Descobertas em Saqqara: o que sabemos sobre os 100 sarcófagos lacrados?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Sob um sol escaldante no final do ano de 2020, mais especificamente em 14 de novembro, o Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito reuniu um pomposo grupo de jornalistas para anunciar aquela que estava sendo definida como a “maior descoberta arqueológica” do ano: o descobrimento em Saqqara de mais de 100 sarcófagos em ótimo estado de conservação… E com o bônus de que ainda estavam lacrados. Essa história eu contei nesse vídeo do Arqueologia pelo Mundo:

Inclusive, durante a conferência de imprensa, a equipe separou uma das múmias encontradas para realizar um exame de raio-x ali mesmo, em frente a todos, para mostrar que na atualidade não existe a necessidade de se exumar (desenfaixar) múmias. Uma clara resposta aos boatos que rondaram a internet naquela época, de que os arqueólogos estavam “perturbando” os mortos. 

Porém, não foram dados muitos detalhes sobre essa descoberta, afinal, aquela conferência de imprensa tinha um outro intuito, que era o de anunciar um documentário que estava sendo produzido para o Smithsonian Channel. Ou seja, basicamente o que foi mostrado na conferência era literalmente um teaser do programa, com direito a um trailer do show rodando ao final da amostra, o que foi, de certa maneira, frustrante. 

Mas, isso meio que acabou explicando o porquê do uso insistente do termo “maior descoberta arqueológica de 2020”. O que pareceu é que isso foi uma tentativa de chamar atenção para o programa.

Não custa nada rememorar que falar que “essa” ou “aquela” descoberta arqueológica é a “maior”, “mais importante”, acaba, por vezes, dando um “valor” não raramente quantitativo para pesquisas de arqueologia (ou seja, quando mais antigo ou quanto mais coisas encontradas, melhor), o que não é legal. 

De qualquer forma, a espera chegou ao fim, já que recentemente saiu no Smithsonian Magazine um artigo dando detalhes do que foi encontrado. Além da estreia da série documental não só nos EUA, como aqui no Brasil, no canal Smithsonian Channel*. 

Confira os principais detalhes desta pesquisa. 

O local da descoberta:

O local onde foi feita a descoberta fica nas proximidades da pirâmide de Djoser, em Saqqara**, famosa não só por sua antiguidade – ela foi construída há mais de 4 mil anos -, mas por ter sido o primeiro edifício em pedra construído na África e possivelmente no restante do mundo, além de ser a primeira pirâmide do Egito. 

E foi não muito longe dela onde no final de 2020 o arqueólogo egípcio Mohammed Youssef adentrou em um poço funerário fechado há mais de 2.000 anos e lá se deparou com a imagem de um deus egípcio, o Ptah- Sokar-Osíris. Para quem não está habituado com os nomes de antigos deuses, Ptah-Sokar- Osíris pode soar como algo estranho, mas essa era uma divindade bastante respeitada durante a antiguidade egípcia. Ele surgiu  de um sincretismo entre os deuses Osíris, Sokar e Ptah e era associado com a criação e a morte.

Restaurador trabalha na estátua do deus Ptah-Sokar-Osiris. Foto: Roger Anis

Mas, esta estátua não estava sozinha lá no poço funerário, nos arredores estavam outras imagens de madeira e máscaras mortuárias douradas. Isso levou os arqueólogos da equipe a achar que tinham se deparado com uma tumba de uma família. Porém, estavam todos enganados. Eles, como perceberam mais tarde, estavam diante de um depósito de múmias: o que foi descoberto nesse poço funerário foram dezenas de ataúdes (o que aqui no Brasil chamamos de “sarcófago”), ainda com corpos dentro, empilhados uns sobre os outros, indo até o teto. Até o chão estava coberto por restos de linho de mumificação e ossos humanos! Outro detalhe curioso é que todos esses ataúdes de madeira estavam sobre quatro grandes sarcófagos de pedra.

Pesquisador analisa um dos ataúdes de madeira encontrados. Foto:Roger Anis
Centenas de ataúdes foram endontrados dentro de um poço funerário. Os arqueólogos ainda não sabem a extenção da descoberta. Foto: Roger Anis

Uma “megatumba”: 

Esse poço funerário, que hoje sabemos que trata-se de uma entrada para câmaras funerárias, recebeu o apelido de “megatumba”, um nome bem apropriado para esses tipos de sepultamentos numerosos que têm sido encontrados nos últimos meses em Saqqara. 

Contudo, esse sepultamento aqui se difere dos demais por conta de um enorme detalhe: o número de ataúdes. Não são 20 ou 50, mas dentro dessa megatumba foram contados mais de 100 caixões e é possível que existam mais.

No final do ano passado, quando ainda não possuíamos muitas informações sobre a descoberta, eu tinha especulado que os arqueólogos poderiam ter encontrado os ataúdes em locais separados (mas ainda estando na área do sítio arqueológico) e somado as descobertas para criar mais impacto na imprensa, mas eu estava enganada.

Após o descobrimento, um laboratório foi montado no local e retiraram o primeiro caixão visível, que estava selado com resina preta. Dentro dele estava um segundo caixão, que possuía uma máscara mortuária folheada a ouro e com os típicos olhos delineados. Já o corpo do caixão é de cor azul, verde e vermelho, com motivos florais e uma representação da deusa céu, Nut, que está com asas estendidas.

E o ataúde também possui hieróglifos, o que deu informações valiosas sobre a pessoa que ainda descansa em seu interior: Trata-se de uma mulher que viveu no início do Período Tardio, entre os séculos VI ou VII, chamada Ta-Gemi-En-Aset.

Seu nome, de acordo com Campbell Price, curador do acervo do Egito Antigo e Sudão do Museu de Manchester (Inglaterra), significa “Aquela que foi encontrada por Ísis”.

Ainda, de acordo com as inscrições, sua mãe era uma cantora e acredita-se que, devido a presença da imagem de um sistro e um chocalho usado em templos, a Ta-Gemi-En-Aset pode ter pertencido a um culto à deusa Ísis.

Outra história do passado também foi revelada por um outro caixão, que dessa vez pertence a um homem. Ele também possuía uma máscara mortuária folheada a ouro, só que aqui o falecido é retratado com uma espessa barba. Seu nome era Psamético, uma possível homenagem aos faraós de nome “Psamético” que reinaram naquele período. 

A princípio se achou que Psamético e Ta-Gemi-En-Aset eram parentes, já que os nomes dos seus pais eram iguais (se chamando Hórus), mas as mães tinham nomes diferentes. É possível que fossem meio-irmãos? Sim, mas quando a equipe de arqueologia pesquisou mais a fundo observou que talvez não fosse esse o caso.

A questão é que o poço funerário levava a uma segunda caverna também cheia de caixões de diferentes tamanhos e estilos, além de entulhos de antigos desmoronamentos. 

Ou seja, essa não era uma tumba familiar, mas um tipo de sepultamento coletivo, algo que não era incomum no Egito Antigo, porém a diferença aqui é que temos uma centena de corpos, algo que não tinha sido visto até então. 

Vários restos humanos esqueletizados foram encontrados no local. Foto: Roger Anis

Mas, porque essas megatumbas existem? E por que estão sendo encontradas justamente em Saqqara?

Durante o Reino Antigo, as elites prezavam por enterros mais privativos, mas, no Período Tardio, 2.000 anos depois, a elite não viu problemas em sepulturas coletivas e lotadas. Isso se deu possivelmente por conta de mudanças políticas ocorridas em meados de 1000 a.E.C, quando o governo dos reis enfrentavam instabilidades durante o que chamamos de Terceiro Período Intermediário. Porém, quando Psamético I assumiu o trono e estabeleceu a ordem, a prática dos sepultamentos coletivos permaneceu. A essa altura não era mais uma necessidade econômica, era algo cultural. 

Por outro lado, isso criou um “negócio dos mortos”, toda uma lucrativa operação comercial, resultando em um mercado de enterros onde a hierarquia estava definindo quão próximo das pirâmides de Saqqara o indivíduo teria direito de estar por toda a eternidade. Já os mais pobres eram relegados à solidão do deserto, enterrados diretamente na areia. Entretanto, aqueles que estavam no meio termo, entre a elite e os desafortunados, tinham como opção os poços funerários compartilhados. Esta era a possibilidade para quem tinha recursos, mas não o bastante para um sepultamento privado próximo de alguma pirâmide.

Por outro lado, isso era algo muito vantajoso para os agentes funerários da época, os sacerdotes encarregados dos enterros, já que não precisavam cavar mais e mais poços funerários, colocando neles o máximo de caixões que pudessem, podendo sempre amontoar os falecidos uns sobre os outros.

Olhando sob a terra:

Atualmente os arqueólogos têm utilizado na área técnicas de geofísica, sonares de varredura lateral, para ver se é possível localizar mais sepulturas sob o solo. Mas, o que foi encontrado superou as expectativas: o arqueólogo Campbell Price identificou restos de vários templos ao longo da rota processional para o Serapeum (necrópole animal dedicada ao Boi Ápis) de Saqqara. Porém, essa técnica ainda não possibilita ler nomes em artefatos ou paredes enterradas, por isso que escavações arqueológicas têm sido realizadas. Até porque os pesquisadores querem entender o lado “social”dos antigos enterros: quem eram aquelas pessoas? Por que foram enterradas lá? Quais suas crenças? Que tipo de gente trabalhava nos templos? Qual era a dinâmica social?

São muitas as perguntas, mas, ao menos uma coisa os pesquisadores já sabem: que esses cemitérios não eram lugares silenciosos e sinistros, mas centros econômicos vibrantes, onde o caminho para a eternidade estava disponível, ao menos dependendo do quanto você pudesse pagar.

Fonte:

Inside the tombs of Saqqara. Disponível em < https://www.smithsonianmag.com/history/inside-tombs-saqqara-180977932/https://www.smithsonianmag.com/history/inside-tombs-saqqara-180977932/ >. Acesso em 16 de julho de 2021. 

Dicas de leitura:

“Arqueologia”, de Pedro Paulo Funari: https://amzn.to/3yoAE3N

“História do Egito Antigo”, de Nicolas Grimal: https://amzn.to/3frWcW1

“Egito Antigo”, de Sophie Desplancques: https://amzn.to/2Vq8yXm 

*Todos os detalhes dessa descoberta foram mostradas no documentário “Tomb Hunters”, uma série com quatro capítulos do Smithsonian Channel.

** Foi em Saqqara onde em 2018 a tumba de um sacerdote egípcio chamado Wahtye foi descoberta. Ele, inclusive, virou “figura principal” do documentário “Os Segredos de Saqqara” da Netflix (2020).

Múmias de sacerdotes do deus Thot são encontradas em grande tumba; filho de faraó também está lá!

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

O Ministério das Antiguidades do Egito divulgou na última quinta-feira a descoberta de tumbas na província de Minya. A maioria pertence a sacerdotes que viveram há 3.00 anos no Egito. No total são 16 túmulos contendo 20 sarcófagos, cinco dos quais são feitos talhados na pedra calcária. A descoberta foi feita por uma missão arqueológica liderada por Mustafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades.

Tratam-se de sepulturas compartilhadas das quais algumas eram de sacerdotes que trabalhavam a serviço ao deus Thot, divindade da escrita. As demais são de altos funcionários do Período Tardio.

No local também foram encontrados 10.000 ushabtis, alguns de cor azul (cor símbolo da divindade) e outros de cor verde (cor símbolo da fertilidade). Ushabtis são pequenas estátuas funerárias que eram colocadas em túmulos para servir ou substituir o falecido em tarefas cotidianas no além mundo. 

Também foram encontrados recipientes canópicos (onde os egípcios colocavam os órgãos mumificados) feitos com calcário pintado (e ao menos um deles pertencia a uma mulher) e 700 amuletos; alguns representando escaravelhos.

Muitos vasos de cerâmica de diferentes formas e tamanhos, usados ​​para fins funerários e religiosos, também foram desenterrados juntamente com ferramentas para cortar pedras e mover caixões, como martelos de madeira.

Durante um comunicado para imprensa, Waziri disse que um dos sarcófagos de pedra pertence ao filho do rei Psamético (não foi esclarecido qual deles), que assumiu o título de chefe do tesouro real. Ele possuía muitos títulos, dos quais um dos mais importantes era o de sacerdote de Osíris e Nut.

Fonte: 

Sarcophagus dedicated to sky god among latest ancient Egypt trove. Disponível em < https://phys.org/news/2020-01-sarcophagus-dedicated-sky-god-latest.html >. Acesso em 30 de janeiro de 2020. 

In photos: Communal tombs for high priests uncovered Upper Egypt. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/362609/Heritage/Ancient-Egypt/In-photos-Communal-tombs-for-high-priests-uncovere.aspx >. Acesso em 30 de janeiro de 2020. 

16 ancient Egyptian burial shafts see the light in Minya. Disponível em < https://wwww.dailynewssegypt.com/2020/01/30/16-ancient-egyptian-burial-shafts-see-the-light-in-minya/ >. Acesso em 30 de janeiro de 2020. 

Zahi Hawass e a busca por uma nova tumba (a qual espera-se que seja de Ankhesenamon)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde janeiro (2018) uma equipe de arqueologia liderada pelo o arqueólogo egípcio Zahi Hawass está procurando por uma tumba no Vale Oeste (também chamado de Vale dos Macacos), uma área mais periférica do Vale dos Reis. Essas escavações estão sendo financiadas pela Discovery Channel e como eu já tinha previsto aqui no Arqueologia Egípcia a empresa está fazendo isso porque lançará uma série de documentários sobre o assunto. A série deve estrear ainda este ano na Discovery Channel e no Science Channel.

— Saiba mais: Arqueólogo Zahi Hawass inicia busca pela tumba da esposa de Tutankhamon

As escavações estão ocorrendo sob sigilo, para manter a exclusividade da descoberta, mas a Discovery liberou uma foto dessas escavações:

Foto: Discovery Channel

Esta pesquisa começou depois que a equipe de Hawass encontrou objetos funerários nesta região e devido a proximidade com os túmulos dos faraós Amenhotep III e Ay, especulou-se que ali poderia estar a tumba da rainha Ankhesenamon, esposa de Tutankhamon.

Mas por hora nada é certo.

Saiba um pouco mais sobre esta pesquisa através deste vídeo que gravei para o canal do Arqueologia Egípcia:

E conheça a rainha Ankhensenamon e o seu esposo assistindo a este vídeo:

Fonte:

Has Tutankhamun’s tragic teenage wife been found? Documentary on the dig for the body of Ankhesenamun who ‘married her father, her grandfather AND her half-brother’ could reveal new clues. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-5602817/Discovery-Channel-filming-archaeologists-digging-body-Tutankhamuns-wife-Ankhesenamun.html >. Acesso em 23 de abril de 2018.

Have Archaeologists Discovered the Tomb of King Tut’s Wife? Maybe. Disponível em < https://www.livescience.com/62264-search-king-tut-wife-tomb.html >. Acesso em 23 de abril de 2018.

 

Artefatos da tumba do faraó Tutankhamon estão vindo para a América

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Como parte das comemorações que ocorrerão nos próximos anos em homenagem aos 100 anos da descoberta da tumba do faraó Tutankhamon, ocorrida em 1922, os artefatos provenientes de sua sepultura entrarão em mais uma turnê no ano de 2018.

Rosto de um dos sarcófagos do Faraó Tutankhamon. Foto pertencente ao acervo da National Geographic. Kenneth Garrett. Setembro de 1998.

A primeira parada da chamada “KING TUT: Treasures of the Golden Pharaoh” (Rei Tut: Tesouros do Faraó de Ouro) será a Califórnia (EUA), no Museu de Los Angeles, onde permanecerá por 10 meses a partir do mês de maio. Depois eles seguirão para a Europa em janeiro de 2019.

Dr. Diane Perlov, Diretora Adjunta de Exposições no Centro de Ciências da Califórnia, comentou que a exposição será “mais uma experiência de tipo imersiva”, pois cada artefato estará acompanhado por uma multimídia que contará como seria o pós vida de Tutankhamon.

Tutankhamun

De acordo com o museu, esta exposição representa a maior coleção de artefatos de Tutankhamon que será exposta para o público fora do Egito. 40% dos itens estão saindo pela primeira vez do pais.

Com o fim desta turnê internacional todos os artefatos do rei terão um novo lar, saindo definitivamente do centenário Museu Egípcio do Cairo, sendo exibidos permanentemente no Grand Museu Egípcio, cujo edifício foi construído perto das Pirâmides de Gizé.

 

Fonte: 

Artifacts from King Tut’s tomb are coming to LA. In: KPCC. Disponível em < http://www.scpr.org/news/2017/11/29/78274/artifacts-from-king-tut-s-tomb-set-for-internation/ >. Publicado em 29 de novembro de 2017. Acesso em 06 de dezembro de 2017.

Saiba mais: https://californiasciencecenter.org/exhibits/king-tut-treasures-of-the-golden-pharaoh

Tumba recém descoberta no Egito revela múmias e máscaras mortuárias

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Hoje mais cedo, autoridades do Ministério de Antiguidades do Egito revelaram para imprensa detalhes de uma tumba recém-descoberta em Draa Abu-el Naga (Luxor). A sepultura pertenceu a um casal: O homem chamava-se Amenemhat, um ourives do deus Amon e a mulher era chamada de Amenhotep. Eles viveram durante a 18ª Dinastia, mas o túmulo foi utilizado em outros períodos, tais como a 21ª e a 22ª Dinastia.

No local foram achados sarcófagos, estatuetas, potes cerâmicos e outros artefatos. Restos mumificados também estão presentes e dentre eles estão as múmias de uma mulher e seus dois filhos adultos. Máscaras mortuárias pertencentes a quatro oficiais igualmente foram encontradas.

A entrada da tumba foi descoberta no pátio de outra sepultura e ela leva para uma câmara quadrada. Lá dentro existe uma representação do casal no interior de um nicho. Estas estátuas são feitas de arenito e estão parcialmente danificadas. Entre as suas pernas está a representação do filho do casal, que de acordo com os arqueólogos que fizeram a descoberta seria algo inusitado, uma vez que o comum eram as filhas ou as noras ser apresentadas dessa forma e não os rapazes.

Apesar dos saques e dos sepultamentos mais tardios, entre os artefatos foram descobertos objetos do casal.

Fontes: 

Newly unearthed ancient tomb with mummies unveiled in Egypt. Disponível em < http://edition.cnn.com/2017/09/09/africa/egypt-luxor-ancient-tomb/index.html?utm_content=bufferd2214&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer >. Acesso em 09 de setembro de 2017.

Tomb of Pharoah’s goldsmith who died 3,500 years ago is discovered in Luxor in ancient civil service cemetery. Disponível em < http://www.dailymail.co.uk/news/article-4868124/Tomb-Pharoah-s-goldsmith-discovered-Luxor.html#ixzz4sEE4fxvZ >. Acesso em 09 de setembro de 2017.

Várias múmias foram descobertas em tumba egípcia

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Ontem, dia 8 de setembro (2017), o Ministério de Antiguidades do Egito anunciou que hoje irá revelar para a imprensa uma tumba com várias múmias em seu interior, em Draa Abu-el Naga (Luxor). Ela está próxima a de um oficial da 18ª Dinastia (Novo Império) chamado Userhat (– 157 –), a qual a sua redescoberta foi revelada em meados de abril deste ano (2017). O AE chegou a noticiar este acontecimento, clique aqui para ler o post. Na época tinha sido explicado para a imprensa que existiam mais duas sepulturas no local. Aparentemente é uma delas o foco da coletiva que ocorrerá na manhã de hoje.

Artefatos encontrados na tumba de Userhat. Foto: Luxor Times.

Não foram revelados muitos detalhes do que foi encontrado, exceto que a visada sepultura provavelmente pertenceu a um sacerdote importante e que a sua escavação ainda está em andamento. Entretanto, vários ushabtis, máscaras mortuárias e outros artefatos feitos de cerâmica e faiança foram descobertos. No local igualmente foram encontrados vários restos humanos mumificados.

Esta notícia está sendo recebida com muita expectativa pelos pesquisadores e espera-se que em algumas horas mais novidades sejam reveladas.

 

Fonte:

Exclusive: Egyptian archaeologists discover 3500 years old tomb contains many mummies. Disponível em <http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/09/exclusive-egyptian-archaeologists.html?utm_content=buffer2fa9d&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer >. Acesso em 08 de setembro de 2017.

 

1ª missão brasileira no Egito encontra restos de múmias e sarcófagos em tumba

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Na necrópole tebana dedicada aos antigos nobres do Egito, com vista para o Ramesseum e relativamente próximo ao Vale dos Reis, o Brasil está começando a deixar sua marca na Arqueologia Egípcia. O Amenemhet Project, um projeto que está dentro do Brazilian Archaeological Program in Egypt (BAPE), já fez algumas descobertas notáveis.

Os estudos estão sendo liderados por um pesquisador da Universidade Federal de Sergipe (UFS), o Prof. Dr. José Roberto Pellini, que espera que o BAPE seja nos próximos anos um ponto de referência para estudantes brasileiros de Arqueologia.

“A missão [terceiro-mundista] em um país em desenvolvimento recebeu apoio do Conselho Superior de Antiguidades do Egito e do Centro de Documentação, quebrando a lógica da arqueologia egípcia que sempre foi dominada pelos europeus”, disse Pellini ao G1, (Clique aqui para ler a matéria completa).

Foto: BAPE.

O BAPE detém uma concessão para pesquisar duas tumbas tebanas: a TT 123 e a TT 368.

Na temporada passada a equipe trabalhou na TT- 123, a tumba de um homem chamado Amenenhet, que viveu durante o Novo Império, mais especificamente no reinado do faraó Tutmés III. Nela foram descobertos restos ósseos e partes de múmias assim como fragmentos de sarcófagos e outros artefatos de cunho funerário tais como ushabtis e vasos canópicos. Eles também encontraram uma entrada para uma terceira tumba, a — 294 —.

Foto: BAPE.

Recentemente uma reportagem em vídeo sobre a missão foi gravada pelo jornal SE TV e é possível ver a parte externa da TT-123, para conferir clique aqui, ou no gif abaixo:

A matéria do SE TV deu destaque a importância do BAPE em um contexto nacional.

Aos curiosos acerca do programa o BAPE possui uma página no Facebook assim como um site.

Foi descoberta tumba com vários sarcófagos, múmias e centenas de ushabtis em Luxor

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Esta manhã foi anunciada a redescoberta[1] de uma tumba na necrópole de Draa Abu-el Naga (Luxor). As pesquisas estão sendo realizadas por uma missão egípcia coordenada por Mustafa Waziri.

“Os trabalhos de escavação estão em pleno desenvolvimento para revelar os segredos da tumba”, disse o ministro das antiguidades do Egito, Jaled el Anany, hoje em Luxor.  A sepultura encontra-se próxima a outros dois túmulos que ainda não foram escavados. O complexo principal pertence a um oficial da 18ª Dinastia (Novo Império) chamado Userhat. Esse homem foi conselheiro e juiz na cidade de Tebas.

Artefatos encontrados na tumba – 157 -. Foto: Luxor Times.

Sua tumba foi provisoriamente catalogada como – 157 – e tem sido vista como um sítio muito promissor pelo Ministério de Antiguidades graças às novas descobertas que ela pode oferecer. Ela possui o formato em “T”, muito comum na necrópole, e a sua parte retangular leva a novos espaços.

 

O que foi descoberto:

Na área retangular da tumba a equipe encontrou um sarcófago de madeira em bom estado de conservação e uma câmara interna com um poço com mais de 9 metros de profundidade que termina em duas pequenas câmaras. Lá foram encontradas cerca de 1000 pequenas estatuetas, os chamados ushabtis, figuras que se acreditava servir como servos do finado no além vida. Também foram descobertas jarras e maquetes de cerâmica assim como várias máscaras de madeira cobertas com pequenas lascas de ouro.

Parte de um ataúde. Foto: Luxor Times.

 

Mais internamente foi encontrado o que os pesquisadores acreditam ter sido um “armazém-esconderijo” onde foram depositados vários sarcófagos de madeira de épocas posteriores. Eles ainda possuem sua coloração original e foram datados como pertencentes a 21ª Dinastia. Algumas múmias, ainda envoltas em linho, também estão presentes. Nessa área também foram encontrados mais ushabtis feitos de diferentes materiais tais como terracota e madeira.

Partes de múmias e crânios. Foto: Luxor Times.

Artefatos encontrados na tumba – 157 -. Foto: Luxor Times.

Artefatos encontrados na tumba – 157 -. Foto: Luxor Times.

Artefatos encontrados na tumba – 157 -. Foto: Luxor Times.

Fonte:

Descubren una tumba de la Dinastía XVIII, con gran parte de su ajuar funerario, en Dra Abu El Naga. Disponível em < http://www.abc.es/cultura/abci-descubren-nueva-tumba-xviii-dinastia-gran-parte-ajuar-funerario-necropolis-naga-201704181258_noticia.html >. Acesso em 18 de abril de 2017.

Exclusive footage: Amazing new finds by an Egyptian team in Luxor. Disponível em < http://luxortimesmagazine.blogspot.com.br/2017/04/exclusive-footage-amazing-new-finds-by.html >. Acesso em 18 de abril de 2017.


[1] Ela já era conhecida, mas não pesquisada.

Arqueólogos da primeira missão brasileira no Egito já voltaram para casa

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Em março comentei aqui no A.E. que o Brasil, pela primeira vez em toda a história da Egiptologia, assinou uma pesquisa de arqueologia no Egito. A equipe, denominada de Brazilian Archaeological Program in Egypt (Programa Arqueológico Brasileiro no Egito), deu início aos trabalhos do Amenemhet Project, que está responsável por duas tumbas tebanas que pertenceram a nobres da época dos faraós: a TT 123 e a TT 368.

Foto: BAPE.

Dr. José Roberto Pellini, diretor do programa. Foto: BAPE.

Dr. Julián Alejo Sánchez, vicediretor. Foto: BAPE.

O “TT” faz referência ao termo “Theban Tomb” (Tumba Tebana). Tebas — chamada pelos antigos egípcios de Aset — foi capital do Egito durante o Novo Império, época em que ambas as sepulturas foram construídas.

É conhecido o nome dos donos da TT 123 e da TT 368: um era Amenemhet e o outro Amenhotep Huy, respectivamente.

Foto: BAPE.

Foto: BAPE.

Essas sepulturas, até então, só foram catalogadas, mas jamais analisadas. Dentre os itens encontrados estão partes de múmias, pedaços de sarcófagos e cartonagem, fragmentos de vasos canópicos e ushabtis.

Foto: BAPE.

Mas, as novidades não param por aí: quando estavam realizando os trabalhos de limpeza, escavação e catalogação do que foi encontrado, os membros do projeto deram de cara com a descoberta de mais uma sepultura, que está interligada com a TT 123: a — 294 —.

Entrada para a — 294 —. Foto: BAPE.

Aproveitando o fim dos trabalhos e o retorno para o Brasil, fiz uma entrevista com o diretor da equipe, o Dr. Prof. José Roberto Pellini (UFS). O resultado desse encontro sairá no canal do A.E. no YouTube, então aguardem.

Update: 20 de abril (2017)
A notícia em grandes portais:

Arqueólogo da UFS comanda primeira missão do Brasil no Egito
Cientistas brasileiros vão ao Egito comandar missão arqueológica

O Brasil tem a sua primeira missão de Arqueologia no Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Finalmente o Brasil tem uma missão de Arqueologia no Egito sob a direção de um pesquisador brasileiro, o Dr. Prof. Jose Roberto Pellini. Trata-se da Brazilian Archaeological Program in Egypt (Programa Arqueológico Brasileiro no Egito), que está responsável pela análise das tumbas tebanas TT-123 e TT-368. Esse é um momento único porque embora o país tenha pesquisadores trabalhando ou participando de escolas de campo no Egito, jamais, em toda a história da Egiptologia mundial, assinou uma missão.

A equipe deus início aos seus trabalhos no último dia 11/03/17 em parceria com o Centro de Documentação do Serviço de Antiguidades Egípcio. Abaixo algumas fotografias:

Foto: Reprodução.

Foto: Reprodução.

Foto: Reprodução.

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Update: 20 de abril (2017)
A notícia em grandes portais:

Arqueólogo da UFS comanda primeira missão do Brasil no Egito
Cientistas brasileiros vão ao Egito comandar missão arqueológica