Dezenas de sarcófagos foram encontrados selados no Egito

Saiba tudo sobre o esconderijo de sarcófagos recém-encontrado

Em outubro a internet foi bombardeada com a descoberta de um aglomerado de 30 sarcófagos na vila de Al-Assasif, próxima da cidade de Luxor. Eles foram encontrados por uma missão de arqueologia do Ministério das Antiguidades do Egito. Todos estão em um ótimo estado de conservação, mantendo ainda suas cores e inscrições e o mais interessante: estavam lacrados, o que traz a possibilidade de que todos ainda possuam múmias. [1][2][3]

A necrópole de Assasif é um local de enterro conhecido, do qual os túmulos e caixões descobertos datam do Novo Reino e, especialmente, do Período Tardio [2][3]. Contudo, no caso desta descoberta, provavelmente estaremos falando do Terceiro Período Intermediário [4].

O Terceiro Período Intermediário foi um intervalo histórico em que vemos a ascensão de diferentes famílias dinásticas reinando ao mesmo tempo. Uma delas é a 22ª Dinastia, que era composta por líbios, estrangeiros que assumiram a cidade de Tânis como capital. A outra é a 23ª Dinastia, também de líbios, que assumem a cidade de Leontópolis e a 24ª Dinastia, também de líbios, na cidade de Sais. E Finalmente a 25ª Dinastia, época em que o Egito é governado pelos Núbios. Se quiser saber mais sobre os Períodos Intermediários, você poderá fazê-lo através do vídeo abaixo:

O anúncio oficial da descoberta foi feito no dia 19 de outubro (2019) em uma grande tenda montada pelo Ministério das Antiguidades em frente ao templo da faraó Hatshepsut. Com um púlpito no centro, bem em frente a um amplo corredor ladeado por todos os caixões ainda fechados, a imprensa aguardou. Além dos jornalistas e blogueiros estavam presentes pesquisadores e os demais funcionários do Ministério. A promessa era que além de liberar mais informações sobre a descoberta, eles abririam dois dos sarcófagos.

Os ataúdes estavam sobre mesas baixas cobertas por tecidos brancos, dentro de uma área protegida por fitas de isolamento que só estavam lá de forma ilustrativa. Afinal, assim que o ministro das antiguidades e Zahi Hawass (famoso arqueólogo que além de dezenas de livros publicados, fez centenas de descobertas arqueológicas pelo país) chegaram, alguns membros da imprensa puderam transpassa-la. O que mais tarde gerou uma cena um tanto embaraçosa de vários cinegrafistas se acotovelando para poder pegar uma boa imagem dos invólucros das múmias que tinham acabado de ser revelados.

Com o início da coletiva de imprensa, eles fizeram um resumo sobre as pesquisas da equipe e explicaram que dos 30 sarcófagos, 23 são de homens, 5 de mulheres e 2 de crianças. Todos, como já apontado, lacrados. Eles foram enterrados um metro abaixo da areia, um sobre o outro e dispostos em duas fileiras. Agora, o conjunto está sendo chamado de “Esconderijo* de Assasif” (“Assasif Cachette”).

Ele é o primeiro esconderijo de caixões a ser descoberto por uma missão egípcia, depois de séculos de escavações arqueológicas lideradas por estrangeiros. Com o bônus de ser o único até o momento no século 21. O que torna a escolha da coletiva de imprensa ter ocorrido em frente ao templo da rainha Hatshepsut ainda mais emblemática. Já que o mais famoso esconderijo de múmias, a TT320, foi descoberto nas proximidades em 1871 por ladrões de tumbas. Foi na TT320 onde foram descobertas as múmias de alguns dos faraós mais famosos tais como Seti I, Ramsés II, Ramsés III, Seqenenre Tao II e Tutmés III. Sem contar a rainha Ahmés-Nefertari e a divina adoradora de Amon, a Maatkare.

O destino dos ataúdes será o Grande Museu Egípcio (que terá sua abertura oficial no final de 2020), onde serão cuidados e possivelmente postos em exposição.

Perguntas que não querem calar!

Estas são algumas das dúvidas enviadas por nossos seguidores através do meu Instagram (clique aqui para seguir):

Foram encontrados artefatos arqueologicos juntos?

As múmias não foram exumadas (e torceremos para que isto não seja necessário). Contudo, se elas passarem por um exame de tomografia certamente encontrarão indícios de amuletos de proteção e adereços tais como bijuterias ou joias.

Eram da mesma família?

Não se sabe. Entretanto, olhando a descoberta artificialmente, este parece ser o caso. Esperaremos informações futuras.

Por que foram encontrados tantos no mesmo lugar?

Não sabemos. Se olharmos exemplos de outros esconderijos poderíamos falar que se trata de um enterro para proteger os corpos após algum roubo… Ou, poderíamos falar que é era um enterro familiar e de gerações. São questões que só poderão ser respondidas no futuro, após pesquisas de arqueologia mais aprofundadas.

Quem são estas pessoas?

Já foi apontado que se tratam de sacerdotes, mas vamos esperar mais informações.

Por que estão preservados?

O solo do Egito é propício para a conservação de materiais orgânicos tais como restos humanos e madeira. Sem contar que aparentemente estas pessoas foram sepultadas com sarcófagos de ótima qualidade.

É um esconderijo clandestino?

Não sabemos ainda.

Quão frequente é este tipo de descoberta?

É raríssima! Como apontei no texto é a única no século 21! E só para vocês terem uma ideia, as últimas do tipo ocorreram somente durante o século 19!

Fonte:

[1] Antiquities Releases Images of Colored Coffins Found at Luxor. Disponível em < https://see.news/antiquities-ministry-releases-images-of-colored-coffins-found-at-luxor/ >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

[2] Egypt archaeologists find 20 ancient coffins near Luxor. Disponível em < https://www.bbc.com/news/world-middle-east-50068575 >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

[3] 20 Intact Coffins Unearthed in Asasif Necropolis. Disponível em < https://egyptianstreets.com/2019/10/17/20-intact-coffins-unearthed-in-asasif-necropolis/ >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

[4] Archaeologists unearth 20 preserved wooden coffins Egypt. Disponível em < https://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-7577157/Archaeologists-unearth-20-preserved-wooden-coffins-Egypt.html >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

Egypt unveils discovery of 30 ancient coffins with mummies inside. Disponível em < https://edition.cnn.com/2019/10/19/middleeast/egypt-discovers-coffins-mummies-trnd/index.html >. Acesso em 20 de outubro de 2019.

Archaeologists discover 30 ancient coffins in Luxor. Disponível em <  https://www.theguardian.com/world/2019/oct/19/archaeologists-discover-30-ancient-coffins-with-mummies-in-luxor >. Acesso em 10 de novembro de 2019.

30 Perfectly Preserved Coffins Holding Ancient Egyptian Priest Mummies Discovered. Disponível em < https://www.livescience.com/cachette-of-priests-egypt-mummies-discovered.html >. Acesso em 10 de novembro de 2019.


*Tomei a liberdade de traduzir desta forma para padronizar com os outros esconderijos que já foram encontrados.

Por que as pessoas do passado mumificavam?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

As múmias mais famosas do mundo certamente são as egípcias. Graças a elas sabemos detalhes sobre a vida no Egito Antigo, tais como dieta, meio ambiente, causas de morte comuns e taxas de mortalidade. E estas múmias só existem pelo simples e puro fato de que os antigos egípcios acreditavam na vida após a morte e que os corpos mumificados seriam uma “parte da existência” necessária para tornar esta “continuação da vida” possível. A propósito: as múmias no Egito eram chamadas de “Sah”.

Múmia egípcia

Mas, não existiram múmias somente no Egito, certo? Em vários lugares pelo mundo múmias foram encontradas e as finalidades delas nem sempre eram parecidas as dos egípcios — ou seja, vida após a morte —. Algumas não possuíam finalidade alguma, sendo somente acidentes da natureza.

É onde entra aqui o que nós arqueólogos chamamos de “mumificação antrópica” — também chamada de cultural — e “mumificação natural”. O primeiro tipo é aquele que foi construído por pessoas e o segundo tipo o que foi feito pela natureza. Exemplo:

As antrópicas são aquelas múmias feitas com o uso de artifícios que visam preservar o corpo tais como o “banho” de natrão, banho de vapor, etc… Onde pessoas pensaram em alternativas para a conservação. Ótimos exemplos são algumas egípcias, chinesas e amazônicas.

Múmia de Papua Nova Guiné

As naturais são aquelas que se formaram de forma acidental, porque o corpo foi colocado em um ambiente propício para a conservação, ou seja, não existia um desejo pela mumificação, ela simplesmente ocorreu. Alguns exemplos são as do Everest, as de San Bernado e Otzi.

Homem de Tollund

Múmia de San Bernado

Já teve curiosidade em saber os motivos das pessoas terem mumificado seus entes queridos ao longo dos séculos? Ou quantos tipos de múmias existiram? Assista a este vídeo:

Arqueólogos encontram várias múmias próximo de pirâmide egípcia

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Arqueólogos poloneses descobriram algumas múmias nas imediações da Pirâmide de Djozer, em Saqqara. A equipe trabalha na região há mais de 20 anos através de uma concessão de escavação concedida ao Centro de Arqueologia Mediterrânea da Universidade de Varsóvia.

Foto: Dąbrowski / PCMA

Esta descoberta recente compreende uma área entre a Pirâmide de Djozer e a parte ocidental do chamado “fosso seco”, que nada mais é que uma vala profunda que circunda a área sagrada da pirâmide.

Foto: Dąbrowski / PCMA

“A maioria das múmias que descobrimos na temporada passada eram muito modestas, elas só foram submetidas a tratamentos básicos de bálsamo e então envoltas em ataduras e colocadas diretamente em cavidades escavadas na areia”, disse Kamil Kuraszkiewicz, coordenador das escavações e que integra o Departamento de Egiptologia, na Universidade de Varsóvia da Faculdade de Estudos Orientais.

Foto: Maciej Jawornicki/ Samorząd Studentów Wydziału Orientalistycznego UW/Facebook

Foto: Dąbrowski / PCMA

Uma das parte mais intrigantes desta descoberta é um dos ataúdes de madeira, que apresenta marcas que lembram inscrições hieroglíficas, mas que em verdade é só uma tentativa de imitação. Basicamente “O artesão que pintou aparentemente não sabia ler e talvez tentou reproduzir algo que já havia visto antes. Em qualquer caso, alguns dos caracteres pintados não são sinais hieroglíficos da escrita hieroglífica e o todo não cria um texto inteligível”, explicou Kuraszkiewicz.

Fonte:

Dozens of mummies dating back 2,000 years found next to world’s oldest pyramid. Disponível em < https://www.thefirstnews.com/article/dozens-of-mummies-dating-back-2000-years-found-next-to-worlds-oldest-pyramid-6545 >. Acesso em 28 de junho de 2019.

Múmias são encontradas em Aeroporto do Cairo (Egito)

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Há algumas semanas, no Aeroporto Internacional do Cairo (Egito), foram encontrados dentro de caixas de alto-falantes fragmentos de múmias egípcias. A descoberta foi feita quando os objetos estavam passando pela varredura de raio-x. Até aquele momento a equipe de segurança não sabia do que se tratavam, por isto que eles foram enviados para a unidade de arqueologia do aeroporto. Foi então quando os pedaços foram identificados como restos humanos datados da era dos faraós. O destino do contrabando era a cidade de Bruxelas, na Bélgica.

A equipe de arqueologia também salientou que as partes, em verdade, eram advindas de dois corpos e estavam em frangalhos porque foram quebrados propositalmente para caber dentro das caixas. Eles identificaram: dois pés, duas pernas, a parte inferior de uma mão esquerda, um braço e parte do tronco. Todos eles estão agora em um laboratório do Museu Egípcio para serem estudados e restaurados.

O tráfico de artefatos arqueológicos não é incomum e no Egito isto é quase uma epidemia. De acordo com as autoridades, são barradas anualmente a saída de cerca de 2000 a 3000 artefatos.

Fotos: divulgação.

Fontes:

Los restos de dos momias faraónicas, recuperados de unos altavoces en el aeropuerto de El Cairo. Disponível em < https://www.elmundo.es/cultura/2019/02/27/5c759954fdddffa4208b468d.html >. Acesso em 18 de mar de 2019.

Mummy body parts discovered in passenger’s luggage at Cairo airport. Disponível em < http://english.ahram.org.eg/NewsContent/9/40/326115/Heritage/Ancient-Egypt/Mummy-body-parts-discovered-in-passengers-luggage-.aspx >. Acesso em 18 de mar de 2019.

Uma forma de encarar a morte: O que são múmias?

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

As milhares de comunidades espalhadas pelo mundo — do presente ou do passado mais remoto — tinham cada uma a sua própria forma de tentar entender a morte. Muitas sociedades ocidentais atuais, por exemplo, tentam torná-la “invisível”, excluindo-a do dia a dia, tratando, consequentemente, os assuntos relacionados com ela como um tabu.

Contudo, este não é um pensamento unânime e em algumas sociedades a dor da separação pode ser contornada ou aliviada através de práticas funerárias distintas. Uma delas é a mumificação de cadáveres.

Múmia do faraó Ramsés II. Fotografo desconhecido (Wikimedia Commons).

A adoção de estruturas funerárias tais como pirâmides ou jazigos costuma apontar para uma resistência à morte e a tentativa de perpetuar, mesmo que simbolicamente, a existência do falecido como uma figura social (SOUZA, 2015). E a mumificação entra aqui como uma destas tentativas de permanência (RADLEY, 1992 apud SOUZA, 2015).

A mumificação pode ser definida como a paralisação do processo cadavérico antes da esqueletização total ou parcial. A intenção de preservar os cadáveres é manter a individualidade depois da morte e ter a pessoa falecido mais próximo do mundo dos vivos.

Embora tenham se popularizado em filmes hollywoodanos e mesmo em documentários como peças de curiosidades, as múmias, quando analisadas do ponto de vista biológico, podem contribuir para o conhecimento arqueológico, proporcionando informações sobre condições de vida, dieta, saúde, modificações corporais (utilização de alargadores, tatuagens, estilos de cortes de cabelos ou penteados, etc), ou sobre produtos de origem animal ou vegetal usados como ornamentos ou vestimenta (cores de tecidos, padrões de costuras, padrões de desenhos, tampões vaginais, sapatos, etc) que por ventura tenham sido conservados com o corpo.

Corpo com mais de 5.000 anos encontrado nos Alpes de Venoste. Estas marcas são tatuagens. Foto: The South Tyrol Museum of Archeology.
Os envólucros de múmias egípcias, por exemplo, dão detalhes da manufatura têxtil. Fotografo desconhecido (Wikimedia Commons).

Em termos simples, os tipos de múmias são divididos em dois grupos: múmias naturais e múmias antrópicas (AUFDERHEIDE, 2010).

Múmias naturais:

Nesse grupo de múmia entram os corpos preservados total ou parcialmente de forma natural devido a diferentes fatores que podem ter relação com o clima, o tipo de solo, o tipo de morte ou mesmo o tipo de involucro. Alguns exemplos são as múmias de Palermo (Itália), Otzi (Itália), as múmias do vulcão Llullaillaco (Argentina e Chile), múmias Pré-dinásticas do Egito e as Sokushinbutsu (Japão).


O “Homem de Tollund” é um exemplo de múmia natural. Foto: Robert Clark; National Geographic.

Múmias culturais ou antrópicas:

Tendo em vista que a própria denominação “cultura material” tem como objetivo ressaltar os artefatos como resultado do trabalho humano (MATTHEW, 2004 apud SOUZA, 2015), as múmias culturais são consideradas artefatos arqueológicos, já que para serem criadas necessitaram da manipulação humana (AUFDERHEIDE, 2010). São várias as formas de se criar múmias culturais, mas os espécimes mais populares indiscutivelmente advêm do Egito.

A confecção de múmias possui vários motivos que vão desde o religioso ao prático, como foi o caso de alguns dos corpos resgatados da área do naufrágio do Titanic, que foram embalsamados para que pudessem ficar reconhecíveis o maior tempo possível, facilitando assim a sua identificação. Ou dos soldados mortos durante a Guerra Civil Norte-americana.

Homem da época da Guerra Civil Norte-americana sendo embalsamado. Foto: Library Congress.

E nos dias atuais a mumificação ainda é empregada, seja para fins científicos — as múmias feitas durante as pesquisas de Arqueologia Experimental —, para uso estético ou higiênico — fazendo uso da Tanatopraxia — ou para manter a memória do falecido viva, a exemplos de líderes políticos ou religiosos.


Evita Peron. Foto: Getty Images.

Referências bibliográficas:

AUFDERHEIDE, Arthur. The Scientific Study of Mummies. Nova York: University of Cambridge, 2010.

SOUZA, Camila Diogo de. As práticas mortuárias na região da Argólida entre os séculos XI e VIII a. C. Tese (Doutorado em Arqueologia) – Museu de Arqueologia e Etnologia, USP, São Paulo, 2010.

SOUZA. Camila Diogo de. Aportes arqueológicos na produção do conhecimento histórico. Vol. XII | n°24 | 2015.

VIDAL, Irma Ason; OLIVEIRA, Claudia; VERGNE, Cleonice. SOUZA, Sheila Maria Ferraz Mendonça de. Mumificação natural na Toca da Baixa dos Caboclos, sudeste do Piauí: uma interpretação integrada dos dados. Canindé, Aracaju, v. 2, p. 83-102, 2002.

17 múmias intactas chamam a atenção para sítio arqueológico egípcio

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Ocorreu há duas semanas o anúncio da descoberta de uma sepultura com 17 múmias intactas perto da vila de Tuna el-Gebel na cidade de Minya. Os corpos provavelmente são de sacerdotes e oficiais. O achado também inclui sarcófagos feitos de calcário e argila, caixões de animais e papiros com inscrições em demótico.

Possivelmente as múmias possuem mais de 1500 anos, sendo assim do Período Greco-Romano, que são os anos finais da era dos faraós.

Khaled Desouki/Agence France-Presse — Getty Images

Khaled Desouki/Agence France-Presse — Getty Images

Mas a descoberta não se resume a isso, já que essa é “a primeira necrópole humana encontrada no médio Egito com muitas múmias“, disse o egiptólogo Salah al-khali ao jornal Telegraphic[1]. Em complemento, esse sítio funerário talvez possua até 32 múmias espalhadas pelas catacumbas da tumba [2]

Khaled Desouki/Agence France-Presse — Getty Images

A sepultura foi detectada ano passado por um time da Universidade do Cairo usando uma tecnologia de radar, cada vez mais comum na arqueologia do país.

Khaled Desouki/Agence France-Presse — Getty Images

A mumificação no Egito:

Embora pareça que a mumificação egípcia foi uma técnica milenar e perfeita, em verdade ela precisou, assim como muitas obras da antiguidade egípcia, da tentativa e erro.  Fora o fato de que ela sofreu notáveis mudanças ao longo dos séculos. Exatamente por isso que uma múmia do, por exemplo, Médio Reino não será totalmente parecida com uma da Baixa Época.

— Veja também: O que são múmias?

Desta forma, essa descoberta em Minya é importante para mostrar mais aspectos da mumificação durante o Período Greco-romano.  Época em que justamente o poder dos faraós começou a cair e a cultura egípcia passou a receber influência da cultura grega e logo depois da romana.

Tenha em casa: A Edições Del Prado, uma editora especializada em vendas de fascículos com imagens colecionáveis, possui uma coleção intitulada “Cenas do Egito Antigo”. Uma delas recria um momento durante a mumificação.

Clique aqui para conferir a peça ou aqui para ver as demais cenas.

Fontes:

Archaeologists uncover 17 mummies in central Egypt. Disponível em < http://www.aljazeera.com/news/2017/05/archaeologists-uncover-17-mummies-central-egypt-170513163646866.html >. Acesso em 13 de maio de 2017.

[1] Ancient Burial Chamber Uncovered in Egypt, With 17 Mummies … So Far. Disponível em < https://www.nytimes.com/2017/05/13/world/middleeast/egypt-mummies-burial-site-minya.html?_r=1 >. Acesso em 13 de maio de 2017.

[2] 17 mummies newly discovered buried in Minya cemetery. Disponível em < http://www.dailynewsegypt.com/2017/05/13/17-mummies-newly-discovered-buried-minya-cemetery/ >. Acesso em 13 de maio de 2017.

 

Vasos canópicos + Vídeo

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Durante a antiguidade egípcia a crença, de uma forma geral, era que após a morte os falecidos realizariam uma viagem que os levariam ao paraíso. Entretanto, para que esta jornada pudesse ocorrer, eram necessários alguns procedimentos para dar ao morto a chance de realizar esta passagem. Um deles era que o seu corpo fosse mumificado, situação em que alguns dos seus órgãos seriam postos em recipientes que atualmente são chamados de “vasos canopos” ou “vasos canópicos”.

— Assista também: 8 curiosidades sobre múmias egípcias.

Para falar deste assunto postei um vídeo no canal do Arqueologia Egípcia no Youtube. Para conferí-lo clique aqui ou assista abaixo. Aproveite e inscreva-se no canal.

Para ocorrer a mumificação era necessário que o corpo fosse ressecado, entretanto, os órgãos possuem muito líquido e para que eles não comprometam o embalsamamento usualmente eles eram retirados do corpo, mumificados separadamente e depositados em recipientes chamados atualmente de vasos canópicos, exceto o cérebro e o coração: o primeiro era jogado fora e o segundo mumificado também, mas posto de volta no corpo (BIERBRIER, 2008).

Imagem 1: Desenho de vaso canópico. Fonte: Revista Segredo das Múmias.

Não foi encontrado durante as pesquisas bibliográficas qual seria o fim dado para o útero ou outros órgãos. Há quem sugira que poderiam ser considerados como “intestinos” e postos no recipiente Kebehsenuef, mas isso carece de confirmação.

Usualmente podemos reconhecer esses objetos graças ao seu formato peculiar que traz as cabeças dos chamados “4 filhos de Hórus” (Imagem 2), cuja mitologia não nos é clara. Quando depositados na tumba eles eram protegidos também por mais quatro divindades, femininas todavia, e obedeciam aos pontos cardeais (BIERBRIER, 2008). Confiram o quadro a seguir:

Vasos Canópicos

Deusas protetoras Pontos Cardeais Vísceras Iconografia Filhos de Hórus
Neit Leste Estômago Chacal Duamutef
Néftis Norte Pulmões Babúino Hapi
Ísis Sul Fígado Homem Imseti
Selket Oeste Intestinos Falcão Kebehsenuef

Imagem 2: Vasos canópicos com o tema dos “4 Filhos de Hórus”, pertencente a um sacerdote de Amon, Padiuf (Terceiro Período Intermediário; XXII Dinastia). Fonte: Revista Egiptomania.

Imagem 3: Vasos canópicos datados da Baixa Época (MARIE; HAGEN, 1999, p. 154).

Voltando aos “4 filhos de Hórus”, apesar da imagem dos vasos canópicos serem tão reconhecíveis graças a esses deuses a verdade é que estes artefatos podem ser encontrados em outras formas: durante o Antigo Reino eles eram potes simples (Imagem 4) e especialmente durante o Novo Império podemos encontrá-los enfeitados somente com cabeças humanas (BIERBRIER, 2008; JIRÁSKOVÁ, 2015).

Imagem 3: Vaso canópico do Antigo Reino. Foto: M. Frouz (JIRÁSKOVÁ, 2015).

Imagem 5: Exemplo de vaso canópico do Novo Império com cabeça humana. Este pertence a rainha Kiya. Fonte: Revista Egiptomania.

Acerca da sua confecção, os tipos de matérias-primas utilizadas para fazer este artefato não variavam muito, sendo usualmente feitos de rochas derivadas do calcário e em alguns casos é possível encontrá-los feitos com alabastro, que era mais nobre (JIRÁSKOVÁ, 2015).

Curiosidades:

O nome “canópico” não é egípcio, ele foi dado para estes vasilhames porque os antiquários do século XIX os associaram com um herói mitológico grego, Canopus, que de acordo com a lenda teria sido sepultado em uma urna com cabeça humana (BIERBRIER, 2008; DAVID, 2011). É um dos muitos casos em que a cultura clássica influenciou a interpretação histórica do Egito faraônico por parte dos olhos modernos.

 Em algumas situações foi visto que os órgãos não foram postos em vasos. Assim como o coração eles poderiam ser mumificados e devolvidos para o interior do falecido (BIERBRIER, 2008).

Referências bibliográficas:

BIERBRIER, Morris L. Historical dictionary of Ancient Egypt. Maryland: The Scarecrow Press, Inc, 2008.

DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito (Tradução de Angela Machado). Rio de Janeiro: Difel, 2011.

JIRÁSKOVÁ, L. Damage and repair of the Old Kingdom canopic jars: the case at Abusir. PES XV, 2015.

MARIE, Rose; HAGEN, Rainer. Egipto (Tradução de Maria da Graça Crespo). Lisboa: Taschen, 1999.

(Vídeo) 8 curiosidades sobre as múmias egípcias

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

A busca pela vida eterna é um tema recorrente quando estudamos a religiosidade egípcia e um assunto indiscutivelmente é sempre citado: a mumificação.

Foto via.

Múmias egípcias são fascinantes, isto é inegável, é tanto que elas não se restringem aos debates acadêmicos, estando também na cultura pop através da literatura, filmes, games, HQs e festas à fantasia.

Saiba mais: — O Egito Antigo nos filmes de terror. 

Porém, apesar de serem uma das figuras mais reconhecíveis advindas da antiguidade egípcia, muitas pessoas do público não acadêmico não possuem a oportunidade de conhecer um pouco mais acerca destes artefatos — Sim! As múmias feitas com interferência humana são consideradas artefatos —.

Por isso, separei 8 curiosidades acerca delas e as apresentei em vídeo para o nosso canal lá no YouTube (clique aqui para se inscrever e fazer parte da nossa comunidade).

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