Conheça a “Scan Pyramids Mission”

Por Márcia Jamille | Instagram | @MJamille

Endossados pelo Egyptian Ministry of Antiquities (Ministério das Antiguidades do Egito) e sob a coordenação da Faculty of Engineering of Cairo (Faculdade de Engenharia do Cairo) e o instituto Heritage Innovation Preservation (Inovação na Preservação do Patrimônio), um grupo de pesquisadores egípcios, canadenses, franceses e japoneses anunciaram em outubro de 2015 uma iniciativa para investigar as pirâmides de Khafre e Khufu, do platô de Gizé, e a Vermelha e a Romboidal em Dashur.

Pirâmide de Khufu. Foto: Nina Aldin Thune via Wikimedia Commons.

O projeto chama-se Scan Pyramids Mission (Missão para Escanear as Pirâmides) e como o nome indica a proposta é usar drones com scanners de tecnologia 3D, termografia infravermelha, termografia modulada, fotogrametria e laser e uma ferramenta que torna possível a detecção de múons. Esta última é capaz de modelar áreas internas e inclusive já foi utilizada para observar o interior de vulcões e edifícios contemporâneos (a exemplo da usina de Fukushima, no Japão).

Estas técnicas não são invasivas, ou seja, não será necessário realizar perfurações nas pirâmides, o que não compromete a integridade dos edifícios analisados.

A detecção de múons já foi empregada no Egito em outra ocasião, na década de 1960, pelo pesquisador Luis Walter Alvarez (1911 – 1988), que a aplicou na pirâmide de Khufu. Ele foi capaz de identificar alguns espaços vazios, mas não pôde ter uma noção abrangente do que se tratava, deixando a questão em aberto para as gerações seguintes. Por isso, graças as inovações tecnológicas poderemos ter mais respostas do que o pioneiro Alvarez.

A primeira fase do projeto já passou, onde os pesquisadores fizeram a calibragem dos equipamentos e identificaram algumas anomalias térmicas. Porém, não é possível interpretar corretamente o que são tais anomalias que tanto podem se tratar de uma possível câmara, talvez uma rachadura e ou até mesmo nada. É exatamente por este motivo que a equipe está empregando a união de diferentes ferramentas, pois, uma poderá complementar o “defeito” da outra, ou seja, unidas poderão disponibilizar dados mais consistentes (e consequentemente mais fáceis de interpretar) do que se fosse utilizado somente um equipamento.

Lembrando que já são conhecidas câmaras nas pirâmides, mas a ideia deste projeto é conhecer detalhes estruturais do edifício e se existem salas isoladas.

Planta lateral da Grande Pirâmide (Khufu). Foto: DODSON, Aidan. As Pirâmides do Antigo Império (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2007. pág. 78.

Os primeiros resultados provavelmente sairão nas primeiras semanas de 2016 e futuramente o projeto será estendido para a tumba de Tutankhamon.

Fonte:

A New High-Tech Project Aims to Unearth the Secrets of the Pyramids. Disponível em < http://magazine.good.is/articles/cosmic-ray-muons-pyramids >. Acesso em 27 de dezembro de 2015.

Scan Pyramids Mission. Disponível em < http://www.scanpyramids.org/ >. Acesso em 27 de dezembro de 2015.

Comentários sobre a “nova” teoria para a construção das pirâmides

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

 

Recebi entre ontem e hoje (02/05 e 03/05) sugestões de um link divulgando os resultados de uma pesquisa publicada no Physical Review Letters, onde é apresentada uma “nova” teoria de como teriam sido movidas as pedras que foram utilizadas para construir as pirâmides. Porém a notícia está equivocada. Segue abaixo o texto na integra:

 

Cientistas descobrem como os egípcios moveram pedras gigantes para formar as pirâmides

Por: Andrew Tarantola

1 de maio de 2014 às 11:38

Uma civilização antiga, sem a ajuda de tecnologia moderna, conseguiu mover pedras de 2,5 toneladas para compor suas famosas pirâmides. Mas como? A pergunta aflige egiptólogos e engenheiros mecânicos há séculos. Mas agora, uma equipe da Universidade de Amsterdã acredita ter descoberto o segredo – e a solução estava na nossa cara o tempo todo.

Tudo se resume ao atrito. Os antigos egípcios transportavam sua carga rochosa através das areias do deserto: dezenas de escravos colocavam as pedras em grandes “trenós”, e as transportavam até o local de construção. Na verdade, os trenós eram basicamente grandes superfícies planas com bordas viradas para cima.

Quando você tenta puxar um trenó desses com uma carga de 2,5 toneladas, ele tende a afundar na areia à frente dele, criando uma elevação que precisa ser removida regularmente antes que possa se ​​tornar um obstáculo ainda maior.

A areia molhada, no entanto, não faz isso. Em areia com a quantidade certa de umidade, formam-se pontes capilares – microgotas de água que fazem os grãos de areia se ligarem uns aos outros -, o que dobra a rigidez relativa do material. Isso impede que a areia forme elevações na frente do trenó, e reduz pela metade a força necessária para arrastar o trenó. Pela metade.

Ou seja, o truque é molhar a areia à frente do trenó. Como explica o comunicado à imprensa da Universidade de Amsterdã:

Os físicos colocaram, em uma bandeja de areia, uma versão de laboratório do trenó egípcio. Eles determinaram tanto a força de tração necessária e a rigidez da areia como uma função da quantidade de água na areia. Para determinar a rigidez, eles usaram um reômetro, que mostra quanta força é necessária para deformar um certo volume de areia.

Os experimentos revelaram que a força de tração exigida diminui proporcionalmente com a rigidez da areia… Um trenó desliza muito mais facilmente sobre a areia firme [e úmida] do deserto, simplesmente porque a areia não se acumula na frente do trenó, como faz no caso da areia seca.

Estas experiências servem para confirmar o que os egípcios claramente já sabiam, e o que nós provavelmente já deveríamos saber. Imagens dentro do túmulo de Djehutihotep, descoberto na Era Vitoriana, descrevem uma cena de escravos transportando uma estátua colossal do governante do Império Médio; e nela, há um homem na frente do trenó derramando líquido na areia. Você pode vê-lo na imagem acima, à direita do pé da estátua.

Agora podemos finalmente declarar o fim desta caçada científica. O estudo foi publicado na Physical Review Letters. [Universidade de Amsterdã via Phys.org via Gizmodo en Español]

 

Antes é necessário esclarecer que não existia escravidão no Egito, o arquétipo de servidão durante o período faraônico seguia um modelo diferente do clássico, então não é correto afirmar que o país se utilizava de um sistema de trabalho escravo, especialmente durante a construção das pirâmides onde já está mais do que comprovado que foram feitas por trabalhadores livres, alguns dos quais foram sepultados próximos a esses edifícios.

O segundo problema é que a teoria apresentada já é antiga. O que há de novo provavelmente é a forma como foi conduzido o experimento, mas a sugestão de que as pedras eram empurradas com o auxílio de trenós friccionados com o solo molhado já é bem antiga, é tanto que em uma entrevista que realizei este ano para O Almanaque a comentei, falando que duas, das muitas teorias existentes, sugerem que as pedras foram arrastadas com o uso de trenós sem rodas ou com o uso de toras de madeira no lugar das rodas. Contudo, ou esqueci de falar, ou foi cortado durante a edição, que os trenós sem rodas eram empurrados sobre o solo molhado.

Existem até documentários que já abordaram isto e testaram na prática, então, em resumo, esta pesquisa não tem nada de novo, exceto que foi realizado o experimento abordado.

O islã quer destruir as pirâmides?

Por Márcia Jamille Costa| @MJamille

 

No dia 11 de julho (2012) o site http://frontpagemag.com lançou uma matéria perturbadora de autoria de Raymond Ibrahim, que acusa lideres muçulmanos de apelarem para que os seus fieis destruíssem as pirâmides do platô de Gizé, as quais seriam o “símbolo do paganismo”. De acordo com a denúncia o atual presidente do Egito, Muhammad Morsi (que faz parte da Irmandade Muçulmana e cujo slogan de campanha é “Islã é a solução”), teria sido convocado a realizar a destruição.

 

Pirâmides do platô de Gizé. Fonte: Papel de parede. Disponível em. Acesso em 27 de janeiro de 2011.

 

A matéria cita alguns exemplos de estragos feitos em artefatos egípcios por parte dos primeiros invasores muçulmanos e aponta justamente a Grande Esfinge, cujo nariz teria sido destruído por fieis e não por Napoleão como a história Ocidental corriqueiramente descreve (Em verdade não se sabe quando e por quem o nariz teria sido destruído, desta forma fica difícil apontar um culpado).

O autor argumenta que esta ânsia em destruir monumentos antigos seria uma necessidade por parte dos crentes em aniquilar o seu passado “não islâmico” e pela a “não identificação” destas pessoas em relação a história antiga, uma vez que o país só tinha sido dominado por muçulmanos a partir do ano 600 da nossa era, centenas de anos após os romanos implantarem ali sua república.

 

Esfinge e uma das pirâmides do platô de Gizé. Imagem disponível em SILIOTTI, Alberto. Egito. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2006. p. 135.

O texto é finalizado por um apelo velado para as instituições internacionais, as quais prezam pela não crítica ao islã para assim evitar a “Islãfobia” (que se tornou popular após o ataque aos Estados Unidos em 11 de Setembro de 2011), e recrimina esta imparcialidade enquanto os artefatos faraônicos estão para ser destruídos.

Se a ideia do autor era chamar a atenção para a questão ele conseguiu imediatamente, e isto é visível pelos mais de oitocentos comentários que a matéria recebeu. A reação internacional foi imediata não só pelo teor grave das acusações, mas pelo o fato do nome do atual presidente estar envolvido.

Dias antes, em 26 de Junho, o site http://eagulf.net já tinha emitido, em árabe, um comunicado negando tais alegações por parte dos islâmicos, texto que aparentemente não tinha sido consultado por Ibrahim.

Como as acusações contra o povo muçulmano tornaram-se fortes após a vitória de Muhammad Morsi, que tinha sido eleito no dia 24 de junho (2012), foi chegada a conclusão que os textos só estavam buscando difamar a imagem do Islã, tocando no que era mais sensível as comunidades internacionais que é o patrimônio arqueológico. Apesar de tal conclusão, as denúncias de Ibrahim já tinham sido transmitidas para outras línguas, a exemplo do espanhol.

Em resposta a controvérsia, no dia 23 de julho o New York Times lançou uma matéria que buscou esclarecer os fatos. De acordo com o jornal, o inicio das especulações se deu no dia 30 de junho, após uma nota ser publicada na revista Rose el-Youssef, uma antiga partidária do ex ditador do país, Hosni Mubarak. A nota teria ganhado como base uma declaração dada pelo sheik Abdellatif al-Mahmoud em seu suposto twitter no dia 12 de julho onde ele teria firmado tal ordem de destruição dos monumentos, mensagem a qual o próprio usuário da conta afirmou ser falsa, fabricada em photoshop por alguém que quis se passar por ele. O jornal procurou pelo o sheik, mas ele não foi encontrado para dar uma declaração.

Em 2011, cita ainda o New York Times, outro sheik, o Abdel Moneim el-Shahat, teria sugerido que o rosto das estátuas egípcias fossem cobertas por cera, uma vez que o Islã repudia reproduções de imagens humanas.

Verdadeira ou não, estas matérias têm reacendido o pavor Ocidental pelo o Islã, e isto é visível através dos inúmeros comentários em sites, blogs e redes sociais. Algumas mensagens, infelizmente, acharam estes acontecimentos como uma justificativa para continuar a difamar o islã e tudo o que ele representa. Da mesma forma, não foi impossível encontrar comparações com a destruição de sítios arqueológicos em Timbuktu e os Budas de Bamiyan, no Afeganistão, ambos realizados por extremistas muçulmanos.

Apesar de muitos estarem comentando tais declarações, o atual presidente não se pronunciou, e sim o seu porta-voz, Ahmed Sobeai, que declarou ao New York Times que Morsi não se explicaria sobre o pedido do sheik, uma vez que isto jamais aconteceu e acrescentou que os monumentos egípcios e em especial o foco de toda a discussão, as Grandes Pirâmides, permanecem seguros.

 

Fonte:

Pirâmides do platô de Gizé. Fonte: Papel de parede. Disponível em <http://www.opapeldeparede.com.br/wallpapers-9993/> Acesso em 27 de janeiro de 2011.

Matéria com o comunicado negando as alegações por parte dos islâmicos (em árabe. No meu caso usei o Google Tradutor). Disponível em <  http://eagulf.net/archives/104018 > Acesso em 11 de Julho de 2012.

Calls to Destroy Egypt’s Great Pyramids Begin. Disponível em < http://frontpagemag.com/2012/raymond-ibrahim/muslim-brotherhood-destroy-the-pyramids/ > Acesso em 11 de Julho de 2012.

El extremismo islámico pone en peligro las Pirámides de Egipto. Disponível em < http://www.cubadebate.cu/noticias/2012/07/11/el-extremismo-islamico-pone-en-peligro-a-las-piramides-de-egipto/ > Acesso em 12 de Julho de 2012.

Contrary to Gossip, Pyramids Have No Date With the Wrecking Ball. Disponível em < http://www.nytimes.com/2012/07/24/world/middleeast/in-egypt-rumor-of-pyramids-demise-proves-flimsy.html > Acesso em 29 de Julho de 2012.

Mursi vence eleições no Egito com slogan “Islã é a solução”. Disponível em <  http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5856529-EI17615,00-Mursi+vence+eleicoes+no+Egito+com+slogan+Isla+e+a+solucao.html > Acesso em 29 de Julho de 2012.

 

Bombas de água são usadas em Gizé

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Esfinge e uma das pirâmides do platô de Gizé. Imagem disponível em SILIOTTI, Alberto. Egito. (Tradução de Francisco Manhães). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2006. p. 135.

Um problema que vem preocupando os arqueólogos das últimas décadas é o acumulo de água subterrânea abaixo das pirâmides e da Esfinge do platô de Gizé. Para tentar resolver esta questão o governo egípcio instalou no mês passado (junho/2012) bombas para retirar a água destas regiões, no entanto, esta medida pode, de acordo com hidrólogos, prejudicar estes edifícios da antiguidade. O sistema envolve 18 bombas de água capazes de bombear 26.000 metros cúbicos de água por dia. O projeto levantou o temor de hidrólogos e ecologistas de que a retirada da água poderia corroer a rocha sob o sítio e levar ao colapso os monumentos lá situados.

Kamal Oda, professor de hidrologia da Suez Canal University, falou ao Ahram Online que, de acordo com um relatório do Ministério Egípcio do Estado para Antiguidades, as máquinas irão bombear cerca de 9,6 milhões de metros cúbicos de água por ano a uma profundidade de 100 metros abaixo da esfinge. Isto, ele alertou, pode causar uma queda no nível do solo e aumentar o risco de erosão e falência estrutural da Esfinge e das pirâmides. Porém Ali El-Asfar, diretor das Antiguidades do Platô de Gizé, por sua vez contestou a afirmação de Oda, ele afirma que as máquinas de bombeamento irão parar automaticamente quando o nível das águas subterrâneas atingirem 15,5 metros acima do nível do mar.

El-Asfar falou ao Ahram Online que a Esfinge, a Grande Pirâmide e os templos do vale do platô estão “completamente seguros”, já que o nível das águas subterrâneas deles tinham atingido 4,6 metros abaixo do nível do solo – o mesmo nível visto nos tempos antigos. “Estes níveis são naturais”, disse o Ministro do Estado para as Antiguidades, Mohamed Ibrahim, ao mesmo jornal. Ele apontou que o rio Nilo um dia tinha chegado ao platô, onde um porto tinha sido escavado para os barcos transportar blocos de pedra das pedreiras de Aswan e Tora (no extremo Sul do Egito) para as pirâmides que ainda estavam em construção.

 

Qualquer falha no projeto poderá vir a comprometer não só a integridade da Esfinge e das pirâmides, mas do complexo de monumentos que se encontram no sitio. Imagem disponível em BREGA, Isabella; CRESCIMBENE, Simonetta. Um passeio pelos lugares e pela história do Egito. (Tradução de Michel Teixeira, Maria Júlia Braga, Joana Bergman, Carlos Nougué). 1ª Edição. Barcelona: Editora Folio, 2007. p. 73.

Estes níveis de águas subterrâneas no platô de Gizé, especialmente na área abaixo dos sítios arqueológicos que compreendem as pirâmides e a Esfinge, têm aumentado recentemente devido um novo sistema de drenagem instalado na aldeia vizinha de Nazlet Al-Seman e as técnicas de irrigação usadas para o cultivo na área residencial vizinha de Hadaeq Al-Ahram.

 

Notícia retirada de Egypt’s Sphinx, Pyramids threatened by groundwater, hydrologists warn. Disponivel em < http://english.ahram.org.eg/News/46972.aspx >. Acesso em 06 de julho de 2012.

 

(Documentário) A pirâmide de Gizé

(Documentário) A pirâmide de Gizé

Canal: National Geographic (Brasil)

Data: 30 de Junho

Horário: 22h00

A Grande Pirâmide de Gizé tem quatro mil e quinhentos anos e é a única maravilha do mundo antigo ainda existente. Ela foi idealizada para ser uma “máquina de ressurreição” do enigmático faraó Khufu em 2551 a.C. e foi concluída vinte anos depois, logo após sua morte. Cortar e mover as 2 milhões de pedras necessárias para erguê-la envolveu a união de todo o estado egípcio (sinopse oferecida pelo canal).

 

Reprise:

Data: 01 de Julho

Horário: 05h00

Data: 07 de Julho

Horário: 12h00

5 mitos da pirâmide de Khufu (Quéops)

5 mitos sobre a construção da grande pirâmide de Gizé.

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Polêmica, magnânima, cara e inspiradora, estas e muitas outras palavras cairiam bem para definir a Grande Pirâmide de Gizé, um projeto inovador que o que tinha de simbólico tinha de aviso: o faraó que ali estava era alguém muito poderoso.

Pirâmides do platô de Gizé. Fonte: Papel de parede. Acesso em 27 de janeiro de 2011.

As pirâmides egípcias eram muito mais que um mausoléu, era um outdoor político, um trabalho na paisagem que serviu para mostrar todo o poder do faraó e o seu desejo de adentrar na eternidade. O platô de Gizé, outrora um grande jardim trabalhado com animais para a caça, hoje é de um deserto árido, mas rico em história e principalmente lendas sobre a construção da Grande Pirâmide, a pirâmide do faraó Khufu, a primeira – e maior – do local. Abaixo citei cinco dos principais mitos sobre a sua construção.

1 – A filha de Khufu (Quéops em grego) teve que se prostituir para pagar as despesas da construção;

Quem contou esta estória foi Heródoto, mas muitos das suas narrativas não são muito levadas a sério já que existem uma série de imprecisões. Hoje, ao menos entre muitos egiptólogos, já existe um consenso de que ele não se preocupava muito com a veracidade, mas em deixar sua narrativa mais elaborada.

Como não foi encontrado nenhum indício que aponte que uma das filhas de Khufu se prostituiu para ajudar ao pai esta afirmação continua a ser só um mito.

2 – A obra foi feita com trabalho escravo;

A obra foi feita com trabalhadores “remunerados” – entre aspas porque eles recebiam o pagamento em forma de comida, ou utensílios -. Não havia punições corporais para que os trabalhos transcorressem, pelo contrário, foram encontrados ossos dos trabalhadores da grande pirâmide e muitos mostravam regeneração, ou seja, foram tratados em vida.

Sepultura de trabalhador das pirâmides com espolio funerário. Fonte: Tomb discovery helps solve ancient slavery riddle pyramids. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1242096/Tomb-discovery-helps-solve-ancient-slavery-riddle-pyramids.html> Acesso em 02 de fevereiro de 2011.

Sepultura de trabalhador das pirâmides. Fonte: Tomb discovery helps solve ancient slavery riddle pyramids. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1242096/Tomb-discovery-helps-solve-ancient-slavery-riddle-pyramids.html> Acesso em 02 de fevereiro de 2011.

3 – Foi construída com auxilio de elefantes;

Eu gostaria de saber quem está espalhando este absurdo. Não foram encontrados ossos de elefantes nem no platô e nem nos arredores de Gizé. De fato existiam trabalhos conjuntos entre pessoas e alguns animais (a exemplo do cão e o macaco), mas elefantes não. Para quem defende esta idéia uma justificativa plausível é de que os ossos se degeneraram com o tempo, mas devo descartar isto, o solo egípcio é bem propício a conservar ossos de íbis, imagina então de um elefante.

4 – Está posicionado com as estrelas do cinturão de Orion;

É uma das sugestões mais plausíveis para a disposição do trio de Gizé. Hoje as estrelas não estão posicionadas com as três principais pirâmides do platô, mas acredita-se que na época de Khufu o céu noturno era diferente e as estrelas e pirâmides estavam alinhadas.

As pirâmides de Gizé supostamente seriam alinhadas, outrora, com as estrelas do cinturão de Órion.

 

5 – Obedece cálculos divinos.

A estória de cálculos divinos é superstição atual, mas diz-se que o primeiro passo para construir a Grande Pirâmide teve um ritual sagrado, afinal era um túmulo para um deus que estava sendo construído. O ritual consistiria em Khufu por a primeira estaca para demarcar o local onde se iniciaria a construção da estrutura do mausoléu. Mas os tais cálculos divinos para se descobrir os segredos do passado e do futuro é uma invenção moderna. Muitos místicos durante o século XIX e XX procuravam explicações para os “exóticos” monumentos egípcios.

 

Conheça mais sobre as pirâmides egípcias:

 

 

As pirâmides do Antigo Egito

Autor: Aidan Dodson

Editora: Folio

Ano de Publicação: 2007

Tradução: Francisco Manhães. Maria Júlia Braga, Carlos Nougué

Fonte (primeira imagem):

Pirâmides do platô de Gizé. Fonte: Papel de parede. Disponível em <http://www.opapeldeparede.com.br/wallpapers-9993/> Acesso em 27 de janeiro de 2011.

O Egito apagará as luzes das Pirâmides

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

Conhecidas como os maiores ícones da antiguidade egípcia as Pirâmides de Giza terão, amanhã, suas luzes apagadas em prol da “Hora do Planeta” (Earth Hour), movimento internacional que visa sensibilizar a opinião pública sobre o consumo exagerado de energia elétrica e emissão de gases poluentes.

A iniciativa foi da cidade de Sidney que desde 2007 vem realizando esta campanha desligando suas luzes por 60 minutos. Em sua primeira edição mais de 2,2 milhões de australianos se mantiveram voluntariamente às escuras.

A Grande Pirâmide iluminada durante a campanha da Sylnania em 24 de Maio de 1959. Foto: Joe Covello

Ano passado o Brasil também teve uma forte participação: foram 113 cidades brasileiras (sendo 13 capitais). Um dos nossos maiores ícones, o Cristo Redentor, ficou em total breu em nome do meio ambiente.

De acordo com o site Yahoo, Sydney será, devido à diferença de fuso horário, a primeira cidade a ficar no escuro (às 6h30 de sábado pelo horário de Brasília) apagando as luzes do seu principal ícone, a Ópera. Depois, as luzes serão apagadas nas Pirâmides do Egito, na Fontana de Trevi e Torre de Pisa, na Itália, e na Torre Eiffel de Paris, entre outros ícones ao redor do mundo.

 

Pirâmides antes e depois da “Hora do Planeta” em 2009. Foto: Nasser Nouri.

No Brasil as luzes serão apagadas a partir das 20h30 até as 21h30. Não é bobagem participar, isto é por nosso planeta.

Fonte (com algumas imagens):

http://br.noticias.yahoo.com/especiais/verde

http://br.noticias.yahoo.com/s/26032010/48/manchetes-mundo-se-prepara-hora-planeta.html

Sobre a campanha:

http://www.horadoplaneta.org.br/ (Brasil)

http://www.wwf.pt/ (Portugal)

http://www.wwf.es/ (Espanha)