drenar toda a água. Também comentou sobre como grandes artefatos são erguidos: “(…) objetos pesados são geralmente levantados usando cintos/cordas ou são acolchoados para evitar o contato com as partes metálicas da escavadeira, pois existe sempre risco de choque, mesmo que mínimo, durante a difícil operação. Das imagens, parece que a estátua não foi quebrada durante a operação, como algumas pessoas temiam”. [5]

Esgoto e lixo: péssima mistura não só em um sítio arqueológico, mas em uma área residencial. Foto: Luxor Times.

Contudo, de fato algumas fotografias compartilhadas por alguns egípcios realmente são preocupantes. Aparentemente a cabeça da estátua ainda está no local em que a equipe a deixou após retirá-la do buraco. Exceto a primeira, as duas outras fotografias, até o momento, são de autores desconhecidos:

Alguns jornais e portais noticiaram que as estátuas seriam enviadas para o Grande Museu Egípcio, mas não falaram que a suposta cabeça de Ramsés II ainda permanecia no local. Foto: Mohamed Abd El Ghany / Reuter.

Esta foto de crianças brincando sobre a cabeça é preocupante, principalmente porque uma delas (círculo vermelho) está apoiada na orelha da estátua. Foto: Autor desconhecido.

Homens da própria região parecem ter tomado uma iniciativa e coberto a cabeça para protegê-la. Foto: Autor desconhecido.

Up-date: 15h09 | 11/03/2017

Saiu na mídia egípcia que agora a cabeça está “protegida” com fitas amarelas de proteção. Já é alguma coisa:

Foto: Past Preservers

Área alagada: qual seria a melhor maneira de trabalhar nessa situação?

A priori pode parecer impossível realizar um trabalho de arqueologia em um sítio alagado, mas não é. Nessa situação, por exemplo, foi possível realizar um trabalho de dragagem. Porém, nenhumas das notícias deixam claro se ocorreu alguma preocupação em se procurar por pequenos artefatos, só nos é possível ver os trabalhadores lavando as partes das estátuas e depois as removendo com uma escavadeira.

Foto: Mohamed Abd El Ghany / Reuter

Talvez com a publicação oficial da missão isso seja, ou já tenham sido, respondido. Porém, aproveitei para entrar em contato com um colega brasileiro, o Luis Felipe Freire, que é especialista em Arqueologia Subaquática. Perguntei para ele como nesta situação, a de um sítio arqueológico coberto por lama, poderíamos procurar por pequenos artefatos, já que não é possível realizar uma escavação por camadas. Sua resposta foi a seguinte:

“Vai depender da área, o ideal seria estar drenando a água para começar a retirar o sedimento, peneirando o mesmo com a técnica de peneira molhada. No entanto, vai depender das condições do local, porque se for à beira de um rio/lago/mar a água poderá continuar minando com muita velocidade. Geralmente o pessoal faz isso. Drenagem da água e escavação a níveis artificiais para ter o mínimo de controle estratigráfico”.

Falei para ele que ocorreu uma tentativa de drenagem, mas que por algum motivo ainda tinha muita água. Então ele pontuou:

“Realmente, daria para fazer algo com um maior controle e registro arqueológico. Porque mesmo com muita água minando, ainda dá para criar um sistema de drenagem que controle o surgimento da água, enquanto é feita a escavação. Tanto que o pessoal já fez escavação no meio do mar drenando a água e escavando os sítios na lama. Só que é uma logística cara, possivelmente eles não queriam ter muito esforço (gastar dinheiro)”.

Outras descobertas importantes:

Heliópolis, conhecida como Iunu em egípcio antigo (On em copta e na Bíblia), foi um importante nomo do Egito. Atualmente parte dessa antiga cidade compreende o subúrbio do Cairo. O nome “Heliopolis” (Cidade do Sol, traduzido do grego) tem relação com os templos do deus Sol Rá, Amon-Rá ou Rá-Harakhty. Aton, uma das representações de Rá, também foi cultuado no local.

Em Souq Al-Khamis foram encontrados os restos dos templos dos faraós Tutmés III, Akhenaton e o próprio Ramsés II, todos do Novo Império.

— Abaixo vocês poderão conferir alguns vídeos e entrevistas realizados no local em que foram encontradas as estátuas (legendas em inglês):

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a construção de uma grande estátua.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fontes:

[1] Ramesses II colossus discovered in old Heliopolis. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/03/ramesses-ii-colossus-discovered-in-old.html >. Acesso em 09 de fevereiro.

Egipto recupera del fango dos grandes estatuas de la época ramésida. Disponível em < http://www.abc.es/cultura/abci-egipto-recupera-fango-grandes-estatuas-epoca-ramesida-201703091530_noticia.html >. Acesso em 09 de fevereiro.

[2] Officials deny any damage to newly-discovered king Ramses II statue during excavation. Disponível em < http://www.egyptindependent.com/news/officials-deny-any-damage-newly-discovered-king-ramses-ii-statue-during-excavation >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

[3] Colossal 3,000-year-old statue unearthed from Cairo pit. Disponível em < http://edition.cnn.com/2017/03/10/africa/ramses-ii-ozymandias-statue-cairo/ >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

[4] Zahi Hawass fires back at criticism of colossus’ salvation. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/03/zahi-hawass-fires-back-at-criticism-of.html >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

[5] Comentários da Monica Hanna. Disponível em < https://www.facebook.com/monicahanna/posts/960545308686 >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

Massive Statue of Ancient Egyptian Pharaoh Found in City Slum. Disponível em < http://news.nationalgeographic.com/2017/03/egypt-pharaoh-ramses-statue-discovered-cairo/ >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

Estátua de Ramsés II encontrada no Cairo é uma das descobertas arqueológicas mais importantes da história. Disponível em < http://www.hypeness.com.br/2017/03/estatua-de-ramses-ii-recem-achada-em-uma-favela-do-cairo-e-uma-das-descobertas-arqueologicas-mais-importantes-da-historia/ >. Acesso em 10 de fevereiro de 2017.

Zahi Hawass estreará novo programa de TV

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Se você é um avido consumidor de documentários, revistas e programas sobre a Antiguidade egípcia provavelmente já ouviu falar de Zahi Hawass. Arqueólogo, egiptólogo, escritor, já foi diretor do Supremo Conselho de Antiguidades e Ministro das Antiguidades do Egito. Este homem conseguiu arrecadar uma legião de fãs e desafetos. Ficou mundialmente famoso quando protagonizou a divulgação da Arqueologia realizada no Egito e a importância de repatriar artefatos arqueológicos notáveis para a Egiptologia tais como a Pedra de Roseta (que permitiu a tradução dos hieróglifos egípcios) e o busto da Rainha Nefertiti, retirado do país em circunstancias pouco admiráveis.

Zahi Hawass. Via.

Em 2011 Hawass foi o foco de um “reality” (entre aspas mesmo porque anos mais tarde, em entrevista, ele revelou que algumas das situações ocorridas na série foram plantadas pela a equipe de produção) intitulado “Caçador de Múmias” (Chasing Mummies, no original), para a The History Channel. O programa tinha o objetivo de levar os espectadores para o incrível mundo de descobertas que era a vida de Hawass, mas suscitou em opiniões divergentes entre o público.

Contudo, para a nossa surpresa, o famoso arqueólogo revelou no último dia 29 de setembro (2016) que protagonizará mais uma vez um programa de TV: o Kashef Al-Asrar, em português “Revelador de Segredos”.

A ideia é que o ex-ministro das antiguidades use sua influência para promover o turismo e aumentar a consciência sobre a importância cultural do Egito. O programa contará com a colaboração de egiptólogos de renome e será lançado no canal egípcio de satélite Al-Ghad e posteriormente lançado no exterior.

Divulgação do programa em conferência de imprensa. Foto: Ahram.

Falando de uma forma mais pessoal, o que notei é que ao contrário de “Caçador de Múmias” aparentemente teremos a oportunidade de ver um Zahi Hawass verdadeiramente acadêmico, e não um showman de um programa excêntrico e apelativo, como foi o caso da produção da The History. Com “Revelador de Segredos” ele falará curiosidades sobre a cultura egípcia tais como costumes e cotidiano.

A ideia e conceito do programa partiu do próprio Hawass. Em uma conferência de imprensa ele disse que tinha tido o vislumbre em 2007, mas por conta do alto custo precisou deixar sua proposta de lado.

Oito episódios já foram gravados e dependendo da receptividade do público Hawass gravará mais temporadas, mas, desta vez, expandindo os temas da Arqueologia egípcia, mostrando para o público a história das sociedades copta e islâmica.

O programa estreará já este mês, no dia 20 (outubro/2016). Ainda não fui informada sobre o interesse de alguma emissora brasileira em transmiti-lo.

Fonte:

‘Revealer of Secrets’: Zahi Hawass’s new TV show on archaeology to launch in October. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/244857/Heritage/Ancient-Egypt/Revealer-of-Secrets-Zahi-Hawasss-new-TV-show-on-ar.aspx >. Acesso em 29 de setembro de 2016.

 

Dr. Zahi Hawass está livre para sair do Egito

Por Márcia Jamille Costa | @Mjamille

 

Depois de ter passado por turbulências judiciais, onde recebeu acusações por corrupção e fraude, o Dr. Zahi Hawass, ex-secretário do Supremo Conselho de Antiguidade e ex-ministro do Ministério das Antiguidades Egípcias está livre para sair do Egito.

Devido a estas acusações Hawass estava impedido de sair do país até que os fatos fossem esclarecidos.

No mês de Junho ele estará realizando uma palestra em Toronto. Para mais informações clique aqui.

 

Hawass está proibido de sair do Egito

 

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Esta semana recebi via Twitter o recado de que o Dr. Zahi Hawass, ex-secretario geral do Supremo Conselho de Antiguidades (SCA) e ex-ministro das antiguidades do Egito, está proibido de realizar viagens para fora do país. Esta é uma suspensão vinda do atual governo que está investigando Hawass por corrupção (veja mais aqui).

No dia 15 de Agosto de 2011 Hawass publicou uma mensagem em seu blog afirmando que está batalhando contra as acusações que estão sendo realizadas contra ele, ao mesmo tempo em que está se dedicando a sua vida privada e escrevendo novos livros.

  

Zahi Hawass é demitido

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Ao voltar de sua excursão no exterior (para divulgar o não roubo de peças arqueológicas), o Dr. Zahi Hawass foi recebido por estudantes de Arqueologia que exigiam a sua saída com insultos e difamações, e desta vez foram atendido: dentre o dia 15 e 16 deste mês (Julho) Hawass foi demitido do seu cargo de Ministro das Antiguidades do Estado.

Dr. Zahi Hawass. Foto disponivel em < http://bikyamasr.com/wordpress/?p=27371 > Acesso em 17 de Julho de 2011.

Este mês a National Geographic Society já tinha “dispensado” Hawass do seu título de “explorador-residente” (cargo especial recebido por fotógrafos ou cientistas para fazer “explorações” em nome da National Geographic, que as divulga para o mundo) assim como também foi inocentado do da acusação que vinha recebendo de corrupção em um caso de um Edital mal resolvido no Supremo Conselho de Antiguidades.

Um dos nomes favoritos para substituí-lo é o de Dr. Alaa Shahin (embora exista mais um nome ainda não revelado que se espera que assuma o Ministério).

Hawass ainda não comentou sua situação em seu site oficial e nem em seu Twitter. Neste link pode ser conferida a lista de demissões e contratações (Hawass é o primeiro a ser citado). E clique aqui para ver o primeiro site a veicular a notícia.

Veja também: Querem Hawass fora do ministério

Para notícias atualizadas e comentadas sobre o assunto siga o meu Twitter.

Atualização – 14h40 (17/07/2011):

Hawass acabou de confirmar no  Youm7 que de fato, por decisão do Ministério Publico, ele não é mais Ministro.

Ele também disse ao jornal que um grupo de Arqueólogos tentou atacá-lo enquanto ele saia do prédio.

O Youm7 também acabou de anunciar que Abdel Fattah al-Banna, professor da Universidade do Cairo, será o novo Ministro.

Atualização – 23h43 (18/07/2011):

 As principais acusações que Zahi Hawass está sofrendo: a de má administração de artefatos, “negócios questionáveis” em relação às antiguidades e, de acordo com o Kvia, dar alguns dos “tesouros nacionais” de presente para Mubarak.

Atualização – 07h50 (19/07/2011):

Zahi Hawass é demitido do Ministério de Antiguidades egípcio

Arqueólogo, famoso em todo mundo, foi retirado do cargo após meses de pressão dos opositores do regime de Housni Mubarak

iG São Paulo 18/07/2011 20:08

     

 

 

Hawass e a “Jovem Dama”. Disponível em < http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/zahi+hawass+e+demitido+do+ministerio+de+antiguidades+egipcio/n1597088537943.html >. Acesso em 19 de Julho de 2011.

 

O ministro de Antiguidades do Egito, Zahi Hawss, 64 anos, uma das personalidades egípcias mais conhecidas do mundo, foi demitido de seu cargo no domingo (17) após meses de pressão de críticos que atacavam sua credibilidade e o acusavam de ser próximo demais do regime de Housni Mubarak.

Conhecido nos círculos arqueológicos por gostar mais de publicidade do que de ciência, Hawass perdeu seu cargo junto com outros doze ministros, numa manobra de apaziguamento de manifestantes que pedem o expurgo dos resquícios do governo de Mubarak.

“Ele era o Mubarak das antiguidades”, afirmou a ativista e arqueóloga Nora Shalaby. “Agia como se fosse dono das arqueologia do país, e não como se ela pertencesse ao povo egípcio”.

Apesar das críticas, Hawass era creditado por aumentar o interesse na arqueologia e turismo egípcios, um dos pilares da economia do país. Mas especialistas afirmavam que não havia pesquisa séria por trás de seu trabalho.

Segundo Nora, Hawass não aceitava críticas a seu trabalho. Ela disse que suas descobertas eram mais para sua auto-promoção, “reciclando” algumas descobertas antigas atrás de notoriedade para si mesmo.

Ele se autoproclamava “guardião” da herança cultural egípcia. Em 2009, em uma entrevista a uma revista do país, afirmou que George Lucas, criador da série de cinema “Indiana Jones” teria ido visitá-lo no Egito “para conhecer o verdadeiro Indiana Jones”.

Hawass começou como inspetor de antiguidades em 1969, e sua carreira evoluiu até ser um dos nomes mais conhecidos no ramo da egiptologia. Tornou-se o diretor geral de antiguidades da região de Gizé no fim dos anos 1980, antes de ser alçado ao cargo de maior arqueólogo do Egito em 2002. Um dos últimos atos de Mubarak foi elevar sua posição à de um ministro de gabinete. Após a queda do presidente, Hawass ofereceu sua demissão mas foi recolocado ao cargo, até ser finalmente demitido ontem.

Hawass foi associado à maioria das escavações arqueológicas no Egito, com descobertas grandiosas como a escavação do Vale das Múmias do Oásis Bahariya em 1999 e o descobrimento da múmia da rainha Hatshepsut, cerca de dez anos mais tarde.

Ele era figura freqüente em programas científicos na TV. O Discovery Channel o acompanhou durante o achado de Hatshepsut, e chegou a ter um reality show em outro canal de TV a cabo. Uma de suas maiores campanhas era o repatriamento de artefatos egípcios levados a outros países durante a época colonial, recuperando cerca de 5000 peças. Um dos casos mais recentes foi a campanha pela recuperação de um busto da rainha Nefertiti de 3300 anos, exibido há décadas em um museu de Berlim.

Hawass também tinha uma linha de roupas, inclusive de seu chapéu (sua marca registrada), cujas fotos promocionais foram tiradas no Museu Egípcio, o que atraiu a ira de muitos arqueólogos. “Ele foi uma personalidade criada pela mídia,” afirmou Abdel-Halim Andel-Nour, presidente da Associação de Arqueólogos Egípcios.

Hawass foi subistituído por Abdel-Fattah el-Banna, um professor de restauração conhecido da mídia egípcia por sua participação nos protestos na praça Tahrir.

(Com informações da AP)

Reportagem disponível em < http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/zahi+hawass+e+demitido+do+ministerio+de

+antiguidades+egipcio/n1597088537943.html > Acesso em 19 de Julho de 2011.

 

 

Atualização – 09h17 (19/07/2011):

Citei mais acima que o Hawass foi atacado quando saia do Ministério. Existe um vídeo do momento do ocorrido (Hawass está sentado no passageiro ao lado do motorista):

 

 

Devido a nomeação do novo ministro, alguns arqueólogos entraram em greve, pois duvidam da credibilidade de Abdel Fattah al-Banna.

Atualização – 15h36 (20/07/2011):

 

A nomeação de El-Banna para substituir Hawass foi retirada. Ela foi rejeitada pela secretaria do Supremo Conselho  de Antiguidades do Egito, uma vez que El-Banna é restaurador, e não arqueólogo. Sete novos nomes foram indicados, mas seis podem ser conferidos aqui: Abdel Halim Noureddin, Raafat al-Nabrawi, Wagdi Abbas, Hasan al-Saadi, Mohammed Hamza e Adel al-Toukhi.

Atualização – 16h27 (22/07/2011):

Saiu a nova lista de ministros egípcios e o Ministério de Antiguidades não consta. Uma nota de impressa fala que todos os relatórios de escavação serão enviados ao Ministério Público Egípcio. O Almasryalyoum comentou sobre o assunto.

Querem Hawass fora do ministério

 

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Este domingo (3 de julho de 2011) manifestantes se reuniram em frente ao Ministério de Defesa pedindo que Zahi Hawass, atual Ministro de Antiguidades Egípcias, se demita. O pedido tem como base algumas queixas de irregularidades quanto ao seu mandato, inclusive em relação a algumas das peças roubadas do Museu do Cairo durante as manifestações de janeiro. Segundo as acusações, existem peças que não foram listadas e que estão sumidas. “Zahi nunca providenciou documentos oficiais sobre o que continua desaparecido do Museu Egípcio”, disse Nasser Ibrahim, um funcionário do departamento do ministério de restauração que complementou “Exigimos que uma comissão internacional seja formada para fazer um inventário completo de artefatos do museu”.

 

 

Dr. Zahi Hawass. Disponível em < http://www.kelmetnamag.com/article/14039 >. Acesso em 3 de junho de 2011.

 

 

“As câmeras de segurança do museu não estavam funcionando durante o assalto. Isto era da responsabilidade do anterior secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades (cargo que Hawass ocupava na época)”, diz Intessar Gahrib, o coordenador de mídia do protesto “Temos apresentado documentos que comprovem as nossas reivindicações ao gabinete do Procurador Geral, e nós estamos exigindo que o Conselho Militar olhe para eles. Eles provam sua negligência e corrupção”, complementou.

As manifestações ocorreram justamente no momento em que Hawass não está disponível em seu país, neste momento ele está aqui na America do sul, no Peru, para participar da II Conference on Retrieving Stolen Artifacts (II Conferencia de Devolução de Artefatos Roubados). 

 

Fonte da reportagem (com tradução parcial): As Zahi Hawass flies to Peru, protesters call for the minister to step down. Disponível em < http://www.almasryalyoum.com/en/node/474052 >. Acesso em 3 de julho de 2011.

 

É escolhido o novo secretário do SCA

 

Desde a saída de Mubarak do governo e o remanejamento dos Ministérios do Egito, o futuro do Supremo Conselho de Antiguidades (SCA) estava incerto, afinal, este tinha sido absorvido para dar espaço ao Ministério de Antiguidades do Estado (MAS). Porem, conversas avulsas falavam que ele ainda existia. No fim, parece que está confirmado: o SCA ainda existe, e já tem um novo secretário (cargo exercido outrora por Dr. Zahi Hawass).

 

 

Dr. Zahi Hawass. Foto: Meghan E. Strong. Retirado de: Dr. Hawass. Disponível em: < http://www.drhawass.com/blog/press-release-pieces-amenhotep-iii-and-tiye-statue-found>. Acesso em 13 de Janeiro de 2011.

 

 

 

O Ministério de Antiguidades do Estado, na figura de Zahi Hawass (o primeiro e novo Ministro) nomeou Mohammad Abdel-Moneim como o novo secretário do SCA, de acordo com o Youm 7. Abdel-Moneim já era supervisor geral do Ministério e já cuidou da administração dos monumentos do Baixo – Egito (aquela área do Delta) e do Sinai. Em março as conversas apontavam que quem ficaria com o cargo seria Alaaeldin M. Shaheen, mas no fim só se mostrou como sendo boatos.

 

Fonte da notícia: Hawass appoints new Sec Gen for Supreme Council of Antiquities. Disponível em < http://english.youm7.com/News.asp?NewsID=341550&SecID=295 > Acesso em 30 de junho de 2011.

 

Dr Hawass torna-se Ministro

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

No dia 30 de Março o Dr. Zahi Hawass retornou ao seu cargo de Ministro de Antiguidades. A notícia saiu depois de dias de especulação se ele teria aderido ao cargo ou não.

 

 

Dr. Zahi Hawass. Foto retirada de “Shaking Up the Land of the Pharaohs”. Disponível em < http://www.archaeology.org/online/features/hawass/index.html >Acesso em 04 de Março de 2011.

 

 

Hawass tinha pedido demissão em Março após se ver incapaz de proteger o patrimônio egípcio da depredação realizada por saqueadores. No entanto, nas semanas seguintes ainda se via em campanhas para pedir auxilio estrangeiro para ajudar a preservar sítios e museus do Egito.