Google homenageia descoberta arqueológica do Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

No último dia 26 de maio (2019), foi comemorado os 65 anos da descoberta da barca solar do faraó Khufu, que reinou durante a 4ª dinastia (Antigo Reino). Encontrada dentro de um fosso de pedra durante uma limpeza de rotina próxima a Grande Pirâmide (Gizé) em 1954, ela estava desmontada ao lado de uma outra embarcação, também desmontada.

Khufu solar boatBarca solar de Khufu exposta no Museu da Barca Solar de Gizé

O trabalho de montagem ficou sob a coordenação do restaurador egípcio Hag Ahmed Youssef Moustafa. Apesar da sua experiência de duas décadas trabalhando na restauração de tumbas tebanas, ele acreditava que seus conhecimentos e os conhecimentos de seus colegas cientistas seriam limitados ao lidar com a montagem de uma embarcação tão antiga.

Ele então passou três meses visitando artesãos egípcios na tentativa de identificar algo que parecesse com as técnicas de seus antepassados. Entretanto, não encontrou nada que o ajudasse diretamente, mas isso lhe deu segurança para enfim escolher a embarcação melhor preservada e dar início aos seus trabalhos. Dentre as 1200 peças que tinha que juntar estavam tábuas de cedro, esteiras de junco e cordas de linho.

Mais uma parte de uma das embarcações de Khufu é encontrada

Importantes descobertas de embarcações em tumbas egípcias

Porém, o trabalho em si não foi fácil, uma vez que ele não sabia a disposição real das peças, o que acabou o obrigando a montar e desmontar a embarcação quatro vezes. A reviravolta desta história veio quando um dos seus ajudantes percebeu que a dica do que fazer estava ali o tempo todo, deixada de presente pelos antigos egípcios: as peças que se encaixavam possuíam símbolos comuns que pareciam servir como guia para montagem.

Museu-Barco-Farao-Queops-Khufu-Ship-Piramide-Gize-Cairo-Egipto (16)

E assim, após dezesseis anos de trabalho, Hag Ahmed Youssef Moustafa e equipe conseguiram montar toda a embarcação.

Museu-Barco-Farao-Queops-Khufu-Ship-Piramide-Gize-Cairo-EgiptoÁrea externa do Museu da Barca Solar de Gizé, onde a embarcação encontra-se exposta.

Este feito foi tão notável que este ano o Google Doodles homenageou a descoberta. Representado a barca solar em um papiro, ela foi desenhada sendo mostrada de lado e de cima, enquanto é acompanhada pelo nome “Google” cujos os “o” são substituídos por um cartouche — nome dado para um desenho em forma oval em que eram postos os nomes dos faraós — com o nome do faraó Khufu em hieróglifos. A imagem de um arqueólogo também é retratada, assim como as pirâmides do Platô de Gizé e o ano da descoberta da barca.

Infelizmente a visualização deste doodle não estava disponível no território brasileiro (somente para parte da África, Europa e Ásia).

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas é a “barca solar de Quéops.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fonte:

O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: terra de faraós. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007.

Foi descoberta documentação que comenta construção da Grande Pirâmide

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Em 2013 foi descoberto por uma equipe de arqueólogos franceses e egípcios que realizam pesquisas na região de Wadi Al Jarf, no sudeste do Cairo, às margens do Mar Vermelho, um importante papiro. O artefato estava fragmentado e necessitou ser remontado para que o seu conteúdo pudesse ser lido. Ele foi datado como pertencente ao Antigo Reino e trata-se de um diário do cotidiano e estilo de vida dos operários que trabalharam em um porto na atual área de Wadi Al Jarf. Entretanto, estas pessoas não trabalhavam em uma atividade qualquer: eles estavam participando da construção da Grande Pirâmide do platô de Gizé, pertencente ao rei Khufu.

Diário de Merer. Foto: MSA.

O diário pertencia a um inspetor chamado Merer e ele detalhou estatísticas e questões administrativas da empreitada, a exemplo dos seguintes pontos:

☥ As pedras calcárias eram retiradas da pedreira de Torah e transportada pelo Nilo até o sítio em que estava sendo construída a pirâmide;

☥ Especificamente a equipe dele continha cerca de 200 operários;

☥ Perto da conclusão da pirâmide o foco dos construtores foi voltado para a elaboração do revestimento externo de calcário. O material utilizado durante esta fase foi extraído de uma pedreira próxima a atual cidade do Cairo e levada até o canteiro de obras através de um sistema de canais. Esta viagem durou quatro dias;

☥ O vizir Ankhaf, que também era meio irmão do rei, na época em que o diário foi escrito foi o supervisor da obra;

A Grande Pirâmide tem 138 metros e é a mais antiga mega construção em pedra do Egito. Na antiguidade foi adotada como uma das “7 Maravilhas do Mundo” (sendo a única ainda existente) e atualmente é um Patrimônio Histórico Mundial.

Dia em que o diário foi posto em exposição no Egito. Foto: @Pastpreservers (Twitter).

Fontes:

Ancient Logbook Documenting Great Pyramid’s Construction Unveiled. Disponível em < http://www.livescience.com/55439-ancient-logbook-on-great-pyramid-unveiled.html >. Acesso em 14 de agosto de 2016.

TALLET, Pierre; MAROUARD, Gregory. The harbor of Khufu on the Red Sea Coast at Wadi al-Jarf, Egypt. Near Eastern Archaeology 77:1 (2014).

2ª Barca solar de Khufu será revelada

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Quando a Barca Solar de Khufu (Quéops, em grego) foi descoberta em 1954 já se sabia que próximo ao seu fosso existia uma segunda estrutura com outra embarcação. Naquela época foi sugerido que não se mexesse nesta região do sítio, uma vez que não existia necessidade de intervenção. Em 1987, a National Geographic Society, em uma parceria com o governo egípcio, examinou este segundo fosso, o que culminou com a penetração de animais no local, provocando o comprometimento da peça.

 

Em 2008, uma equipe japonesa da Universidade Waseda, liderada pelo arqueólogo Sakuji Yoshimura, inseriu uma pequena câmera no fosso para avaliar as condições do artefato (ver vídeo abaixo). Desta forma, agora em 2011, foi decidido retirar o barco de seu lugar original. Tal responsabilidade está confiada a Universidade Waseda e o Instituto Japonês para Investigação e Restauração. A universidade doou ao Ministério de Antiguidades Egípcias $ 10 milhões para poder retirar o artefato de seu lugar, restaurá-lo e remontá-lo para que fique, então, ao lado do primeiro barco encontrado.

Vídeo com imagens das peças (que ainda estão dentro do fosso):

 

 

Imagens da remoção dos pilares de calcário:

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Nesta primeira fase do resgate (a de retirada dos pilares de calcário) foi encontrado o nome de Khufu dentro de um cartucho (significado de realeza) assim como o do seu filho (e logo depois sucessor) Djedefre, porém o deste último está sem a proteção de um cartucho (Ver na imagem). O significado disto é que o fosso foi lacrado ainda no reinado de Khufu, já que o seu filho e substituto ainda não está recebendo a proteção real [1].

 

Um exemplo de Cartucho (“Cartouche”, em francês). Ele recebeu este nome por lembrar uma capsula de bala. Inicialmente os nomes reais eram postos dentro destes Cartuchos e com o passar do tempo esta regalia se estendeu para altos membros da realeza. No exemplo, o nome do faraó Tutmose (Tutmés, no grego). Imagem: Arqueologia Egípcia. 2011.

Espera-se que um dia uma das embarcações seja enviada para Grand Egyptian Museum, assim que este estiver concluido.

Mais sobre o primeiro barco:

O Arqueologia Egípcia já lançou um texto sobre o primeiro Barco. Clique aqui e confira (com imagens).

Vídeo do primeiro barco:

Foto da época do restauro (ano desconhecido):

Restauro do primeiro barco de Khufu (ano desconhecido). Disponível em < http://skunkincairo.blogspot.com/2007/05/solar-boats.html> acesso em 25 de Junho de 2011.

Fontes:

Khufu’s second solar boat revealed. Disponível em <http://english.ahram.org.eg/~/NewsContent/9/40/14861/Heritage/Ancient-Egypt/Khufu%E2%80%99s-second-solar-boat-revealed.aspx>. Acesso em 25 de Junho de 2011.

Egipto desenterrará mañana la segunda barca solar del faraón Keops en Giza. Disponível em < http://terraeantiqvae.com/group/egiptologa/forum/topics/egipto-desenterrara-manana-la>. Acesso em 25 de Junho de 2011.

[1] Uncovering the Second Solar Boat at the Great Pyramid Today. Disponível em< http://www.drhawass.com/blog/uncovering-second-solar-boat-great-pyramid-today >. Acesso em 25 de Junho de 2011.

Arqueologia Marítima: Barco de Khufu

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

A Arqueologia Marítima, apesar do nome, não trabalha exclusivamente com os artefatos encontrados em áreas de mar, mas também em locais onde estão lagos, rios e pântanos. Além dos objetos submersos este ramo da disciplina trabalha também com objetos de uso aquático que são agregados ao dia a dia na terra. Um exemplo bem explícito era o uso de uma arca em forma de embarcação utilizada durante os festivais – a exemplo do Opet – durante a era faraônica.

Em 2010 apresentei ao Núcleo de Arqueologia da UFS o meu trabalho de conclusão de curso cujo título é “Egito Submerso: A Arqueologia Marítima Egípcia”, onde, em termos gerais, eu aponto as especificações que tornam o Egito totalmente passível de um estudo mais amplo de Arqueologia Marítima.

Os restauradores têm tido um papel muito importante para a Arqueologia Egípcia, e um dos trabalhos mais reconhecidos sem dúvida foi o realizado no Barco Solar do faraó Khufu (Quéops).

Abaixo um trecho retirado praticamente na integra da minha monografia. Fiz leves modificações e alguns grifos que não estão presentes no texto original:

Os artefatos ligados a Arqueologia Marítima encontrados em terra não merecem menos dedicação em termos de pesquisa, como mostrou o trabalho de escavação – ou seria remoção sistemática, já que estava dentro de um fosso praticamente protegido das areias do deserto – do barco do faraó Khufu. Tendo sido, em 1954, encontrada uma estrutura em pedra durante a limpeza de rotina próxima a Grande Pirâmide, pensou-se inicialmente que se tratava de um muro que cercaria o edifício, mas após uma escavação mais profunda, realizada pelo arqueólogo egípcio Kamal El Mallakh, foram encontrados dois fossos cuja parede é feita de pedra calcária e que guardava em seu interior as peças desmontadas de um barco feito de madeira de cedro (O’CONNOR et al., 2007; p. 61). Para o trabalho de montagem foi contratado o restaurador egípcio Hag Ahmed Youssef Moustafa que, apesar da sua experiência de vinte anos trabalhando na restauração de tumbas tebanas, acreditava que seus conhecimentos e os conhecimentos dos cientistas eram limitados quanto a montagem dos antigos barcos. Sobre isto escreveu “Senti-me ansioso e cheio de receio. Não sabia absolutamente nada sobre construção de barcos, e parecia que aquele trabalho necessitava mais de um carpinteiro ribeirinho que de um restaurador” (O’CONNOR et al., 2007, p. 62). Assim, durante três meses visitou artesões locais e fez modelos de navios em escala praticando para a tarefa que o esperava no platô de Giza. Quanto a um dos barcos encontrados, e o escolhido para ser montado, possuía mais de 1.200 peças que foram migradas uma a uma para um galpão próximo ao local para a sua restauração. O tratamento de preservação de cada peça variava, as esteiras de junco e as cordas de linho, por exemplo, eram tratadas em resinas para que não se esfarelassem. Ao todo foram treze camadas de madeira e todas elas fotografadas e catalogadas (O’CONNOR et al., 2007, p. 62).

Mesmo com toda a preocupação de conviver e tentar aprender com os ribeirinhos a arte de fazer barcos de madeira, a técnica dos egípcios faraônicos não foi preservada, logo Moustafa não sabia quais as disposições das peças para montá-las, mas tentou segui-las de acordo com a ordem que foram postas dentro do fosso. Como o estibordo e bombordo estavam lado a lado isto deu uma ideia de como prosseguir com o trabalho. Estando as cegas a equipe de Moustafa precisou iniciar e reiniciar o processo de montagem quatro vezes, todas com insucessos até que um dos ajudantes notasse que as peças que se encaixavam perfeitamente possuíam símbolos comuns que pareciam servir como guias. Apesar da ajuda antiga os remos não possuam as indicações e foram postos onde os restauradores supunham que seria o seu local original (O’CONNOR et al., 2007; p. 65). Ao final de dezesseis anos de trabalho a embarcação foi formada.

Como é estreito e comprido o seu desenho é de característica papiriforme, tentando imitar o aspecto dos pequenos barcos de papiro e a embarcação por inteira não utilizou nenhum tipo de metal para a sua fixação, os operários da antiguidade fizeram uso das cordas de linho, o que atesta uma maestria na construção naval faraônica, já que os antigos construtores conseguiram fazer um bom uso das cordas e de sua experiência de tal forma que as madeiras conseguiam ficar rigidamente unidas. Esta união, para nós tão incomum, ajudou a especular que o navio não foi usado de forma ritual, mas que também já navegou outrora devido ao desgaste por fricção das cordas com a madeira possivelmente causada pelo o inchaço desta última ao ficar em contato com a água. Em uma consideração Moustafa levantou que o barco pode ter transportado o corpo de Khufu de Mênfis para Giza e no final, como uma relíquia sagrada, foi guardado próximo a sua pirâmide (O’CONNOR et al., 2007, p. 64).

Hoje o barco está exposto em um museu construído em cima do fosso onde permaneceu por séculos guardado. Um segundo poço, encontrado no mesmo ano, também contém uma embarcação, mas que permanece intacta e guardada em seu local original.

Referência:

O’CONNOR, David; FORBES, Dennis; LEHNER, Mark. Grandes civilizações do passado: terra de faraós. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007.

Imagens da embarcação de Khufu que hoje é exposta em um museu exclusivo para ela ao lado da grande pirâmide:

Retirado de El barco solar de Khufu. Disponível em < http://www.flickr.com/photos/danielcanoott/5418805166/ > Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Acesso em 14 de Abril de 11.

Referência para imagens (a partir da segunda): Retirado de Museu Barco Quéops Khufu Pirâmide Gizé Cairo Egipto Fevereiro 2008. Disponível em <http://www.flickr.com/photos/joaoleitao/sets/72157619662543317/> Acesso em 14 de Abril de 11.

5 mitos da pirâmide de Khufu (Quéops)

5 mitos sobre a construção da grande pirâmide de Gizé.

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Polêmica, magnânima, cara e inspiradora, estas e muitas outras palavras cairiam bem para definir a Grande Pirâmide de Gizé, um projeto inovador que o que tinha de simbólico tinha de aviso: o faraó que ali estava era alguém muito poderoso.

Pirâmides do platô de Gizé. Fonte: Papel de parede. Acesso em 27 de janeiro de 2011.

As pirâmides egípcias eram muito mais que um mausoléu, era um outdoor político, um trabalho na paisagem que serviu para mostrar todo o poder do faraó e o seu desejo de adentrar na eternidade. O platô de Gizé, outrora um grande jardim trabalhado com animais para a caça, hoje é de um deserto árido, mas rico em história e principalmente lendas sobre a construção da Grande Pirâmide, a pirâmide do faraó Khufu, a primeira – e maior – do local. Abaixo citei cinco dos principais mitos sobre a sua construção.

1 – A filha de Khufu (Quéops em grego) teve que se prostituir para pagar as despesas da construção;

Quem contou esta estória foi Heródoto, mas muitos das suas narrativas não são muito levadas a sério já que existem uma série de imprecisões. Hoje, ao menos entre muitos egiptólogos, já existe um consenso de que ele não se preocupava muito com a veracidade, mas em deixar sua narrativa mais elaborada.

Como não foi encontrado nenhum indício que aponte que uma das filhas de Khufu se prostituiu para ajudar ao pai esta afirmação continua a ser só um mito.

2 – A obra foi feita com trabalho escravo;

A obra foi feita com trabalhadores “remunerados” – entre aspas porque eles recebiam o pagamento em forma de comida, ou utensílios -. Não havia punições corporais para que os trabalhos transcorressem, pelo contrário, foram encontrados ossos dos trabalhadores da grande pirâmide e muitos mostravam regeneração, ou seja, foram tratados em vida.

Sepultura de trabalhador das pirâmides com espolio funerário. Fonte: Tomb discovery helps solve ancient slavery riddle pyramids. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1242096/Tomb-discovery-helps-solve-ancient-slavery-riddle-pyramids.html> Acesso em 02 de fevereiro de 2011.

Sepultura de trabalhador das pirâmides. Fonte: Tomb discovery helps solve ancient slavery riddle pyramids. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1242096/Tomb-discovery-helps-solve-ancient-slavery-riddle-pyramids.html> Acesso em 02 de fevereiro de 2011.

3 – Foi construída com auxilio de elefantes;

Eu gostaria de saber quem está espalhando este absurdo. Não foram encontrados ossos de elefantes nem no platô e nem nos arredores de Gizé. De fato existiam trabalhos conjuntos entre pessoas e alguns animais (a exemplo do cão e o macaco), mas elefantes não. Para quem defende esta idéia uma justificativa plausível é de que os ossos se degeneraram com o tempo, mas devo descartar isto, o solo egípcio é bem propício a conservar ossos de íbis, imagina então de um elefante.

4 – Está posicionado com as estrelas do cinturão de Orion;

É uma das sugestões mais plausíveis para a disposição do trio de Gizé. Hoje as estrelas não estão posicionadas com as três principais pirâmides do platô, mas acredita-se que na época de Khufu o céu noturno era diferente e as estrelas e pirâmides estavam alinhadas.

As pirâmides de Gizé supostamente seriam alinhadas, outrora, com as estrelas do cinturão de Órion.

 

5 – Obedece cálculos divinos.

A estória de cálculos divinos é superstição atual, mas diz-se que o primeiro passo para construir a Grande Pirâmide teve um ritual sagrado, afinal era um túmulo para um deus que estava sendo construído. O ritual consistiria em Khufu por a primeira estaca para demarcar o local onde se iniciaria a construção da estrutura do mausoléu. Mas os tais cálculos divinos para se descobrir os segredos do passado e do futuro é uma invenção moderna. Muitos místicos durante o século XIX e XX procuravam explicações para os “exóticos” monumentos egípcios.

 

Conheça mais sobre as pirâmides egípcias:

 

 

As pirâmides do Antigo Egito

Autor: Aidan Dodson

Editora: Folio

Ano de Publicação: 2007

Tradução: Francisco Manhães. Maria Júlia Braga, Carlos Nougué

Fonte (primeira imagem):

Pirâmides do platô de Gizé. Fonte: Papel de parede. Disponível em <http://www.opapeldeparede.com.br/wallpapers-9993/> Acesso em 27 de janeiro de 2011.

Mais um robô para a Grande Pirâmide

Por Márcia Jamille Costa

 

Foi feita no Egito uma competição coordenada pelo Dr. Zahi Hawass para escolher o melhor robô para explorar a Grande Pirâmide. O time escolhido foi uma equipe patrocinada pela Universidade de Leeds (Inglaterra), e apoiada pela Dassault Systèmes (França), denominada então de Djedi

Com a equipe Djedi, é esperado descobrir a serventia da “saída de ar” (um nome genérico, afinal ela não possui saída) e do bloqueio que impede a contemplação do outro lado da câmara. A Djedi já tinha feito exames anteriores em junho e dezembro de 2009 e espera agora reunir evidências e descobrir a finalidade deste buraco.

    

 

  

 

  

O uso do robô é justamente para que a pirâmide não seja danificada, por este motivo ele é equipado com uma câmera “serpente” que pode se ajustar em espaços pequenos e observar cantos com um endoscópio, um dispositivo de ultra-som que funciona como se fosse um GPR lançando raios invisíveis que batem na parede e voltam para o aparelho, o que permite descobrir a espessura do local pesquisado, um mini robô que pode caber em um furo de 20mm de diâmetro, um inclinômetro para medir a inclinação dos eixos e uma broca para a penetração da pedra (caso seja realmente necessário).   

 

A escolha do nome 

Djedi é o nome de um feiticeiro de um conto da época de Khufu (Em grego Quéops). Khufu foi o faraó que encomendou a construção da grande pirâmide e embora não tenha sido o primeiro a mandar construir mausoléus na forma piramidal é o seu o mais conhecido uma vez que é o maior. Sua pirâmide foi erguida no platô de Giza onde também está localizada a Esfinge e as tumbas de seus predecessores Khafra (Quefren em grego) e Menkaura (Miquerinos em grego).   

A estória de Djedi foi encontrada no Papiro Westcar que também narra a jornada espiritual do faraó Khufu. 

 

Intervenções anteriores 

  

Entrada em 2003
Entrada em 2003.

 

  

Em 2003 uma equipe tentou descobrir o que existia do outro lado da saída de ar do bloqueio. O momento em que o robô (chamado de Andarilho da Pirâmide) caminhou pelo o corredor foi transmitido ao vivo pela a National Geographic. Apesar de toda a expectativa gerada a maquina registrou que existia um segundo bloqueio.   

Para saber mais: www.drhawass.com/blog/djedi-team-robot

Dr. Zahi Hawass | Por Sheila Clark

Palestra do Dr. Zahi Hawass por Sheila Clark 

Um amigo e eu pudemos assistir a palestra do Dr. Zahi Hawass “Mysteries of Tutankhamun Revealed” [Mistérios de Tutankhamon revelado] em Dallas em 24 de março de 2009. Dr. Hawass era exatamente como ele é na TV. Ele estava cheio de energia e muito animado. Ele era muito engraçado, algo que eu não esperava.

 

Palestra. Foto: Sheila Clark

 

Dr. Hawass mostrou slides enquanto falava sobre as descobertas no Egito, mostrou varias fotos dele com pessoas famosas (Josh foi o primeiro [1]) então fez uma breve seção Q & A. Aqui estão alguns destaques do que ele disse:

1 . A primeira vez que ele foi fazer uma tomografia computadorizada no Rei Tut a máquina não funcionou. Foi por volta da meia-noite e ele brincou dizendo que era a primeira vez que ele achava que realmente poderia ser uma maldição da múmia. Ele conseguiu as digitalizações cerca de uma hora depois.

2 . Ele tem um laboratório que tem uma maquina de tomografia computadorizada e um lugar apenas para o DNA de múmias. Ele tem digitalizado e feito testes de DNA em múmias do Museu do Cairo. Ele tem um grande anúncio a fazer sobre Rei Tut no dia 1 de Agosto [2], que está agora poucos dias de distância. ISSO!

3 . Ele acredita que a real câmara funerária de Khufu (Quéops) ainda será encontrada na Grande Pirâmide.

4 . Ele acha que a tumba da Rainha Nefertiti está debaixo do escritório de Antiguidades no Vale dos Reis e eles terão que derrubá-lo para fazer as escavações.

5 . Ele disse que encontrou um pequeno espaço debaixo da Esfinge, mas não debaixo da pata direita como Edward Cayce sugeriu. Lá estava que supostamente uma maldição iria cair sobre a primeira pessoa que entrasse, assim ele brincou mandando alguém entrar antes dele, só por precaução!

 

Foto: Sheila Clark.

 

Foto: Sheila Clark.

 

 

Durante a seção Q & A (que é quanto eu tirei minha foto de Avatar [3]) uma das questões foi “Com quem você gostaria de ter uma conversa, um morto ou vivo?” Ele respondeu que gostaria de falar com o construtor da Grande Pirâmide, Quéops.

 

Estas são as melhores fotos que eu tenho da palestra do Dr. Hawass. Eu não consegui falar com ele porque o cara na minha frente, falou gastando o seu tempo, meu tempo, e o tempo do meu amigo. Foto: Sheila Clark.

 

Após a palestra eu tenho minha foto com ele e meu livro do tour do Rei Tut assinado.

[1] Josh Bernstein.[2] Como já sabemos o DNA demorou mais meses para sair, tendo o seu resultado liberado no dia 16/02/2010.[3] Figura 01.

Agradecimentos:
Agradeço a Srta. Sheila Clark por permitir a publicação do seu texto sobre a visita do Dr. Hawass a Dalas.  
Fonte: joshbernstein.com