Dr Hawass torna-se Ministro

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

No dia 30 de Março o Dr. Zahi Hawass retornou ao seu cargo de Ministro de Antiguidades. A notícia saiu depois de dias de especulação se ele teria aderido ao cargo ou não.

 

 

Dr. Zahi Hawass. Foto retirada de “Shaking Up the Land of the Pharaohs”. Disponível em < http://www.archaeology.org/online/features/hawass/index.html >Acesso em 04 de Março de 2011.

 

 

Hawass tinha pedido demissão em Março após se ver incapaz de proteger o patrimônio egípcio da depredação realizada por saqueadores. No entanto, nas semanas seguintes ainda se via em campanhas para pedir auxilio estrangeiro para ajudar a preservar sítios e museus do Egito.

Preparos para o Grand Egyptian Museum

Por Márcia Jamille Costa |@MJamille

Esta quarta-feira (dia 19/01/2011) peritos japoneses tiraram medidas de artefatos do Museu Egípcio do Cairo – dentre eles a máscara mortuária do faraó Tutankhamon – para a sua perfeita adequação no Grand Egyptian Museum – cuja estréia agora está prevista para o ano de 2013 -. “Estamos orgulhosos pelo o lado egípcio nos colocar no comando de uma operação de manipulação do tesouro mais importante do país”, disse Mikio Nakamura, assessor chefe da JICA (Japan International Cooperation Agency; Agência de Cooperação Internacional do Japão).

Projeto do Grand Museum of Egypt

As medidas tiradas dos artefatos serão utilizadas também na construção de um banco de dados – que substituirá o atual que é baseado em dados do século 19 – que deverá estar pronto antes de os artefatos serem deslocados para o seu novo local de repouso.

Ao todo cerca de 12.500 objetos serão levados para o Grand Egyptian Museum.

Fonte da notícia:

King Tutankhamun’s golden mask gets measurement by Japan team – The Mainichi Daily News. Disponível em <http://mdn.mainichi.jp/arts/news/20110120p2g00m0et074000c.html> Acesso em 21 de janeiro de 2011.

Revista: Meridiani Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Lançada em 2010, a Meridiane: Egito é provavelmente uma das melhores revistas sobre roteiros egípcios que já tive em mãos. Ela levanta um breve histórico e mostra aspectos curiosos de alguns dos sítios arqueológicos às margens do Nilo, assim como também questões modernas como, por exemplo, a interferência do lixo doméstico na vida e subsistência dos ribeirinhos que ali vivem.

 

Revista: Meridiani Egito

 

O que chama a atenção de primeira para a revista é o seu designer, ela é muito bem organizada, algo que é difícil de se ver quando falamos de um material cujas primeiras páginas trazem tantas informações como sugestões de filmes e livros para quem quiser se aprofundar no assunto, e sobre esta parte preciso fazer uma ressalva: eles sugeriram materiais que de fato são de uma ótima qualidade e não só ligado ao Egito faraônico como também ao moderno, dentre eles os filmes Um estranho em minha casa, como o celebre Omar Sharif e a Prece do Rouxinol, ambos clássicos da década de 50.

 

Página da revista Meridiani Egito. Ano de publicação (Brasil): 2010

 

As matérias são ótimas, uma delas é A grande mãe, de Enrico Martino, que fala sobre a moderna cidade do Cairo e sua população, a qual, em termos de divisão de classe social, são diferentes ao extremo, ou seja, ou você é bem de vida, ou luta para morar e sobreviver na capital, que é um aglomerado de sons caóticos. Outras duas matérias interessantes são sobre os bazares cairotas e a raqs sharqi – como inapropriadamente chamamos de dança do ventre – mas que infelizmente, principalmente no caso da segunda, poderia ter tido um pouco mais de discussão, coisa que com certeza daria para fazer em poucas páginas.

A sedução do café, também de Enrico Martino, é outro ótimo texto, ele nos faz enxergar como os ahwa (cafeteria) caminharam lado a lado com algumas das mudanças culturais egípcias. A Alex renasce de Fabrizio Ardito fala um pouco sobre a Arqueologia de Emergência – a nossa Arqueologia de Contrato – realizada na cidade de Alexandria onde os arqueólogos se defrontam dia a dia com o fato de que a antiga cultura está aos “trancos e barrancos” para caminhar ao lado do progresso da cidade. 4 obras para a eternidade de Renzo Bassi traz uma proposta interessante, lista quatro dos complexos de edifícios religiosos “monumentais” do Egito com a declaração de pessoas da época faraônica, a pena é que não deu informações de onde estão estes escritos. Outra “decepção” é com a matéria Segredos das Múmias de Jasmina Trifoni, o texto tem problemas com as colocações, até entendo a posição da Jasmina, mas muito arqueólogo vai lê-lo e torcer o nariz. Uma das colocações dela é “claro que tumbas e múmias estão entre as descobertas favoritas de arqueólogos que se dedicam a escavações no Egito”, afirmação que vai ofender muita gente, arqueólogos não são obsessivos pelo o mundo funerário. Outra colocação que será mal vista é quando ela fala “Diz-se que adorava transvestir-se de homem”, em um tópico sobre a rainha Hatshepsut. De fato a rainha se vestia de homem, mas e o contexto político? Ela não se transvestia por puro hobby. Nem todos conhecem a história da monarca. Outra da escritora é citar a Europa como “inventora das artes”, não preciso nem mencionar que é uma denominação extremamente equivocada. Sobre a KV-63 (citada no tópico Levaram a mulher do Rei), Jasmina fala que lá foi a sepultura de Ankhesenamon, lamento dizer, mas não foi (inclusive fiz um trabalho sobre o assunto em 2008), o local era um “depósito de embalsamador”.

 

Página da revista Meridiani Egito. Ano de publicação (Brasil): 2010

 

A matéria Cruzeiro faraônico de Manuel Villa a princípio me fez pensar que se tratava de uma orientação para turistas sobre as expedições no Nilo, mas em verdade conta um breve histórico do Eugênie, o primeiro cruzeiro a navegar no Nasser em 1993, e que está em funcionamento até hoje, além de explanar as paisagens do território da antiga Núbia, hoje o atual Sudão.

Nas páginas finais há um guia voltado para os interessados em fazer um tour pelo o Egito, com listas de endereços e telefones para aqueles que querem conhecer esta região da África. Para finalizar há um mapa dobrável em anexo com a revista, se ele é exato, eu não sei, mas que foi uma ótima idéia isto foi.

 

Ficha técnica:

 

Título: Meridiani – Egito

Autor: Vários

Tradução (Cord.): Maria Bresighello

Ano de publicação (Brasil): 2010

Distribuição: Nastari Editora

Tema: descrição de paisagens, turismo, história

Larousse: dos faraós até Roma

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

 

Capa de Larousse das Civilizações Antigas, Vol. I: Dos faraós à fundação de Roma

 

Foi anunciada aqui no site em 26/04/09 [1] a obra Larousse das Civilizações Antigas, Vol. I: Dos faraós à fundação de Roma. Hoje já soube que o material ainda pode ser encontrado em algumas bancas.

Ele foi escrito sob a direção de Catherine Sales da Universidade de Paris X-Nanterre com o apoio de Francisco Joannès (Universidade de Paris I-Sorbonne), Catherine Chadefaud (Liceu La Bruyére de Versailles), Jérôme Kerlouegan (Instituto Nacional de Línguas e Civilizações Orientais), Sophie Royer (jornalista), Éric taladoire (Universidade de Paris I-Sorbonne), María del Rosario Acosta Nieva (Universidade de Guadalajara) e Patrice Lecoq (Universidade de Paris I-Sorbonne).

 

Larousse das Civilizações Antigas, Vol. I: Dos faraós à fundação de Roma.

 

Catherine Chadefaud é a especialista em história antiga do Egito do grupo que tem em seu currículo o livro No tempo dos faraós (1986).  

Este é o primeiro volume da coleção e apresenta as realizações de algumas das civilizações do passado, sendo neste caso, como o título bem mostra, até os primórdios de Roma.

Didático na medida do possível ele ilustra e mostra quadros para melhor passar as informações. No entanto, minha maior queixa contra a revista são os momentos em que são feitas descrições de alguns artefatos, mas não são postas fotos destes, o que deixa o leitor várias vezes só imaginando o que o autor está a falar. Fora isto é bem apresentado, e o mais importante de tudo, feito por gente da área.     

 

Ficha técnica:

Título: Egito: Larousse das Civilizações Antigas, Vol. I: Dos faraós à fundação de Roma

Autor: Catherine Sales

Tradução: Antonio Geraldo da Silva e Ciro Mioranza

Ano de publicação (Brasil): 2008

Distribuição: Larousse do Brasil

Tema: Literatura infanto-juvenil; Antiguidade Egípcia em termos gerais.

[1] Não está mais arquivado.

Perguntas de final de ano para Márcia

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Perguntas enviadas pelos leitores para Márcia Jamille N. Costa (publicado dia 31/12/2010)

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Na penúltima semana de dezembro recebi questões de vocês leitores e agora as respostas estão disponíveis. Pode parecer clichê, mas não foi tarefa fácil descartar algumas perguntas.

Gostaria de falar que fiquei extremamente feliz pela disposição de todos que enviaram as questões e que esta foi uma experiência muito bacana. Lembrando que foi permitido que algumas perguntas fossem marcadas como anônimas.

Algumas foram extremamente criativas e bem interessantes, mas eu deveria escolher somente cinco perguntas e acabei respondendo sete, o que não deveria ser feito. Eu realmente responderia todas se pudesse.

Vamos para as perguntas e as respostas:

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1ª pergunta (enviada por Rodolfo Francisco Marques):

Como surgiu seu interesse pela arqueologia e pelo Egito?

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Olá Rodolfo! Ambos surgiram ao mesmo tempo enquanto eu assistia o documentário “Egito: em busca da imortalidade”, antes desde episódio a história do Egito faraônico era irrelevante para mim, mas quando vi as cenas iniciais que mostravam o túmulo de Tutankhamon e o cuidado que os antigos tinham por seus mortos me senti comovida, aquela gente queria ser lembrada a todo custo, tinham mais medo do esquecimento do que da própria morte, é um sentimento muito profundo. Pois é, desde então  eu quis seguir a carreira.  Eu tinha treze anos e brincava com pinceis tirando as poeiras dos moveis dizendo que estava recuperando um objeto… Eu hoje imagino o que a minha mãe andava pensando de mim naquela época…

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Rosto de um dos ataúdes de Tutankhamon. Fotografia tirada pela a expedição ao Egito realizada pelo o Metropolitan Museum of Art. (Ano desc.)

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2ª pergunta (anônima):

Como surgiu a idéia de criar o site?

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Eu já navegava muito na internet em 2003 (e até 2004, acredite, eu achava que era a única pessoa no mundo que colecionava livros e revistas sobre a civilização egípcia…) e acompanhei o desenvolvimento de sites de Egiptologia em português e muitos me decepcionavam ao extremo, eram conteúdos sem fundamento, impressões de pessoas que nem sequer tinham lido as pesquisas sobre o assunto, então quando tinha chegado 2008 eu resolvi fazer um site só por “diversão”, armazenando cópias digitalizadas de revistas e artigos, passando horários de documentários, divulgando as revistas publicadas, etc, mas voltado só para os meus amigos. No entanto, notei que o site estava recebendo muitas visitas e pessoas começaram a escrever para mim. Estava começando a ficar clara a necessidade de comprar um espaço e tornar o Arqueologia Egípcia algo grande. Acredito que este site que estamos vendo agora faz ainda parte do embrião de 2008 e pela a visível mudança que ele veio sofrendo acredito que vai ficar ainda mais interessante.

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3ª pergunta (enviada por Rennan Lemos):

O Arqueologia Egípcia é uma ferramenta importantíssima para a disseminação de conhecimento egiptológico atualizado no nosso país, principalmente aquele produzido por egiptólogos nacionais. Para você, então, qual é a importância de se manter um canal de divulgação da Egiptologia no Brasil – um país onde a área não é, ainda, um setor constituído nos cursos de pós-graduação? Parabéns pelo site!

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Olá Rennan! Esta é uma questão muito importante, mas que está sendo tão ignorada. Nós temos no Brasil egiptólogos tão maravilhosos, mas cujo trabalho é tão pouco acessível e esta é  uma situação desconfortável, principalmente porque a população precisa saber do resultado do nosso trabalho. Existem também as pessoas que não têm uma especialização na área, mas que saem por aí se apresentando como egiptólogos, não preciso nem mencionar que isto é crime. Então, manter um canal de divulgação da Egiptologia nacional ajudaria bastante não só o público, como também a academia a saber se não estamos escutando o papo de um charlatão.

O Arqueologia Egípcia tenta fazer a sua parte, mas não é muito fácil, nem todos querem divulgar seus trabalhos na rede, mas o site está aberto para receber o material que for necessário.

Se eu pudesse faria uma faixa enorme e estenderia na frente de todas as universidades com os dizeres “Egiptologos, saiam um pouco da biblioteca e criem um blog”. Montar uma página na web é a coisa mais fácil do mundo. Façam um grupo com amigos egiptólogos e montem um grande blog e postem toda a sexta-feira. O Brasil está tão carente disto, está muito necessitado dos nossos egiptólogos. Acreditem, eles querem conhecê-los.

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4ª pergunta (enviada por João Carlos):

Que tal fazer uma sessão no site com sugestões de livros sobre o Egito?

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Quando li esta pergunta me senti no direito moral de respondê-la. Pois é João, eu nunca tinha pensado nisto! Existe uma parte no site para anunciar publicações, mas estas atualizações só são feitas quando eu acabo de ler um livro. Vou estudar a sua idéia para ver como ela pode se encaixar no site.

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5ª pergunta (enviada por Ana):

Primeiramente parabéns pelo site! Queria saber se a vida de um arqueólogo é muito difícil. As descobertas são escassas? Vale a pena se tornar um?

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Olá Ana, obrigada. Primeiramente se a vida fosse fácil a vida não seria vida… Todas as profissões possuem desafios, a Arqueologia não poderia ficar de fora. A sua pergunta é em termos financeiros? Neste caso a resposta vai variar de pessoa para pessoa, em outras profissões mais conhecidas como advocacia, por exemplo, você tem aqueles que ganham muito ou que ganham pouco, é tanto que existem os chamados “advogados de porta de cadeia”. O mercado brasileiro até que é favorável para os arqueólogos, mas muita coisa ainda está em uma total bagunça em termos de fiscalização, pessoas de má fé ainda estão trabalhando com escavação, danificando artefatos (neste sentido o que nos resta é denunciar). Desemprego existe, mas este é um risco a se correr como em qualquer outra profissão.

Dizem que arqueólogo é um aventureiro, entra no mato com uma pederneira e nada mais, passa dias a fio no meio do nada, não tem onde fazer suas necessidades, etc, mas a realidade não é bem assim, arqueólogo não precisa ser masoquista, e ninguém precisa ser radical como F. Petrie que normalmente dormia dentro de túmulos ao lado de múmias. Existem os que tentam apavorar as moças falando, por exemplo, que elas deveriam fazer o mesmo serviço braçal que eles, tudo bem que em alguns campos elas acabam fazendo, mas existem coordenadores de escavação que não obrigam nem os rapazes, nem as moças a fazer o que eles não conseguem. Se você não consegue subir um matacão para analisar pinturas eles não vão te obrigar ou apontar o dedo para a sua cara dizendo que você não serve para a profissão. Outra coisa, dizem que o trabalho de Arqueologia é tão “perigoso” que só pode ser exercido por homens, esta é uma visão equivocada, não só no Brasil, mas no mundo, temos muitos exemplos de arqueólogas de destaque no ramo.

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Flinders Petrie. Fonte: http://www.athenapub.com/aria-PE-Petrie1.GIF

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Agora sua pergunta “se as descobertas são escassas”, felizmente não. Trabalhamos com cultura material, coisa produzida pelo o homem, ou seja, enquanto existirmos sempre será produzida cultura material. Certa vez em um evento uma pessoa do público perguntou se os cursos de graduação em Arqueologia iriam deixar escassos os sítios para serem estudados. De forma alguma! Existem vários tipos de Arqueologias, inclusive aquela que trabalha com o meio urbano, ou com lixo moderno e até mesmo com o lixo espacial! Arqueologia não é só escavar.

Se vale a pena se tornar um arqueólogo? Creio que isto conta principalmente do que você ama fazer… Se esta coisa te traz satisfação pessoal. Amo a Arqueologia desde pequena, sempre quis fazer isto e não me imagino mesmo fazendo outra coisa. Ao menos para mim está valendo a pena, apesar dos apesares eu gosto de falar sobre Arqueologia, eu amo ficar procurando fragmentos, amo conhecer lugares novos e pessoas novas. Sinceramente estou muito feliz com a minha decisão de me tornar arqueóloga.

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6ª pergunta (anônima):

As possibilidades de se fazerem grandes descobertas sobre a civilização egípcia ainda são grandes?

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“Grandes descobertas” seriam ao estilo da tumba do faraó Tutankhamon? A Arqueologia Egípcia por vezes pode ser uma caixinha de surpresas, antes da descoberta do sepulcro do Tutankhamon um rico chamado Theodore Davis que estava pagando alguns arqueólogos para escavar no Vale dos Reis falou a celebre frase “Receio que o Vale das Tumbas já esteja esgotado”, isto em 1912, daí em 1922 “pimba”! Howard Carter encontra a KV-62. Depois muitos outros acharam que não se tinha mais nada “grande” para se encontrar em todo o Egito até que em 2003 um camponês encontra o sepulcro das múmias douradas (pesquisado então por Zahi Hawass) no oásis Baharia. Estou dando somente dois exemplos que foram assediados pela a mídia, mas tiveram outros como a tumba da princesa Khnumet (Dashur), a tumba do general Psusennes I (Tânis), a tumba da rainha Heteferes, mãe de Quéops (Giza) e assim por diante. O próprio Vale dos Reis promete outras descobertas, acreditam que a tumba da rainha Nefertiti esteja lá. Fora a tumba de Marco Antonio e Cleópatra que alguns acreditam estar em Taposiris Magna. Mas não podemos ignorar as descobertas “menores”, talvez elas não sejam importantes para a imprensa, mas são importantes para entender um contexto de uma sociedade.

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7ª pergunta (enviada por Paulo H.):

Que múmia você gostaria de descobrir escavando o Vale dos Reis, caso houvesse uma expedição e você fosse convocada para a equipe.

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Tesoureiro Maya. Foto: Kenneth Garrett. 2003.

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Olá Paulo! Se fosse para desejar eu gostaria de encontrar Tutmés III ou Amenofis III, mas já encontraram!! Tutmés III era, pelo o que sabemos, um faraó concentrado em suas atividades, não era um relaxado. E Amenofis III usava a paz como estratégia, fazia muito uso da diplomacia, ele parecia ser mesmo um cara muito esperto. Se a sua pergunta fosse em relação as necrópoles de Saqqara eu me sentiria muito feliz em ver cara a cara Maya (ama de leite), Maya (tesoureiro) ou Huy, os três eram funcionários de Tutankhamon.

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Agora que terminou a lista de perguntas que finalizaram as postagens de 2010 só tenho a desejar para vocês o início de um Ano Novo feliz!

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(Livro) Egito: um olhar amoroso

Por Márcia Jamille Costa

 

Robert Solé é natural do Egito, mas só foi após ter ido morar na França, aos dezessete anos de idade, que percebeu o fascínio que sua terra natal estava exercendo no Ocidente. “Egito: um olhar amoroso” (Dictionnaire Amoureux de l’Egypte no original) não foi publicado somente para reparar os anos de desatenção de Solé em relação ao Egito, mas para atestar uma declaração de amor do autor ao seu país de origem.

A publicação nos mostra muito além do Egito faraônico, ela refere-se às várias manifestações e desejos contemporâneos como a curiosidade que o continente americano exerce sob o imaginário egípcio ou os jogos de futebol nos vilarejos. Solé retrata os fatos com um ar bucólico e nostálgico remetendo várias vezes a sua infância.

 

 

Este livro, em verdade, é um dicionário, mas é escrito de uma forma extremamente pessoal, o que acaba transformando-o não só em um guia, mas em uma obra de literatura com alguns requintes quase autobiográficos. A linguagem é simples, o que possibilita ser lido por aqueles que tenham interesse em conhecer um Egito muito além das pirâmides e faraós.

A introdução da edição brasileira foi feita pelo o Prof. Dr. Antonio Brancaglion Júnior do Museu Nacional do Rio de Janeiro e o corpo do livro foi traduzido pela Dra. Bluma Waddington Vilar, que possui licenciatura em português-francês pela a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Fixa técnica:

Título original: Dictionnaire Amoureux de l’Egypte

Autor: Robert Solé

Tradução: Bluma Waddington Vilar

Ano de publicação (Brasil): 2003

Editora: Ediouro

Cidade: Rio de Janeiro

ISBN: 85-00-01302-8

Palavras-chave: Egito, civilização, dicionário

 

Para quem quer saber mais:

No dia 22/07/2010, as 14h00, estarão disponíveis através do meu Twitter algumas das citações do livro, para receber as atualizações é só se cadastrar no twitter.com, entrar na minha página e clicar em “seguir” (follow).

Culto aos animais no EREARQ-NE

Na próxima terça-feira (13/07/2010) irei apresentar no EREARQ-NE a comunicação “Ligação com os deuses: a criação, culto e mumificação de animais durante a antiguidade egípcia” no período da noite. O EREARQ-NE será realizado no Campus de Laranjeiras onde está localizado o Laboratório do Núcleo de Arqueologia da UFS. Abaixo o resumo da comunicação:

“Ligação com os deuses: a criação, culto e mumificação de animais durante a antiguidade egípcia” apresenta as principais características da criação de animais no Nordeste da África, em especial os que estão ligados aos territórios provenientes da sociedade egípcia antiga.

Do Período Pré-dinástico (Cerca de 5500 a.C. a 3050 a.C.) até a Segunda Dinastia (Período Tinita – cerca de 2920 a.C. a 2649 a.C) as divindades centrais começaram a receber uma forma, ao mesmo tempo em que algumas foram associadas com animais. (…)

 

Mais informações sobre o evento vocês podem ver no link http://erearqne.wordpress.com/

Parte do Grand Museum está concluída

Por Márcia Jamille Costa

A primeira dama do Egito, Suzanne Mubarak, inaugurou no dia 14 de Junho de 2010 uma das fases já prontas do Grand Museum of Egypt, que está sendo construído próximo as pirâmides de Gizé. O museu abrigará 100 mil artefatos, muitos deles são os que estão trancados e não disponíveis para a visualização no Museu do Cairo devido à falta de espaço para exibi-los.

 

A parte que está pronta é o centro de conservação para restaurar as antiguidades danificadas e 122 conservadores já estão trabalhando e preparando 6.800 artefatos que um dia serão exibidos no Grand Museum. Uma unidade de documentação também está trabalhando para criar um banco de dados informatizado de todos os artefatos.

 

 

Instituído com a assistência técnica japonesa, o centro conta com 12 laboratórios para a restauração, digitalização e estudo de múmias, bem como artefatos de cerâmica, madeira, tecido e vidro. Shadia Kinawi, chefe da comissão que supervisiona o museu, disse que o Japão ofereceu um empréstimo de US $ 300 milhões para a construção do edifício, enquanto o Ministério da Cultura egípcio vai fornecer US $ 150 milhões.

 

27 milhões de dólares foram doados para a construção do Grand Museum of Egypt e mais de 30 empresas já apresentaram propostas para a construção das principais galerias.

 

 

O plano para o novo museu foi concebido em 2002, mas a abertura parcial do complexo, que terá 120 hectares, está marcada para o outono de 2012.

(AP)