(Resenha – Livro) A vida no Antigo Egito, de Eugen Strouhal

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A vida no Antigo Egito, de Eugen Strouhal. 2007.

A vida no Antigo Egito (Life in the Ancient Egypt, no original) é um dos livros que eu mais cito em artigos, embora ele não seja do meu agrado. Ele apresenta de forma linear aspectos da vida no Egito faraônico como a concepção da vida, o nascimento, a educação infantil, as brincadeiras, o amor, sexo, trabalho e a morte. O seu autor, o Eugen Strouhal, estudou medicina, arqueologia e antropologia em Praga e Bratislava.  Trabalhou no Egyptological Institute e no Naprstek Museum em Praga e já escavou na Núbia com uma missão checa e no Egito na cidade de Abusir. Também trabalhou com uma missão anglo-holandesa.

Em um contexto geral a obra não decepciona, mas existem algumas questões problemáticas. Uma delas é o aparente machismo do autor, que descreve a vida das mulheres como parte da preocupação econômica dos homens, adotando o discurso de que elas não precisavam trabalhar para se sustentar, embora saibamos que esta é uma ideia equivocada e que leva a diante os discursos propagados por egiptólogos de séculos passados. Em complemento embora sustente o discurso da inferioridade feminina no Egito Antigo, ele consegue contradizer-se em outras sentenças ao falar da liberdade das mulheres egípcias, como escrever contratos de emprego, exercer diferentes cargos desde camponesas a supervisoras e até disponibilizar empréstimos.

Eugen Strouhal.

Da mesma forma é a afirmação da existência de escravidão: ele usa esta definição, embora o conceito de escravidão para o Antigo Egito precise ser revisado porque também foi pensado no início da Arqueologia Egípcia, quando o seu estudo era influenciado ao máximo pelas fontes clássicas e bíblicas.

Outra grande questão identificada são os erros de digitação (letras em falta, palavras escritas com as sílabas separadas) e de ortografia de alguns nomes próprios. A escrita em si também não é muito animadora, sendo por vezes um pouco confusa (como no 1º Capítulo) ou não linear, o que pode confundir até mesmo os leitores mais inteirados na antiguidade egípcia.

Existe também a ausência de referências em meio aos textos para a confirmação de alguns dados, exceto pela lista bibliográfica ao final. Logo, a única fonte de informação acerca de determinados assuntos é o próprio Strouhal, mas este não é um problema único dele, podemos notar isso em muitas outras obras estrangeiras (o que é bem irritante).

Contudo, um dos pontos positivos é justamente a presença de várias informações acerca da vida cotidiana no Egito faraônico, todavia, reiterando, algumas informações são equivocadas e frutos de estereótipos. O outro são os registros fotográficos, o livro é muito bem ilustrado e as fotografias contém em suas legendas informações parciais sobre o sítio de onde se localiza (ou se localizava) o objeto retratado e a datação dele de acordo como período histórico ou dinastia.

Ele também apresenta muitos termos do egípcio antigo, o que pode enriquecer um pouco o conhecimento linguístico dos leitores.

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Reafirmo que no geral ele não decepciona, mas eu aconselho aos interessados a lerem obras de teoria da Arqueologia e criticas ao Orientalismo antes de se dedicar a este livro porque assim será possível entender alguns dos posicionamentos adotados ao longo dos capítulos.

Dados do livro:

Título: A vida no Antigo Egito

Gênero: Egiptologia

Autor: Eugen Strouhal

Tradutores: Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves

Editora: Folio

Ano de Lançamento (Brasil): 2007

 

(Vídeo) 5 livros sobre o Antigo Egito: temas específicos

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Recente gravei um vídeo para o canal do Arqueologia Egípcia no Youtube apresentando 5 livros sobre o Antigo Egito que são voltados para temas específicos. São eles: Pirâmides, ouro, culinária, sexualidade e arquitetura.

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Abaixo a lista de livros:

☥ “As Pirâmides do Antigo Egito” de Aidan Dodson. O autor fez um catálogo de todas as pirâmides conhecidas na época em que este livro foi editado. Relata brevemente acerca do simbolismo destes edifícios e apresenta fotografias e descrições de muitas destas construções.

DODSON, Aidan. As Pirâmides do Antigo Império (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2007.

☥ “O ouro dos faraós” de Hans Wolfgang Muller e Esberhard Thiem. É um dos meus favoritos porque fala “um pouquinho de tudo” desde o surgimento da ideia do ouro como algo místico, comércio, tipos de pedras preciosas e semipreciosas e algumas das descobertas realizadas no país, além de ter muitas fotos de vários tipos de artefatos diferentes, todos, claro, contendo ouro.

MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). Barcelona: Folio, 2006.

☥ “A culinária no Antigo Egito”, de Pierre Tallet. Nele o autor mostra que embora a dieta básica egípcia fosse composta de grãos existiu uma variedade de alimentos que poderiam ser consumidos. Era tanta criatividade na hora de cozinhar que existem indícios arqueológicos mostrando tortas arcaicas enfeitadas, alimentos que lembram nossos sanduíches e que os menos afortunados chegavam até mesmo a comer ratos.

TALLET, Pierre. A culinária no Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Júlia Braga, Joana Bergman). Barcelona: Folio, 2006.

☥ “Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito”, de Joseph Toledano e El-Qhamid, que como bem fala o nome apresenta o lado erótico do Antigo Egito. O início dele é bem interessante porque o autor fala sobre o pudor de antigos pesquisadores ao rasurar, rasgar ou quebrar partes de artefatos arqueológicos na tentativa de deixar tudo mais “apresentável”. Os autores realmente não tiveram interesse de mascarar como era visto o amor e principalmente o sexo na antiguidade.

TOLEDANO, Joseph; EL-QHAMID. Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito (Suzel Santos, Carlos Nougué). Barcelona, Folio, 2007.

☥ “Egipto:  do Pré-dinástico aos Romanos” de Dietrich Wildung. Este é também um dos que mais gosto porque ele mostra vários aspectos da arquitetura no antigo Egito, não se limitando ao velho clichê pirâmide+tumba no Vale dos Reis. Nele o autor fala sobre moradias, templos feitos de madeira, ornamentos etc.

WILDUNG, Dietrich. O Egipto: da pré-história aos romanos (Tradução de Maria Filomena Duarte). Lisboa: Taschen, 2009.

Cópia do livro “The Tomb of Tut-Ankh-Amen” de 1923

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Recentemente o leitor André Onofre enviou para mim as fotos do livro “The Tomb of Tut-Ankh-Amen” (A Tumba de Tutankhamon), escrito pelo arqueólogo descobridor da tumba do faraó Tutankhamon, o Howard Carter (1874 — 1939), e o seu colaborador Arthur Mace (1874 — 1928). Sua cópia é a edição de 1923 e ele a encontrou disponível para a venda em um sebo. Ele a comprou e disponibilizou algumas fotografias para vocês poderem ver também.

Este é um livro provavelmente pertencia a alguém que só queria se desfazer de seus bens e tem menos de cem anos, então nem o sebo (eu espero) e muito menos o André cometeram alguma ilegalidade. Está em um ótimo estado de conservação, o que sugere que foi muito bem cuidado por seu (sua) dono (a) anterior. Abaixo as fotografias:

O detalhe da inscrição hieroglífica na capa é sensacional porque é o “prenomen” de Tutankhamon. Significa “Senhor das formas de Rá”. Foto: André Onofre. 2015.

Em destaque está uma fotografia do Lorde Carnarvon, que morreu seis semanas após a descoberta da tumba. Foto: André Onofre. 2015.

Página com a famosa dedicatória de Carter e Mace para Lorde Carnarvon. Foto: André Onofre. 2015.

Na foto anterior está a página com a famosa dedicatória escrita por Carter e Mace em memória ao já falecido Lorde Carnarvon (1866 – 1923), patrocinador da descoberta. Nela está escrito:

“Com plena concordância de meu colaborador, senhor Mace, dedico esse relato da descoberta da tumba de Tutankhamon à memória de meu caro amigo e colega lorde Carnarvon, que morreu no momento de seu triunfo.

Não fosse a sua incansável generosidade e constante encorajamento, nosso árduo trabalho jamais seria coroado de sucesso. Sua capacidade de avaliar arte antiga raramente foi equiparada. Seus esforços, que tanto contribuíram para ampliar nosso conhecimento em Egiptologia, serão eternamente honrados pela história, e sua memória sempre será saudada por mim”

Página com esquema da tumba. Foto: André Onofre. 2015.

Foto: André Onofre. 2015.

Obrigada André por sua contribuição!

Pedro Paulo Funari assina prólogo do livro “Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis”

Por Márcia Jamille e João Carlos Moreno de Sousa (Arqueologia e Pré-história)

Foi anunciado no dia 30 de setembro de 2014 o nome do segundo livro da arqueóloga Márcia Jamille, “Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis”, e desde então algumas das atualizações acerca da edição e curiosidades sobre a descoberta da KV-62 (tumba do faraó Tutankhamon) estão sendo disponibilizadas na página do Facebook dedicada à obra.

Entretanto, o que ainda não tinha sido liberada é a notícia de que o seu prólogo foi assinado pelo historiador e arqueólogo Prof. Dr. Pedro Paulo de Abreu Funari, que é professor titular da Universidade de Campinas (UNICAMP), onde também é coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM) e professor do programa de pós-graduação em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade de São Paulo (USP).

Prof. Dr. Pedro Paulo Abreu Funari. Foto: Divulgação.

Na USP ele obteve seu título de Bacharel em História (1981), Mestre em Antropologia Social (1986) e Doutor em Arqueologia (1990). Pela UNICAMP obteve o título de Livre Docente (1996). Possui nove pós-doutorados, obtidos nas seguintes universidades: Illinois State University (1992), University College London (1993 e 1997), Universitat de Barcelona (1995 e 1999), Université de Paris X, Nanterre (2008), Durham University (2009) e Stanford University (2009 e 2013).

Funari também é líder de grupos de pesquisas e assessor científico na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Com mais de 80 livros publicados, mais de 240 capítulos de livros e mais de 500 artigos em revistas e jornais de divulgação científica, Dr. Pedro Paulo Funari acumulou diversas premiações e se tornou referência mundial na Arqueologia.

Sobre o livro: 

“Tutankhamon, 1922 e o Vale dos Reis” apresenta os passos dados pelo arqueólogo inglês Howard Carter e do seu patrocinado Lord Carnarvon até encontrar a KV-62, algumas curiosidades sobre aos trabalhos na sepultura e discute aspectos das pesquisas relacionadas com a vida de Tutankhamon.

Lorde Carnarvon (esquerda) e Howard Carter (direita). Foto disponível em < http://www.thetimes.co.uk/tto/magazine/article3650205.ece >. Acesso em 05 de outubro de 2014.

O livro ainda não tem uma data de lançamento prevista, mas é possível seguir as novidades sobre ele através dos seguintes links:

https://www.facebook.com/tutankhamoneovaledosreis
http://tutankhamoneovaledosreis.tumblr.com/

(Resenha – Livro) “Tenemit: A flor de lótus” de João Afonso

Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Lançado em 2008, “Tenemit: A flor de lótus” é um livro infanto-juvenil escrito pelo brasileiro João Afonso e ilustrado por Hare Lanz. Ele conta a história das garotas Tenemit, Ahuri, Vanessa e Juliana e se ambienta a princípio no Egito Antigo, passando depois para o cenário carioca. Quadrinista e amante de Historia, o Afonso  iniciou sua carreira escrevendo roteiros para histórias sobre o Velho Oeste e depois escrevendo o seu primeiro livro, “Sem Resgate”, cujo cenário é o Brasil. Foi graças à uma palestra sobre o Antigo Egito que o interesse pela antiguidade egípcia foi despertado, o que gerou o livro “Tenemit: A flor de lótus”.

Com a consultoria do egiptólogo brasileiro Mauricio Elvis Schneider, o material faz um ótimo e confiável passeio pelo o Egito Antigo, mas não espere uma narrativa profunda, com longos capítulos, afinal, trata-se de um livro para uma faixa etária mais jovem, entretanto, nada impede que adultos curiosos pela a antiguidade o leia, já que o Afonso nos apresenta pontos da vida nas antigas comunidades egípcias de uma forma bem casual.

Obrigada João Afonso pela dedicatória!

O livro não somente nos mostra aspectos da vida no Antigo Egito — a exemplo de como eles se envolviam com a questão da morte, o relacionamento com o papel do faraó, crenças em rezas e amuletos etc —, mas também sobre o quanto a amizade entre meninas pode criar vínculos muito fortes, ao contrário da nossa cultura ocidental que insiste em perpetuar que garotas devem ser inimigas naturais — quem nunca ouviu aquela frase “Uma mulher se veste para provocar outra mulher” e outras barbaridades como que todas as mulheres são falsas umas com as outras? —. Este é para mim um dos maiores bônus do livro e o Afonso trabalhou bem com a questão apresentando situações diferentes quando a Ahuri apoia incondicionalmente a amiga Tenemit e quando nos mostra a amizade incomum entre a extremamente cética Vanessa e a esotérica Juliana.

“Tenemit: a flor de lótus” é uma boa pedida para estimular o conhecimento sobre o Antigo Egito em sala de aula, pois, além de apresentar antiguidade egípcia de forma tão clara, vem com uma cartilha para desenvolver a interpretação do texto.

No sentido visual o livro tem uma capa linda, feita de um material brilhante, mas que não diminui sua qualidade e é amplamente ilustrado por dentro. Fiquei bastante satisfeita com a abordagem e a forma que ele foi desenvolvido, afinal, são poucos os autores que buscam a consultoria de egiptólogos. Dito isto, o indico plenamente.

Informações:

Título: Tenemit: a flor de lótus

Autor: João Afonso

Editora: Saraiva

ISBN:

País: Brasil

Páginas:

Ano: 2008

Perfil no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/131352ED145697

 

(Comentários – Livro) Uma viagem pelo Nilo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Seria bem injusto e contraditório eu escrever uma resenha do meu próprio livro, então realizei somente comentários acerca da publicação, detalhes e curiosidades da obra. Aqueles que tiverem interesse em ler a introdução ela está disponível neste link.

Uma viagem pelo Nilo. Márcia Jamille. 2014.

Lançado no início de 2014, Uma viagem pelo Nilo é uma apresentação de vários aspectos da sociedade egípcia, como o pensamento base da “dualidade” entre Osíris e Seth e a Maat versus o caos, e que nos auxilia a entender parte do pensamento politico-religioso do Egito faraônico. Comento também as teorias de quem teria sido o unificador do país e proporciono uma imagem do mundo religioso, com direito a um glossário de deuses, a explicação dos diferentes tipos de múmias de animais, comentários sobre o Período Amarniano e até mesmo sobre a ligação transcendental entre as sociedades egípcias com o meio aquático, que vai muito além do seu uso para a subsistência. Acerca deste capítulo devo reconhecer que está muito curto, especialmente porque foi o tema da minha monografia e dissertação. Entretanto, acredito que passei o assunto bem, mostrando os principais pontos que tornavam a água um ambiente especial para os egípcios. Sinceramente é um dos meus tópicos favoritos do livro.

Claro que todas as ciências-humanas são politicas e a Arqueologia e a Egiptologia não estão fora disto: nos dois últimos capítulos apresento um pouco do mundo da Egiptologia como a sua história, que não pode ser dissociada das praticas imperialistas da Europa e que ainda está ligada aos trabalhos realizados atualmente no país, uma posição que necessita urgentemente ser revista.

No livro está incluso um QR code para acesso rápido para o Arqueologia Egípcia através do seu smartphone, tablet ou iPhone. Claro que um livro inspirado em um site teria que ter uma ligação até ele. 😀

Um dos temas os quais fiquei acanhada em citar é acerca dos receios de alguns dos interessados em ganhar a vida com a Arqueologia Egípcia ou a Egiptologia. Explicando de forma simples ambas as disciplinas são extremamente tradicionais e relativamente fechadas — a tal ponto que alguns pesquisadores sentem orgulho em contar nos dedos quantos profissionais podem ser encontrados no seu país —, desta forma, para algumas pessoas pode ser desestimulador tentar seguir a profissão. Escrevi sobre este assunto inspirada na minha própria experiência e escutando relatos de alguns alunos.

Vídeos:

Curiosidades:

☥ Inicialmente a capa iria retratar um Benu, que é um dos animais mitológicos que mais gosto, além de ser um dos temas de uma tattoo que tenho no braço. Contudo no último instante surgiu esta maravilhosa foto de um gato egípcio com um escaravelho na testa. Foi amor à primeira vista porque une dois animais que amo muito (o gato e o escaravelho). Quem assina a fotografia é o Nic MC Phee;

☥ Para ser lançado e divulgado este livro teve três investidores anjos que atuaram em esferas diferentes;

☥ Graças a este livro acabei sendo citada em um jornal espanhol, o “La Vanguardia”, de Barcelona (Espanha).

Links que podem ser do interesse de vocês:

Como comprar: http://arqueologiaegipcia.com.br/umaviagempelonilo/ondecomprar.html
Facebook do Livro: https://www.facebook.com/umaviagempelonilo
Site: http://arqueologiaegipcia.com.br/umaviagempelonilo/
Tumblr: http://umaviagempelonilo.tumblr.com/

Lançamento do livro “Uma viagem pelo Nilo” (Aracaju-SE)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

No dia 11 de julho (2014) ocorrerá em Aracaju (SE) o lançamento do livro “Uma viagem pelo Nilo”, da minha autoria. O Evento ocorrerá no Portal Hanna Belly e está sendo organizado pela Contextos Arqueologia.

Clique na imagem para ampliar.

Na noite ocorrerá também uma apresentação de dança árabe com a dançarina Márcia Sandrine (clique aqui e acesse o blog dela):

Márcia Sandrine. 2011.

.:: Programação do lançamento:

18h00: Vendas dos livros (R$25,00);

19h00: Abertura e apresentação da obra;

19h30 Apresentação de dança do ventre.

O ambiente de Hanna Belly:

Hanna Belly. Foto divulgação.

Hanna Belly. Foto divulgação.

Hanna Belly. Foto divulgação.

A página oficial do livro no Facebook: https://www.facebook.com/umaviagempelonilo

Link do evento de lançamento no Facebook: https://www.facebook.com/events/781510108547923/781510111881256/?notif_t=like

Lembrando que o livro já está a venda online: http://www.marciajamille.com.br/p/loja.html

Link no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/374313-uma-viagem-pelo-nilo 

 

Meu livro já possui capa e nome: Uma Viagem pelo Nilo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Depois de cinco meses de organização de conteúdo, troca de e-mails, aprendizados e escolhas, finalmente o meu primeiro livro, Uma Viagem pelo Nilo, está pronto.
Estou me privando de dar uma data específica para o lançamento, mas a versão em e-book será a primeira a ser liberada e a perspectiva é que isto ocorra no início da segunda metade deste mês (Janeiro/2014). Sem mais delongas, esta é a imagem da capa do livro (Obrigada ao fotógrafo Nic Mcphee!):

Livro: Uma Viagem pelo Nilo. Márcia Jamille. 2014.

Livro: Uma Viagem pelo Nilo. Márcia Jamille. 2014.

Em breve publicarei aqui no site mais detalhes.

(Resenha – Livro) “Egito Antigo”, de Sophie Desplancques

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Eu tenho este livro fazem quase dois anos pensando em realizar uma resenha para o Arqueologia Egípcia, mas nunca me animei de fato para lê-lo. Creio que isto se deu por meu preconceito com os formatos pockets ao acreditar que livros de verdade precisam ter um tamanho A5 ou superior e mais de oitenta páginas, mas estou tentando trabalhar este meu problema.

Egito Antigo. Sophie Desplancques. 2011.

Egito Antigo. Sophie Desplancques. 2011.

Apesar deste quesito, fui capaz de entender que a principal vantagem deste livro está em seu tamanho, que o faz mais portátil e possível de ser levado para qualquer lugar e ser lido tranquilamente por quem está interessado em conhecer mais acerca da civilização egípcia, mas não tem muito espaço para guardar um livro na bolsa ou mesmo não tem interesse ou disposição física para levar o peso extra de um livro na bagagem. A ideia dos pockets são tentar influenciar os mais variados indivíduos a ter uma proximidade com a leitura (por isto tantos clássicos foram convertidos para tal formato), mas é onde surge o problema do livro “Egito Antigo” (L’égypte Ancienne, título original): ele não é para o deleite, mas sim para realmente fazer uma introdução sem meias palavras do pensamento político e religioso do Egito Faraônico. Ele, definitivamente, é uma tentativa satisfatória de realizar uma apresentação dos principais aspectos das antigas comunidades que viviam no território egípcio, mas sem se aprofundar em individualidades, ou seja, a autora apresenta o Egito Antigo em termos generalistas.

O material foi escrito por Sophie Desplancques, que além de jornalista possui um doutorado em Egiptologia e ensina História da Civilização Egípcia na Associação Papyrus em Lille, na França. Não conheço nenhum outro material dela, mas com este livro sua capacidade em repassar a história faraônica em poucas linhas foi comprovada.

Sophie Desplancques.

Sophie Desplancques.

A leitura não é extenuante, mas para algumas pessoas pode tornar-se confusa com uso de termos que podem soar estranhos para um leigo, a exemplo do uso da definição “Baixa Época”, ou pelo o fato das informações serem tão condensadas. Para se ter uma ideia, na Introdução, que se consiste de três páginas, a autora comenta a ideologia que sustentava a base discursiva por trás da cronologia faraônica e cita como exemplo a queda do Período Amarniano; explica o uso, por parte dos antigos, do passado como um modelo de conduta; identidade egípcia; as fases históricas, a divisão por impérios e as dinastias locais durante os períodos de instabilidade política.

Enquanto que no capítulo 1º ela faz uma abordagem geral da história egípcia, no 2º ela comenta acerca dos estudos da Pré-História e História egípcia: em relação a Pré-História ela realiza um passeio pelo o que até então se sabia sobre as culturas badarianas, Naqada I e Naqada II.

No capítulo 3º ela comenta alguns dos acontecimentos ocorridos a partir da 3ª Dinastia até a invasão hicsa no Segundo Período Intermediário. Acerca deste capítulo é uma pena que ela cite o reinado da faraó Nitócris como o sinal de uma crise pelo o motivo de ter sido uma mulher quem assumiu o trono. Vemos irregularidades dinásticas ocorrerem em períodos antes e depois do reinado desta faraó, com militares ou sacerdotes assumindo o trono em épocas de crises politicas e sucessórias. Além do mais, outras mulheres assumiram as Duas Coroas, mas foram em momentos dispares da história, tanto em épocas intermediarias como durante o Império egípcio.

L’égypte Ancienne. Sophie Desplancques.

L’égypte Ancienne. Sophie Desplancques.

No capítulo 4º ela introduz o início de fato do Império Egípcio e o começo do auge de Karnak e do deus Amon. Aqui ela explica o papel das figuras principais que constituíram este período: os tutméssias, Akhenaton e os raméssidas. Acerca do Período Amarniano ela, ao contrário de muitos outros materiais, cita as intervenções do faraó Akhenaton em outros países, especialmente os da Ásia ocidental (usualmente os materiais especializados tendem a descrever o governo deste como apático em relação às questões da política externa).

No capítulo 5º, Desplancques explica o estado social que se encontrava o Egito a partir do final da 20ª Dinastia e que o levou para os domínios dos governantes estrangeiros na Baixa Época. O leitor deve notar o breve ensaio que a autora faz acerca do cargo da Divina Adoradora de Amon, muito importante na história faraônica (surgida efetivamente no Novo Império), mas que ainda é pouco discutido.

Considerações:

Este não é um livro para quem espera realizar uma leitura despreocupada, mas para aqueles que realmente possuem interesse em tentar começar a entender o que de fato foi a civilização egípcia, como ela começou a surgir, do que se constituiu e quando se deu o seu fim. Porém, de forma semelhante ao Grimal, ela denota pontos elitistas da história egípcia, tradicionalmente utilizados como parâmetro, narrando o passado do ponto de vista da realeza, e raramente comentando acerca da vida do povo comum, que era a maioria e em grande parte iletrada.

Minha ressalva negativa é que em todos os capítulos Desplancques introduz o tema a ser abordado com um resumo, depois, através de subcapítulos, ela comenta os principais aspectos do período abordado e não raramente repete informações que ela já tinha dados em outros pontos.

Em termos gerais o livro é bem escrito e embora seja um pocket ele não decepciona e cumpre o prometido, que é apresentar a história faraônica em termos gerais. Embora seja menor e tenha menos conteúdo, é um bom investimento, visto o preço, que é mais acessível que muitos livros acerca do mesmo tema que são encontrados no mercado.

Este é um dos poucos livros que dou nota máxima (inclusive no Skoob). E em pensar que antes eu não estava dando muita ressalva para ele simplesmente pelo o fato de se tratar de um pocket.

Dados do livro:

Título: Egito Antigo

Gênero: Egiptologia, História Antiga.

Autor: Sophie Desplancques

Tradutora: Paulo Neves

Editora: L&PM Pocket

Ano de Lançamento (Brasil): 2011

Edição: 2ª Edição

Valor do livro impresso: R$ 14,00

Valor do livro digital:  R$ 9,00

Sugestões de livros sobre o Antigo Egito

Por Márcia Jamille Costa | @MJamilleInstagram

Devido ao número excessivo de mensagens que eu recebo de pedidos de sugestões de livros (embora ao final de cada texto eu deixe uma pequena lista de referências), resolvi escrever um post acerca.

Escolhi livros com temas gerais tanto em português como em inglês e planejo por updates sempre que possível.

Por favor, nos comentários não perguntem onde podem comprar, não tenho tais informações.

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Lista:

◘ ALLEN, James. The Ancient Egyptian Pyramid Texts. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2005.

◘ BAINES, John; MALEK, Jaromir. Deuses, templos e faraós: Atlas cultural do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Michael Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2008.

◘ BAGNALL, Roger; BRODERSEN, Kai; CHAMPION, Craige; ERSKINE, Andrew; HUEBNER, Sabine. The Encyclopedia of Ancient History. Oxford: Wiley-Blackwell, 2012.

◘ BARD, Kathryn. An Introduction to the Archaeology of Ancient Egypt. Oxford: Blackwell, 2007.

◘ BRANCAGLION Jr., Antonio. Tempo, material e permanência: o Egito na coleção Eva Klabin Rapaport. Rio de Janeiro: Casa da Palavra – Fundação Eva Klabin Rapaport, 2001.

◘ BUNSON, Margaret R. Encyclopedia of Ancient Egypt. New York: Facts On File, 2002.

◘ COSTA, Márcia Jamille Nascimento. Uma viagem pelo Nilo. Aracaju: Site Arqueologia Egípcia, 2014.

Estela de pedra de Iuny e Renut representando Khay na parte inferior realizando uma oferenda juntamente a um escriba. Imagem disponível em . Acesso em 25 de fevereiro de 2013.

Estela de pedra de Iuny e Renut. Imagem disponível em < http://www.ancient-egypt.co.uk/ashmolean/ pages/ashmolean_ sep2006_%20327.htm >. Acesso em 25 de fevereiro de 2013.

◘ David O’CONNOR, Rita FREED e Kenneth KITCHEN. Ramsés II (Tradução de Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Fólio, 2007.

◘ DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito (Tradução de Angela Machado). Rio de Janeiro: Difel, 2011.

◘ DAVID, Rosalie; DAVID, Antony. A Biographical Dictionary of Ancient Egypt. London: Steaby, 1992.

◘ DESPLANCQUES, Sophie. Egito Antigo (Tradução de Paulo Neves). Porto alegre: L&PM, 2011.

◘ DODSON, Aidan. As Pirâmides do Antigo Império (Tradução de Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Carlos Nougué). Barcelona: Folio, 2007.

◘ GRIMAL, Nicolas. História do Egito Antigo (Tradução Elza Marques Lisboa de Freitas. Revisão Técnica Manoel Barros de Motta). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

◘ IKRAM, Salima. Divine Creatures: Animal Mummies in Ancient Egypt. Cairo: The American University in Cairo, 2005.

◘ KEMP, Barry. El Antiguo Egipto: Anatomía de uma civilización (Tradução de Mònica Tusell). Barcelona: Crítica, 1996.

◘ KI-ZERBO, Joseph (Org.). História Geral da África I: Metodologia e Pré-história da África. (Tradução de MEC – Centro de Estudos afro-brasileiros da Universidade de São Carlos). Brasília: UNESCO, 2011.

◘ LLOYD, Alan, B (Ed). A Companion to Ancient Egypt. England: Blackwell Publishing, 2010.

◘ MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto (Tradução de Maria da Graça Crespo). Lisboa: Taschen, 1999.

◘ MOKHTAR, Gamal. História Geral da África Vol. II: África Antiga (Tradução de MEC – Centro de Estudos afro-brasileiros da Universidade de São Carlos). Brasília: UNESCO, 2011.

◘ MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). Barcelona: Folio, 2006.

◘ REEVES, Nicholas; WILKINSON, Richard. The Complete Valley of the Kings. London: Thames & Hudson, 2008.

◘ SHAFER, Byron. Sociedade, moralidade e práticas religiosas (Tradução de Luis Krausz). São Paulo: Nova Alexandria, 2002.

◘ SILIOTTI, Alberto. Viajantes e Exploradores: A Descoberta do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Michel Teixeira). Barcelona: Editora, 2007.

◘ SILIOTTI, Alberto. Primeiros Descobridores: A Descoberta do Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Michel Teixeira, Carlos Nougué). Barcelona: Editora, 2007.

◘ STROUHAL, Eugen. A vida no Antigo Egito (Tradução de Iara Freiberg, Francisco Manhães, Marcelo Neves). Barcelona: Folio, 2007.

◘ TALLET, Pierre. A culinária no Antigo Egito (Tradução de Francisco Manhães, Maria Júlia Braga, Joana Bergman). Barcelona: Folio, 2006.

◘ TOLEDANO, Joseph; EL-QHAMID. Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito (Suzel Santos, Carlos Nougué). Barcelona, Folio, 2007.

◘ WENDRICH, Willeke (Ed). Blackwell Studies in Global Archaeology: Egyptian Archaeology. New Jersey: Wiley-Blackwell, 2010.

◘ WILDUNG, Dietrich. O Egipto: da pré-história aos romanos (Tradução de Maria Filomena Duarte). Lisboa: Taschen, 2009.