DVD “A Maldição de Tutankamon”: comentários

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille | Instagram

Em 2014 realizei aqui para o AE a resenha escrita e em vídeo do DVD “A Maldição de Tutankamon*” (The Curse of Tutankhamun) —  *sim, grafaram o nome do rei desta forma mesmo — . É um ótimo post, mas ao menos o vídeo precisei dar uma atualizada, já que na época em que ele foi gravado não existia a estrutura para gravação que possuímos atualmente.

No post original da resenha além de explicar acerca do documentário comentei o contexto da época em que eu o assisti. Vocês podem dar uma olhada nele na caixa ao final dessa postagem ou clicando aqui.

E abaixo o novo vídeo:


(Resenha – Documentário) A Maldição de Tutankamon, da Discovery

(Resenha – Documentário) A Maldição de Tutankamon, da Discovery

Por Márcia Jamille | @MJamille | Instagram

Desde mais nova sempre fui aficionada por documentários, mas raramente eu podia assistir algum. Quando comecei a ter acesso à internet procurava saber o que estava passando nas TVs por assinatura para, quem sabe, um dia ter a sorte de encontrar algum deles à venda. Um desses materiais que fizeram parte do meu sonho de consumo foi “A Maldição de Tutankamon” (The Curse of Tutankhamun), da Discovery, que tinha logo no início da sua sinopse a incrível descrição:

Nas margens do Nilo, um rapaz está morto e um homem está morrendo. Duas mortes separadas por mais de 30 séculos e, ainda assim, agourentamente ligadas. O rapaz, um faraó, sepultado com uma fortuna incalculável. O homem, um nobre inglês, no ímpeto de encontrá-lo. Sua busca disparou a maior caça ao tesouro da História e uma reação de mortes em cadeia. Um a um, aqueles que perturbaram a tumba do faraó pereceram. Até hoje, as casualidades crescem. A Ciência segue um assassino esquivo de três mil anos de idade.

Era difícil, como o é hoje, não ficar curiosa depois de ler isso. Contudo, só cheguei a assistir esse documentário quando ingressei na graduação em Arqueologia e anos depois finalmente consegui comprá-lo.

DVD “A Maldição de Tutankamon”, da Discovery. 1998.

Faz muito tempo que me desgostei de documentários, especialmente os ligados à figura de Tutankhamon por sempre romancear as circunstâncias da sua causa de morte, o que, para mim, desgastou e banalizou muito o assunto.  Felizmente, para a minha sorte e paciência, “A Maldição de Tutankamon” ainda não faz parte da belle époque dos documentários sensacionalistas, apesar do assunto abordado, que é a falaciosa maldição da múmia que teria matado uma série de pessoas ligadas ao achado da sepultura. A produção tenta mostrar que a suposta praga não seria um evento espiritual, mas algo que teria sido perfeitamente evitável.

Tutankhamon foi um rei da 18ª Dinastia (Novo Império) e um dos sucessores de Akhenaton, faraó conhecido por sua tentativa de reforma religiosa. Tutankhamon morreu entre seus 18 e 19 anos e foi sepultado no Vale dos Reis. Sua tumba permaneceu praticamente intacta até a sua descoberta, realizada por um arqueólogo, em 1922. A fita se inicia apesentando o contexto da época da abertura do túmulo, o papel do Lorde de Carnarvon (patrocinador da empreitada) e Howard Carter (arqueólogo responsável pelo achado). É narrado também o episódio da entrada fortuita de Carter, Carnarvon, Mace e da Lady Evelyn no sepulcro na calada da noite e a morte de Carnarvon nas semanas seguintes, circunstância que deu espaço para os tabloides ingleses afirmarem a existência de uma maldição.

Sheryl Munson e o marido no Egito em 1995. Fonte: “A Maldição de Tutankamon”, da Discovery. 1998.

O documentário também aponta a morte da turista Sheryl Munson, em 1995, após sua viajem para o Egito. É narrado que, ignorando as ordens de segurança, ela tocou uma pintura parietal de uma tumba acreditando que aquela era uma oportunidade única. Contudo, após retornar para casa ela desenvolveu um quadro de tosse aguda, fraqueza e falta de ar. Com a piora da sua saúde uma biopsia do seu pulmão foi realizada. Foi identificado então o fungo aspergillus níger, que mais tarde assimilariam o contágio com a viajem de Shery para o Egito e o evento de ter tocado em uma parede num sítio arqueológico de caráter funerário. O material ainda explica que Carnarvon teria cometido erro semelhante anos antes, quando entrou desprotegido na tumba, se expôs aos fungos do local e, após um ferimento no rosto que infeccionou graças ao contágio, entrou em óbito em 10 de abril de 1923.

O interessante da fita é que nela aparecem alguns nomes já conhecidos entre egiptólogos e o público comum como David Silverman, Roselie David e Zahi Hawas (que ironicamente em uma das suas participações comenta que a fama é uma maldição). A participação da profa. David é uma das mais esclarecedoras, já que ela explica que, ao contrário do passado, hoje é possível trabalhar com a “exumação” de múmias em segurança, através do uso de raio-x e o endoscópio, evitando assim o risco de contaminação tanto para o pesquisador como para a própria múmia (é importante lembrar que o depósito de bactérias na superfície ou interior de uma múmia pode acelerar a sua degradação).

Imagem frontal da mascara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Imagem frontal da mascara mortuária de Tutankhamon. Imagem disponível em MULLER, Hans Wolfgang; THIEM, Esberhard. O ouro dos faraós. (Tradução de Carlos Nougué, Francisco Manhães, Maria Julia Braga, Angela Zarate). 1ªEdição. Barcelona: Editora Folio, 2006. pág. 175.

Mas por que tantas mortes?

Lord Carnarvon.

Quinto Conde de Carnarvon.

Embora uma infecção explique a morte de Carnarvon, a dúvida ainda paira acerca dos outros óbitos que os tabloides relacionaram com a Maldição de Tutankhamon. Mas não existe mistério também nisto: quando a notícia da descoberta da tumba estourou, Carnarvon vendeu os direitos de reportagem para o The Times, um jornal voltado para a elite inglesa. Sem matérias exclusivas e aproveitando o embalo do falecimento do patrocinador, os demais jornais procuravam qualquer definhamento relacionado com algum membro da equipe de escavação, ou mesmo de algum familiar que nem sequer entrou no sepulcro, para assimilar à morte agourenta. Um deles até mesmo inventou que na porta da sepultura existia uma maldição escrita ameaçando todos aqueles que incomodassem o descanso do faraó.

Considerações finais:

Este é um documentário para sanar a curiosidade acerca da Maldição da Múmia, e não apresenta muitos aspectos da vida no Antigo Egito, contudo, faz bem o seu trabalho ao mostrar os riscos de contaminação existentes em túmulos e corpos egípcios.

Meus comentários sobre o DVD “A Maldição de Tutankamon” no Youtube:

Dados do DVD:

Título: A Maldição de Tutankamon

Gênero: Egiptologia, múmias

Diretor: Gary Parker

Distribuidora: Discovery

Ano de Lançamento (Brasil): 1998

Valor: Entre R$19,90 e R$20,90

Em breve: Novas peças da tumba de Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Faraó Tutankhamon em Imagem parietal de seu túmulo.

Faraó Tutankhamon em Imagem parietal de seu túmulo.

O Egyptian Museum do Cairo unido com o Römisch-Germanisches Zentral Museum de Mainz, a University of Tübingen e o Cairo Department of the German Archaeological Institute estão trabalhando para restaurar e exibir um grupo de artefatos de folhas de ouro ainda inéditos pertencentes a KV-62, tumba de Tutankhamon.

O faraó Tutankhamon ficou conhecido no mundo inteiro após a descoberta da sua tumba praticamente intacta em 1922. De lá foram catalogados centenas de artefatos, alguns dos quais jamais entraram para exibição, a exemplos destas folhas de ouro.

A notícia foi anunciada na página do DAI Kairo – German Archaeological Institute Cairo, no Facebook.

 

Uma explicação para os vinhos na KV-62

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Tutankhamon viveu durante a XVIII Dinastia e reinou até os 18 a 19 anos de idade.

Coincidindo com a semana de aniversário da descoberta da tumba do faraó Tutankhamon (a KV-62), o jornalista Reinado José Lopes lançou esta semana no site Folha Uol uma matéria comentando a pesquisa da farmacêutica Maria Rosa Guasch Jané acerca dos vinhos encontrados na câmara funerária deste governante. Neste artigo em questão só não achei justa a expressão “farmacêutica (…) com alma de arqueóloga”, isto foi algo tão século XIX, uma época onde ainda poderia se dizer que Arqueologia era um hobby .

Comentários sobre as pesquisas com os vinhos da KV-62 já são conhecidos, mas pouco explanados. Não conheço nenhum paper ou artigo sobre, por isto não posso explanar acerca do que está sendo divulgado pela imprensa.

Abaixo a matéria na integra:

 

Vinhos enterrados com Tutancâmon serviam para levá-lo aos deuses

Publicado: 31/10/2011 – 14h17

Por: Reinaldo José Lopes (Editor de Ciência e Saúde)

O rei-menino mais famoso da Antiguidade fez questão de levar consigo três tipos de vinho –dois tintos e um branco– quando partiu desta para uma melhor. O enigma, até agora, era o porquê disso.

Uma farmacêutica catalã, com alma de arqueóloga e paixão pelo antigo Egito, diz ter resolvido o mistério. Tutancâmon (1333 a.C.-1323 a.C.) teria escolhido uma adega mística, e as seletas bebidas permitiriam que ele realizasse o destino de todo bom faraó: unir-se aos deuses.

Tutankhamon na Folha UOL.

Maria Rosa Guasch Jané, 38, nascida em Barcelona e hoje pesquisadora da Universidade Nova de Lisboa, publicou sua engenhosa tese na revista científica “Antiquity”. Guasch Jané e seus colegas tinham sido os responsáveis por identificar os vinhos do faraó em pesquisas anteriores.

A pista usada pela equipe foi a presença residual de ácido siríngico, um derivado da malvidina, substância exclusiva de uvas vermelhas, em duas ânforas (jarros).

A posição das ânforas, contudo, ainda deixava a pesquisadora com a pulga atrás da orelha (leia mais no infográfico). Colocadas dentro da câmara mortuária propriamente dita, elas foram posicionadas ao leste, ao oeste e ao sul do sarcófago. “Não havia nenhuma no norte”, lembra ela.

“Os egípcios tinham rituais muito complexos para permitir a ida ao Além, e me pareceu que esses três vinhos poderiam ter esse propósito, por estarem tão perto do faraó defunto”, afirma.

Durante o reinado de Tutancâmon, a teologia egípcia fundiu o deus solar Ra com Osíris, divindade dos mortos e da ressurreição. O faraó era considerado divino já em vida. Mas, para conseguir ressuscitar após a morte, ele tinha de incorporar Osíris.

Para Guasch Jané, essa é a chave do mistério. Os vinhos do leste e do oeste (respectivamente um branco e um tinto) simbolizam o trajeto do deus-Sol Ra pelo céu: vermelho-escuro no poente e claro ao amanhecer.

Mais importante ainda é a bebida do sul. Em egípcio, ela é designada por uma palavra especial, “shedeh”, que não é o mesmo termo usado para um vinho comum (“irep”) e designa uma bebida muito apreciada e refinada.

Textos egípcios mencionam que o “shedeh” era filtrado e aquecido. “É algo que se vê ainda hoje em vinhos para usos religiosos, como no judaísmo”, diz Alexandra Corvo, da escola Ciclo das Vinhas. Segundo ela, o processo deixaria o vinho com menos álcool e mais adocicado.

Pois bem: era a partir da região sul do céu que, segundo a mitologia egípcia, o faraó, unido a Osíris, navegava antes da aurora. Se a interpretação estiver certa, o “shedeh” estava ali para fortalecer o rei na parte mais importante de sua jornada para se unir aos deuses do Egito.

Retirado de “Vinhos enterrados com Tutancâmon serviam para levá-lo aos deuses”. Disponível em < http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/999343-vinhos-enterrados-com-tutancamon-serviam-para-leva-lo-aos-deuses.shtml >. Acesso em 01/11/2011.

Rei Tut: segredos de família (Nat Geo)

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Ano passado (2010) saiu uma matéria na National Geographic Brasil sobre o exame de DNA de 11 múmias para poder ser encontrada a família do faraó Tutankhamon. O resultado foi divulgado previamente no jornal cientifico JAMA e só depois espalhado pelo o mundo (inclusive com um documentário dividido em duas partes da Discovery Channel).  

Muitas pessoas já enviaram mensagens perguntando sobre este exame, e para não ficar me repetindo estou colocando aqui os links do site da National Geographic Brasil falando sobre o assunto:

 

Rei Tut: segredos de família

Rei Tut: segredos de família (fotos)

Nobres relações: a genealogia do faraó Tutankhamon

(Vídeo) Ay e as pinturas de Tutankhamon

Este vídeo faz parte do último trecho do documentário “O funeral de Tutankhamon” (atualmente em exibição na National Geographic Brasil) e conta qual seria o esquema de Ay, sucessor do faraó-menino, para se representar aos convidados do sepultamento do rei e para os deuses como o herdeiro do falecido.

Quem foi Ay?

Foi um dos membros mais populares do séquito que Amenhotep IV (Akhenaton) e Tutankhamon. Após anos servindo aos seus predecessores subiu ao trono depois de uma união com Ankhesenamon, a esposa de Tutankhamon.

(Imagem) Artista esboça relevo de templo

 

 

Foto: Instituto Oriental da Universidade de Chicago (Divulgação).

 

A artista do Arquivo Epigráfico do Instituto Oriental da Universidade de Chicago esboça os detalhes de um relevo da época de Tutankhamon. O principal intuito deste trabalho é documentar de forma precisa as inscrições e desenhos das paredes dos santuários para que sirvam como base para a interpretação em tempos futuros caso a documentação original se perca. Foto: Instituto Oriental da Universidade de Chicago (Divulgação).

10 coisas sobre Tutancâmon

 

10 coisas  sobre Tutancâmon que você possivelmente ainda não sabe

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

Rosto de um dos ataúdes de Tutankhamon. Fotografia tirada pela a expedição ao Egito realizada pelo o Metropolitan Museum of Art. (Ano desc.)

Tutankhamon (Tutancâmon) reinou durante cerca de uma década durante a XVIII Dinastia (Novo Império). Seu túmulo foi encontrado praticamente intacto em 1922 pelo o arqueólogo inglês Howard Carter e desde então qualquer descoberta relacionada a ele vira um furor na mídia mundial.

Apesar de ser uma das figuras faraônicas mais conhecidas, perdendo somente para a rainha Cleópatra, muitas coisas sobre a sua vida é desconhecida pelo o grande público, mas algumas delas listei abaixo:

1 – Um pequeno menino-rei: a idade que ele subiu aotrono (de nove anos) é uma hipótese em cima de um pequenino par de luvas achado em sua tumba e que foi usado durante a sua coroação. O tipo de ponto usado para a costura deste objeto era desconhecido do mundo contemporâneo até ser reinventado no século XVIII;

2 – Preparado para a guerra: durante o seu reino algumas intervenções militares foram realizadas na Ásia Menor e Núbia e provavelmente o faraó esteve em pelo menos uma batalha, isto se a bibliografia disponível no sepulcro de alguns dos seus funcionários corresponderem a verdade. Na sua tumba além das armas (usadas para treino) foi encontrada uma cama de campanha;

3 – Bichinho de estima: ele tinha dois cães, não se sabe o nome deles nem a raça embora sugestões apontem para o Pharao Hound;

4 – Tutankhamon… Ou Ankhesenamon: já foi sugerido que o manequim que retrata o rosto e o tórax do rei (JE 60722) não seria ele, e sim a sua rainha Ankhesenamon já que a obra lembra alguns traços do período amarna, mas a cor vermelho escuro da pele, tradicionalmente utilizada para identificar pessoas do sexo masculino na arte egípcia, aponta o contrário;

5 – Quem?: os pequeninos sarcófagos que guardavam os órgãos do faraó (ex. JE 60688) estão no nome do seu antecessor Smenkaré. Mas isto talvez não se trate de uma apropriação vil de bens já que o rosto no objeto é diferente dos demais que possuem o nome de Tutankhamon;

(…) provavelmente o faraó esteve em pelo menos uma batalha, isto se a bibliografia disponível no sepulcro de alguns dos seus funcionários corresponderem a verdade.

6 – Roupas de baixo: em um episódio dramático da abertura de sua tumba Lorde Carnarvon acreditou ter visto rolos de papiros em uma caixa, mas que mais tarde foi observado que na verdade eram roupas usadas por baixo das vestes tradicionais do rei, algo como as modernas cuecas;

7 – Jovem engajado: um dos bastonetes encontradas em sua tumba foi feito por ele mesmo. Sabemos disto porque o faraó se vangloriou assinando o artefato com a frase “Um junco que sua majestade cortou com suas próprias mãos”;

8 – Intervalo post mortem: Acredita-se que ele morreu no inverno egípcio porque em seu sarcófago foram postas flores de milho que brotam de março a abril, ainda lembrando que os preparativos da mumificação duram cerca de 70 dias;

9 – Várias casas: antes de morar em seu palácio outrora situado na atual Malkata, Tutankhamon e sua esposa viveram em Menfis, e antes disto um curto período em Akhetaton;

10 – Seu lado favorito para dormir: um dos leitos de Tutankhamon possui marcas de uso. Graças a este fato sabemos que ele preferia dormir do lado esquerdo da cama.

Tutankhamon é retratado batalhando em um dos cofres guardados na sua tumba. Foto: Araldo de Luca. Archivio White Star.

(Revista Nat Geo) King’s Tut DNA

Por Márcia Jamille Costa | @MJamille

 

A National Geographic Brasil de setembro virá com uma matéria sobre o exame de DNA realizado com os restos do faraó Tutankhamon, cujo resultado foi liberado no início deste ano (2010) e teve como finalidade tentar localizar a sua família dentre algumas múmias ainda sem nome e também confirmar parentescos. Como a revista ainda não chegou às bancas resolvi comprar a versão estrangeira.

 

King’s Tut DNA. Foto: Kenneth Garrett. 2010

King’s Tut DNA. Foto: Kenneth Garrett. 2010

 

A disposição da matéria está muito bonita, os editores da revista colocaram uma folha inteira com a foto de cada múmia examinada e ao lado uma descrição do gral de parentesco com Tutankhamon, além disto, foram disponibilizados alguns dos dados do exame que só tínhamos acesso até então pelo o relatório da pesquisa.     

As fotografias são de autoria de Kenneth Garrett, responsável pela a maioria das fotos de artefatos egípcios do acervo da National Geographic.

A versão em português está prevista para chegar às bancas brasileiras agora na primeira semana de setembro, mas a previa já pode ser conferida no site da revista.

Mais uma teoria para Tutankhamon

Por Márcia Jamille Costa

Na quarta-feira (23/06/10) foi anunciado por cientistas alemães que o faraó Tutankhamon teria morrido de uma desordem genética no sangue, e não de malária como foi anunciado no inicio do ano.

Tutankhamon viveu durante a XVIII Dinastia e reinou até os 18 a 19 anos de idade.

A teoria apresentada mundialmente no início deste ano fala que o faraó teria morrido devido a uma infecção óssea unida com a malária, mas os pesquisadores alemães do Instituto Bernhardt – Nocht de Doenças Tropicais de Hamburgo (norte da Alemanha), em carta ao JAMA questionaram a confiabilidade dos dados obtidos em fevereiro e anunciaram que, de acordo com os dados, o faraó apresentava sinais de anemia falciforme, uma mutação no DNA que provoca má formação das hemácias (que acabam assumindo uma forma semelhante à de foices).

Desde que foi desenfaixado em 1926 Tutankhamon recebeu mais de sete diagnósticos diferentes.

Os alemães deixaram claro que a anemia falciforme pode ser completamente comprovada ou excluída do diagnostico com um exame especifico de DNA. Ironicamente a anemia falciforme é uma resposta da natureza contra a malária.

 

As “outras mortes” de Tutankhamon

O faraó Tutankhamon não teve sossego desde que sua múmia foi desenfaixada em 1926 pela a equipe do arqueólogo inglês Howard Carter. Desde que os cientistas tiveram a oportunidade de chegar próximo à sua múmia várias teorias começaram a surgir sobre o que teria causado a sua morte:

 

– 1968

Com o primeiro Raio-X da múmia os cientistas encontraram um orifício na nuca do faraó que teria sido originado por um golpe na cabeça. Foi visto que o corpo da múmia estava muito danificado e faltavam muitos ossos do tórax.

 

– 1993

Neste ano já tinha nascido a teoria do atropelamento por biga, mas não levada adiante.

 

– 1999

Bob Brier lança o seu livro The Murder of Tutankhamen falando sobre a teoria do assassinato com o golpe na nuca.

 

– 2002

Greg Cooper e Lieutenant Mike King gravaram um documentário onde é levantado que o faraó teria Klippel-Feil e foi assassinado com um golpe na cabeça.

– 2005

É feita uma tomografia da múmia onde foi observado que o que seria um ferimento no crânio, que teria causado a morte do rei, era na verdade um orifício feito durante a mumificação. O exame mostrou que a patela do joelho esquerdo estava ausente, o que levantou a hipótese de que ele teria se ferido gravemente nessa região, contraindo uma infecção que levou a sua morte.

– Fevereiro de 2010

Um exame de DNA aponta que o faraó teria morrido de uma infecção óssea unida com malária.

– Junho de 2010

Nova teoria aponta que o faraó sofreria de anemia falciforme.

Update – 15 de Setembro de 2012

 

– Setembro de 2012

 

Médico aponta que o faraó sofreria de epilepsia, o que teria relação com sua morte. No entanto, em termos de Arqueologia, todas as provas do médico possuem base frágil.